Imagem de divulgação da Apple mostrando o desbloqueio do macOS Sierra com o Apple Watch.

macOS Sierra: Em time que está ganhando se mexe pouco


20/9/16 às 9h10

Mudar por mudar nunca foi uma receita muito promissora para time que está ganhando. Nessa linha, a maior mudança do Sierra, novo sistema operacional para Mac, está no nome — sai o “OS X” usado desde sempre, entra macOS, para ficar parecido com os demais sistemas da Apple.

Siri no computador

O macOS Sierra é uma iteração, uma melhora singela, passa a sensação de ser algo feito quase que para cumprir tabela. Alguém desavisado talvez ignorasse quaisquer mudanças se, num feriado prolongado, um colega de trabalho ou aquele sobrinho enxerido atualizasse seu Mac na surdina. No Sierra, baixado gratuitamente da Mac App Store e instalado sem sustos nem intervenções do usuário, você se verá no mesmo lugar ao fim do processo. Tudo é familiar. A única coisa visualmente diferente na Mesa é o ícone da Siri, exibido na Dock e na menu bar.

Levar a Siri, a assistente pessoal que apareceu no iOS 5 no já longínquo ano de 2011, ao Mac era inevitável e enfim aconteceu. A implementação, porém, ficou meio esquisita porque a Apple, talvez num excesso de zelo, preferiu acrescentar em vez de substituir. A Siri ocupa e replica muitas funções do Spotlight, a busca global do macOS que encontra seus arquivos e é capaz de um punhado de truques super úteis, de converter pesos, medidas e moedas a vasculhar o seu histórico de navegação. Pior: não dá para chamar a Siri por voz, só com teclado ou mouse/trackpad, e uma das aplicações mais úteis no iOS, a de definir contagens regressivas, simplesmente não funciona no Mac.

Siri responde que não consegue criar um timer no macOS.

A Siri, na verdade todos esses assistentes por voz, se provarão úteis quando forem capazes de absorver e interpretar requisições complexas. Não faz muito sentido pedir a ela para abrir um app ou digitar uma mensagem quando se está com os dedos no teclado. A alternativa à voz, a maneira como sempre fizemos essas ações, é mais rápida e precisa. Por outro lado, pedir à Siri para tocar músicas brasileiras populares nos anos 1970 no Apple Music é mais rápido do que mergulhar nos menus confusos do iTunes.

Esse, aliás, seria um belo exemplo do potencial da Siri se, ao pedir isso, ela de fato abrisse uma playlist de músicas brasileiras populares nos anos 1970 e não “American Woman” do The Guess Who. Talvez na próxima atualização ela seja capaz de considerar o “brasileiras” desse pedido.

iCloud e ecossistema

Para além da Siri, agora praticamente todos os apps têm abas. Uma das coisas que mais estranhei ao vir do Windows para o macOS foi o gerenciamento de janelas. ⌘+Tab (equivalente ao Alt+Tab) não compreende janelas, mas aplicativos. Em outras palavras, se você tiver duas janelas do Pages abertas, não consegue alternar entre elas assim.  Para alternar entre janelas de um mesmo app existe outro atalho, ⌘+`.

É meio esquisito mesmo depois de internalizar esses atalhos e acostumar-se a eles. As abas talvez sejam um recurso extra para lidar melhor com as janelas, mas usando o Sierra há mais de uma semana eu meio que já tinha esquecido da novidade, que só me ocorreu outra vez após visitar a página do Sierra no site da Apple.

Para quem tem um SSD pequeno, de 128 GB, outra novidade do sistema, o armazenamento otimizado, pode vir a calhar. Isso já existia no Fotos e agora foi expandido para todo o sistema. O macOS gerencia automaticamente o espaço consumido e sobe para a nuvem (iCloud) arquivos raramente usados, liberando espaço local.

Divisão do armazenamento consumido e do que pode ser purgável no macOS.

Para alguns esse tipo de solução pode ser precipitada, já que torna o uso do computador dependente de conexões à Internet disponíveis e rápidas, mas ela aponta para um futuro em que o armazenamento local, bem mais caro que o na nuvem, deixará de ser tão relevante1. Idealmente, não haverá distinção entre o que está no dispositivo e o que está na nuvem. Um dia chegaremos lá.

O macOS Sierra faz muito por quem se dispõe a ficar dentro do cercadinho da Apple. Como sempre acontece, todos os apps nativos foram atualizados e ganharam melhorias. As mais destacadas são o suporte ao Apple Pay e PIP no Safari; compartilhamento de notas no Notas; Memórias e outras formas de recuperar fotos no Fotos; Apple Music reformulado; iMessage cheio de recursos que jamais usaremos por motivo de WhatsApp; e caixas de entrada inteligentes e salváveis no Mail.

PIP do YouTube no Safari do macOS.

O novo Apple Music do Sierra.

Para quem tem outros gadgets da Apple, o macOS Sierra dá continuidade aos recursos apresentados no Yosemite, dois anos atrás. Agora, ele compartilha com iPhone e iPad a área de transferência — o que você copia em um pode ser colado no outro, sem qualquer tipo de atrito ou configuração adicional. É instantâneo e apenas funciona.

Opcionalmente, é possível sincronizar a Mesa e a pasta Documentos no iCloud e ter acesso ao conteúdo delas no iOS. Novamente: funciona. Além disso, o iOS é esperto o bastante para não começar a baixar na loucura aquele bruto de 5 GB que você jogou na Mesa temporariamente. Caso queira mesmo, é preciso dar o comando no iCloud Drive para ele baixar arquivos enormes.

Por fim, se você tem um Apple Watch, pode configurá-lo para desbloquear o macOS por proximidade.

Mais do mesmo, só que mais integrado

No Sierra, o iCloud está mais presente e a integração entre os dispositivos, que sempre foi característica da Apple, é reforçada e mais visível nas aplicações do dia a dia. Se antes já fazia sentido se fechar no ecossistema da empresa, iOS 10 e macOS Sierra aprofundam essa relação.

Não é nada muito diferente ou mesmo melhor do que o Google consegue fazendo simbiose com os sistemas dos outros e pela web, porém é algo que parece mais polido porque não depende de grandes contornos ou gambiarras. Caminhos diferentes que apontam para o mesmo destino.

A exemplo do iOS 10, não há muito motivo para desaconselhar a atualização para uma nova versão do macOS. Para o Sierra, em especial, essa decisão beira a indiferença — existem algumas poucas grandes novidades e possivelmente muitas pequenas e de bastidores, mas a sensação é de que você ainda está usando o El Capitan. O que não é ruim. Mexe-se sim em time que está ganhando, mas apenas onde é preciso ou a vantagem é clara. E, nesse sentido, o macOS Sierra joga bem, joga fino.

  1. É a mesma proposta do Chrome OS, só que um pouco menos dramática.

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