O que chamou a atenção na Google I/O 2015


28/5/15 às 18h15

A apresentação de abertura da edição 2015 da Google I/O, a conferência anual do Google para desenvolvedores, repetiu a regra: demorou um bocado. Menos tempo que ano passado, e ainda que não tenha sido o caso, a sensação é de que mais coisas foram anunciadas.

Não farei um resumo como fiz em 2014. Em vez disso, colocarei aqui as coisas que mais me chamaram a atenção. Vamos lá?

Google Fotos

Novo app de fotos do Google.

O Google já teve o Picasa e o Google+ para guardar fotos, mas o reformulado Google Fotos é a investida mais pesada para ganhar a preferência do usuário diligente que faz backup de todas as suas fotos na nuvem e, ao mesmo tempo, quer uma interface fácil para acessá-las de qualquer lugar. Nas palavras do responsável pelo projeto, Bradley Horowitz, “queremos fazer pelo gerenciamento de fotos o que o Gmail fez pelo e-mail.”

Não é pouca coisa, mas pelo menos no papel (e na apresentação) o sistema parece preparado para lidar com a demanda. O novo app, com versões na web e em apps para iPhone e Android, extrai informações contextuais automaticamente e organiza a montanha de fotos do usuário em ordem cronológica. Não só: ele reorganiza as fotos de acordo com critérios como local e pessoas presentes nas imagens, sem que o usuário precise sequer “treinar” o algoritmo para tanto. É bem do futuro, caso funcione mesmo.

Além do sistema redondo, o Google oferece espaço ilimitado, salvando as fotos em resolução nativa até 16 mega pixels, e vídeos em Full HD (1080p).

O app também tem um novo gesto para seleção de múltiplas fotos e ferramentas para criar apresentações e vídeos, além de facilitar o compartilhamento. Como é de graça, não custa nada testar — exceto a disposição para migrar/copiar as fotos.

Now on Tap

O Google Now é a babá, digo, assistente do usuário Android. Na maior parte do tempo ele funciona de modo proativo, ou seja, antecipando o que você talvez queira ou precise. Uma nova função, chamada Now on Tap, inverte essa lógica.

Funciona assim: em qualquer tela de um app suportado, basta apertar e segurar o botão Home do Android para invocar o Google Now. Em vez de surgir naquela tela tradicional, ele analisará a que está em uso no momento e exibirá informações contextuais.

Os exemplos mostrados no palco foram bem espertos. Um deles mostrava um e-mail de um amigo chamando o apresentador para ver um filme no cinema. Ao usar o Now on Tap, ele abriu um cartão do filme citado no e-mai com atalhos para IMDb, Flixter e o trailer no YouTube.

Google Maps offline

Demonstração do Google Maps offline.
Foto: TechCrunch.

Desde 2012, sabe-se lá por que motivo, o Google removeu a opção de salvar mapas do Brasil para consulta offline no Google Maps. Se eu entendi direito, isso voltará, e com o bônus de criação/alteração de rotas mesmo offline.

A justificativa do Google, que faz todo o sentido, é de que em alguns locais (Brasil no meio) as conexões móveis não são muito confiáveis, então o usuário corre o risco de perder o trajeto em decorrência da perda do sinal da operadora.

Infelizmente as nossas conexões parece não ser tão ruins a ponto de justificar o YouTube offiline, com vídeos salvos por até 48 horas. Esse recurso só funcionará na Índia, Indonésia, Filipinas e Vietnã.

Realidade virtual

O Google Cardboard, um pedaço de papelão que, em conjunto com smartphones, cria um capacete de realidade virtual foi atualizado e, agora, é compatível com iPhones.

Câmera (ou câmeras) da GoPro para filmagem de realidade virtual.

Um bom pedaço do final da apresentação foi destinado à realidade virtual. O Google firmou uma parceria com a GoPro; essa lançará um conjunto de 16 câmeras para filmagens em 360º, a Jump. O destino desse material é uma nova plataforma do Google, também chamada Jump, para fomentar esse tipo de conteúdo. Estreia até setembro, com parceiros selecionados de primeira.

Outra coisa, talvez a mais legal em realidade virtual que foi anunciada, foi o Expeditions. Feito para uso em sala de aula, a tecnologia permite sincronizar diversos Cardboards entre alunos e professor para que todos explorem locais em grupo, virtualmente. Eu piraria com um negócio desses na época da escola!

Android M

A nova versão do Android, com lançamento previsto para o final do ano, traz algumas melhorias interessantes:

  • Permissões revistas. Agora, a liberação será gradual e funções específicas poderão ser bloqueadas sem quebrar o app. Em outras palavras, o sistema de permissões do Android passa a ser igual ao do iOS — o que é muito bom.
  • Chrome Custom Tabs. Desenvolvedores poderão personalizar e antecipar o carregamento de páginas web que porventura sejam acessadas a partir dos seus apps. A nova função também permitirá que alguns recursos do Chrome, como o uso de senhas salvas e o tradutor automático, seja invocados no web viewer dentro dos apps.
  • Android Pay e reconhecimento de digitais. O sistema de pagamentos do Google foi reformulado e passa a funcionar de modo similar ao Apple Pay. Isso significa, por extensão, que o Android passa a suportar autenticação biométrica, por impressão digital. O Google diz que o Android Pay em breve será aceito em 700 mil estabelecimentos nos EUA e mais de mil apps.
  • USB-C e modo de conservação de bateria. O Android M dá suporte total ao USB-C, o que significa que dispositivos poderão ser recarregados mais rapidamente. O sistema também trará um modo “soneca” que detectará longos períodos de inatividade para diminuir a frequência de atualizações e consultas à Internet, estendendo a autonomia da bateria.

Atualização (19h25): Outras duas coisas (muito) legais do Android M. Primeiro, suporte a backup na nuvem, via Google Drive, de configurações de apps. São até 25 MB que manterá a experiência entre múltiplos dispositivos Android. (Valeu, Thalles!)

A outra é que os botões da cortina de atalhos rápidos finalmente poderá ser personalizada, com os ícones reorganizados ao gosto do usuário.

Configuração dos atalhos rápidos da cortina do Android.


Teve mais coisas, principalmente voltadas a desenvolvedores (o show era para eles, afinal), mas não cabe aqui. Ou melhor, cabe, aí nos comentários. Se você se lembrou de algo que não está no post, complemente-o.

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