O futuro do Google depende de apps indexados e coisas como Now on Tap


8/6/15 às 9h16

Serviços na nuvem, ferramentas corporativas e invenções malucas (do Google Glass ao Project Loon) são quase startups autônomas dentro do Google se tomarmos o faturamento por referência. O que rende na empresa e paga o salário de todo mundo no fim do mês ainda são os anúncios contextuais, puxados em muito pela busca e a capacidade inigualável do Google em entender o que você está procurando na Internet.

Quando “Internet” era quase sinônimo de web (não confunda), antes da ascensão dos smartphones, o trabalho dos motores do Google era mais fácil. A natureza aberta da web permitiu a criação de robôs capazes de varrê-la e indexá-la. Com apps a história é diferente e, para se manter na liderança, o Google vem tentando saber mais sobre quais apps você tem no seu celular e como os usa.

Apps são, a princípio, como silos isolados, sem ou com pouca ligação uns com os outros. O Google não tinha acesso fácil a eles, logo não conseguia saber o que acontecia lá dentro e, consequentemente, considerar esses dados na hora de “transportar” o usuário da busca para o que ele está procurando. Mas isso está mudando. A indexação de apps já é uma realidade e com o Now on Tap, há a expectativa de contar com a ajuda dos próprios usuários para compreender melhor esse (não tão) novo universo.

Now on Tap: busca contextual em apps

O Now on Tap, novo recurso do Android M, permite invocar os algoritmos de conhecimento do Google de maneira contextual dentro de qualquer app. É como um espião infiltrado no sistema, mas um espião gente boa que promete facilitar e integrar melhor os apps que você usa no dia a dia. Joshua Topolsky, do Bloomberg Business, o classificou como primordial ao futuro da empresa dado o seu potencial:

(…) ele traz o Google de volta ao lugar de dominância como a cola que une toda a sua vida digital. A web prosperou e cresceu, em grande parte, pela capacidade do Google em monitorar, organizar e entender todas as suas partes dispersas. Agora ele é capaz de fazer a mesma coisa com cada app rodando no seu celular. Ele [o Now on Tap] permite ao Google retornar ao jogo da pesquisa falando o idioma comum dos apps. Ele dá à empresa uma segunda chance com o acesso às necessidades e comportamento dos usuários.

Uma extensão do Google Now e fruto do Grafo de Conhecimento, o Now on Tap tenta dar contexto e respostas diretas às consultas dos usuários sem que ele precise parar o que estiver fazendo ou mudar de app para tal. Ele pode ser invocado a partir de um app qualquer; quando isso acontece, o Now on Tap “lê” o que está na tela, tenta entender o contexto e devolve alguma informação, link ou pesquisa sobre a dúvida potencialmente mais óbvia da situação.

Now on Tap perguntando o líder de uma banda no Spotify.
“Quem é o cantor desta banda?” Via Backchannel.

No exemplo mostrado no palco da Google I/O, o Now on Tap foi invocado com o Spotify aberto, tocando uma música do Skrillex. Aparna Chennapragada, diretora do Google Now (na foto lá em cima), perguntou: “qual o nome verdadeiro dele?” O sistema entendeu que “ele,” no contexto, se referia ao Skrillex e, em seguida, devolveu o nome real do músico. No meio do caminho, o Google descobriu que você usa o Spotify, ouve música naquele período do dia, curte dubstep e talvez seja fã do Skrillex. Isso, e sabe-se lá mais o quê. Por quê? Para dar respostas mais precisas e personalizadas no futuro

Indexação de apps

O Now on Tap é o recurso mais recente criado a fim de entender o uso de apps pelos usuários, mas não é o único. Antes dele, outra iniciativa apontava para essa abordagem centrada em apps: a indexação. Desde 2013 o Google tem esse programa no Android e, na I/O deste ano, ele foi estendido ao iOS.

Usando o que a indústria chama de “deep links,” desenvolvedores podem habilitar seus apps a receberem os robôs do Google — serve para Android e iOS. A vantagem, para eles, é clara: os apps passam a constar nas pesquisas feitas em dispositivos móveis, o que aumenta o retorno do usuário e, caso ele ainda não tenha o app instalado, as chances disso mudar — o Google exibe até mesmo apps que o usuário não possui em seu celular nos resultados, levando-o ao Google Play/App Store nesse caso.

Se você estiver procurando por um filme, por exemplo, deep links sobre o referido filme para apps como IMDb e Flixter podem aparecer em meio aos resultados. Se a sua pesquisa for por um restaurante, o link para fazer uma reserva via OpenTable estará disponível:

Busca no Google retorna reserva no app do OpenTable.

O Google é uma máquina que se alimenta de dados para devolver comodidade e serviços fascinantes, quase sobrenaturais dependendo do tanto que ele souber de você — o Google Fotos é apenas o exemplo mais recente dessa mecânica.

Essas iniciativas mostram que o Google não está limitado a um campo de busca num navegador web e que é uma empresa atenta ao seu redor e com disposição para mudar. Apesar de investir em coisas bem malucas, futuristas e sem muita aplicação hoje, seu produto mais forte e rentável tem evoluído constantemente. As consultas proativas do Google Now, o Grafo de Conhecimento, as frequentes melhorias no algoritmo das buscas e o foco no Android são provas disso. O mundo mudou e o Google, mais uma vez, está conseguindo se adaptar a essa nova realidade.

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5 comentários

  1. No desktop eu uso o Google e no meu Lumia uso o Bing. A qualidade das respostas do buscador de Mountain View são muito superiores. Com o Now on Tap, então, deve melhorar mais ainda…

      1. Se as fabricantes e o Google fizeram suas lições de casa, sabem que o uso de bateria é um ponto forte do Android, comparado com seu concorrente, e vão implementar direitinho.
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