Review da Mi Band, da Xiaomi.

[Review] Mi Band, a pulseira fitness mais barata do mercado


20/1/16 às 10h13

Por quase um mês a Mi Band, pulseira fitness da chinesa Xiaomi (ou Mi, como preferir), não saiu do meu pulso. Pareada ao smartphone, ela contabilizou meus passos, monitorou meu sono e tremeu gentilmente na hora em que eu deveria acordar ou quando recebi alguma ligação. Ao fim do período, a pergunta que não saía da minha cabeça era “por quê?”

Mi Band: Xiaomi em estado puro

A Mi Band é a Xiaomi em estado puro: um produto de massa, muito mais barato que os rivais similares, com um software ao mesmo tempo decente e peculiar.

Vendida no Brasil por R$ 95, ela é simples estética e funcionalmente. O cérebro do dispositivo é uma peça com pouco mais de 2 cm de comprimento que se encaixa na pulseira de borracha. Para baixar o custo, a peça central é toda de plástico à exceção da face visível quando inserida na pulseira, feita de uma liga metálica, adornada por três LEDs discretos que indicam, com cores variadas, seu progresso diário na meta de passos e notificações pré-programadas . Essa peça ainda conta com um motor para vibração, similar aos dos smartphones.

Detalhe da peça central da Mi Band.

A pulseira em si é feita de um material chamado TPSiV. Segundo a Xiaomi, é “um dos melhores elastômeros termoplásticos do mundo”, com propriedades anti-UV, anti-bacteriana e anti-alérgica. O intuito é evitar irritações e alergias, o que é bacana. Pena que o material muda visualmente em pouco tempo — já nas primeiras semanas ele, que é originalmente fosco, transformou-se naquele brilhante típico de desgaste. Minhas expectativas não eram muito altas, mas mesmo assim foi um pouco decepcionante pela velocidade com que esse desgaste se deu. Afinal, um dos apelos dessas pulseiras é o estético e, nisso, a Mi Band deixa a desejar rapidamente.

A Mi Band não incomoda no pulso. Por vezes até esqueci que a estava usando. Idealmente deve-se usar a Mi Band o tempo todo, inclusive na hora do banho (ela é à prova d’água, classificação IP67) e de noite, ao dormir. Mas é de bom tom, vez ou outra, tirá-la e dar uma limpada nos buracos do fecho, acumuladores de sujeira.

Uma cena pouco comum da Mi Band.

Algo que ajuda a manter a pulseira ininterruptamente no braço é a autonomia da bateria, recarregável por uma porta USB do seu computador através de um adaptador que vem na caixa (foto acima). A Xiaomi garante 30 dias de uso para cada recarga, mas se você não recebe muitas ligações e não configura um app que dispara muitas notificações para alertá-lo através da vibração da Mi Band, ela vai (muito) além disso. Cheguei aos prometidos 30 dias com quase metade da carga restando. O fato de não ter que tirá-la para recargas diárias ajuda a naturalizar seu uso, o que é importante na captura dos dados que ela faz.

O que ela faz?

Usando a Mi Band enquanto digita no notebook.

O leque de funções da Mi Band não é dos maiores. Enquanto smartwatches e até outras pulseiras mais elaboradas incluem relógio, funções extras acionáveis por toques e vários sensores, a Mi Band se restringe a funções passivas e menos úteis de imediato. Basicamente, contar passos, monitorar o sono e emitir alertas através do motor vibratório e dos três LEDs.

O motor vibratório é gentil, porém se faz sentir — e, se estiver num ambiente muito silencioso, ouvir também. Ele é especialmente útil na hora de acordar, caso você durma com mais alguém ou se irrite com despertadores sonoros.

Pelo app, o Mi Fit (Android 4.4 ou superior e iOS 7 ou superior), algumas funções extras podem ser configuradas:

  • Alertar sobre ligações. Foi-me útil quando estava no computador, longe do smartphone, usando fones de ouvido;
  • Alertar sobre notificações. Pelo app oficial é possível configurar até três apps para que suas notificações sejam avisadas pela Mi Band. Apps alternativos no Android, como o Mi Band Tools e o Mi Band Notify, expandem o número e o nível de personalização das notificações.
  • Desbloqueio automático do Android. Afinal, é um dispositivo Bluetooth e desde a versão Lollipop o sistema conta com a possibilidade de ignorar a senha com dispositivos Bluetooth confiáveis.

O Mi Fit, embora não seja nada muito elaborado, tampouco deixa a desejar no que se propõe. Ao abrir o app ele automaticamente procura e sincroniza os últimos dados com a Mi Band num processo bem rápido, mais do que com outras pulseiras do gênero que já testei. A interface abusa de cores e ignora solenemente as convenções dos dois sistemas — é como um cavalo de Troia do time de design da Xiaomi, pois lembra bastante o visual da MIUI, o sabor Android usado nos smartphones da marca, como o Redmi 2.

Mi Fit para Android.

Por ali é possível ver as suas estatísticas de caminhada/corrida e de sono, divididas em duas partes e listadas diariamente. Os dados de atividades físicas se desdobram em quantidade de passos, distância percorrida e calorias queimadas. Os de sono, em tempo total dormido, intervalos de sono profundo e os horários em que você caiu no sono e acordou. (Essa parte do sono, aliás, é automática e bastante preciso.)

Há diversos relatos, não exclusivos da Mi Band, mas mais acentuados em relação a ela, sobre imprecisão na contagem de passos. Pude constatar isso também: num dia de pouco movimento, os dados exibidos pela Mi Band e pelo S Health de um Galaxy S5 New Edition divergiram fortemente — 1,3 km ou cerca de dois mil passos.

A utilidade de uma pulseira fitness

O ponto dessas pulseiras, acredito, nem é a precisão, mas o acompanhamento do progresso e os incentivos à batida de recordes, o que leva o usuário a se movimentar mais e, portanto, a ter uma vida mais saudável. Existem acessórios profissionais mais recomendados (e mais caros) que entregam dados mais precisos; não é o caso aqui. Na verdade, se o intuito é só contar passos os próprios smartphones se saem bem, tanto quanto pulseiras. Essas sem muito apelo técnico acabaram vendo o oxigênio do seu segmento rarefeito: são dispensáveis para o grande público, falhas para o especializado. Ou seja, sem muita razão de existir.

Poderia discorrer o quão sem sentido é ter uma pulseira cujo propósito é te incentivar a se mover — como se não faltassem benefícios e, na negativa, problemas decorrentes do sedentarismo —, mas talvez seja uma coisa minha, do meu perfil desprovido de competitividade, especialmente quando o adversário sou eu mesmo.

Se você pensa diferente e acha que um incentivo extra, ainda que na forma de uma pulseira de borracha no pulso apitando vez ou outra, pode ser útil, é difícil errar na compra da Mi Band. É a mais barata do mercado por uma longa margem. Outras pulseiras que já testei aqui, como a SmartBand da Sony e a Shine, da Misfit, chegam a custar seis vezes o valor cobrado pela Xiaomi. Por R$ 95, no mínimo vale um teste — e se no fim ela acabar no fundo de uma gaveta, como comumente acontece, pelo menos o prejuízo terá sido pequeno.

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