O que tem na sua mochila, Artur Carsten?

Mochila do Artur Carsten.
Foto do Artur Carsten.

Artur Carsten tem 23 anos, é catarinense e está prestes a se formar em Medicina. Nas inexistentes horas livres, faz o (im)possível para reduzir enormes pilhas de jogos e livros por terminar. Antes de resolver virar médico, escreveu por anos a sites e blogs, entre eles o Campo Minado, Continue, Guia do PC, Gemind e XboxPlus. Um dia ainda vai retomar esse hobby. Um dia.

  1. Notebook Asus VivoBook S400CA. Com Core i5 3317U, 4 GB de RAM, 500 GB, tela de 14″. Está prestes a completar dois bons anos ao meu lado. Apesar da configuração e visual humilde, ele compensa por ser (relativamente) leve e ter boa autonomia (principais determinantes pra compra dele). As únicas coisas que me incomodam é a tela (quase impossível de usar em ambientes muito claros) e a pouca memória RAM. Deve ser aposentado tão logo eu termine a faculdade.
  2. Littmann Classic II Black Edition Stethoscope. Sim, você já viu um desses. E sim, ele serve pra avaliar o funcionamento da maquinaria que mantém você de pé. Isso e muitas outras coisas. Apesar da proposta simples, têm preços surpreendentemente salgados. Tenho este desde o início da faculdade e, graças ao preço do dólar, ele já triplicou o valor que paguei nele há 5 anos. Yay (?).
  3. Samsung Galaxy Tab S2 (32 GB). Depois de quatro anos com iPad, resolvi dar a chance pra um tablet Android e só me arrependi de uma coisa: não ter trocado mais cedo. Com quase um ano de uso, apresenta uma fluidez impressionante, qualidade de imagem belíssima e ainda quebra um galho danado graças ao seu acervo de livros e textos da faculdade armazenados em um SD card de 64 GB.
  4. Geratherm Oxi Control. Esse você talvez não tenha visto. Importado da Alemanha, esse pequeno oxímetro de pulso, quando conectado à ponta do seu dedo, consegue informar a frequência cardíaca e a porcentagem de saturação periférica de oxigênio. Em outras palavras: informa como o oxigênio está sendo distribuído pelo seu corpo.
  5. EarPods da Apple. Ouvir música é terapêutico. Usei dezenas de fones de outras marcas por períodos variáveis, mas não teve jeito: os da Apple são sempre os melhores.
  6. Carimbo. Mesmo sendo estudante, assinar ficha de prontuário é uma forma de informar ao médico assistente que você também está acompanhando o paciente e está registrando em documento sua própria análise sobre o caso.
  7. iPhone 4S (16 GB). Ok, é velho, eu sei. Acontece que ele substituiu às pressas meu finado Sony Xperia E3, obliterado por sua risível memória interna. Quanto ao 4S, tirando os eventuais engasgos da idade e o fato de beber bateria de canudinho, serve bem aos meus propósitos. Com certeza, funciona muito melhor do que o E3 nos seus últimos dias.
  8. Cadernos e blocos de anotações. Servem tanto pra resumos rápidos quanto pra “field notes”. Ajudam a rascunhar e desenvolver histórias clínicas e transcrevê-las organizadamente depois.
  9. Pendrives (Kingston 1GB e El Shaddai 32 GB). O primeiro vem da época que ter um pendrive ainda custava um rim. O segundo veio de uma promoção mesmo. Num mundo dominado por PDFs gigantescos, quem tem pendrives grandes é rei. Me falta um de 64 GB pra coleção.
  10. Cadeados. Úteis.
  11. Carregadores. E adaptadores.
  12. A Segunda Guerra Mundial: os 2.174 dias que mudaram o mundo (Martin Gilbert). Sou aficionado pela história desse conflito desde o começo da minha adolescência. No momento, essa é a minha leitura pra quando sobra um tempinho.
Mochila do Artur Carsten.
Clique para ampliar.

Nota do editor: “Na mochila” é uma seção semanal do Manual do Usuário que apresenta o interior das bolsas e mochilas de leitores, colegas e amigos. Veja as outras mochilas já publicadas e mande a sua.

