MWC 2016, dia 1: Os bastidores da feira que já começou

Jornalistas se arrumando antes do início da coletiva da Alcatel.

Nota do editor: A Emily, que você deve conhecer do iG Tecnologia e/ou do Guia Prático, está em Barcelona, na Espanha, para cobrir a MWC, uma das maiores feiras de tecnologia do planeta. A partir de hoje ela compartilhará conosco os bastidores da feira — um ponto de vista muito interessante e que raramente sai dos círculos de jornalistas que cobrem eventos do tipo.


Logo mais começa a Mobile World Congress, minha feira de tecnologia predileta. E não apenas por ser em Barcelona, cidade da parte catalã da Espanha, mas pelo evento em si. Para mim a MWC é a melhor porque, ao contrário da CES, que se espalha por Las Vegas, ela é menor, acontece praticamente em um único espaço. E também porque é mais focada — nada de carros ou eletrodomésticos, como na IFA, de Berlim. Aqui o assunto é smartphone e o universo que gira ao seu redor.

Para jornalistas, a MWC também é especial por outros fatores. Junto com a credencial de imprensa, a organização dá um passe de metrô para os dias de feira e comida boa de graça. Pode parecer bobagem, coisa pouca, mas ter um lugar para comer de verdade equipado com cadeiras e mesas é algo que só se dá valor depois de consumir muito lanche em pé na sala de imprensa ou na fila de alguma conferência. Além disso, por ser uma feira de tecnologia móvel, o Wi-Fi realmente funciona ali dentro, outra distinção importante frente às demais feiras que conquista jornalistas, profissionais ávidos por atualizar suas redes sociais e, é claro, mandar matérias, fotos e vídeos.

Esta é a minha segunda MWC. Estou aqui como jornalista convidada da Alcatel e representando o iG, onde trabalho há mais de dois anos. Pode-se dizer que já virou tradição as empresas de tecnologia levarem alguns jornalistas para seus maiores lançamentos, especialmente quando eles acontecem em feiras como a Mobile World Congress, CES, IFA e Computex. A partida do Brasil, na tarde da sexta-feira, não poderia ter sido mais emblemática: peguei o voo da Air Europa com o time da Samsung e com os colegas convidados pela sul-coreana, ou seja, metade da imprensa brasileira especializa estava no mesmo avião. Quando se viaja a trabalho é sempre melhor estar acompanhado de alguém — migração e conexões podem ser mais treta do que se imagina.

Controle remoto horrível do sistema de entretenimento do avião.

Enfrentar as 13 horas de voo entre São Paulo e Madrid não foi fácil. O sistema de entretenimento da Air Europa, não bastasse ter funcionado em apenas 10% do voo devido às turbulências, era desafiador até para quem está acostumado a lidar com tecnologia. Sem tela sensível a toques, muitos desistiram de ver, escutar ou jogar qualquer coisa nele. Eu persisti e aprendi a mexer no controle remoto com fio que era meio controle remoto, meio controle de videogame. E fui capaz até de selecionar um filme (O Homem Irracional) entre as incríveis oito opções e a mexer no brilho da tela. Mas como o sistema de entretenimento não durou muito, o jeito foi passar o tempo com distrações mais arcaicas como um livro de papel e uma revista impressa. Ou trocar de lugar, sugestão do nada simpático comissário de bordo.

Na chegada a Madrid, além do frio de rachar, alguns momentos de tensão: munidos de seguros de viagem e comprovantes de retorno para o Brasil, entramos todos na fila de migração. No Brasil nos alertaram sobre a exigência de cada vez mais documentos pela polícia federal espanhola. (Só eu gastei R$ 11 imprimindo folhas em Guarulhos.) O guarda que carimbou a maioria dos passaportes nem bom dia nos deu, muito menos perguntou o que estávamos fazendo ali…

De Madrid a Barcelona, trecho que não chega a uma hora de voo, consegui finalmente dormir — com as três horas de jetlag pesando, mesmo essa soneca já ajudou. Em Barcelona, com mais frio e ainda cansada, ficamos esperando uma hora pela bagagem, que enfrentou problemas técnicos entre o avião e a esteira. Vai entender. E esperar.

