Logo do Thunderbird sobre resposta do Google nos autos.

Na Lava Jato, Google ensina como configurar app da rival Mozilla


27/2/18 às 14h38

Durante a Operação Integração, a mais recente fase da Lava Jato que mira em supostas irregularidades nos contratos de concessão de rodovias paranaenses, o Ministério Público Federal (MPF) pediu a quebra do sigilo de e-mail de alguns investigados. Google, Microsoft, Onda, Sercomtel e Yahoo foram intimados a fornecer esses dados à Justiça. No envio do conteúdo de contas do Gmail, o Google teve um trabalho extra: ensinar como se usa o Thunderbird, aplicativo da rival Mozilla.

O Google enviou o conteúdo das contas de Gmail indicadas pelo MPF no formato .MBOX, que, segundo a empresa, “é um termo genérico de uma família de formatos de arquivos que são usados para agregar coleções de mensagens de correio eletrônico”. Esses arquivos, que foram enviados em CDs e DVDs com o conteúdo protegido por senha, podem ser lidos por alguns aplicativos; o Google recomenda o Thunderbird porque “entende que muitas organizações” usam ele.

O tutorial não é tão trivial quanto parece à primeira vista. Como o objetivo é apenas abrir localmente arquivos importados, é preciso jogar os arquivos .MBOX nas pastas corretas e pular a configuração inicial, que meio que exige uma conta de e-mail real. Para isso, o Google orienta que se crie um feed RSS apenas para avançar à interface principal do Thunderbird e, ali, ter acesso às pastas locais — uma gambiarra inusitada, mas que deve funcionar.

O Google informou que “não pode fornecer suporte técnico porque o Mozilla Thunderbird não é um produto do Google” e, por isso, enviou também as instruções oficiais da Mozilla. Talvez nem precisasse. O tutorial do próprio Google é mais completo e bem ilustrado, o que deve ter facilitado um tanto o trabalho do MPF e da Justiça Federal.

Dica do João Frey. Valeu!

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19 comentários

  1. olha, eu bem que estava procurando um jeito fácil de abrir arquivos mbox… (esse é o formato de backup do gmail gerado pelo google)

    mas o que me chamou a atenção foi outro fato: mais alguém além de mim achou sensacional terem ESCANEADO o CD/DVD enviado pela google para anexar no processo?

      1. Sendo que o Google continuou como o buscador padrão do Firefox. E, como eu disse, a notícia refere-se ao Thunderbird, caso em que as empresas não concorrem. Fora que a Mozilla não tem fins lucrativos.

        UPDATE: clarificando – não tem nada de excepcional a Google indicar um programa open source de uma organização sem fins lucrativos que não impede que ela lucre.

        1. Não ter fins lucrativos não significa que a organização não gere receita. O Google como buscador padrão no Firefox é fruto de um acordo: a Mozilla fica com uma parcela dos cliques em anúncios de resultados de buscas gerados a partir dali. O Google, com outra.

          Não ter fins lucrativos tampouco signifique que uma empresa não tem concorrentes. Se ninguém usar o Firefox, a Mozilla fecha as portas. Logo, Chrome/Google são concorrentes. E o fato de Google e Mozilla terem um acordo não significa muita coisa nesse aspecto — vide Samsung, que fornece componentes para sua grande rival, a Apple.

    1. As pessoas tem a visão de que são concorrentes por causa do Chrome mas a Google domina o mercado de navegadores em mais de 90%, não sei como eles encaram essa concorrência mas elas frequentemente colaboram entre si, atuam em empreendimentos em conjunto e produzem soluções juntas, elas ,acredito, são rivais, mas possuem um rivalidade saudável e bem racional

      1. Da onde você tirou esses 90%?

        “O navegador do Google, o Chrome, liderou o mercado de navegadores em 2017. Segundo dados do NetMarketShare, entre dezembro de 2016 e dezembro de 2017, o programa teve uma participação de mercado de 57,43%.

        Em seguida, aparece o navegador Safari, da Apple, com 16,10% de
        marketshare e o Firefox, com 7,54%. Além disso, também aparecem na lista
        o Internet Explore, com 7,16% de participação, e o Edge, com 2,13%.”

        Thunderbird, de fato, não é concorrente. O Firefox foi o primeiro a “Peitar o IE”, inclusive com novidades em cada versão e estabelecendo um record no Guiness em 2008. O Chrome veio depois, com uma interface limpa (que eu não gosto, prefiro um “navio” cheio de recursos que um “veleiro” minimalista) e seu sucesso foi com muito marketing em cima.

  2. Que pauta inusitada, haha
    mas láááá no começo do blog, achava que de alguma forma o MdU compilaria diversos manuais por ser algum hobby bizarro do Ghedin