Mark Zuckerberg caminha despercebido entre jornalistas usando o Gear VR.

MWC 2016, dia 2: A disputa das sul-coreanas


22/2/16 às 0h01

Nota do editor: A Emily, que você deve conhecer do iG Tecnologia e/ou do Guia Prático, está em Barcelona, na Espanha, para cobrir a MWC, uma das maiores feiras de tecnologia do planeta. Ela está compartilhando conosco os bastidores da feira — um ponto de vista muito interessante e que raramente sai dos círculos de jornalistas que cobrem eventos do tipo. Leia o relato do primeiro dia.


A MWC 2016 nem começou oficialmente e já está repercutindo bastante. Nem em sonho eu imaginava que veria Mark Zuckerberg ao vivo, em carne, osso e camiseta cinza, no palco de um lançamento de smartphone, muito menos que o CEO do Facebook entraria no auditório sem ser visto pelos cinco mil presentes — terá sido um vislumbre do futuro que nos aguarda?

Foi histórico, para dizer o mínimo. Mas, a verdade é que, desde cedo, o dia avisava que seria movimentado: na pauta, além do lançamento da LG no início da tarde e da Samsung no início da noite, estavam programados dois eventos que costumam render pauta: o Show Stoppers e o Mobile Focus. Desta vez, porém, eles foram totalmente ofuscados pelas rivais sul-coreanas.

Lutando contra o despertador, levantei-me às 7h45 já pensando em comprar um chip. Barcelona é conhecida pelo honesto Wi-Fi público, porém quem trabalha com tecnologia sabe que não se deve confiar em nenhum Wi-Fi. Alguns colegas trouxeram um chip cedido pela Vivo, mas reclamavam do sinal da Movistar, enquanto outros faziam uso do chip só de dados cedido pela empresa que os convidou. Teve um colega que até se prontificou a me ceder um de seus dois chips, mas não aguentei a espera. Por isso, antes do dia de trabalho efetivamente começar fui com o Fabrício Vitorino, do TechTudo, para um shopping próximo. Na loja em que tocava Little Joy e cujo simpático atendente conhecia Rodrigo Amarante, adquiri um chip com 2 GB de internet e € 5 de crédito, por € 20. Mais uma vez percebo o quão sou dependente dessa coisa chamada Internet: foram quase R$ 100 em um chip para cinco dias. Ryca? Não, viciada.

Com o chip em mãos, seguimos para a coletiva da LG, no Palau Sant Jordi, bem próximo de um dos estádios olímpicos e uma das mais belas vistas da cidade. O desafio na LG começava antes da coletiva, pois não tinha conseguido credenciamento no Brasil. Por sorte, eles trouxeram para Barcelona uma excelente executiva que rapidinho me tirou da fila e me colocou para dentro do evento. É sempre assim: dizem que vão barrar quem não estiver credenciado e no fim entra todo mundo. No que diz respeito ao lançamento, o coquetel de boas-vindas já deixava clara a mudança de atitude da LG: ao invés de uma comunicação sóbria, o salão estava tomado por balões e cartazes de um verde-limão bem chamativo. Algo novo estava por vir. E veio.

Em geral, espera-se sentado de trinta minutos a uma hora pelo início de uma coletiva grande como essa da LG, que abrigou cerca de duas mil pessoas. Todo mundo quer pegar um lugar bom, logo, todo mundo se senta assim que as portas abrem. O desafio durante a espera na LG foi aguentar o clima de balada, com DJ e luzes piscantes no telão. Alguém já viu balada boa em que todo mundo está sentado? Mas, novamente: todo o teatro era parte da mudança de posicionamento da LG.

Apresentação jovem da LG.

Com seu novo G5, a LG não quer mais ser sofisticada; ela quer ser cool e, principalmente, jovem. Tão jovem que a apresentação do seu topo de linha foi feito por meio de uma história em quadrinhos cheia de onomatopeias que explodiam na tela. Alguns executivos da empresa também falaram e parceiros subiram ao palco, mas desta vez eles foram meros coadjuvantes. Protagonista mesmo foi o G5, que chegou totalmente remodelado e cheio de “amigos”, que é como a LG se refere aos acessórios do novo smartphone.

LG G5 e bateria removível

Particularmente, não gostei muito da nova cara do G5. Ainda assim admito que a LG conseguiu quebrar paradigmas ao apresentar um smartphone modular: a empresa transformou a bateria do aparelho em um módulo cuja base pode ser substituída por outras com novas funções, como oferecer controles físicos para a câmera ou um DAC/amplificador de áudio — dois exemplos reais mostrados no palco. Sempre me perguntei se os donos de celulares com baterias removíveis de fato compram baterias extras. Barbara Toscano, gerente de marketing da LG, garantiu que pesquisas globais dizem que sim, e que as pessoas acham ruim quando a bateria do smartphone não é removível. A conferir.