Jornalistas em aeroporto.

Um dos grandes avanços dessas feiras é permitir que o jornalista pegue sua credencial já no aeroporto. É uma facilidade e tanta uma vez que as filas para entrar na Gran Fira, um dos maiores centros de exposições da cidade, local onde acontece a MWC, podem ser realmente longas. Neste ano a organização praticamente nos obrigou a baixar o aplicativo do evento — faz parte do processo de credenciamento de imprensa. Porém, ao que parece, foi mesmo por uma boa causa: com a foto autenticada, poderemos entrar apenas com o celular, sem a necessidade de mostrar o passaporte.

São 10h da manhã, quase 18 horas em trânsito. Credencial e mochila da feira já retiradas, é hora de partir para o hotel e descansar antes do primeiro evento do dia. Sim, oficialmente o evento começa só segunda-feira (22), mas já teve lançamento neste sábado (20).

Mochila e credencial.

Como em todas as feiras de tecnologia, a MWC também tem um ou dois dias na véspera para as pré-conferências de imprensa. A Alcatel foi quem deu o pontapé inicial neste ano. E, nessa história, se deu muito bem: André Felippa, vice-presidente de marketing da Alcatel para a América Latina, comentou que havia o dobro de pessoas no evento deste ano em comparado com o do ano passado, quando disputou a atenção com ninguém menos que a Samsung.

Desta vez o sábado foi todo da Alcatel OneTouch, que agora é só Alcatel mesmo, e de seus novos produtos voltados para o público jovem que caminha para o segmento premium, os smartphones Idol 4 e Idol 4S. Além do design reversível herdado do Idol 3, ou seja, que gira automaticamente conforme a orientação do aparelho, e de bons recursos de áudio graças à parceria com a JBL, a série recebeu um incremento interessante: um acessório de realidade virtual similar ao Gear VR da Samsung.

Anúncio dos novos Idol 4.

O evento, que aconteceu no Teatre Principal Barcelona, não fugiu do básico das coletivas de imprensa: mais gente do que o local suporta, alguns disputando os melhores assentos, outros, a comida e a bebida grátis, e um Wi-Fi impossível, insuficiente até para mandar um tweet. Porém, o anúncio foi bastante conciso e completo, com data e preço de lançamentos dos aparelhos e informações sobre a estratégia da empresa. Infelizmente tivemos as tradicionais entrevistas com parceiros, algo que eu substituiria facilmente por uma sessão coletiva de perguntas e respostas, e apenas duas mesas com aparelhos em demonstração, ambas com iluminação péssima, longe do ideal para fotografar ou filmar os smartphones.

O final da noite também é hora de jantar. Desta vez fui com os colegas de imprensa que vieram pela Alcatel ao La Fonda, um restaurante de cozinha mediterrânea excelente cujo grande destaque foi o arroz negro feito com tinta de lula e a cerveja Barcelona Beer, artesanal e local. Era tanta comida que alguns recusaram a sobremesa inclusa no menu e quase todos tomaram café para suportar o próximo turno. O trabalho não para, só muda de lugar: agora, no quarto do hotel.

Cerveja Barcelona Beer.

Você tem alguma curiosidade sobre a MWC ou como trabalham jornalistas nessas coberturas de eventos? Perguntei aí nos comentários.

Foto do topo: @alcatel1touchla/Twitter. Todas as demais são da Emily.

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6 comentários

    1. Custos… Essas companhias ainda utilizam coisas dos anos 90 para baratear suas operações. Apesar de que hoje, um touch vale menos que um pedaço de plástico com um fio à mais.

  1. Que legal, só achei estranho ter que mudar de assento no avião. Eu achava que OneTouch era uma linha da Alcatel hahahahah. O MWC dura uma semana?

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