[Review Rápido] Galaxy S 4 Zoom, câmera e smartphone em um só aparelho

Na busca pela melhor câmera em um smartphone, diversas abordagens, técnicas e soluções criativas são colocadas em prática visando obter os melhores resultados possíveis no apertado espaço que os finíssimos aparelhos atuais trazem. Com o Galaxy S 4 Zoom, a Samsung teve uma sacada pouco usual: ela ignorou essa limitação física, chutou o pau da barraca e em vez de espremer uma câmera em um smartphone, colocou um smartphone no corpo de uma câmera.

Mais um exemplar da aparentemente infinita linha de smartphones Galaxy, o Galaxy S 4 Zoom, dependendo (literalmente) do ponto de vista, parece mais uma câmera do que um celular. Ele é grosso, tem 2,5 cm de espessura com a lente retraída, detalhe que o deixa estranho e desconfortável em inúmeras situações. A perda em ergonomia é compensada por fotos incríveis? É o que veremos neste review rápido.

Comparando a espessura dos smartphones.
Lumia 920, Galaxy S 4 Zoom e iPhone 5, deitados. Foto: Rodrigo Ghedin.

Uma câmera compacta, um smartphone enorme

Alguns brincam com a crise de identidade do Galaxy S 4 Zoom, mas ela existe mesmo. A maioria das pessoas, quando o vê, não sabe ao certo se se trata de uma câmera ou de um smartphone.

Nem eu sei, na real. É um smartphone, claro: dá para fazer ligações e acessar a Internet via 3G. Só que o corpo, que lembra muito mais uma câmera do que um celular, dificulta classificá-lo como um smartphone tradicional. Carregá-lo no bolso é incômodo, conversar com ele ao ouvido, quase cômico. Segurá-lo de pé, como se faz com qualquer smartphone, não parece natural.

Galaxy S 4 Zoom usado como smartphone.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Enquanto câmera, o corpo do Galaxy S 4 Zoom é acertado. A empunhadura é muito boa graças ao “grip” na lateral direita, e tudo o que se poderia esperar do corpo de uma câmera está ali: botão de disparo grande e confortável de usar, flash de xenôn, luz auxiliar para o foco, suporte para alça, entrada para tripé e até zoom controlado pelo anel da objetiva.

O problema é que nessa divisão do trabalho, pelo menos em tese, passa-se mais tempo com o Galaxy S 4 Zoom smartphone do que a câmera Galaxy S 4 Zoom. E aí, o que são vantagens na hora de fazer fotos se tornam empecilhos, e o que no modo celular passa sem problemas, como a autonomia, se esvai com alguns cliques — a câmera drena a bateria num ritmo muito rápido.

Interface da câmera

A interface da câmera é um conjunto de boas ideias mal executadas. Em grande parte devido à fraqueza do hardware, que deixa menus, configurações e ações arrastadas, mas o software também tem sua parcela de culpa por subjugar a capacidade do pretenso fotógrafo que manipula o Galaxy S 4 Zoom.

Em uma câmera o software precisa ser rápido e não obstruir o que o fotógrafo deseja, ou corre-se o risco de perder bons momentos. Além da lentidão generalizada, a Samsung coloca um punhado de popups informativos que aparecem toda vez que você seleciona basicamente qualquer coisa na câmera. Isso é extremamente irritante, mas por sorte é um recurso que pode ser desativado — em um dos obscuros menus do app da câmera.

Úteis para leigos, são 25 modos inteligentes.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Na hora de fotografar, existem três modos. O Automático dispensa explicações. Depois dele vem o Inteligente, que traz mais de 20 pré-configurações diversas, de coisas tradicionais como HDR e panoramas, a outras meio esquisitas, como foto com som (?) e animada (GIFs com mais de 20 MB!), passando por casos de uso bem peculiares, como Pôr-do-sol, Traço de luz (longa exposição) e Apagador, que permite eliminar pessoas ou objetos da foto.

