Galaxy Note 7 segurado por uma mão.

Galaxy Note 7, o laboratório de testes da Samsung, é anunciado e traz um leitor de íris


2/8/16 às 22h19

A Samsung apresentou hoje, no Rio de Janeiro, o novo Galaxy Note 7. O smartphone que inaugurou a era moderna dos smartphones com telas enormes continua com uma grande (5,7 polegadas), mas não quer mais ser o sonho de consumo apenas dos aficionados por produtividade que não dispensam a canetinha stylus, chamada S Pen. Prova disso, entre outras, é a decisão da Samsung de pular o número 6 a fim de aproximá-lo ainda mais do seu topo de linha mais popular, o Galaxy S7 edge. Vai funcionar?

Segundo Renato Citrini, gerente da divisão mobile da Samsung Brasil, a ideia é que o Galaxy Note 7 não seja visto como um celular apenas para pessoas que gostam de tela grande. Faz todo o sentido, uma vez que as telas da maioria dos smartphones à venda estão bem próximas em tamanho da de 5,7 polegadas do novo modelo — a do Galaxy S7 edge, o concorrente doméstico, por exemplo, tem 5,5.

Mão segurando a S Pen, stylus do Galaxy Note 7.

Com essa aproximação, a Samsung quer tornar o Note 7 um aparelho de volume, ou seja, um que venda em grandes quantidades. Ele sempre reinou absoluto na categoria que criou, em grande parte, como apontou a newsletter de hoje do Pinguins Móveis1, graças à miopia dos concorrentes que acham que o “Note” do nome se refere apenas ao tamanho da tela e que, quando se atentam à stylus, colocam a canetinha em dispositivos intermediários e não exploram os recursos de software. O Galaxy Note 7 segue como o único “phablet” topo de linha que vem com uma stylus e que faz bom uso dela.

A Samsung sabe disso tudo (o vídeo promocional destaca que não se trata apenas da tela grande) e tem aproveitado bem a dominação do segmento. Tanto que pode se dar ao luxo de fazer da linha Galaxy Note um laboratório de testes para novidades que, posteriormente, aparecem no Galaxy S: a própria ideia de uma tela enorme em um smartphone (Note original), a conexão USB 3.0 (Note III), o acabamento mais refinado com moldura de metal e a tela QHD (Note IV), as bordas curvas (Note Edge) e, agora, o scanner de íris (mais sobre isso abaixo).

Tudo isso contribui para uma imagem de tecnologia de ponta que, somada à produtividade derivada da S Pen, a stylus marca registrada do Galaxy Note (e que agora não pode mais ser colocada de modo errado no smartphone2), tem potencial para criar um topo de linha paralelo numa sadia concorrência interna onde quem ganha, no fim, são a própria Samsung e o consumidor, independentemente do modelo vendido/escolhido.

Reconhecimento de íris

Mulher fazendo pagamento pelo leitor de íris do Galaxy Note 7.
Foto: Samsung.

Para além da S Pen e de 0,2 polegadas de tela, o diferencial do Galaxy Note 7 para o S7 edge é o reconhecimento de íris, um componente de hardware combinado com software desenvolvido, segundo a Samsung, ao longo dos últimos cinco anos. O Galaxy Note 7 não é o primeiro smartphone a trazer essa funcionalidade; Microsoft e Fujitsu já tinham feito algo do tipo. Porém, ele é o primeiro que chega ao Brasil.

Assim como outras tecnologias biométricas, o leitor de íris é uma tecnologia de privacidade e segurança que, segundo Citrini, acaba sendo mais seguro que a impressão digital: “Ela dá o falso-positivo 200 vezes menos porque a íris é um assinatura única. Sua íris, depois de dois anos de idade, não muda mais, enquanto a impressão digital vai se desgastando. Você se machuca e fica uma cicatriz… A íris é praticamente imutável”, afirmou.

