Facebook Home, launcher para Android.

Quando (e por que) instalar um launcher alternativo no Android


30/6/14 às 10h39

Uma das belezas do Android é as concessões que ele dá ao usuário. Mesmo quem compra smartphone ou tablet com uma skin pesada e lotado de apps, encontra espaço para modificar, se não todo o sistema, parte dele. Uma das frentes mais importantes e fáceis dessa personalização são os launchers.

Um launcher é um aplicativo. Não é preciso fazer rooting ou incorrer em qualquer risco, e seu uso não viola a garantia. Um launcher é, para todos os fins, apenas um aplicativo e se comporta como tal, inclusive na instalação e remoção. Ele altera a tela inicial e alguns elementos visuais do Android — e por isso, também são conhecidos como “home replacements”, ou substitutos da tela inicial numa tradução livre.

Existem diversos launchers no mercado, de desenvolvedores independentes a grandes empresas, como o Facebook. Nas últimas semanas várias notícias nessa área surgiram, e não é de se espantar: o launcher é uma área premium, logo existe grande interesse por parte das empresas em conquistar esse espaço.

Eu acho que sei o que você quer, usuário

O Aviate, um dos launchers mais promissores, deixou de lado o rótulo “beta” e, já sob os cuidados da Yahoo1, foi lançado oficialmente no Google Play. Ele integra um grupo de launchers inteligentes, que analisam o comportamento do usuário e alguns elementos externos, como localização e horário, para reorganizarem a tela inicial do Android. O objetivo é se antecipar ao que o usuário deseja. Fazem parte desse grupo, ainda, o Everything.me e o Z Launcher, esse último do que sobrou da Nokia na Finlândia após a venda da divisão de smartphones para a Microsoft.

Esses launchers inteligentes são os mais ambiciosos. Eles mudam bastante o Android a que estamos acostumados, e nem sempre de um modo positivo ou mesmo bom — o Z Launcher, ainda em fase de testes, se arrasta no meu Nexus 4. Como prometem muito, não é de se estranhar que costumam ser fontes de frustração. Tudo depende do quão esperto e ágil são os algoritmos que analisam a rotina do usuário — e do quanto esse está aberto à ideia de entregar a sua rotina a uma empresa a fim de tornar o uso do smartphone mais cômodo.

O Z Launcher se adapta de acordo com a hora do dia.
Imagem: Z Launcher.

Não testei o Aviate, e no estágio atual da tecnologia não vejo tanto apelo nele. Os launchers, por mais malucos, diferentes ou mesmo promissores, ainda são muito dependentes da metáfora de apps. E por mais que o Android incentive a troca de informações entre os apps, esses são pequenos compartimentos fechados, portinhas na tela do smartphone que levam o usuário a salas específicas, delimitadas. Acredito no potencial de um algoritmo inteligente baseado em contexto se antecipando ao que precisamos de um celular, mas isso só funciona em um nível mais baixo — e daí o assombro que o Google Now, intrínseco ao Android e com acesso a muito mais informações que qualquer launcher, causa. O
Google tem um launcher próprio, exclusivo para a linha Nexus, que enfatiza o Google Now.

OUtro peso-pesado que se aventurou nessa de launcher inteligente totalmente diferente do Android padrão foi o Facebook. Lançado ano passado, o Facebook Home tinha grandes ambições, mas já se fala no dissolvimento da equipe original, em metas não alcançadas e até interrupção do desenvolvimento — faz quase seis meses que ele não recebe atualizações.

O fato do Facebook não conseguir emplacar um launcher dá uma boa ideia de como a disputa por esse espaço é acirrada e inglória. Instalar um, embora seja tão trivial quanto qualquer outro app, mexe no cerne da experiência do usuário. E isso não é pouca coisa.

Eu sou o que você quer, usuário

O Nova Launcher é bem parecido com o Android puro.
Imagens: Nova Launcher.

Menos ambiciosos, mas com finalidade mais nobre, temos os launchers que só querem tornar o uso do smartphone, na sua forma tradicional, mais flexível. Destaque aqui para o Nova e o Apex. Eles não querem reinventar a roda, nem modificar radicalmente a interface. São, ambos, conjuntos de refinamentos para a interface Holo, a cara padrão do Android que o Google concebe em Mountain View.

Tanto Nova, quanto Apex têm recursos bem legais comparados ao launcher padrão do Android — o Lifehacker compilou uma lista com alguns. Isso torna eles atraentes mesmo para quem usa gadgets da linha Nexus, os Androids puro-sangue, e irresistíveis para quem tem aparelhos da Samsung, LG e Sony e não aguentam as modificações que essas empresas fazem no sistema.

Um launcher não muda o mundo, mas uma porção generosa do Android. Apps em excesso e redundantes, configurações confusas e outras modificações mais profundas no sistema não vão embora; para tanto, só trocando a ROM, um processo um tanto mais complexo. Eles, os launchers, embora façam menos amenizam consideravelmente as investidas quase sempre frustrantes no visual do Android que praticamente todas as fabricantes fazem.

