O que tem na mochila da Nadiajda Ferreira.

O que tem na sua mochila, Nadiajda Ferreira?


18/3/15 às 10h48

Foto da Nadiajda Ferreira.

Nadiajda Ferreira tem 27 anos, é mineira e atualmente vive em São Paulo depois de anos de ciganagem de seus pais pelo Brasil afora. Trabalha como editora-chefe do site de tecnologia Gizmodo Brasil, é organizadora compulsiva e compra mais livros do que a sanidade e o espaço permitem. Depois de sofrer uma tentativa de assalto, desenvolveu um ligeiro horror a andar com o computador dentro da bolsa e resolveu se virar com um caderninho e algumas canetas.

  1. Foi apenas um sonho, de Richard Yates. Sim, tem dois e-readers nessa foto, mas também tem dois livros físicos. Você pode dizer “meu Deus, que louca doente mental” e não vai me restar muito além de abaixar a cabeça e concordar, mas o lance é que desde o meio de 2013 eu comecei a ler um monte de coisa ao mesmo tempo. Enjoei de um, tudo bem, tem outro ali. “Mas Nadiajda, você pode fazer isso com o e-reader”. Sim, claro, mas comprar um e-reader não serviu pra que eu deixasse de atolar meu quarto de livros físicos, principalmente quando se trata de edições que eu sei que vou querer rabiscar. Esse livro é um dos meus favoritos, mas a minha edição foi roubada, o que é bem triste porque ela tinha as anotações de seis releituras. Esse fim de semana uma amiga me deu o exemplar dela, que tá meio sujinho e sofrido, e parei o que estava lendo para reler pela sétima vez porque, senhor, como esse livro é ridiculamente bem escrito!
  2. Tags. Já tem uns anos que eu perdi o respeito pela sacralidade do livro como objeto e comecei a anotar, dobrar ponta de página e derrubar batata-palha dentro da edições. Mas quando você está procurando padrões ou marcando coisas específicas, essas tags coloridas me ajudam a fazer o trabalho: cada cor serve para marcar um determinado aspecto ou repetição. Ajuda quando você acaba de ler o livro e volta pra ver o que anotou (sim, eu faço isso; perdão). E a insanidade não acaba por aqui: não costumo publicar minhas resenhas na internet: escrevo tudo num caderno, porque de opinião a internet já tá cheia, né? Prefiro guardar as minhas dentro do coração. Tenho um monte dessas bandejinhas de tags espalhadas pela casa, essa que vai na bolsa é a menorzinha delas.
  3. Cabo USB do Kindle. Nem sempre está na bolsa, porque a carga do e-reader dura vários dias, mas como ando lendo mais livros físicos nos últimos meses, o Kindle ficou zerado, coloquei o carregador na bolsa e é claro que esqueci ele dentro do saco sem fundo.
  4. Carregador portátil Power Bank. Aquela salvação para quando você percebe que esqueceu de carregar o celular antes de sair ou quando a bateria não aguenta o tranco. Às vezes tenho a impressão (e acho que ela é ilusória) de que a recarga dele é mais rápida do que a da tomada.
  5. Lone Wolf & Cub. Apenas um dos melhores mangás de todos os tempos, Lobo Solitário está sendo relançado em inglês pela Dark Horse nessas edições imensas, mas levíssimas. Elas vêm no sistema de leitura ocidental (da esquerda para a direita, da frente para trás), demoram horrores para chegar no Brasil e não têm um preço convidativo, mas acreditem: vale a pena.
  6. Pen drive SanDisk de 8 GB. Tá meio escondidinho ali na foto porque devo ter batido a mão nele. Como estou sempre trocando de bolsa e alternando entre mochilas, não gosto de andar pra lá e pra cá com HDs externos. Quase nunca uso o pendrive, mas dia desses salvou a minha vida quando a internet da firma morreu e a rede móvel também foi barbaramente assassinada pela chuva.
  7. EarPods. Em casa e no trabalho uso fones maiores e mais potentes, mas confesso que me sinto com cara de panaca usando esses monstrões no meio da rua. Além disso, eles ocupariam muito espaço na bolsa, de modo que pra ouvir música por aí são os fonezinhos do celular que salvam a pátria. A qualidade do som não é nenhuma magia e a vedação deles não é a ideal (já tô meio surda mesmo, então só escuto música no talo), mas se formos encarar a dura realidade, a verdade é que eu coloco eles nas orelhas e na maior parte das vezes esqueço de ligar a música, então ok.
  8. Cabo de dados do iPhone 5. Costumo levar sem a tomadinha porque em geral uso o computador para recarregar o celular.
  9. Chaves de casa. Com chaveiro de caveirinha, que é pra respeitar o metal.
  10. iPhone 5 com case da barraquinha coreana. Estou com esse celular desde 2013, mas ele já está começando a dar uns engasgos (e não posso culpá-lo: ele carrega uma quantidade meio absurda de apps), então venho pensando em trocá-lo. Mas não consigo decidir entre um Moto Maxx e o iPhone 6 e estou empurrando com a barriga. Gosto do celular e gostei do iOS 8, mas não é uma paixão que nem a morte poderá destruir.
  11. Kindle dentro da capinha de macacos. Meu Kindle é o modelo mais simples, aquele com os botões laterais. É meu segundo aparelho, porque consegui destruir o outro com uma joelhada enquanto subia na minha cama. Uma migração para o Paperwhite já foi planejada e replanejada, mas confesso que a luz e a tela melhor não conseguem ser páreo para o amor avassalador que eu nutro pelos botões laterais. Gosto muito mais deles do que de tocar na tela para mudar a página. A capinha de macacos (que está velhinha e encardida) foi comprada na Endossa e não foi feita para o Kindle, só calhou que ela fosse acolchoada e tivesse exatamente o tamanho dele. E macacos. Macacos sorridentes foram fator decisivo na hora da compra.
  12. Caderneta à prova d’água. Essa caderneta foi presente de um amigo e acho super legal o fato dela não se desmanchar quando é molhada — as páginas dela são recobertas com uma espécie de cera, e algumas canetas acabam não funcionando. Mas (risos) só respiguei água nela uma vez, pra testar se ela era resistente de verdade. Adoro caderninhos. A quantidade de caderninhos em branco que eu tenho em casa não é exatamente saudável.
  13. Lapiseira Pentel 0.7. Uso essa marca desde a quarta série e a 0.7 é a que carrego na bolsa. Tenho também as 0.5 e 0.9, sendo que a última está comigo desde 1999. Lapiseiras Pentel são quase imortais se você cuidar direitinho delas.
  14. Caneta Pilot Azul de plástico reciclado. Confesso que comprei essa caneta porque achei o design legal. Mas, embora não pareça, a pegada dela é confortável e a escrita é muito macia. Tenho um pequeno estoque delas em casa e é a caneta com a qual costumo tomar notas no dia a dia.
  15. Caneta Stabilo Bionic Worker preta 0.5 – Essa é a caneta que uso para escrever nos meus diários e cadernos. Ela parece uma bico de pena de tanta tinta que solta, e como eu sou canhota fico com a mão imunda depois de usá-la, mas é tão macia, tão bonito o rosto da caligrafia escrita com ela…
  16. Borracha MONO Smart. Uma das melhores borrachas que já usei na vida, ela apaga com perfeição mesmo os traços mais pesados e escuros.
  17. Kobo Aura H2O. Estou testando o e-reader à prova d’água para escrever um review e gostando muito dele. Mas mesmo assim ainda não consigo abandonar meus amados botões laterais.
  18. Carteira e bolsa da Khelf. Também carrego uma nécessaire, mas ela ocupou espaço demais na hora da foto :P

