Alcatel Onetouch Idol 3.

[Review] Idol 3, um típico (e bom) smartphone intermediário


29/9/15 às 9h53

Nunca foi tão fácil fabricar smartphones. A oferta de componentes básicos é farta e barata, o Android facilita o lado do software e, no fim, lançar um novo dispositivo no mercado é mais uma questão de “querer” do que “poder” para as empresas. A Alcatel One Touch quis fazer dois smartphones com o mesmo nome, Idol 3, ambos com uma característica única, a reversibilidade. Deu certo?

Design tradicional, porém reversível

O Idol 3 se desdobra em dois smartphones, um com tela de 5,5 polegadas e componentes de ponta, outro de 4,7 polegadas e hardware intermediário. A subsidiária brasileira trouxe apenas o modelo menor e mais fraco para cá.

Antes de falar em desempenho, é legal dar uma palavrinha sobre design. A linha Idol tem duas características que vêm se mantendo ao longo das versões: o bom gosto e a leveza. O Idol 3 é tão leve quanto a primeira versão (110g contra 109g, respectivamente), mas em 2015, com mais smartphones atingindo essa relação, o feito ficou menos impressionante. De qualquer modo, e mesmo carecendo de materiais nobres, ele é um smartphone leve e bonito.

O visual do Idol 3 é sóbrio, com plástico texturizado atrás, bordas (plásticas) pintadas de prata e um efeito que passa a impressão de que a tela sai da moldura, parecido, mas bem menos agressivo (e, portanto, mais agradável) que o do Xperia E4, da Sony.

O botão liga/desliga está do lado errado.

Portas e entradas/saídas estão onde se esperariam, com uma exceção: a posição do botão liga/desliga. Ele fica do lado esquerdo, o que torna o acesso incrivelmente incômodo. Não sei se foi por compaixão aos canhotos ou se apenas uma decisão infeliz de design, mas não deu bom. O Android azeitado pela Alcatel One Touch conta com o recurso de dois toques na tela para acordar o aparelho e, acredite, você o usará bastante.

(Aliás, é curioso como esse recurso de “dois toques para acordar” tem sido a saída para designs ruins. Zenfone 2, G3/G4 e agora Idol 3 têm a função e, coincidentemente, posicionam os botões de liga/desliga em lugares pouco usuais.)

Pode atender ligações de ponta cabeça também.

Outra característica incomum, mas essa inofensiva e amplamente divulgada pela fabricante, é o design reversível. O Idol 3 tem alto-falantes e microfones nas duas pontas, então não importa muito de que lado você o segure ao atender uma ligação; ele funcionará. Não é o tipo de problema com que eu já tenha me deparado e pensado “poxa, seria bom se existisse um phone reversível!”, sem falar que o truque não é total (a câmera obedece a orientação “certa”), então, no fim, é mais um mimo que dificilmente se revela útil. Detalhe colateral chato: as grades dos alto-falantes acumulam bastantes pelinhos e poeira.

As grades dos alto-falantes seguram pelos da roupa.

Desempenho, tela, bateria e áudio

O Idol 3 brasileiro só é vendido na versão dual SIM, que vem com Snapdragon 410, 1,5 GB de RAM e 16 GB de espaço interno — a com suporte a apenas um SIM card, vendida em outros mercados, tem apenas 8 GB. É, sob todos os aspectos, um smartphone intermediário e se comporta como tal.

Na prática, significa que ele desempenha bem suas funções no dia a dia: abre apps com boa velocidade, alterna entre eles sem muitos engasgos, roda alguns jogos leves sem esforço, enfim, é um smartphone “bom o bastante”, como tantos que inundam o mercado na faixa entre R$ 600 e R$ 1.100. Quem está acostumado com aparelhos high-end notará uma letargia quase sensorial de tão sutil, mas ainda assim perceptível em vários momentos. Nada capaz de irritar, porém.

Tela do Idol 3: boa.

A tela tem 4,7 polegadas, resolução HD (1280×720) e, no geral, agrada. Com esse tamanho e resolução, gera 312 PPI, um valor dentro do intervalo que considero ideal. É difícil ver pixels individuais; a definição é boa. Os ângulos de visão são amplos e o brilho, num nível decente.

Bateria do Idol 3: boa.

A bateria do Idol 3 tem 2000 mAh e aguenta aquele dia de trabalho longe da tomada, o parâmetro para baterias de smartphones. Nada surpreendente, porém sem decepções nesse departamento.

Um aspecto curioso é a ênfase que a Alcatel One Touch dá ao áudio do Idol 3. Seus alto-falantes são potentes e bem bacanas para um smartphone, mas os fones de ouvido que acompanham o produto, da JBL, são bem ruins. Tanto que cheguei a cogitar, sem ter alcançado um veredito, se os da minha unidade não vieram com defeito. O som que sai deles é abafado, carente de baixo e com pouco detalhamento. Não que eu espere algo de fones de ouvido que acompanham smartphones mid-range, mas, pelo auê do marketing da fabricante, criei certa expectativa com esses. Expectativa alta demais, pelo visto.

Câmera

Detalhe da câmera do Idol 3.

Câmera é sempre uma área delicada para smartphones mid-range. Se em outros aspectos essa categoria já alcançou a maturidade e certa previsibilidade, nesse a qualidade ainda não é garantida. O Idol 3, com sua câmera de 13 megapixels (ou 10, na proporção 16:9) e lentes com abertura f/2,0, não foge à regra. É possível fazer boas fotos com esse aparelho, mas há sempre o risco de que uma ou outra saia ruim.

