MWC 2016, dia 5: Um sonho aos contornos de Gaudí

Até 2017, Barcelona!

Nota do editor: A Emily, que você deve conhecer do iG Tecnologia e/ou do Guia Prático, está em Barcelona, na Espanha, para cobrir a MWC, uma das maiores feiras de tecnologia do planeta. Ela está compartilhando conosco os bastidores da feira — um ponto de vista muito interessante e que raramente sai dos círculos de jornalistas que cobrem eventos do tipo. A cobertura termina hoje, este é o último post! Leia os dos dias anteriores: primeirosegundoterceiro e quarto.


Em geral, a forma como acordo diz muito sobre como será o meu dia. Então, quando eu despertei atrasada para a coletiva da Xiaomi, já sabia que o dia não seria fácil.

Mesmo pegando um táxi, cheguei uns 15 minutos depois do início do evento e antes mesmo de me sentar no auditório já havia arrumado confusão: o zíper do casaco que levo amarrado na cintura bateu na tela do MacBook de uma menina, que ficou extremamente irritada. Logo que sentei ela começou a praguejar algo que não entendi — foi sem querer! Ignorada, ela me cutucou para dizer que eu tinha acertado o computador dela com o casaco. Respondi que foi sem querer e pedi desculpas novamente. Passaram-se mais alguns minutos até que ela me cutucasse de novo e pedisse meu cartão de visita para o caso de ter acontecido algo com seu MacBook de fato. Lá fui eu catar o único cartão do iG que me resta. Pedi que tirasse foto. “Just in case”, respondeu a chinesa, agora mais simpática. Até agora, nenhum e-mail na minha caixa de entrada. Ainda bem.

Hugo Barra apresentando o Mi5.

Não bastasse essa treta, teve também Hugo Barra falando mais de um hora sobre um smartphone que, ok, parece bem legal, bonito e promissor em hardware, embora pareça uma mistura de iPhone com Galaxy S7. Eu entendo a importância de um lançamento para a marca e sei dos milhões de fãs que a Xiaomi tem, porém nada justifica ficar falando de cada especificação como se fosse a maior novidade de todos os tempos, né? Incomoda-me um pouco o exagero das apresentações da Xiaomi. Também incomoda essa megalomania da indústria de achar que um smartphone pode ser tão belo e sensacional como a aurora boreal. Foi o que o vídeo promocional do Mi5 quis dar a entender. Calma lá, pessoal, ainda é um celular, ok?

https://www.youtube.com/watch?v=Daf0450bCRk

Tento não pegar no pé da Xiaomi de graça, mas quando acaba a apresentação e apenas meia dúzia de aparelhos estão disponíveis para hands-on, fica complicado. Eu, que já estava com sono e com dor nas costas, fui tomar café para esperar a poeira baixar. E demorou, viu? Grande parte dos meus colegas fez as fotos do celular nas mãos de outras pessoas, tamanha era a espera pelo Mi5. Ainda não sabemos se o produto chega no Brasil, mas a presença da PR da Mi do Brasil pode ser uma pista positiva nesse sentido. Uma pena Hugo Barra não ter arranjado um tempo para descer do seu Ninebot, aquele “hoverboard” da Xiaomi, para falar com a imprensa brasileira. Estávamos em peso lá.

Já era quase hora do almoço quando saímos da Xiaomi rumo à Gran Fira. Eu, naquele momento provavelmente a pessoa mais azeda do rolê, convenci meus colegas de almoçarmos antes de continuar a peregrinação pela feira. Desta vez mandei uma comida árabe deliciosa. Pausa terminada, era hora de continuar. A MWC acaba oficialmente na quinta-feira (25), mas quem já veio a essa e a outras feiras sabe que o último dia é perda de tempo: os estandes passam o dia sendo desmontados e ninguém te dá mais atenção. Tinha que correr para ver o máximo de novidades.

