Foto de divulgação do Moto X4, da Motorola.

A câmera do Moto X4 é defeituosa ou apenas ruim?


23/11/17 às 11h32

A Proteste, uma associação de defesa dos consumidores, notificou a Motorola devido a um suposto problema com a câmera frontal do Moto X4, smartphone lançado há pouco no Brasil pelo preço sugerido de R$ 1.699. De acordo com a associação, ela apresenta um defeito de funcionamento grave o suficiente para que o artigo 18 do Código de Defesa do Consumidor, que determina a substituição do produto ou restituição do valor pago, seja acionável.

A alegação da Proteste é a seguinte:

(…) foi constatado que a câmera do Moto X4 não consegue focar perfeitamente no objeto do primeiro plano, ou seja, caso o consumidor tire uma “selfie” na frente de um armário de livros, por exemplo, ele ficará desfocado, mas os livros atrás dele estarão completamente focados. O que acarreta o problema de dar a impressão de “embaçado” e torna ineficiente uma das principais funções do celular.

Esse tipo de problema era comum na época em que os celulares, principalmente os mais em conta, vinham com câmeras de foco fixo. A tecnologia já avançou o bastante para superarmos essa fase e, por quase R$ 2 mil, o Moto X4 não é exatamente barato.

Das diversas análises do produto publicadas por sites brasileiros e de fora, poucas apontaram o problema. Das dez que li, apenas duas, ambas daqui, apontaram o problema do foco na câmera frontal, ou de “selfies”.

No Tecnoblog, Paulo Higa escreveu:

Embora seja equipado com uma câmera frontal de 16 megapixels, um número que chama atenção, o Moto X4 tem um grande problema: ele não consegue focar direito. Por um momento eu me lembrei das velhas câmeras com foco fixo: o fundo constantemente fica mais focado que meu rosto. A única forma de tirar uma selfie nítida foi afastando bastante a câmera — um problema que não deveria ocorrer em um smartphone dessa faixa de preço.

E no AndroidPIT, Emily Canto Nunes:

(…) é perceptível a olho nu que o foco da câmera frontal funciona muito mal, deixando o foco atrás da pessoa que deveria estar em evidência numa selfie.

Contatada pelo Manual do Usuário, a Motorola disse que “tomou conhecimento dos questionamentos formulados pela PROTESTE e entrará em contato com a associação para entender os critérios e os parâmetros utilizados que levaram aos resultados divulgados, bem como para solicitar as amostras utilizadas para análise”, e que “todos os seus produtos são fabricados segundo rigorosos processos de controle de qualidade e primam pela inovação, design e praticidade”.

Vício ou qualidade ruim?

Toda fabricante está sujeita a erros de projeto e problemas de fabricação. No caso da câmera frontal do Moto X4, a dúvida que fica é se se trata de um defeito (“vício”, no juridiquês) ou se é apenas uma câmera ruim.

A segunda hipótese não é descartável. Parece-me, pelos exemplos vistos e análises lidas, que a qualidade da câmera frontal realmente fica aquém do que se esperaria de um celular de R$ 1.699.

O desapontamento com as câmeras do Moto X4 vai além da frontal. No site especializado norte-americano The Verge, são destaques negativos o “desempenho lento da câmera” e a “qualidade de imagem mediana” dela. A análise chega a detectar distorções significativas nas fotos feitas com as câmeras traseiras.

Das 10 análises consultadas, seis delas publicadas por sites brasileiros, apenas duas tocaram na questão do foco disfuncional da câmera frontal. Qualidade de imagem é algo um tanto subjetivo, mas falhas de foco, distorções e lentidão nos disparos, como apontaram alguns sites (caso do CanalTech entre os nacionais), não. São problemas objetivos que deveriam ser mencionados àqueles que estão interessados em adquirir o produto e buscam por mais informações antes de fechar a compra.

Atualmente, é difícil fazer um celular intermediário (+R$ 1,5 mil) ruim, mas com algum esforço ou azar ainda é possível. As câmeras do Moto X4 têm potencial de condenar o aparelho a ser uma dessas rarirades — especialmente concorrente com modelos melhores da própria Motorola na mesma faixa de preço, como o Moto Z2 Play.

Pela natureza dos problemas das câmeras, existe a chance de alguma melhora via atualizações de software. Só que esse é o tipo de cenário com que não se pode contar e que não deveria pesar numa análise de produto.

Então, fica a dúvida de onde está o problema dessas análises todas. Nossos especialistas estão muito fáceis de agradar? Os critérios estão baixos? Ou, ainda (e isso é um problema real), falta tempo para testar devidamente os aparelhos?

Foto do topo: Motorola/Divulgação.

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