São tantas opções que é fácil se perder ali. O modo de exibição padrão, aliás, é bem ruim — prefira o painel em grade em vez do carrossel; para alterná-lo, dê um toque no ícone do canto inferior esquerdo. Para leigos deve ser uma mão na roda. Agora, se você entende o mínimo que seja de fotografia, terá mais sofrimento do que alegrias procurando o modo certo.

O modo Manual do Galaxy S 4 Zoom.
Foto: Rodrigo Ghedin

Se você sabe como funciona uma câmera, aliás, a boa notícia é que existe um modo manual. Fica dentro da terceira opção, Avançado. Com ele é possível fazer fotos de longa exposição (até 16 segundos) e alternar a abertura do diafragma, embora essa opção seja sempre limitada a dois tamanhos, determinados automaticamente de acordo com a velocidade do obturador. ISO, controle do branco, modo de direção e ponto de medição fecham as opções disponíveis nesse modo.

É mais do que se encontra na maioria dos smartphones e até em muita câmera compacta, ainda que os resultados, devido à baixa qualidade do sensor e aos problemas do software da câmera, não animem tanto a exploração dessas possibilidades. Você pode tentar outros apps para tirar fotos, mas desconheço outro que ofereça o nível de controle que o nativo da Samsung traz.

A câmera do Galaxy S 4 Zoom

A lente com zoom máximo.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Por mais estranho que pareça, a câmera, o maior diferencial do Galaxy S 4 Zoom, não é a melhor já vista em um smartphone. Na realidade, ela fica atrás de um punhado de modelos contemporâneos — e bem mais finos e discretos.

Mas antes de comentar esses problemas, vamos falar de coisa boa!

O nome dado a esse híbrido smartphone-câmera não foi escolhido por acaso. De longe (rá!), o zoom ótico de 10x é a coisa mais divertida do Galaxy S 4 Zoom. Entre seus pares, é um recurso único.

É necessária toda uma mecânica, que ocupa espaço e consome recursos, para viabilizar esse tipo de zoom em uma câmera. Como os outros smartphones não se dão o luxo de serem tão grossos e desengonçados, deixam de lado ou usam outras técnicas para conseguir resultados tímidos — geralmente um corte a partir de resoluções gigantescas, como fazem Lumia 1020 e Xperia Z1.

O zoom é um ponto alto do Galaxy S 4 Zoom.
Fotos: Rodrigo Ghedin.

No Galaxy S 4 Zoom, não. Você tem uma objetiva com zoom de 10x, equivalente a 24-240 mm. Ele é poderoso e, associado à estabilização ótica de imagens, permite fazer fotos de objetos distantes sem a degradação comum do zoom digital. É bem divertido!

Por mais legal e cheio de possibilidades que seja o zoom, ele não supre a falta de qualidade dos resultados obtidos com o Galaxy S 4 Zoom. Mesmo sob a luz do Sol há ruído aparente, falta de definição, imagens lavadas e outras deficiências que passariam em um smartphone convencional, mas são meio incongruentes à proposta desse aparelho. Afinal, temos aqui um sensor grande (1/2,33″, resolução de 16 mega pixels), do mesmo tamanho que o da maioria das câmeras compactas e maior que os presentes em smartphones que, na prática, acabam entregando fotos melhores, como iPhone 5/5s e Lumia 920. Os resultados que obtive com ele foram meio decepcionantes.

A seguir, alguns exemplos do que pode sair dessa câmera. Todas no modo Automático, salvo quando especificado, e sem qualquer tipo de pós-edição.

Na foto abaixo, tirada em um dia ensolarado, a sombra de um prédio virou uma coisa semi-disforme, com pouco detalhamento:

Ruído na sombra de um prédio.
ISO 100, f/8.8, 1/500s. Foto: Rodrigo Ghedin.

Nem navio, nem céu, nem as ondas. Nada se salva nesta foto:

Navio perdido no meio do ar.
ISO 100, f/6.3, 1/30s. Foto: Rodrigo Ghedin.

