Montagem com MacBook de um lado e notebooks Windows do outro.

O MacBook não está sozinho: 4 alternativas ao novo notebook da Apple


10/3/15 às 15h19

Quando o palco escurece, o telão atrás de Tim Cook ou de quem estiver lá se acende e a voz de Jonathan Ive toma conta do ambiente, é bom se preparar: ele vai te convencer de que o produto exibido ali é o estado da arte e você precisa dele.

Não raro, é o caso. A Apple, com os cofres cheios e valorizada em Wall Street, está numa posição única. Ela tem dinheiro para investir em ideias malucas e gente capacitada para executá-las. Parece bobo, mas até a embalagem de plástico moldado e o uso de plástico branco, duas características da Apple no passado recente, são arriscadas para empresas novatas ou em posição menos privilegiada. Escala, logística e processos são áreas importantes onde a Apple se sobressai.

O MacBook, apesar de todos os poréns, parece uma máquina fantástica. Como escrevi ontem, é um feito de engenharia. E aquele vídeo… Veja aí:

“O novo MacBook é o resultado de uma obsessão coletiva para simplificar seus componentes essenciais a fim de criar o design mais eficiente possível”.

Diz aí, dá vontade de lamber esse pedaço de metal abarrotado de bateria. E esse sotaque britânico, essa voz calma e confiante do Ive? Se numa conjuntura bizarra de eventos ele caísse no arquivo confidencial do Faustão e nosso apresentador perguntasse o que ele faria se não fosse designer, eu aposto uns trocados que Ive diria “locutor da BBC.”

Tudo isso forma o famoso CAMPO DE DISTORÇÃO DA REALIDADE™, o poder invisível de convencimento que, alegam, Jobs tinha ao apresentar seus gadgets ao mundo.

Tenho algumas reservas com esse termo. Em quase todas as vezes em que é utilizado, ele vem acompanhado de desdém e rancor. Não raro, ignora as (reais) vantagens de um iGadget e tem sua função restrita à de pólvora para fazer explodir as infames brigas de torcida nos comentários de sites de tecnologia. Mas em vídeos como esse o tal campo se materializa; é impossível sair emocionalmente ileso. Ou você se convence de que, sim, esse MacBook é o computador mais sensacional que a humanidade já concebeu, ou se blinda e acha que, meh, maldito campo de distorção da realidade.

Um dia após o evento, passado o efeito do fator surpresa e depois de ler várias primeiras impressões dos jornalistas que estiveram lá, é hora de olhar para os lados à procura de vida em outras marcas. Ainda que esse tipo de comparação normalmente seja inócua, já que a maior diferença entre um Mac e um PC está no software (OS X ou Windows), os feitos alardeados pela Apple mudam o cenário sensivelmente e validam esse exercício. Afinal, não é sempre que um notebook tão bonito, que pesa menos de 1 kg e tem, fechado, a espessura de um smartphone chega ao mercado.

Separei alguns Ultrabooks que, hey, são tão impressionantes quanto o MacBook, custam menos, são mais rápidos… Se o OS X não for imprescindível, essas são alternativas reais.

Da velha rival Samsung, o fino e leve ATIV Book 9

ATIV Book 9, da Samsung.

Dizem as más línguas que a Samsung vive de copiar a Apple. Se eu fosse desses, diria que aqui a situação se inverteu. Seu principal Ultrabook, o ATIV Book 9, de esquisito só tem o nome (era melhor Series 9). O design é marcante e bonito, e em sua última versão, apresentada em dezembro, ele encolheu. Foi-se embora a tradicional tela de 13,3 polegadas para dar lugar a uma de 12,2. Peso? 948g. Espessura? 11,7mm.

Embora o processador seja o mesmo Core M (o que garante um design livre de ventoinhas), a autonomia prometida pela fabricante é de 10,5h — 1,5h a mais que a do novo MacBook. A conectividade por cabos também não foi comprometida: estão disponíveis duas portas USB 3.0, uma miniHDMI e outra RJ-45 (com o auxílio de um dongle), além da saída de áudio no padrão 3,5mm. Outra vantagem é a webcam, com resolução HD (720p). A do MacBook chega a 480p.

Em valores, o ATIV Book 9, que no momento está em pré-venda nos EUA, também é similar ao novo MacBook. Esse custa US$ 1.299 nos EUA, com 8 GB de RAM e SSD de 256 GB. Na mesma configuração o Ultrabook da Samsung sai por US$ 1.399. O pulo do gato está em uma mais econômica, com 4 GB de RAM e SSD de 128 GB, por US$ 1.199. Pessoalmente acho que não vale a economia, mas é uma saída para quem está no limite no orçamento.

Essa nova versão do ATIV Book 9 ainda não foi lançada no Brasil.