Além da bateria e desses módulos, a LG impressionou com a quantidade de acessórios que prometeu para o G5 e que se conectam de outras formas (Bluetooth ou cabo, por exemplo). Entre eles, um óculos de realidade virtual (que, para mim, mais parecia um protótipo mal-acabado) e um bola robótica que é capaz de monitorar sua casa e seu animal de estimação. Entre os demais amigos do G5 estavam também um acessório de câmera que possui até botão de zoom e uma outra câmera para imagens 360º. Nada disso ainda tem preço e data de lançamento, mas o G5 deve chegar ao Brasil em abril.

Turistando por Barcelona.

Fim da coletiva e das demonstrações, seguimos em grupo para o pé da montanha e para a estação Espanha do metrô. Entre uma parada e outra para tirar fotos dos pontos turísticos, tentávamos juntos chegar ao nosso destino: o hotel do grupo da Samsung para a retirada das credenciais — nessa eu já estava credenciada.

Depois de mais de 1h30, chegamos no hotel que também abrigava Logan Paul, um youtuber/viner que nenhum dos jornalistas presentes naquele lobby conhecia. Aliás, só ficamos sabendo da existência e da presença desse rapaz em Barcelona porque um grupo de cinco adolescentes passou o dia na frente do hotel esperando por ele. Logan Paul, um cara que para mim parece uma estátua grega transformada em gente, faz bobagens em vídeo para seus nove milhões (!) de seguidores no Vine e outros tantos nas demais redes sociais.

Voltamos à coletiva da Samsung e sua tradicional fila quilométrica. Realizada no mesmo local do ano passado, o Unpacked (a coletiva da Samsung tem nome) desse ano surpreendeu, mas menos pelos aparelhos do que pelo evento em si.

Gear VR para todo mundo.

A começar pelo óculos de realidade virtual Gear VR que todos os cinco mil presentes encontraram em suas cadeiras. Depois, pelo enorme cubo que se abriu e se transformou em palco. O Galaxy S7 e o S7 edge, apesar de muito bonitos e completos, com espaço para cartão micro SD, resistência à água e baterias potentes, não brilharam tanto. Durante o evento, o público se espantou mesmo foi com a semelhança entre a apresentação da Samsung e da LG. Executivos de ambas as empresas usaram a mesma informação de que olhamos o celular 150 vezes ao dia para justificar uma funcionalidade que deixa a tela sempre ligada. “Você pode ver as horas e as notificações durante uma reunião sem que ninguém perceba”, disseram os executivos das sul-coreanas, com uma ou outra palavra diferente. A Samsung anunciou a expansão do seu serviço de pagamento móvel, o Samsung Pay. No Brasil já estão confirmados alguns parceiros como Itaú, Banco do Brasil, Nubank, Caixa Econômica Federal, Porto Seguro e Bradesco.

Galaxy S7 e S7 edge.

Já a realidade virtual ficou por conta do lançamento da Gear 360, uma câmera em formato de bola que captura fotos e vídeos, e pela presença de nada mais, nada menos, do que Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, que subiu ao palco sorrateiro enquanto todos viam uma demonstração em seus óculos de realidade virtual. Mesmo com esse episódio precedendo sua fala, ele foi capaz de dizer que a realidade virtual será a plataforma mais social do mundo! Markito, se o futuro será algo como cinco mil pessoas sentadas assistindo algo em comum, mas cada um em seu óculos, esse futuro não é para mim… Ironia ou não, a Samsung deu (ou desovou) um Gear VR para cada um dos cinco mil participantes.

De lá a ideia era se encontrar no hotel da Samsung mais uma vez e dividir um táxi até nossos respectivos hotéis, mas a verdade é que jornalista nenhum resiste a uma boa janta depois de um dia de canapés. Bem acompanhados do pessoal de relações públicas da Samsung, fomos comer e falar de tecnologia, filhos e, é claro, jornalismo. Não resistimos a uma boa conversa sobre a profissão e o mercado, mesmo que isso signifique trabalhar de madrugada. Pelo menos o fuso está ao nosso favor. Aqui já são 3h da madrugada, mas no Brasil ainda é 23h.

Foto do topo: Facebook. Todas as demais são da Emily.

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2 comentários

  1. Por isso, antes do dia de trabalho efetivamente “cameçar” fui com o Fabrício Vitorino, do TechTudo, para um shopping próximo.