As cores são meio inconstantes, com tendência a saírem lavadas. Como na foto abaixo:

Cores lavadas.
Cores lavadas. ISO 100, f/6.3, 1/80s, redimensionada para 960×540 pixels. Foto: Rodrigo Ghedin.

Quando compartilhadas em redes sociais, onde quase sempre rola algum tipo de compressão e/ou redimensionamento, as fotos passam bem para a maioria dos olhos. Se a ideia é mostrar seu talento para o mundo através do Facebook e do Instagram, boa parte dos problemas da câmera do Galaxy S 4 Zoom são perdoáveis.

Esta, por exemplo, apesar de também ter saído um pouco lavada, ficou bacana:

Boa foto com o Galaxy S 4 Zoom.
ISO 100, f/3.9, 1/125s. Redimensionada para 960×540 pixels. Foto: Rodrigo Ghedin.

E, claro, dá para brincar com longa exposição — até 16 segundos. Uma pena que o design do Galaxy S 4 Zoom não o permite ficar parado, de pé; de qualquer maneira, o suporte a tripés é bem-vindo para situações do tipo.

Longa exposição.
ISO 100, f/15.3, 10s. Redimensionada para 960×540. Foto: Rodrigo Ghedin.

No álbum abaixo, essas e outras fotos de exemplo. Dá para vê-las em tamanho natural também, basta clicar na engrenagem do canto superior direito e, depois, “View full resolution”:

Configurações modestas atrapalham as fotos

A porção smartphone é composta por um SoC Exynos 4212, com CPU Cortex-A9 dual-core rodando a 1,5 GHz, GPU Mali 400 e 1,5 GB de RAM. De memória interna, são apenas 8 GB de espaço, mas felizmente existe um slot para cartão microSD de até 64 GB.

É uma configuração intermediária, um tanto distante do que os sabores do Galaxy S 4 convencional oferecem, mais próxima da do Galaxy S 4 mini. E ela deixa a desejar, especialmente quando se exige mais da câmera ou muito apps são abertos ao mesmo tempo.

As situações do modo Inteligente, que oferece mais de 20 configurações fáceis, levam tempo para serem carregadas. O salvamento das fotos também é mais longo que o usual. Os controles no modo Manual não respondem com perfeição. Parece que falta fôlego para o hardware conseguir rodar o Android (4.2.2) a contento.

Não bastasse a estranheza que é usar uma câmera como smartphone, essa parte do Galaxy S 4 Zoom também fica devendo.

No papel uma boa ideia, na prática…

Galaxy S 4 Zoom, no detalhe.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O Galaxy S 4 Zoom é, no papel, uma solução simples para o quebra-cabeça que é juntar câmera e celular em um único aparelho. Na prática, porém, justamente a porção câmera, que deveria aproveitar as concessões feitas no lado smartphone, decepciona, entregando fotos que, embora melhores que as feitas com qualquer outro aparelho intermediário, não fazem frente a modelos topo de linha ou mesmo câmeras compactas de quem empresta a dimensão do seu sensor.

Há vantagens evidentes nessa abordagem, tanto para a câmera (compartilhamento com redes sociais! Apps de edição de imagens!), quanto para o smartphone (zoom ótico em um celular!), mas elas empalidecem quando postas ao lado das deficiências que a mescla dos dois formatos gera. Não são poucas, e a maioria é difícil de tolerar, especialmente pelo preço sugerido da Samsung. Com R$ 1.499 dá para comprar um smartphone intermediário e, se bobear, uma compacta de entrada.

O futuro é das câmeras de smartphones, mas o Galaxy S 4 Zoom mostra que não há atalhos nesse caminho, que não basta grudar uma câmera comum em um celular, que essa equação não é uma soma simples, um 1+1=2.

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1 comentário

  1. Ótimo review Ghedin….até quando se trata dessa coisa desengonçada fica claro sua imparcialidade e a busca por pontos positivos até onde fica difícil encontrá-los….

    …sinceramente a Samy se superou ao conseguir fazer algo tão estupidamente feio e que beira o ridículo ao ser utilizado como um Smartphone…mas tem gosto pra tudo e samsung sabe disso.

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