O que tem na mochila da Nadiajda Ferreira.


Nota do editor: O Na mochila é uma seção semanal do Manual do Usuário que apresenta o que gente que admiro carrega em suas bolsas e mochilas. Acesse este link para espiar as demais.

Colabore
Assine o Manual

Privacidade online é possível e este blog prova: aqui, você não é monitorado. A cobertura de tecnologia mais crítica do Brasil precisa do seu apoio.

Assine
a partir de R$ 9/mês

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

24 comentários

  1. Legal o conteúdo da sua mochila! E realmente as lapiseiras da Pentel são quase imortais. Infelizmente, já tive a capacidade de perder uma bem antiga no ônibus.

  2. Curti muito, e Nadialjda como se pronuncia seu nome? Fiquei uns 5 minutos lendo seu nome e tentando pronunciá-lo :v

    1. Se pronuncia Na-diá-jda, mas é errado. Teve uma época em que não havia tradutores de russo no Brasil e todos os livros russos eram traduzidos do francês. Meu pai tirou meu nome de uma novela de Dostoyevsky, então Nadiajda é uma transliteração errada de надеяться (significa esperança e é um nome comum lá pra cima), que é algo como Nadiezhda.

      1. Que legal. Confesso que ia perguntar neste momento como se pronunciava, mas vi que vc mesma já nos elucidou a questão. Uma vez estudei com uma moça que se chamava Nadja e ela própria dizia “Nádija”. Hoje, creio que seria “Nádia”, como uma sobrinha que tenho, com escrita dessa forma (abrasileirada)

  3. Gostei! Simples, geek, metal! E concordo com a escolha da marca da lapiseira: Tenho um par de 0.5 da pentel que me acompanham desde 1997. Infelizmente uma caiu de bico no chão e acabou quebrando a ponteira de plástico. A outra inda está firme e forte, mas essa fica em casa por causa do valor sentimental, afinal ela me acompanhou em muita coisa desde o fim do primeiro grau, o curso técnico no segundo grau, o cursinho, a faculdade… Escolhi a mesma marca quando comprei uma nova para o uso diário.

  4. Shibbo, eu nunca vou entender porque você anota tantas coisas nos livros, mas as páginas com anotações que você postou no Facebook (eram do Crepúsculo?) foram muito boas!

  5. Lobo Solitário S2.
    (Mas tenho preconceitozinho com os mangás espelhados para a leitura ocidental. Todos os personagens viram canhotos. hahaha)

  6. Não é nenhuma magia
    se formos encarar a dura realidade.
    Saco sem fundo. Um monte de coisa ao mesmo tempo.
    Acho que ela é ilusória.

    O rosto da caligrafia
    barbaramente assassinada pela chuva.

    Lobo Solitário.
    E macacos. Macacos sorridentes.

    O amor avassalador que eu nutro
    pelos botões laterais.

    A insanidade não acaba por aqui.
    Prefiro guardar as minhas dentro do coração.

    1. Acho difícil, mas tem uma coleção brasileira lançada em volumes menores, acho que pela Panini. Deve dar pra encontrar em sebos.

  7. Eu também já fui assaltado e levaram meus bagulhos. Hoje só ando com “O Celular do Meu Bandido”, com “O Dinheiro do Meu Bandido”, canetas, cadernos e cartões (os últimos são meus). É bom que quando aparece algum meliante já está tudo organizadinho e pronto pra entregar.

  8. Me corrija se estiver errado, mas acho que ela é a primeira que não leva um notebook.
    Achei o conteúdo da mochila dela mais simples e objetivo que os outros (vejo isso como algo positivo).

        1. Na real, na real é porque na firma eu trabalho num desktop, mas não vou dizer que gosto de sair com o computador, porque não gosto.