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47 comentários

  1. Mochila bacana. Parabéns por estar se formando e que tu tenha sucesso e felicidade na profissão.

  2. Uma dúvida/dica, já levou em conta adquirir um Kindle?
    Ganhei um Paperwhite em novembro último, e vou te falar, ô negocinho sensacional.
    Você leva pra onde quiser, em poucas gramas, uma “infinidade” de livros bons.
    Exemplo pessoal, tava com o livro físico It, do Stephen King, há meses pra ler, mas um calhamaço de quase/mais de 1100 páginas. Dava preguiça carregar por aí e tal.
    Com o Kindle, li esse livro em 40 dias.

    1. Boa dica!

      Kindle é vida!

      Depois dele dificilmente alguém irá querer voltar a carregar livros na mochila.

    2. Acho que o problema dele com um Kindle seria pra livros da medicina. Faço economia e é bem ruim ler livros técnicos da área em um e-reader, por conta de muitos gráficos e algumas equações. Já pra outros tipos de leitura, é simplesmente incrível.

      1. Ah sim, concordo contigo.
        Mas minha indicação seria pra substituir os livros “normais” mesmo, não os didáticos.
        Tanto que, para os didáticos, o Artur disse que usa o tablet da samsung mesmo.

    3. É exatamente o que o Caio comentou. O problema do Kindle é a perda de definição que os livros sofrem, uma vez que eles são intensamente ilustrados. Já pensei várias vezes em adquirir um, até porque gosto muito de ler, mas por enquanto o Tab S2 tá dando conta :D

      1. Eu entendi essa parte. rs
        Minha dica foi referente aos livros normais, tipo esse que você está lendo sobre a segunda guerra mundial.
        Sei que livros com muitas ilustrações ficam melhores em tablets mesmo.
        Desta forma carregaria menos peso pra cima e pra baixo.
        Digo por experiência própria, o Kindle é tão prático que agora carrego sempre que saio. Precisarei esperar por alguma coisa? (carro na oficina, filas em geral, etc), saco o Kindle e continuo a leitura.

  3. “mas não teve jeito: os da Apple são sempre os melhores.”

    Permita-me apresentar-lhe rsrsrs: https://www.amazon.com/dp/B00E4LGTYC/

    Mais resistente, mais confortável, mais barato e com um melhor som. Compre no Ebay e deixe de reserva pra vc. OU um Rock Zircon importado tmb… E fone é o tipo de coisa que vc tem de ter reserva. Mercado brasileiro é uma tristeza e preços justos só importados com os 2 meses e pouco de espera :(

    1. De fato, fone é o tipo de coisa que é bom ter de reserva. Inclusive, o meu atual era reserva de outro fone hahah Vou dar uma olhada, obrigado pela recomendação!

  4. Cara, o Kingston de 1GB é de estimação né? Tenho o meu ainda. Paguei R$ 200,00 nele, lançamento..rs

    1. Eu tenho o meu dessa linha, porém de 2gb.
      Comprado há pelo menos uns 8 anos.
      É idêntico, mas com detalhe verde no lugar do marrom (1gb).

  5. “Apesar da proposta simples, têm preços surpreendentemente salgados.”

    Um dia entenderei porque TUDO na Medicina tem um preço absurdo.
    Aliás, a área médica é sempre assim, desde psicologia até fono. Desisti da área exatamente porque não tinha como bancar os cursos.

    1. Espero um dia entender também. Além dos equipamentos básicos de auxílio no exame físico, livros didáticos também tendem a ter preços extremamente inflacionados se comparados com livros didáticos de outras áreas do conhecimento. É complicado. O jeito é comprar dois ou três livros extremamente necessários e o restante recorrer a fontes mais, erm.. alternativas.

      1. Acho que entra um pouco do tal custo-Brasil aí.
        O curso no geral é caro, equipamentos também, então enfiam a faca nos livros também, porque sabem que o brasileiro vai comprar mesmo.

        1. Equipamentos, talvez tenha um custo de importação/taxação elevado, mas livros, não tem motivo, provavelmente entram mesmo na onda de que é um “curso de rico” e cravam a faca.

      2. O problema dos livros didáticos é mundial. Pesquisem “why are textbooks so expensive” no Google ou no Reddit.

        Basicamente: a editora tem um monopólio, o professor pode dizer “a gente vai usar o livro tal na nossa disciplina” (livro esse que foi fornecido como brinde pela editora). E o aluno tem que comprar sob pena de não poder acompanhar as aulas e nem fazer as atividades de casa.