Citrini continua: “O scanner de íris funciona mesmo que você esteja de óculos escuro ou de lente de contato transparente. Ele funciona inclusive no escuro, já que não precisa da luz ambiente para funcionar pois trabalha com infravermelho. Ele só não funciona com lente de contato colorida, pois ela cobre a sua íris, e com lentes de óculos polarizadas, porque daí existe uma dificuldade e o infravermelho acaba não tendo a precisão necessária para fazer o reconhecimento da íris”. Apenas uma pessoa consegue cadastrar a íris e, depois disso, todo desbloqueio pode ser feito dessa forma.

O usuário poderá não apenas desbloquear o smartphone olhando para o leitor, mas também autenticar pagamentos no Samsung Pay. Além disso, desenvolvedores de aplicativos como, por exemplo, os de bancos, poderão fazer uso dessa tecnologia por meio do recurso Samsung Pass. Ou seja, seu banco poderá habilitar no app a autenticação também por íris se assim desejar. Por enquanto, no entanto, nenhum banco brasileiro se interessou.

Eu testei esse método de autenticação e o processo é muito rápido. Só resta saber se, no dia a dia, ele será mais rápido que os outros, em especial a biometria pela impressão digital. Não tanto pela tecnologia em si, mas mais pelo ato que ela exige — no caso, apontar a câmera frontal para o seu rosto em contraponto a apenas encostar o dedo em um botão.

No Android 4.4 o Google tinha algo similar, uma espécie de reconhecimento facial simples (e falho) baseado na câmera frontal. Não era muito conveniente e embora o paralelo tecnológico com o sistema do Galaxy Note 7 não se aplique (esse da Samsung é melhor resolvido), no uso ambos são similares. A princípio, essas tecnologias que “te olham” para liberar o acesso ao sistema parecem fazer mais sentido em dispositivos estacionários, como notebooks e computadores — onde, curiosamente, leitores de impressão digital são bem desengonçados. A conferir, e a resposta rápida do leitor de reconhecimento de íris pode ser um ponto a favor no smartphone.

O hardware e o software do Galaxy Note 7

O Galaxy Note 7 vem com 64 GB de armazenamento, expansível para 256 GB via cartão microSD e, além disso, uma promoção de 15 GB no Samsung Cloud, o serviço de armazenamento da fabricante sul-coreana. A explicação para tanto espaço está relacionada ao conteúdo: a Samsung é uma das grandes entusiastas disso porque não vende apenas celulares, mas também TVs, câmeras (inclusive as de 360º) e o Gear VR, que teve uma nova versão apresentada também hoje. Além de outra cor, próxima do preto, o novo Gear VR tem lentes maiores, uma curvatura maior, um botão a mais (Home) e adaptadores para ser usado tanto com o Note 7 e sua entrada USB Type-C quanto com versões anteriores, como o Galaxy Note 5/edge e os Galaxy S7.

Outro motivo para a preocupação com espaço é a tela compatível com vídeos em HDR do Galaxy Note 7 que, obviamente, exige vídeos em HDR para mostrar toda a sua glória. Tecnologia que recentemente chegou às TVs, mas que já aparece em câmeras de smartphones há algum tempo, o HDR combina várias imagens para entregar uma que “deixe o claro mais claro e o escuro mais escuro” nas palavras de Citrini. Nos vídeos, ela tem resultados semelhantes aos da fotografia, porém exige que os conteúdos sejam gravados em HDR, o que consome mais espaço que um vídeo comum.

Por enquanto, só a Amazon está preparando conteúdo em HDR mobile — o arquivo em HDR para dispositivos móveis é diferente daquele que vai para a TV. Ainda assim, a Samsung resolveu investir nesse recurso porque, de novo, precisa que as pessoas não apenas consumam conteúdo, mas queiram produzi-lo a fim de fortalecer todo o ecossistema.

