MWC 2016, dia 3: Tinha uma greve de metrô no meio do caminho


22/2/16 às 23h13

Nota do editor: A Emily, que você deve conhecer do iG Tecnologia e/ou do Guia Prático, está em Barcelona, na Espanha, para cobrir a MWC, uma das maiores feiras de tecnologia do planeta. Ela está compartilhando conosco os bastidores da feira — um ponto de vista muito interessante e que raramente sai dos círculos de jornalistas que cobrem eventos do tipo. Leia os relatos do primeiro e segundo dias.


Finalmente chegou o dia em que a Gran Fira abriu suas portas para o grande público da Mobile World Congress 2016! Depois de um fim de semana agitado pelos principais anúncios do evento, o primeiro dia de feira pra valer não poderia deixar de ser emocionante.

Greve no metrô de Barcelona.

A primeira emoção foi acordar após duas e meia de sono apenas. Dormir e acordar no escuro não é nada legal, mas faz parte do show que é cobrir uma feira quatro horas adiantada no fuso-horário em relação ao Brasil. A segunda emoção do dia foi ir atrás do ônibus gratuito que a organização colocou à disposição dos visitantes da MWC. A greve do metrô, prometida para esta segunda-feira e também para quarta (24), se confirmou. Eu bem que tentei evitar comparações com o Brasil, mas foi praticamente impossível não questionar se teríamos tamanha agilidade para resolver uma questão semelhante envolvendo o principal meio de transporte de um grande evento.

Demos sorte de alguns ônibus para a feira saírem de bem perto do nosso hotel e de ser fácil de chegar no ponto de encontro. O Sol nem havia saído e já estávamos a caminho da Gran Fira para a coletiva de imprensa da Sony, marcada às 8h30. Segundo meu companheiro de jornada, Fabrício Vitorino, do TechTudo, esse é um horário barato para se fazer conferências dentro da MWC. De fato, é uma explicação plausível para a sacanagem que é marcar um evento tão cedo — tanto que chegamos juntos com o staff da Sony. Na entrada, graças à foto cadastrada no aplicativo da MWC, pude entrar apenas apontando o celular para uma torre com conexão Bluetooth, o que foi bem legal.

Estande da Sony na MWC 2016

Em um estande razoavelmente menor que do ano passado, a Sony apresentou rapidamente suas novidades aos jornalistas presentes. Antes, uma curiosidade: Kazuo Hirai, CEO da Sony, foi o terceiro executivo de uma grande fabricante a perguntar se sabíamos quantas vezes em média um usuário de smartphone olhava para a tela para ver notificações etc. Pelo menos desta vez ele não citou as “150 vezes por dia”, mas sim esse número multiplicado por outros. O raciocínio, entretanto, era o mesmo já feito anteriormente por executivos da LG e da Samsung no dia anterior.

A matemática dava 150 acessos ao smartphone por dia.

A primeira parte da apresentação foi utilizada para mostrar quatro produtos, sendo que três deles ainda estão na fase do conceito: o Xperia Ear, um fone bluetooth que em muito lembra o Moto Hint e que deve ser vendido em breve; a câmera vestível Xperia Eye; o Xperia Projector, um projetor interativo; e o Xperia Agent, uma espécie de assistente pessoal que faz as vezes de objeto de decoração.

Em seguida entraram em cena os novos smartphones, Xperia X, Xperia X Performance e o Xperia XA. O primeiro parece algum modelo antigo com nova roupagem. Com processador de nível intermediário da Qualcomm (Snapdragon 615), o aparelho é um “pré-premium” que bem que poderia se passar por um Xperia Z Compact ou algo semelhante. Já o Xperia XA é um intermediário em essência. Ele se destaca por apresentar um design um pouco diferente, menos quadrado e mais fino, o que me agradou bastante, pois foge daquela cara quadrada típica da fabricante. Fora isso, vale mencionar que a Sony também adotou o “ouro rosa” do iPhone. O terceiro, chamado de Xperia X Performance, traz um processador premium, o Snapdragon 820 da Qualcomm, mas mal foi visto no lotado estande da Sony.

Xperia XA na mão.

Fim dos lançamentos que interessam ao Brasil, era hora de voltar à agenda — tanto a que a Alcatel preparou para mim (é comum os jornalistas terem uma agenda mais cheia com a empresa que os convidou) quanto para a minha particular. Passei pelo estande da Alcatel para conferir mais de perto os produtos do portfólio 2016 e bater um papo com o vice-presidente de marketing para a América Latina, André Felippa, sobre o momento da empresa de origem francesa hoje controlada pela chinesa TCL. Em seguida, foi a vez de conversar com Fernando Pezzotti, outro ex-Samsung que agora está na Alcatel para ajudar a empresa em sua expansão, especialmente no Brasil, onde a marca não ocupa a vice-liderança que já conquistou no restante da América Latina em volume de vendas.