  6. “Ele é estudante (…)”. Em breve eu também voltarei a ser, só não sei do quê.
    Fica a dica de pauta inclusive: um artigo sobre o mercado de formação de profissionais de tecnologia seria muito bem vindo (eu mesmo estou pensando em escrever um)

      1. Por exemplo: qual a profissão ligada à tecnologia tem mais futuro atualmente? Eu imagino que uma miniaturização do HoloLens e afins possa mudar o mercado em cinco anos, mas essa minha percepção é leiga, não profissional.
        Outra questão: O Brasil tem condições de abrigar idéias inovadoras? Digo: um profissional qualificado, que tenha uma idéia que resolve um problema (ou cria uma demanda… Enfim) consegue levar a frente enfrentando o nosso mercado?
        E por fim, imagino que nesse contexto de pesquisa e reflexão que eu coloquei, o assunto pode sim fazer parte de uma pauta do Manual

        1. Vou tentar responder com base na minha vivência de pouco menos de 10 anos como programador no Brasil:

          i) É díficil dizer o que vai virar emprego/oportunidade num futuro de médio prazo (5 anos) porque muita coisa vai mudar nesse meio tempo, muita tecnologia vai flopar e muitas outras vão ganhar um hype absurdo. Eu diria que de certo, em termos de TI é que você vai ter empregos pra web (LAMP + JS), Java e C, o resto é sempre sujeito a flutuações. Por exemplo, hoje o grande mercado é de Big Data, se te interessa, a SAP está lançando um produto chamada HANA VORA que promete uma cacetada de coisas, pode ser um bom caminho a se perseguir.

          ii) Ideis inovadoras em que sentido? O Brasil tem bastante campo de pesquisa acadêmica em computação, porém pra isso você precisa ter em mente que vai dedicar anos e horas pra perseguir problemas que não tem, num primeiro momento, uma aplicação prática (e a sua formação passará por graduação com IC + Mestrado + Doutorado e, quem sabe, Pós Doc). Outro ponto dessa carreira acadêmica é que no Brasil você sempre será visto como “o vagabundo que só estuda” pelas empresas e pelas pessoas, porque aqui a mentalidade de fábrica de software ainda é muito forte.

          iii) Difícil um profissional sozinho criar demanda ou resolver problemas. Normalmente, se você trabalha em empresas, você está amarrada as demandas diárias da empresa e do seu setor. Conseguir um emprego num instituto de pesquisa (como o Eldorado) é interessante se você pretende não se prender ao dia-a-dia corporativo.

          Um resumo pessoal: o mercado de TI dentro do Brasil (que é onde eu conheço) é bastante diverso, porém, a imensa maioria das empresas tem mecanismos de seleção e funcionamento que são importados de outros setores para a TI, sendo assim, muitas empresas tem uma rotatividade de programadores e outros profissionais de TI muito alta e, o que eu quero dizer com isso é que o mercado de TI do Brasil é majoritariamente de desenvolvimento sob demanda de cliente (cliente paga e você executa/implementa) sem muita margem fora das universidade estatais ou das privadas de renome para se fazer pesquisa e se criar novas demandas/práticas.

          1. Primeiramente agradeço muito por ter tido a paciência de descrever um pouco da sua visão do mercado. É sempre bom ler a opinião de que já está inserido.
            I ) Não seria mais interessante dominar o Xamarin? Digo, ele pretende ser a única ferramenta para várias plataformas, inclusive as que dentro desse cinco anos fracassarão. E alguns devs tem me falado do Python como um caminho viável.
            II ) Isso é difícil de definir. Outro dia, eu elogiei num comentário esse site excelente que é o Manual, e relatei que gostaria de ver outros sites seguirem o mesmo padrão, inclusive os que são especializados em alguma plataforma. E nisso me lembrei que um dia houve um Compêndio Windows, que era praticamente um Manual sobre Windows. Resumindo: eu gostaria de criar um site sobre Windows nos mesmo padrões de ambos Manual e Compêndio.
            Outra idéia que tive foi criar um rival para o Twitter. Não estou brincando. Claro que me falta grana, mas as idéias eu tenho, e cheguei a fazer uns rascunhos de como a rede poderia funcionar. Todavia, entendo que hoje pode ser desnecessário tentar rivalizar com o Twitter, uma vez que o Disqus vem fazendo isso mesmo sem querer (e a este último só falta um bom app pra Android e uma boa atualização do app para iOS)
            III ) Sempre existe algum problema pra ser resolvido. Uma parte das soluções podem passar parcial ou totalmente pela internet. Imagino que uma grande dificuldade de quem pensa em criar algo seja vencer essa barreira cultural do “vagabundo que só estuda”. Isso sem falar do próprio sistema brasileiro como um todo – criação de empresa, sistema tributário, recrutamento de profissionais qualificados, imunização da empresa contra corrupção, etc. Também imagino que dadas as dificuldades acima listadas, muitos brasileiros prefiram simplesmente sair do país, a exemplo dos co-criadores do Facebook e do Instagram