Na Visa o destaque era a parceria com a Samsung para levar ao Brasil o Samsung Pay, serviço de pagamento móvel da sul-coreana. Por lá também descobri que já existem dispositivos vestíveis como uma pulseira e um casaco que são vendidos pela Blarclaycard para você pagar por contato, sem a necessidade de estar com o cartão de crédito. Já na Ericsson, com um estande que era praticamente uma cidade de tão grande, vimos de tudo um pouco. Enquanto empresa ligada à infraestrutura, a Ericsson está por tudo, só que não é percebida pelo usuário final como as demais. Por lá encontramos muito de 5G, a rede que deve conectar a Internet da Coisas em breve, e também Ina Fried, uma jornalista transsexual do Recode que eu particularmente admiro bastante.

Quando a reconheci, fiquei prestando atenção no que ela dizia. É meio ridículo, eu sei, mas sou fã de alguns jornalistas da área que escrevem para esses veículos que leio todo os dias. Há dois anos encontro o Vlad Savov do The Verge em feiras e sempre fico suspirando. Mas qual não foi minha surpresa quando, ao final da conversa, o entrevistado de Ina se despediu como se ela fosse um homem, com um aperto de mão e três tapas nas costas. É claro que ele não precisava ter se despedido com três beijinhos como fazemos nós, brasileiros, mas dar três tapinhas nas costas de uma mulher foi bizarro.

Na MWC parece que o tempo voa e, quando vimos, já era final da tarde. E, se tem uma coisa que não se pode perder na feira, é o jardim do Android. Há alguns anos o Google monta um espaço dedicado ao seu sistema operacional que, mesmo não tendo anúncios no evento, é sempre destaque. Como no ano passado, o Google estava distribuindo pins dos Android aos participantes, algo que sempre deixa os nerds do evento enlouquecidos. Neste ano eles também montaram uma cabine para que os visitantes experimentassem o Google Play Música, que já chegou no Brasil e tem até plano família. Ficamos quase meia hora sentados dentro do estande curtindo um som e brincando de DJ. A descoberta desta versão de Lost Stars, aliás, foi um dos pontos altos do dia.

Henrique Martin.
Henrique, do ZTOP, maior colecionador de pins do Android.

Antes de seguir o baile era preciso bater mais um texto. Sobre isso, preciso fazer um adendo: a MWC é, na minha opinião, a melhor de todas as feiras, mas também tem defeitos e o principal deles é que a sala de imprensa fecha muito cedo, às 19h30. Se a Gran Fira não fosse totalmente contramão não seria um problema sair dali e ir ao hotel escrever, mas acontece que esse não é o caso. Acabou que terminei o texto no trajeto, um pouco do lado de fora da sala de imprensa, um pouco na estação de metrô e o resto em casa.

Era hora de me despedir de Barcelona com os colegas de profissão. O que quer dizer que a culpa desse diário de bordo não ter saído antes foi deles. E da cerveja. E de uma bebida com gosto de pêssego que ganhamos em um jogo besta de acertar uma moeda de um euro dentro de um copo mergulhado em um vidro de água. É claro que fui eu quem inaugurei a brincadeira, mas presenteei o Paulo Higa, do Tecnoblog, com meu shot.

Jogo valendo um shot.
Nota do editor: isto, pelo que entendi, é um jogo.
Jornalistas no metrô de Barcelona.
Paulo Higa e Luiz Mazetto (IDG Now).

E assim chegou ao fim o sonho que é cobrir uma feira. Não só porque é muito legal para quem há tempos acompanha a área de tecnologia, mas porque sair da rotina, estar no meio de jornalistas consagrados da área, em contato direto com os executivos e dividindo as refeições com os colegas sem nenhum tipo de concorrência por vezes parece mesmo um sonho, e um sonho aos contornos de Gaudí.

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8 comentários

  1. Li essa parte “…porém nada justifica ficar falando de cada especificação como se fosse a maior novidade de todos os tempos, né?” e logo associei a outra marca com milhares de fãs hahahaha

  2. Também achei muito interessante a cobertura da feira nessa perspectiva! Dá para ter uma noção do que rola, dos lançamentos, e ainda conhecer algumas curiosidades! Parabéns!

  3. Que bela cobertura, acompanhei os informes todos os dias, nunca tinha ficado tão interessando em saber o seu ponto de vista, entrei no blog dia após dia, aguardo seus textos! Parabéns,

  4. Nunca tinha lido sobre as feiras de tecnologia por essas perspectiva! Gostei muito, parabéns pela cobertura. :)

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