Depois, corri para a visita guiada no estande da Samsung. Além das novidades, desta vez foi possível experimentar a experiência em 4D do Gear VR, os óculos de realidade virtual feitos em parceria com a Oculus VR. Sentamos em cadeiras que se mexem para ver no acessório um vídeo em 360º e em primeira pessoa que nada mais é do que uma volta em uma montanha-russa. Você pode achar que não, mas é de dar medo sim. Minha mão suava e eu gritei e ri quase como se estivesse no brinquedo de verdade. Ok, Zuckerberg: talvez o futuro da realidade virtual possa ser divertido, mesmo com cada um imerso em seus próprios óculos.

Pratos da culinária mediterrânea na MWC 2016.

Antes de voltar ao batente matei a saudade da praça da alimentação. É tão bonito ter quatro opções de culinária e mesas e cadeiras confortáveis que o almoço no MWC acaba se tornando um evento coletivo. Quase todo mundo procura alguém para fazer companhia neste agradável ambiente que é a praça de alimentação da feira. Hoje fomos de cozinha mediterrânea, eu e mais três colegas, e obviamente peguei mais pratinhos do que deveria. Aliás, o grande ensinamento de hoje foi descobrir que é possível experimentar, num mesmo dia, outras culinárias (se o seu estômago assim permitir, é claro).

O pós-almoço foi de sala de imprensa lotada até a hora de ir para a fila de Mark Zuckerberg, que prometia roubar a cena novamente um dia depois de causar na coletiva de imprensa da Samsung. Antes, porém, tive um momento de decepção ao lado do colega Luiz Mazetto, do IDG Now. No nosso caminho até a sala de imprensa estava o estande da ZTE, onde um grupo de dançarinas se apresentava em um pequeno palco para a felicidade de alguns participantes do sexo masculino que pararam para assistir, filmar e tirar fotos. Não vou me alongar na reflexão, apenas deixo registrado que para uma mulher que trabalha cobrindo essa indústria é bastante incômodo perceber que grandes marcas ainda nos tratam como objetivo decorativo ou de entretenimento.

Dançarinas no estande da ZTE.

Voltando ao Zuckerberg. O auditório de fato estava cheio, mas suando muito e levemente irritado com o microfone que não funcionava, o CEO do Facebook não empolgou, nem mesmo quando falou da sua filha Max. Ele abordou de tudo um pouco: Free Basics e Internet.org, vídeos e realidade virtual, nada que realmente desse manchete. Mal sabíamos que além de uma palestra fraca ainda íriamos sofrer as consequências da tal greve do metrô na volta para o hotel.

Formamos um grupo de cinco jornalistas em que ninguém conseguia tomar a dianteira e sugerir um local para o jantar. Assim, seguimos o fluxo do metrô em direção às zonas mais movimentadas da cidade, que ficam longe da Gran Fira. Como era de se esperar as estações e os vagões estavam cheios nível Sé ou Luz na hora do rush. Cansados e sem iniciativa, fomos trocando de linha até chegar no meu hotel, onde decidimos nos juntar ao grupo da Alcatel e jantar no Xalet de Montjuic.

Pode parecer drama, mas a verdade é que o jantar é o único momento em que paramos de trabalhar e relaxamos um pouco. Hoje a pauta foi cinema, pessoas bonitas e sotaques. Descobri que o sotaque gaúcho não é dos mais charmosos, infelizmente. E que já passava da meia-noite quando cheguei no hotel com dois textos pendentes. Escrever de madrugada batendo papo com os colegas também faz parte de uma cobertura como essa da MWC 2016.

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13 comentários

  1. Muito interessante a pegada dos textos.
    Já que falou do Mark, Facebook e Free Basics… Alguém questionou ele sobre a questão na Índia?

  2. Cobertura pessoal e muito interessante, para além de specs e dados frios. Parabéns à jornalista pelos textos leves e informativos.

  3. Também estou gostante bastante dos relatos. Nem leio para saber das novidades, mas sim pelo caráter pessoal do texto mesmo.

  4. Também estou gostante bastante dos relatos. Nem leio para saber das novidades, mas sim pelo caráter pessoal do texto mesmo.

  5. Sotaque gaúcho não é nada charmoso! Concordo!
    To curtindo ler essas matérias. Muito legal mesmo! Bela iniciativa!

  6. Como gaúcho,tenho que dizer nosso sotaque,é um charme sim senhora,não entendo muito a Sony e o lançamento dos seus gadgets,atropelam em modelos quase todos iguais,sistema cheio de apps que ninguém usa,é confusa propaganda do prova d’Água dos seus aparelhos.

  7. Como gaúcho,tenho que dizer nosso sotaque,é um charme sim senhora,não entendo muito a Sony e o lançamento dos seus gadgets,atropelam em modelos quase todos iguais,sistema cheio de apps que ninguém usa,é confusa propaganda do prova d’Água dos seus aparelhos.