          2. i) Fazem ANOS que eu escuto que o Xamarim vai ser a plataforma de desenvolvimento que vai dominar todos. Sinceramente, não acredito. Em outras linguagens, se você tiver autonomia pra fazer algo do zero ditando a tecnologia, você faz com o que você se sente melhor trabalhando. Problema é que raramente se tem essa autonomia porque, como eu disse, o setor de TI brasileiro é fábrica de software. Pesquisa é uma coisa quase nula aqui.

            ii) Ideias inovadoras resolvem problemas que a gente ainda não tem, usualmente, ou resolvem/melhoram mecanismos que temos atualmente. Qualquer coisa nesse sentido vai ser bem-vinda no mercado de TI, o problema é você conseguir se inserir num mercado que permita que você proponha essas novas ideias.

            iii) Sempre existe, com certeza. Mas e demanda, tempo e dinheiro pra isso? O mundo de TI no Brasil é quase que exclusivamente de aplicações comerciais, softwares de gestão e coisas voltadas para consumo imediato de tecnologia. Pode-se fugir disso, claro, mas é 1 em 1 milhão.

            o Brasil tem muito profissional ótimo que caiu no jogo corporativo porque tinha contas pra pagar. Não dá pra ir na fala das empresas reclamando de MdO porque nós temos muita gente boa, o problema é que entre um cara ganhar R$2000 pra programar como um burro no sol e R$4000 pra ter um trabalho de escritório, o segundo sempre vence. Nossas empresas tem preparo ZERO na maioria das vezes.

        2. Acho que nesses termos é possível ser pauta, achei que você estava pensando mais em um guia para estudantes escolherem que curso fazer, mas pensando mais na situação macro da indústria que é uma boa ideia mesmo.

          Não tenho muito o que complementar o que o @paulopilotti:disqus em relação ao estado atual das profissões de tecnologia no Brasil, para colocar em uma frase de impacto: Brasil não se propõe a criar tecnologia, é apenas usuário.

          Complementando a questão, seguindo a sua sugestão de transformar em pauta, acho que falta uma percepção melhor de toda a população em relação a importância de tomar uma postura protagonista em relação a tecnologia como outros países em desenvolvimento (Índia e China), e não falando apenas de tecnologia em termos de computação, mas de forma geral (agricultura, engenharia, energia, etc…).

          As empresas não se propõe a criar tecnologia e os alunos não são incentivados a trabalhar com criação de tecnologia, já que não tem oferta. Nesse cenário, as universidades que estão mais próximas dessa proposta, não recebem apoio financeiro e nem do mercado/população para ter protagonismo. Acadêmicos são reduzidos a preguiçosos desligados da realidade, sendo que são as pessoas que constroem o futuro.

          O mercado agitado de startups dá uma sensação de que isso não é assim, mas usando exemplos locais do que estou pontuando: o EasyTaxi teve uma ótima sacada, mas foi rapidamente cercada de todos os lados por serviços similares porque é uma sacada e não fruto de P&D. O próprio NuBank só encontra espaço nesse mercado de juros abusivos e população com pouco acesso, não deve ir para a Europa ou EUA por exemplo.

          Percebe que isso é muito diferente de carro autônomo, HoloLens, assistentes pessoais. Esse tipo de inovação de base é muito mais resistente, não basta uma equipe de engenheiros capazes para fazer, exige anos de pesquisa e conhecimento inédito que sai de doutorados e projetos de pesquisa.

          1. A pior parte, nesse caso, é que isso me parece mais ignorância legítima e não uma manobra política como é no caso da esfera política.

          2. A sociedade brasileira não ensinada a valorizar pesquisa e muito menos funcionário públicos (que é como são vistos os professores-pesquisadores e os alunos de um qualquer PPG) porque vivemos ainda numa sociedade completamente orientada ao trabalho mecânico/braçal.