As câmeras são as mesmas do Galaxy S7. O Galaxy Note 7 conta, ainda, com 4 GB de RAM e um SoC da própria Samsung, o Exynos 8890, com processador octa-core (quatro núcleos a 2,3 GHz, outros quatro a 1,6 GHz). Outra semelhança com S7 é a resistência à água e à poeira (IP68), o que, embora as fabricantes adorem fazer imagens dos aparelhos embaixo d’água, inclusive a Samsung, significa apenas que o aparelho tem uma proteção contra quedas na água — resiste a até 1,5 metro de profundidade por no máximo 30 minutos. A S Pen também traz essa mesma certificação e você pode retirá-la do Galaxy Note 7 submerso sem o risco de danificar o conjunto.

Das novidades de software, temos um novo app para notas e desenhos, o Samsung Note, que unifica tudo que é feito com a S Pen, e o Pasta Segura, uma pasta que exige autenticação extra para ser acessada. A S Pen ganhou mais uma habilidade, a de tradução: aproxime a caneta de uma palavra e escolha a opção correspondente, e ela aparece em um dos 30 idiomas suportados. A interface em cima do Android (versão 6.0.1) está ainda mais limpa que no Galaxy S7, mas, para o bem ou para o mal, a Touchwiz continua presente.

Pacote do Galaxy Note 7 comprado na pré-venda, com Gear VR e Gear IconX.

O Galaxy Note7 estará disponível no Brasil a partir da primeira quinzena de setembro nas cores dourado, prata e preto. A nova cor, azul coral (que eu particularmente não gostei), não vem para cá. (No restante do globo, a data oficial de lançamento é 19 de agosto.) O preço sugerido aqui é de R$ 4.299. Na pré-venda, que começa no dia 22 de agosto, o usuário que adquirir o Galaxy Note 7 levará junto o novo Gear VR e o Gear IconX, um par de fones de ouvido Bluetooth. O Gear VR sozinho ainda não tem preço definido.

Emily viajou ao Rio de Janeiro a convite da Samsung Brasil.

  1. Recomendamos fortemente.
  2. Se a S Pen do Galaxy Note 5 fosse colocada invertida, ela danificava permanentemente o smartphone. Uma falha de projeto inacreditável da Samsung.

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24 comentários

  1. Sobre o leitor de iris, tenho no Surface e no Lumia 950. No Lumia o reconhecimento é de, pelo menos, 1 segundo e tem que segurar o celular mais próximo do rosto do que eu gostaria, desativei. No Surface é totalmente o inverso, é rápido, funciona em diversos ângulos e a distância, basta eu olhar mesmo que de lado pro notebook que ele destrava, muito bom.

    Até agora, em celulares, o melhor método que já vi é o do iPhone 6s, que basta a gente segurar o aparelho com parte do dedo no botão home que destrava, muito conveniente e rápido. Se o Note 7 conseguir algo do tipo com o leitor de iris, é um grande avanço com certeza.

    1. Off: Tens um SP4 e um Lumia 950?
      Vc é rico? Kkkkkk
      Pq vc ainda investiu no Lumia 950? As críticas ao msm são pesadas e o WM10 não anda muito bem…
      Vc importou ou mora fora?

      1. Estou longe de ser rico hehehehehe. Quando decidi ter apenas um equipamento pra “tudo”, vendi PC e notebook e comprei um SP2 na época, ano passado vendi o SP2 e comprei o 4.
        O L950 só comprei porque precisava de um celular mais rápido e esse era o único top de linha com Windows.
        Não me importo muito com as críticas pois tenho tudo que preciso com o Windows Mobile, eu não jogo, não uso tantos apps, o aparelho em uma câmera rápida e muito boa, é bem leve, tela bonita, enfim, me atende perfeitamente.
        Quanto ao Surface, é o melhor computador que já usei, não devo trocá-lo tão cedo.
        Mais estável que o W10, só o W7 mesmo, funciona perfeitamente no trabalho e em casa, principalmente pra usar programas legados, que são muitos onde trabalho.
        Compro meus gadgets quando viajo pro US and A :)

  2. Gostei muito do celular, e esqueceram de mencionar que ele tem proteção contra água e poeira, rs.

    E acho o celular mais completo atualmente, bateria grande e tem tudo que os S7 tem, e mais a S Pen, pena o preço não ser nada convidativo.