O app da câmera é bem fácil de operar, com poucas opções concentradas em apenas um menu. Ele tem os modos mais tradicionais, como HDR e panorama, o novo padrão embelezador para selfies e até um scanner de QR codes.

As fotos em si, em ambientes bem iluminados, saem bonitas. Gostei da fidelidade de cores e do equilíbrio de branco. O contraste sofre em cenas mais complexas e, embora presente, o HDR pode deixar as fotos um pouco artificiais, além de ser lento.

O maior problema da câmera do Idol 3 é a dificuldade em focar. Mesmo quando a velocidade de disparo não é das mais lentas, 1/40s, por exemplo, as fotos podem borrar. Não é sempre que acontece, mas é numa frequência maior que o que seria ideal e, ante à possibilidade de perder uma foto mesmo em condições favoráveis, a confiabilidade na câmera acaba abalada.

Por fim, em situações de pouca luz há ruído, mas isso é meio como dado nessa faixa de preço, então não é como se fosse o fim do mundo, nem mesmo um aspecto negativo do Idol 3. Nos meus testes, inclusive, algumas saíram bem aproveitáveis e surpreenderam positivamente.

Confira alguns exemplos:

Prédio em construção fotografado com o Idol 3.
Ótima foto: pouco ruído, cores fiéis, bom detalhamento. f/2,0, 1/684s, ISO 100. Crop de 100%.
Detalhe do botão home de um iPhone 5.
À noite, com iluminação artificial mediana, a qualidade cai drasticamente. f/2,0, 1/25s, ISO 1831. Crop de 100%.
Arte.
Uma boa foto com pouca iluminação. f/2,0, 1/25s, ISO 2061. Redimensionada para 742×417.
Banca de jornal.
Em boas condições, a câmera faz bonito. f/2,0, 1/414s, ISO 100. Redimensionada para 742×417.
Cruzamento à noite.
À noite, é mais difícil. f/2,0, 1/17s, ISO 2592. Redimensionada para 742×417.
Carros e calçada no entardecer.
HDR. f/2,0, 1/192s, ISO 100. Redimensionada para 742×417.

Veja estas e outras fotos, em tamanho natural, neste álbum no Flickr.

Na frente, a Alcatel One Touch incluiu uma câmera de 5 megapixels. Os resultados não são de tirar o fôlego, mas a qualidade é acima da média para o segmento:

Selfie com o Idol 3.
Câmera frontal do Idol 3. f/2,0, 1/40s, ISO 68. Redimensionada para 742×989.

Android leve e pouco modificado

O Android 5.0.2 está quase que plenamente reconhecível no Idol 3. A Alcatel manteve boa parte do sistema intacta, fez algumas adições nas configurações, incluiu uns apps (olá novamente, Clean Master!) e mudou os ícones. Por que essa mania de mudar ícones? (Oi, Asus!) Não entendo. Eles são meio quadrados, mas com cantos arredondados e mantêm um padrão que, claro, se quebra com o primeiro download da Play Store. Então, por que se importar com isso?

Android pouco modificado no Idol 3.

Outros apps pré-instalados são economizador de bateria, Dr. Safety (antivírus), gravador de áudio (útil), lanterna (dispensável. Tem um atalho na cortina do sistema), um gerenciador de tags NFC, outro gerenciador de arquivos, um app de rádio FM, um para fazer recarga de créditos, Swiftkey, um app que permite trocar arquivos via Wi-Fi e WPS Office, além de versões próprias do navegador, player de música, app de anotações, e-mail e câmera.

Outra “exclusividade” é o One Touch Stream, uma página no lado esquerdo da tela inicial que apresenta a previsão do tempo, compromissos da agenda, notícias e wallpapers selecionados. Nada que muda o mundo, diria que até dispensável, embora tenha achado umas imagens legais para usar de fundo nas telas iniciais.

As fabricantes têm aliviado as intervenções no Android e isso é, de modo geral, bom. A Alcatel One Touch fica no time das que menos mexem e, entre isso e despirocar colocando uma infinidade de apps e opções malucas, prefiro a abordagem mais conservadora. No fim, mesmo com pequenos deslizes e intervenções estéticas duvidosas, o Android que o Idol 3 carrega é um ponto positivo para ele.

O Idol 3 vale a pena?

Idol 3 na mão.

O preço sugerido do Idol 3 é de R$ 1.099. Várias lojas, porém, já o vendem por cerca de R$ 850, um valor mais condizente com o que oferece. É um bom smartphone mid-range, logo, por melhor que ele seja, há limitações inerentes ao projeto. Mesmo com o dólar maluco e todo mundo subindo preços, ainda é possível encontrar rivais do Idol 3 por um preço menor que o sugerido pela Alcatel One Touch.

O Idol 3 é um smartphone bastante equilibrado, com um ótimo tamanho e que teria uma ergonomia perfeita não fosse a posição do botão liga/desliga. Seu desempenho é bom, a câmera, um pouco acima da média, e a bateria aguenta um dia. Ele não tem a fama do Moto G ou o marketing de concorrentes como Asus e Samsung, mas é bem satisfatório. Se pegá-lo numa promoção boa, é uma compra da qual você dificilmente se arrependerá.

Atualização (2/10): A primeira versão deste review informava equivocadamente a resolução da câmera frontal. A grafia da empresa também estava errada e foi corrigida.

Revisão por Guilherme Teixeira.

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