            O empresário brasileiro acredita piamente que um aluno de IC – que teve que apresentar inúmeros trabalhos com bancas, workshops, simpósios e seminários – é um vagabundo que não sabe trabalhar e ficou a graduação inteira sem fazer nada.

            Já briguei em entrevistas de emprego por conta disso, inclusive.

            EDIT: Acho também uma coisa absurda que empresas no Brasil não olhem o Github de um programador quando esse tem perfil por lá e nem deem bola pro currículo Lattes dele, esses dois locais seriam os melhores termômetros para se ver o trabalho da pessoa, com indicadores muito melhores do que entrevista de RH e prova de bubble sort na salinha de reunião.

          3. O CTO da empresa tem (ou tinha) esse pensamento, que desconfia de acadêmico e gosta de cosias práticas, mas que procurou o pessoal com mestrado/doutorado porque via de regra é assim que o mercado contrata cientista de dados.

            Acho que apesar das críticas aos métodos de ensino tradicional, esse pessoal está bem mais adaptado a realidade do mundo atual. Tirando os loucos (que também são comuns), o pessoal é bem mais auto-gerenciável, tem costume de aprender continuamente e tem postura participativa na definição do projeto.

            Os profissionais “tradicionais” estão muito acostumados a ter cursos formais para aprender e se sentem extremamente desconfortáveis em fazer coisas novas, o que não faz mais sentido hoje em dia.

          4. Exatamente. Mas o pessoal corporativo ainda tem a ideia errada de que pesquisa é barbada.

            Falando da minha experiência eu tive que aprender Python na marra (eu sabia C e PHP) e depois aprender NLTK e PLN na marra também (não tem um curso de PLN e muito menos cadeiras disso na faculdade, seja qual for, o que tu tem é uma série de papers soltos que cobrem um pedaço do assunto) e sair programando. Depois tive que aprender a usar o R pra gerar relatórios e fazer um mínimo de avaliação de dados. Tudo isso com orientação de um professor que estava na França e mais duas professoras no RS (que não dominavam totalmente a área, uma sabia bastante de Python e NLTK e outra de terminologia e linguística aplicada).

            Junto disso eu tinha apresentações em congressos e workshops (fui selecionada por duas vezes pro ELC/EBRALC e apresentei no CAMELEON, todos são congressos e encontros reconhecidos de PLN/Linguistica aplicada). Ainda tinha que fazer relatórios pra FAPERGS e a pra UFRGS e apresentar trabalhos nos salões de IC das universidades (aqui apresentei na UFRGS, onde eu estudava, na PUCRS, UNISINOS e FAPA). Em nenhum desses momentos eu tinha alguém me guiando, só me cobrando (a cobrança é diferente, óbvio, mas o que se implementa também é).

            Mas, na cabeça do gerente de projetos e do departamento de RH eu sou um cara que se encostou na pesquisa e não quer “passar trabalho” por isso pretende fazer mestrado e doutorado. Sério, não tem como levar a sério esse mercado.

            Por isso agora, no limbo da graduação/mestrado eu resolvi atuar como tradutor (minha formação primária) freelance que me dá mais dinheiro, eu trabalho em casa e tenho tempo pra estudar (e não aguento time, reunião, translado e gerentes).

          5. Legal sua experiência, parecida com a minha na verdade, usei as mesmas ferramentas durante o mestrado. :)

            Quando eu me apresentei na empresa, acho que o pessoal estranhou quando eu falei porque eu fui para Academia: o mercado não me oferecia nenhum desafio técnico que eu achasse interessante. O que é simplesmente óbvio comparando o mercado médio e a academia.

            Olha, percebi que o importante para mim é produzir algo que seja interessante e o resto eu levo: estou trabalhando a 1:30-2:00 de casa, em um banco gigante cheio de burocracia, brigas e incompetência. Entretanto, o projeto tem proposta interessante e temos autonomia técnica, a minha equipe e da consultoria que trabalha junto com o pessoal são excepcionais…aprendo com o pessoal várias coisas.

            Estou bem satisfeito comparado a minha época na startup, mesmo tendo todo esse ônus terrível do mercado corporativo e do translado. Até acho que teria ofertas melhores financeiramente e de localização, mas não quero perder um time ótimo de trabalhar e usar tecnologias interessantes (Scala, Spark, Hadoop, etc..)