  3. 4.299 é o preço de uma moto usada, da entrada de um carro, dá pra decorar uma sala! caramba, tive do note 2 ao 4 e o preço é o principal problema da linha, cada vez mais cara =(

    1. Será, Victor? Já argumentei aqui que, em alguns casos, as modificações da fabricante são benéficas. O Galaxy Note me parece um desses: sem o amplo suporte à S Pen, seria só mais um smartphone de tela grande como tantos outros que temos no mercado. Aqui o texto (fala sobre tablets, mas vale para muitos smartphones também): https://www.manualdousuario.net/tablets-android/

      Ainda tem muita coisa dispensável que as fabricantes empurram em suas personalizações do sistema, mas a parte de atrapalhar desempenho, creio eu, é quase inofensiva hoje. E, nessa de personalizar, com frequência elas antecipam coisas que demorarão para aparecer no Android puro do Google. Até a Motorola faz isso com suporte a dual SIM (só veio no Android 5.1), “Ok, Google”, Moto Tela… um punhado de inovações úteis.

      1. Sim, fato que muita coisa boa aparece nas customizações dos fabricantes. Mesmo a TouchWiz da Samsung trouxe funções para a área de notificações que só depois do Jellybean apareceram no Android do Google. E eu não deixaria de comprar o Note 7 por causa da TouchWiz.

        Mas por outro lado o Android do Google hoje é um sistema bem mais amadurecido e que já consegue ser muito bom sem as customizações. Deveria ser uma opção, como já aconteceu lá fora com as Google editions (ou Nexus editions?) que vinham com o Android do Google. É uma questão de preferência, somente.

      2. Disse tudo. Lá trás ainda quando o Motoblur e o TouchWiz da Samsung era odiado por todos eles tinham várias novidades e modificações que a Google incorporou…

        Como eu era curioso e vivia instalando ROMs nos meus devices eu sempre achava estranho a “dificuldade” de fazer coisas que eram tão simples nos sistemas originais dos fabricantes.

    2. Com android stock seria mais um android com tela grande, não seria o galaxy note, basta comprar um moto x style ou nexus 6p.

      1. Seria um Android stock com excelente hardware. O suporte à caneta é o diferencial. Não deveria ser necessário conviver com a TouchWiz só por causa de uma caneta.

        1. Victor, não sei qual o último galaxy que você usou, mas eu não vejo nada de ruim na touchwiz atual, numa boa. A fluidez e a velocidade são iguais ao Android puro, o aplicativo da câmera é muito melhor, as funções e aplicativos duvidosos podem ser desativados. Esteticamente eu prefiro o puro, mas é só baixar um tema e problema resolvido. As vantagens são várias, gerenciamento de bateria melhor, multi janelas com várias funções, várias possibilidades de personalização, boot mais rápido que eu já vi em um smartphone e por aí vai. Eu tenho um note 5 e um Nexus 6p, o Nexus é um aparelho muito bom, sem dúvidas, mas o note é muito melhor. A touchwiz era péssima mesmo, hoje é excelente.

          1. Questão de gosto. Eu gostaria de ter um Note 7 com Android stock. Não gosto do design adotado pela Samsung, do bloatware e não gosto do ecossistema pifio, inconsistente e virtualmente impossível de se eliminar completamente que a Samsung insiste em enfiar nos seus aparelhos. Se você convive bem com isso, ótimo. Meu último Galaxy foi um Win Duos há um ano e pouco atrás, se de lá pra cá eles eliminaram coisas ridículas como o ChatOn, o S Note, o aplicativo de agenda e aquela app store paralela deles, já melhorou muito.

  4. Excelente texto, apenas uma correção.
    O processador é o Exinos 8893, uma versão levemente melhor do 8890 que vem no S7 e no S7 Edge