Pessoas estão irritadas porque robôs deixaram de segui-las no Instagram


18/12/14 às 18h54

Semana passada o Instagram anunciou ter chegado a 300 milhões de usuários e, quase no final do post, que em breve removeria contas de robôs e spammers do serviço1. Como a remoção seria definitiva, o CEO Kevin Systrom alertou que “alguns de vocês notarão mudanças no contador de seguidores”. O que não estava nos planos era a reação maluca que a perda de seguidores causaria em muitos usuários.

No Business Insider, Taylor Lorenz fez um bom apanhado do que está rolando: milhares de pessoas revoltadas porque robôs spammers deixaram de segui-las. Chega a ser cômico ver um monte de gente reclamar, organizar boicotes e xingar o perfil oficial do serviço porque robôs, que obviamente não enxergam foto alguma, não as seguem mais.

Print da seção de comentários do @Instagram.
Imagem: wesleyverhoeve/Twitter.

Essa gente não pensa nos pobres robozinhos exterminados pelo algoritmo assassino do Instagram, claro. O que lhes dói é ver o número de seguidores cair drasticamente de uma hora para outra. A maioria, como aponta Lorenz, por pura vaidade: a própria “tática” de muitos desses usuários, de lotar as legendas das fotos com hashtags, atrai robôs e leva à inflação dos seguidores.

Para outros, porém, é um baque que afeta os negócios. O dito “perfil mais popular do Brasil”, segundo o Tecnoblog perdeu mais da metade dos seguidores. E não foram cinquenta ou cem, mas 3,3 milhões de contas a menos seguindo as fotos com bonecos de Toy Story tiradas por Wellington Campos.

As cifras no Instagram são altas e a moeda de troca, ou o que direciona toda essa grana são os números. E aí vale de tudo, pessoa, robô, cachorro, pouco importa se eles forem seguidores. É essa obsessão por números que gera situações como o constrangedor case vencedor de Cannes que atingiu 23 milhões de usuários brasileiros. O único detalhe é que, na época, estima-se que apenas 12 milhões de pessoas no Brasil usavam o Instagram. A matemática não bate, mas quem se importa?

Isso não é de hoje. Quando o Twitter estourou, entre 2008 e 2010, tínhamos os scripts, códigos que inflavam artificialmente o número de seguidores usando técnicas rasteiras, como seguir um punhado de gente aleatória e depois dar unfollow. Como parte dessa galera atingida fazia o followback (hoje chamado “sdv”, ou “sigo de volta”), o resultado era mais seguidores. A coisa descambou para fazendas de perfis falsos, robôs que criam “pessoas” que interagem e seguem, aos montes, quem paga. Quanto? Que tal quatro mil seguidores no Twitter pelo preço de um cafezinho?

É meio frustrante e justamente por isso é bom ver o dono da bola tentando botar ordem na partida. Afinal, em qualquer negociação séria existem regras e a trapaça é um ato intolerável. Por que seria diferente nas redes sociais?

  1. São 300 milhões de usuários no Instagram já desconsiderados os spammers e robôs excluídos hoje. O serviço não revelou quantos deles rodaram, mas estima-se que tenha sido 10 milhões.

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