Motorola, a nova Samsung ou o efeito Lenovo

Em mais um evento de grandes proporções, desta vez no Ibirapuera, em São Paulo, a Motorola mostrou que segue firme e forte na sua estratégia de se tornar a Samsung. E não estou falando da busca pela liderança do mercado de smartphones — muito embora a Motorola repita com cada vez mais frequência que é a atual vice-líder e segundo ela própria tenha crescido 51% no primeiro semestre de 2017 — mas sim da quantidade de aparelhos que estão lançando neste ano. O nome Motorola voltou, mas só. Quem dita as regras agora é a Lenovo.

Um reflexo disso é que ao invés de lançar apenas o Moto Z2 Force, anunciado em julho em NY, a Motorola trouxe para o Brasil também o Moto G5S e o Moto G5S Plus e fez muito mais barulho em cima deles. Neste ano, se o Moto X4 de fato der aparecer, serão nove aparelhos no portfólio. Só da linha G são quatro smartphones. Se você considerar que a Motorola ainda vende gerações anteriores de todas as suas linhas esse número quase dobra: dezesseis. Até parece a Samsung!

Posso soar exagerada, mas a verdade é que pelo menos no Brasil faz sentido. Afinal, a família J é a mais vendida no país atualmente — dados da GFK citados pela Samsung na apresentação do J5 Pro e do J7 Neo. O J5 é o aparelho mais vendido, posição já ocupada pelo Moto G no passado, enquanto o J7 é o segundo mais vendido. O terceiro pode ser que seja da família G, mas pode ser também, em alguns meses e a depender da faixa, da linha K, da LG. Ser terceiro lugar não é ruim, mas talvez seja para uma Motorola que já foi líder e se tornou case.

Se eu estou dizendo que a estratégia da Motorola está errada? Não. Se com a alcunha Galaxy deu certo, por que não haveria de dar com essa dobradinha de marcas Moto G & Motorola? Mas não há mais dúvidas que os tempos de Google e Android puro — a Motorola agora muda o design dos ícones, por exemplo — passaram e que a chinesa Lenovo segue alguns passos da vizinha sul-coreana.

Os novos Moto G: Moto G5S e MotoG5S Plus

Poderia ser apenas para confundir, mas a ideia do S no nome é para mostrar que os dois aparelhos trazem algumas configurações premium, como leitor de impressão digital, bateria acima da média e câmeras pontentes. Qualquer semelhança com a linha J não é mera coincidência.

O G5S tem uma câmera traseira de 16 MP e uma frontal de 5 MP com flash LED. Mas a ousadia e a alegria ficou mesmo por conta do G5S Plus, que além da câmera frontal de 8 MP com flash LED veio com câmeras duplas, recurso que já chegou nos produtos topo de linha de Asus, LG e agora Samsung, mas que nunca tinha sido visto num smartphone intermediário na casa dos R$ 1,5 mil. E com as câmeras duplas vem a possibilidade de fazer o que a Motorola chama de modo efeito foco seletivo, recurso muito popular no iPhone, e que permite que o usuário desfoque o fundo das fotos. Outras duas inovações da câmera dupla são o modo efeito preto e branco seletivo e o modo que permite ao usuário substituir o plano de fundo, tipo colocar a Torre Eiffel atrás de você ainda que você esteja em São Paulo.

Por dentro, os dois aparelhos são bem parecidos: processador Qualcomm Snapdragon 430 no G5S e o 625 no G5S Plus, CPU Octa-core 2.0 GHz Cortex-A53, GPU Adreno 506 e bateria de 3.000 mAh. O que muda é o conjunto de memórias RAM e ROM. No Moto G5S tem 2 GB de RAM e 32 GB de armazenamento, enquanto o G5S Plus tem 3 GB de RAM e 32 GB, ambos com a memória expansível via microSD. Outra diferença é o tamanho da tela: 5,2 polegadas para o G5S e 5,5 para o Plus, ambas Full HD. Além disso, o Moto G5S Plus vem com aplicativo e sintonizador de TV digital HD integrados.

O G5S será vendido em azul, preto e dourado, enquanto o Plus vem nas cores cinza, rosa e azul. O Moto G5S custa R$ 1.099 e o Moto G5S Plus R$ 1.499. Os dois já estão à venda.

Moto Z2 Force

Apesar de ser um dos aparelhos mais diferentes da marca e do mercado, e que eu particularmente gosto, o Moto Z2 Force mereceu espaço no palco, mas não no comunicado de imprensa. Hum, curioso. Com tela de 5,5 polegadas e resolução QuadHD, o Moto Z2 Force se destaca pela tecnologia ShatterShield que deixa a tela mais resistente a quedas. Além disso, ele faz parte da lista de aparelhos que pode receber módulos, os Snaps, inclusive o GamePad que foi anunciado em Barcelona, na Espanha, mas só agora foi visto no Brasil.

