Detalhe da câmera do Nexus 5.

O Nexus 5 é o Cruzeiro do brasileirão: um campeão discreto


10/10/14 às 14h49

Encontrei algumas fotos do Nexus 5 perdidas numa daquelas pastas temporárias na área de trabalho que, pelo tempo que estão ali, dá quase para dizer que viraram pastas fixas. E aí pensei: escrever sobre ele? Sim ou não? Só algumas palavras, talvez… Ah, por que não?

Os smartphones da linha Nexus têm uma gênese diferente da dos demais. Eles são fabricados por empresas tradicionais da telefonia móvel, como Samsung e LG, mas são vendidos como aparelhos do Google. Diferentemente do que rola com um Galaxy S5 ou G3, as fabricantes não mexem no Android; é a experiência pura e isso, por si só, destaca essa linha. Pela lógica parece que não, mas aqui, menos é mais, e ter o Android sem penduricalhos, aplicativos extras e personalizações duvidosas é um grande plus, diria até que é o principal motivo para se comprar um Nexus.

Ou um dos dois motivos. O outro é o preço. Nos EUA ele já entra na pré-venda custando pouco; por aqui, chega caro, mas esse valor despenca rapidamente. O Nexus 5 está em vias de ser atualizado (fala-se em um phablet da Motorola como Nexus 6), mas ainda resolve muito bem. Por menos de mil reais, ele é uma boa pedida para quem prioriza custo-benefício.

Isto aqui não é um review. Não recebi o Nexus 5 da LG; parece que a relação da assessoria com esse modelo específico, pelas peculiaridades do Google estar na jogada, dificultam um pouco a liberação de unidades de testes. O aparelho das fotos e que usei rapidamente é de alguém próximo, que o comprou para uso próprio e gentilmente o cedeu para eu dar uma olhada.

Comparativo: Nexus 4 e Nexus 5

Duas gerações de Nexus.

Como tenho um Nexus 4 dando sopa aqui, nada mais natural do que comparar as duas gerações. Apesar da distância de um ano e de especificações todas melhores no Nexus 5, em aplicações rotineiras não há grandes vantagens em desempenho. O Nexus 5 abre alguns jogos pesados, como Dead Trigger 2, mais rapidamente, mas é uma diferença marginal — em outros termos, não é por isso que alguém trocaria a versão anterior pela nova.

Em acabamento, o Nexus 5 agrada. Não chega a ser tão bonito quanto o Nexus 4, que é envidraçado e tem um efeito brilhante atrás, mas o acabamento seco, em plástico de boa qualidade e ângulos na medida certa tornam a empunhadura muito boa e o visual, idem. A essência utilitária, outra característica de um Nexus legítimo, continua presente. Os botões parecem mais firmes e mesmo com a tela maior (5 contra 4,7 polegadas), ele não chega a ser muito maior na mão que o Nexus 4 — ou, pelo menos, passa essa impressão.

Nesta cor, vermelho berrante, ele chama a atenção. O alto-falante do telefone, no topo, funciona como um toque final de requinte. Tem quem ache feio; eu achei bem legal.

Detalhe no Nexus 5.

Ao ligar a tela, senti algo estranho. E… bem, bastou compará-la à do Nexus 4 ou mesmo do iPhone para detectar a fonte dessa sensação: o tom amarelado. É o tipo de coisa que olhos menos atentos não reparam e que, no dia a dia, sem colocá-la ao lado de uma tela mais neutra, passa batido. Embora tenha chamado a minha atenção, não seria por isso que desistiria de uma hipotética compra do Nexus 5.

A tela do Nexus 5 é um pouco amarelada.
Da esquerda para a direita: iPhone 5, Nexus 5 e Nexus 4.

Na época do lançamento, o Nexus 5 foi alvo de muitas críticas pela câmera. Mesmo com estabilização ótica de imagens e as promessa do Google de que ela estava melhor que a do Nexus 4 (reconhecidamente ruim), os resultados ficaram aquém do esperado. Atualizações do Android refinaram o algoritmo e, embora não seja um espetáculo, dá para ser feliz com as fotos que ele faz. A comparação com a câmera do Nexus 4 é quase desleal, mas dá uma boa dimensão do salto em qualidade que rolou entre essas duas gerações (no Flickr tem mais):

Bananas e ovos, comparativo.
A definição e cores do Nexus 5 são melhores.

Nexus 4 e Nexus 5, comparativo de câmera.

Cores pobres e granulação.
Nexus 4: f/2,7, 1/172s, ISO 100. Redimensionada para 720×405.
Maiores saturação e definição no Nexus 5.
Nexus 5: f/2,4, 1/199s, ISO 100. Redimensionada para 720×405.

Fora isso, vale ficar atento à autonomia da bateria. Eu não consegui averiguar esse detalhe por motivos óbvios (fiquei apenas uma tarde com o Nexus 5), mas análises de vários sites apontam que a carga é insuficiente para um dia de uso tranquilo. Como era no Nexus 4, aliás. Bateria e câmera nunca foram o forte da linha, então o consumidor interessado nessa compra deve ter isso em mente antes de fechar negócio.

Vale a pena comprar o Nexus 5?

Nexus 5.

Vale. Não é difícil encontrá-lo por ~R$ 950 e, nessa faixa, não há concorrente para ele. O antigo Moto X era o natural (e minha preferência nessa disputa direta e bastante acirrada), mas saiu de linha com a chegada do novo e esse, ainda não passou dos R$ 1.300 em promoção.