          6. Sim, nunca entendo quem acha que o mercado de trabalho “normal” traz desafios. Depois de uns 5/6 meses tu já viu/viveu quase tudo o que poderia naquele ambiente empresarial. Pra mudar, só trocando de empresa (ok, alguma tu pode mudar de equipe e ter novas vivências).

            Não muito relacionado, mas, essa semana me mandaram uma teste via HackerRank com 10 questões (2 teóricas e 8 de implementação de algoritmos) com 1h30min para resolver. Sério, isso não é processo seletivo é gincana.

          7. Muito obrigado por ter respondido. Suas opiniões são de fato esclarecedores e lançam luz sobre nosso paradigma estagnado.

            Sim, seria um artigo excelente. Um exemplo amargo que posso citar é o meu próprio: Na alvorada ela smartphones, eu não percebi que o design gráfico que eu cursei estava migrando do papel para a web, do CMYK para o RGB. Essa migração ainda está em andamento, com profissionais “multiplataforma”, dominando várias ferramentas para garantir que nenhuma oportunidade seja perdida. Poucos são os designers que ficam apenas no papel.

            Realmente, somos usuários, e dos mais assíduos. Podemos ser protagonistas, digo, fornecedores? Falta bastante coisa para tal, certamente. O ambiente aqui é caótico demais para muitos, não a toa que muitas empresas nacionais quebram e outras estrangeiras abandonam o barco na primeira tentativa, caso da Xiaomi (tudo bem que eles cometeram erros básicos, mas serve de exemplo).

            O pior é que temos problemas enormes – os de ordem energética, por exemplo. Por que num país com tanta exposição ao Sol, em termos de horas por dia, ainda não usamos energia solar em larga escala? Sério, se eu fosse engenheiro, não pensaria duas vezes antes de pesquisar soluções na área. Elon Musk e seus vidros captadores de energia (ainda experimentais) estão aí pra mostrar que é possível inovar nessa área.

            Eu gosto muito de filmes, e sempre acabo memorizando as falas de alguns de tanto que eu assisto. Uma frase do Vanilla Sky que me veio à mente agora pode elucidar parte do problema envolvendo essa inércia nociva à inovação: “Qual é a resposta para 99.9% das perguntas feitas? ‘Dinheiro'”. Digo, alguém precisa mostrar que é possível ter retorno financeiro com inovação real, pois no capitalismo isso é tudo o que importa mesmo.

            As iniciativas brasileiras são tímidas mesmo, excetuando-se poucas delas. Os estudos do Miguel Nicolelis sobre domínio mental de máquinas podem ser incluídos com louvor entre es exceções.

            Nesse nível não temos nada que possa abalar o mercado, exceto mais uma vez os estudos do Nicolelis. Vejo aqui e ali alguma coisa que possa iniciar uma mudança de paradigma, como a Quantum e seus smartphones Android, embora isso não seja inovação de fato – nesse caso parece mais imitação de um modelo chinês de negócio. Mas é um começo.

          8. “O pior é que temos problemas enormes – os de ordem energética, por exemplo. Por que num país com tanta exposição ao Sol, em termos de horas por dia, ainda não usamos energia solar em larga escala? Sério, se eu fosse engenheiro, não pensaria duas vezes antes de pesquisar soluções na área.”

            Porque é caro e a maior parte das empresas não precisa. Mesmo assim tem bastante gente nessa área.

            Recomendo essa thread no Reddit sobre o assunto: https://www.reddit.com/r/brasil/comments/60pd6e/o_que_me_impede_de_instalar_pain%C3%A9is_solares_na/

  7. Artur, você assiste o canal The Great War, com o Indy Neidell? Ele segue a primeira guerra mundial, semana por semana. Tem bastante coisa, assisto desde o começo. E tem muita informação. Imagino que iria gostar também!

    1. Oi! Assisto sim, com certeza! Acompanho o canal do The Great War desde a fundação dele hehe. Infelizmente, estou com problemas pra me manter 100% atualizado devido ao pouco tempo que tenho pra assistir aos vídeos, mas sem dúvida é um dos melhores canais do YouTube atualmente (pelo menos pra quem gosta de um pouco de história haha).

    1. Admito que foi um tiro no escuro. Acabei comprando um Tab S2 porque o dinheiro ficou curto pra atualizar o iPad. Talvez eu retorne a usar o tablet da Apple em um futuro próximo, mas no momento não tenho absolutamente nada a reclamar do Galaxy Tab S2.

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