O inesperado XPS 13, da Dell

 

Ultrabook XPS 13, da Dell.

A Dell faz Ultrabooks desde que essa ideia surgiu, mas foi só agora, na CES 2015, que ela conseguiu um lugar de destaque com seu principal produto, o XPS 13. Ele traz uma tela de 13,3 polegadas no espaço de uma de 11, o que dá o efeito que a Dell chama de “borda infinita.” E detalhe: com uma resolução altíssima, de 3200×1800 pixels. Disponível em uma grande variedade de configurações, pode ser comprado a partir de US$ 899 nos EUA. (Embora eu não recomende essa versão de entrada, com um Core i3.)

A espessura do XPS 13 varia. No ponto mais baixo, tem apenas 9mm de altura; no mais alto, 15mm. O peso é de 1,18 kg, o que é bem leve, porém não quebra aquela barreira quase psicológica do quilo. Portas? Sim: são duas USB 3.0, uma Mini DisplayPort, saída de 3,5mm para fones de ouvido e um sempre útil leitor de cartões SD. A webcam é HD, a autonomia prometida é de até 11h e ele ainda conta com vidro Gorilla Glass na tela e acabamento em fibra de carbono no chassi.

O novo XPS 13 chegou rápido ao Brasil. Ele já está à venda por aqui, mas apenas em duas configurações, ambas sem touchscreen. A melhor é a mais simples, com um Core i5 de quinta geração (Broadwell), com 8 GB de RAM e SSD de 256 GB. Ela sai por R$ 6.999. A outra só tem o processador de diferente (entra um Core i7) e custa R$ 7.299. A título comparativo, por aqui o novo MacBook começa em R$ 8.499 e chega até R$ 10.499 com o dobro de memória (512 GB) e um Core M um pouco mais rápido — mas, ainda assim, aquém do desempenho do Core i5.

O persistente Surface Pro 3

Surface pro 3: a Microsoft finalmente acertou.

A Microsoft entrou no ramo de hardware com o Surface, um híbrido de tablet e notebook que só se encontrou de fato na terceira versão — as duas primeiras sofriam do “complexo de pato”, ou seja, fazia muita coisa, nenhuma bem. Ainda é preciso um pouco de boa vontade para lidar com o teclado-capa, mas vários dos problemas ergonômicos das iterações passadas foram resolvidos.

Mesmo com a Type Cover, a capa-teclado praticamente obrigatória (mas vendida à parte), o Surface Pro 3 tem apenas 13,7 mm, praticamente a mesma espessura do MacBook. O peso também chega perto — na mesma condição, tem 1,08 kg. A tela tem o mesmo tamanho, 12 polegadas, e perde um pouco na contagem de pixels horizontais — são 2160×1440 no Surface Pro 3 contra 2304×1440 no novo notebook da Apple. A estimativa de duração da bateria é a mesma nos dois, de 9h, mas o Surface Pro 3 vem equipado com processadores Core i de quarta geração (Haswell).

A versão de entrada do Surface Pro 3 custa US$ 799, mas com Core i3 e apenas 64 GB de memória, não compensa. A equivalente ao MacBook, com Core i5 e SSD de 256 GB, custa o mesmo preço: US$ 1.299. Pena que ele não é vendido no Brasil…

O clássico ThinkPad X1 Carbon, da Lenovo

Teclado do ThinkPad X1 Carbon.

O ThinkPad X1 Carbon é um refinamento anual que a Lenovo solta no mercado para um público fiel e específico. Eu tenho comigo que ele é o equivalente ao MacBook Air no mundo Windows: leve, fino, confiável, funciona. E aquele teclado… A Lenovo herdou uma coisinha ou outra sobre fabricar teclados da IBM e esse design atual, com teclas côncavas, é super confortável.

A terceira geração foi apresentada na última CES. O notebook ficou mais fino, mas com 17,7 mm ele não impressiona tanto quanto os mostrados acima. É leve, porém nem tanto — tem 1,31 kg. E é o que tem a maior tela, de 14 polegadas. Ele usa os últimos processadores Core i (Broadwell) e tem diversas opções de configuração como tela Full HD ou QHD (2560×1440 pixels), RAM (até 8 GB) e SSD (até 512 GB). A bateria dura “até 10,9h”, dependendo da configuração escolhida.

Nos EUA, o ThinkPad X1 Carbon começa em US$ 1.079 com Core i5, 4 GB de RAM, SSD de 128 GB e tela Full HD. O site de vendas da Lenovo nem mostra as demais configurações, que devem ser cotadas especificamente. No Brasil a nova geração ainda não chegou. A anterior, com a criticada fileira de botões táteis no lugar das teclas F1-12, começa em R$ 9.239. E você achando caras as coisas da Apple…

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