O Nexus 5 é um smartphone espetacular. Bonito, potente e sem nada que o desabone consideravelmente. A câmera poderia ser melhor? A bateria, durar mais? Sim e sim. Mas tente encontrar um conjunto mais equilibrado nessa faixa de preço. É impossível. Se o Nexus 4 era o Barcelona dos smartphones no final de 2012, em 2014 o Nexus 5 é o Cruzeiro do brasileirão*: elenco relativamente barato, bem organizado e eficiente. Um campeão discreto.

* Eu parei de acompanhar futebol tem uns bons anos, então se a minha analogia estiver falha, avise aí nos comentários!

Compre o Nexus 5.

Compre o Nexus 5

Comprando pelos links acima o preço não muda e o Manual do Usuário ganha uma pequena comissão sobre a venda para continuar funcionando. Obrigado!

Colabore
Assine o Manual

Privacidade online é possível e este blog prova: aqui, você não é monitorado. A cobertura de tecnologia mais crítica do Brasil precisa do seu apoio.

Assine
a partir de R$ 9/mês

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

19 comentários

  1. Vendo o meu Nexus 5 preto. Sou de BH – MG. (31)8782-7161 (WhatssApp). Discordo completamente da analogia citando a seleção celeste, tão discreto que foi campeão dois anos seguidos com os jogadores “baratos”.

  2. Caro Rodrigo,
    O tratamento que vocês dão ao tema tecnologia é tão sofisticado e carregado de nuances que, muitas vezes, assemelha-se a abordagem feita por enólogos ao ‘etéreo’ mundo dos vinhos. Isso é um elogio. E, claro, há muito mais objetividade no mundo da tecnologia que no campo dos vinhos.
    Em tempo: não é que o Cruzeiro seja (falta pouco para sê-lo, matematicamente) um campeão discreto; o problema é que as emissoras de tv e os principais portais de notícias se limitam a fazer a cobertura de (alguns) times de São Paulo e do Rio.
    Grande abraço!
    Fábio.

    1. Faz sentido, Fábio. Talvez um título melhor fosse “(…) um campeão discreto (para quem acompanha o noticiário esportivo do eixo Rio-São Paulo)” :-)

      Obrigado pelo elogio!

  3. Tinha um Samsung SII, instalei a cyanogenmod, depois dessa experiência me animei e comprei um Nexus 5 (comprei a dois meses no Submarino por R$ 1049,00). Tirando o fato de não ter cartão de memoria, adoro o aparelho….
    No meu uso que acredito ser moderado, minha bateria dura em torno de 20 horas… Excepcional para quem tinha um SII com 10 horas de autonomia….rs

  4. É sério que até o Ghedin tá usando esse termo “phablet”? Essa palavra não pegar nunca. De todo modo, bom review.

    1. O Nexus 6 e o Iphone 6 Plus deram gás para a palavra pegar. Diversos sites gringos usam o termo para se referir a estes dois gigantes. Eu não curto telefones daquele tamanho.

  5. Ghedin, a analogia está boa sim! Os próprios torcedores do Cruzeiro enxergam diversas falhas no seu time, mas os torcedores de outros times (como eu) gostariam de ver um elenco como o do time mineiro em seu clube.

    Eu, flamenguista, estou incluso nessa galera. =)

    1. Mesmo redimensionada há ruído aparente no céu e as luzes da loja à esquerda estouraram. Foi feita com HDR?

      É uma boa foto pelas condições (bastante adversas), mas evidencia que câmera não é, mesmo, o forte do Nexus.

  6. Então, nesse caso ACHO que o novo Moto X parece ser uma boa. Por cerca de R$ 350,00 você leva um processador mais veloz/recente (pensemos em otimizações no consumo de bateria), o DOBRO de armazenamento (32GB), som frontal, “Dynamic Tuning” e maior qualidade de construção. Sem contar os extras da Motorola.

    1. Tenho esperanças de que na Black Friday o novo Moto X apareça em promoções muito boas (e que acabarão em segundos rs)

      1. Também estou esperando esta promoção. Ano passado apareceu por R$999, preço que seria bom até hoje para ele… Única coisa que quando chegou a Black Friday do ano passado ele já estava com mais tempo de mercado.

    2. O Active Display é um recurso sensacional também, nunca imaginei que apertaria tão pouco o botão de desbloqueio: passo a mão sobre o aparelho e dou uma olhada rápida tocando no ícone do app para ver se é algo importante (raramente). Se eu tivesse o Nexus 5, acho que seria o que realmente faria falta.

      Além disso, me impressionei positivamente com o design após ver ele ao vivo (comprei o Moto X de bambu). Não achei que fosse tão bonito.

  7. Comprei o Nexus 5 Vermelho, estou satisfeito. Me lembra quando eu metia Cyanogem no meu SII para ficar mais puro. Tudo funciona bem e rápido. A câmera que é um dos ítems fracos, eu coloco HDR+ e resolve muito. A bateria eu estou testando apps que controlam, pois eu uso muito a internet no smartphone e esgota ao fim do dia. Espero que o Android L arrume o lance da bateria mas, com apps como Facebook e Whatsapp, acho que só não usando mesmo.

  8. Em todas as lojas o Nexus 5 está esgotado/não disponível, uma pena. Os donos desse aparelho devem estar tão satisfeitos que não querem revender, nesses sites bomnegócio/olx etc são pouquíssimos anúncios, antigos ou que já foram vendidos.