O Force também tem câmera dupla de 12 MP na traseira e uma de 5 MP na parte frontal. O processador é Qualcomm Snapdragon 835, CPU Octa-core (4×2.35 GHz Kryo & 4×1.9 GHz Kryo) e GPU Adreno 540, com 6 GB de RAM e 64 GB de memória de armazenamento. Um verdadeiro topo de linha com preço de intermediário premium: R$ 2.999. A bateria, porém, não é grande coisa: 2.730 mAh, mas o leitor de impressão digital pelo menos fica na frente.

Desses anúncios todos, a impressão que fica é que o Force não faz mais tanto barulho, nem entre os usuários, nem na Motorola, que está mais preocupada em multiplicar os pães com a família Moto G. E, no Brasil, abocanhar mais fatias de mercado: não apenas das correntes que já deixou para trás, mas também da líder, Samsung. Para além dos produtos, que vão ser cada vez mais comparáveis e comparados — Js e Gs –, a disputa vai ser para ver qual a marca mais amada no Brasil.

*Colaborou Leandro Vignoli.

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21 comentários

  1. Novo lançamento é pra ocultar a chuva de reclamações do Moto G5 e G5 Plus, sou um deles, ausência de sinal 3g ou 4g, bateria passou a se esgotar mais rapidamente, não carregamento acima de 90%, ghost touch, foto que não salva, camera pior que a média de mercado, enfim, o que era bom na era Motorola ficou uma bosta com a Lenovo.

    Passei pelos Moto G3 e G4 sem problemas, mas agora G5 plus ainda não tive meu problema resolvido.

    1. Amigo, tenho um G5 Plus desde o lançamento, e cá pra nós… Nunca me deixou na mão… Sempre bom, autonomia de bateria excelente, sem toques fantasma ou burn-in, 4G sempre disponível (e olha que eu moro em Manaus, hein?), câmera sempre satisfez minhas vontades…

      Não tenho muito o que reclamar dele, mas do meu antigo G4 Plus? Nossa, reclamações não faltaram… Me forçou a pegar o dinheiro de volta…

  2. Emily, bom artigo. Gostei muito. Apenas uma pequena ressalva: “…veio com câmeras duplas, recurso que já chegou nos produtos topo de linha de Asus, LG e agora Samsung, mas que nunca tinha sido visto num smartphone intermediário na casa dos R$ 1,5 mil.”. Posso até estar enganado, mas esse recurso já havia sim, em smartphones na faixa entre os 1000,00 e 1500,00. Um exemplo deles é o LG X Cam. Possui um desempenho de Moto G5, mas o seu diferencial foi justamente o da câmera dupla. O X Cam conta não com 2 sensores de 13MP, mas sim, um de 13 e o outro de 5MP.

    1. esse aparelho da LG é uma incógnita pra mim, nunca nem vi de perto e não lembro do lançamento, mas de fato, é um bom exemplar.

      1. Levando em conta o mercado nacional, sim, o X Cam foi o primeiro de verdade (o Optimus 3D não conta, era uma carniça). Já se for olhar lá pra fora, em 2013 e 2014 a Huawei e HTC já investiam em câmera dupla principalmente para o efeito bokeh, apesar da solução da HTC ser meia boca, a Huawei foi a precursora e fez escola.

        1. arrumei! escrevi esse texto indo para aeroporto, não consegui revisar antes de embarcar. obrigada!

      1. Não foi por conta da tua escrita, Emily (aprecio seus artigos bem detalhados) desculpe, não expliquei :-/ Mas sim por conta do número de aparelhos, tão somente. rsrs Desculpe de novo ?

  3. O tela Shatter Shield pode até proteger a tela de estilhaços numa possível queda, porém, a mesma sofre com arranhões que é uma maravilha. Não sei se a tecnologia tem evoluído mas quando eu tinha um X Force, sempre precisava ter o maior cuidado ao limpar a tela. Mesmo assim, os riscos eram acima da média. Até o simples gesto de arrastar algo na tela, se você estivesse numa região com vento e poeira, fazia os riscos aparecerem, sério.
    Já que eu não tenho um histórico desastrado com smartphones, parei de investir nesses aparelhos, mesmo gostando bastante da linha top da Motorola.

    1. É pq não é vidro, é plástico. O meu eu usava película justamente por causa dos arranhões, que além de surgirem muito mais facilmente ainda ficam muito mais evidentes já que o desgaste do plástico gera a cor branca.

  4. Sei lá, acho que esse negócio de celular modular não pegou, e a parte frontal desses celulares da motorola parece que ficou ultrapassada depois do S8, Mi MIX e outros com display “infinito”.

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