Olha para mim, usuário!

Até agora tocamos apenas na superfície do que um launcher pode fazer. A coisa começa a ficar maluca e sair do controle a partir desse ponto!

Uma das características-chave do Fire Phone, da Amazon, é a Perspectiva Dinâmica: com a ajuda de câmeras e sensores instalados na frente do smartphone, é possível criar a ilusão de 3D na tela. Bah, pobre Jeff Bezos…

Existem launchers 3D. Ok, é uma forçada de barra no conceito, já que eles só utilizam elementos tridimensionais no desenho da tela inicial, não são 3D estereoscópico. Supérfluos ou limitados, fato é que eles estão aí para quem quiser, ou para quem se impressiona com uns efeitos (supostamente) bonitos de transição de tela e organização de ícones.

Nunca entendi o fascínio em todo disso, mas imagino que seja o mesmo que fazia uma galera usar os aplicativos da Stardocks para mudar a cara do Windows XP — em outras palavras, quem preza beleza sobre funcionalidade. Nesse grupo temos o caro SPB Shell 3D e UR Launcher, gratuito.

Quem nunca quis transformar o Android em Windows?
Imagem: Roma Desktop.

Pior que isso só os launchers que simulam outras plataformas. O Espier dá uma carinha de iOS ao Android; o Launcher 8, de Windows Phone. O fundo do poço é um chamado Roma Desktop, que transforma o Android em Windows, com menu Iniciar, barra de tarefas e janelas flutuantes sobreponíveis. Por que alguém iria querer isso? É a grande pergunta que me faço.

Eu sou realmente útil

Onde a maioria só vê melhorias incrementais ou despiroca e transforma em launchers ideias nem remotamente boas, uns poucos enxergam oportunidades. Pesquisando alguns launchers para escrever este post, me deparei com o BIG Launcher. E é uma ideia simples e genial — apesar do comercial tabajaresco, acima.

Destinado a pessoas de idade ou que não têm familiaridade com sistemas modernos, é um “modo fácil” para o Android. Algumas fabricantes, como Samsung e LG, têm recursos similares em seus launchers, mas o BIG Launcher, sem os compromissos dessas, vai mais fundo no conceito e traz uma interface melhor — considerando a proposta, claro.

O BIG Launher aceita temas, múltiplas telas, opções para texto Enorme e GIGANTESCO e até um botão de SOS, esse indicado a idosos e crianças, que chama alguém pré-configurado em caso de emergência. De certa forma, é como o iNO CP09 ou o Jitterbug5, só que com uma roupagem mais moderna e compatível com qualquer smartphone popular. Por R$ 22, é caro para os padrões de apps móveis, só que considerando o público-alvo e o custo-benefício, é uma pechincha.

Mas eu preciso de um launcher?

LauncherPRO, um antigo launcher.
Foto: Johan Larsson/Flickr.

Tecnicamente, sim, já que todo smartphone  ou tablet Android usa um launcher. Mas entendo que a pergunta não é essa. A questão é: devo ir atrás de um launcher alternativo?

Antes, é preciso encarar os launchers como eles são, ou seja, apps. Nada impede de testá-los, e não há prejuízo na instalação/desinstalação. Ao instalar um, no primeiro retorno à tela inicial do sistema ele pede para que seja escolhido o launcher padrão. Escolha, diga que quer sempre usar ele e experimente. Caso queira voltar ao antigo, basta desinstalar o em uso, ou ir em Ajustes, depois Apps, encontrar o launcher e clicar em Limpar padrão.

Atenção, também, para efeitos colaterais. Se notar mudanças bruscas na autonomia da bateria ou desempenho, o launcher, pela papel que representa, pode ser o culpado. O Android oferece algumas ferramentas nas configurações para monitorar variações do tipo. Outra preocupação, essa mais fácil de notar, é no abandono ou não do launcher. Fora esses mostrados aqui, existem outras dezenas, nem todos atualizados. Se um launcher estiver a muito tempo sem receber atenção do desenvolvedor, fiquei com um pé atrás.

No geral, não, não é preciso esquentar a cabeça para escolher e usar um launcher alternativo. Se estiver contente com seu smartphone, ótimo! Ainda mais se ele for da Motorola ou da linha Nexus, que trazem o sistema bem puro, sem intervenções profundas. Para outras fabricantes o apelo é maior, dado o trabalho nem sempre feliz que elas fazem na interface do Android. Para todos, vale no mínimo pela curiosidade. Mas se a sua preocupação reside em usar o smartphone e ele responder satisfatoriamente, e assim estiver, tudo bem: pule para o próximo post.

Foto do topo: Alex Washburn/Wired.

  1. Em janeiro, durante a CES, Marrisa Mayer, CEO do Yahoo, anunciou a compra do Aviate, então em beta e acessível apenas mediante convite. A empresa não revelou o valor pago, mas várias fontes apontam que foi US$ 80 milhões.

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