Foto da foto com o Galaxy Gran Prime.

[Review] Galaxy Gran Prime: boas câmeras, TV digital de alta definição e desempenho decepcionante


6/3/15 às 16h54

A Samsung está num momento de transição. Com o Galaxy A e seus últimos topos de linha, Galaxy Note 4 e Galaxy S6, os materiais simplórios no acabamento e os excessos em software saíram de cena para dar lugar a metal, vidro e menos penduricalhos dispensáveis no Android. É um movimento pra lá de bem-vindo, mas que ainda demorará a alcançar os modelos mais humildes de smartphones da empresa. Por um bom tempo ainda veremos diversos Galaxy Core Neo Ultra Duos TV e variantes com design ruim e software indigesto à venda.

Em meio ao oceano de variações da linha Galaxy que inunda o varejo brasileiro, vez ou outra a Samsung fisga algum modelo específico para destacar. O último desses foi o Galaxy Gran Prime Duos (*respira*) TV. Lançado no final de 2014, ele tem como destaque a boa câmera frontal. Não é algo exclusivo da fabricante sul-coreana; rivais como a Microsoft também apostam em câmeras frontais poderosas, surfando na onda das selfies. Como ficou a execução da Samsung? É o que descobriremos agora.

Galaxy S II, é você?

Galaxy S II e Galaxy Gran Prime, lado a lado.
À esquerda, o Galaxy S II, de 2011. As fotos não estão proporcionais — o Gran Prime é maior.

Vendo-o de frente, o Galaxy Gran Prime se parece bastante com o Galaxy S II, de 2011. Os cantos mais angulados e a moldura sobressalente em plástico pintado de prata passam essa sensação. O problema é que, por melhor que seja o trabalho feito, estamos falando de um design datado. Esse Galaxy parece exatamente isso: um projeto bonito, mas perdido no tempo. (E, sejamos honestos: nem em 2011 o Galaxy S II arrancava suspiros.)

A borda é de um plástico que imita aço escovado. Nada sofisticado, nem bonito. A tampa de trás é removível e tem uma textura bastante sutil, que se aproxima mais do liso absoluto do que de algo que auxilie a empunhadura. Esse material é bastante flexível e, como é tradição na Samsung, a remoção da tampa é bem fácil.

Botões frontais do Galaxy Gran Prime.

Em relação à disposição de portas, botões e outros elementos físicos, o Galaxy Gran Prime é super tradicional. Tudo aparece nos lugares esperados segundo a tradição da Samsung, ou seja, os três botões principais do Android continuam fora da tela (e o Home, de apertar), os botões de volume seguem do lado esquerdo do aparelho e a saída de áudio, para os fones de ouvido, no topo. A única diferença é que do canto superior direito sai a antena da TV digital.

A tela do Galaxy Gran Prime tem 5 polegadas e resolução qHD, ou seja, de 960×540 pixels. Não é o ideal, já que essa combinação resulta em uma densidade de ~220 PPI (pixels por polegada). Felizmente, não é tão ruim quanto possa parecer. Falta definição mesmo em textos grandes, algo que qualquer um acostumado a telas “Retina” nota de cara, mas a legibilidade e outras características como brilho, contraste e ângulos de visão são ok. O problema é que a concorrência oferece telas melhores nessa faixa de preço, então é difícil justificar essa e outras economias.

Estranhezas e frustrações

Galaxy Gran Prime na mão.

Falando em economia, este smartphone não tem sensor de luminosidade, o que se traduz na ausência da definição automática do brilho da tela. E eu já tinha ficado frustrado com essa deficiência no Lumia 630, aparelho posicionado um pouco abaixo do Galaxy Gran Prime…

O pior, porém, se vê numa parte mais importante: o desempenho. O Galaxy Gran Prime é equipado com 1 GB de RAM e usa o novíssimo Snapdragon 410. É um SoC composto pela CPU quad-core Cortex-A53 rodando a 1,2 GHz e GPU Adreno 306. Trata-se, pois, de um dos primeiros smartphones Android equipados com uma CPU 64 bits, ainda que o Android 4.4 usado aqui não consiga tirar muita vantagem dessa característica.  De qualquer forma, é uma configuração do calibre da do ótimo Moto G de segunda geração. O que me intriga é como, nessas condições, o desempenho do Galaxy Gran Prime é tão ruim.

Tampa de plástico que imita metal do Galaxy Gran Prime.

Navegar em sites pelo Chrome é um exercício de paciência para monges. O app do Facebook é letárgico. Ok, ele está longe de ser um exemplo de otimização, mas smartphones similares e até piores não sofrem tanto quanto o Galaxy Gran Prime para rodá-lo. Com frequência toques e comandos no próprio sistema apresentam atrasos de segundos. Apps em segundo plano, como o Play Música, fecham do nada.

Cheguei até a pensar que minha unidade estivesse com defeito, mas conversando com proprietários desse modelo a opinião foi unânime: é lento assim mesmo. Com outros smartphones superiores da Samsung, como o Galaxy S5, minha bronca com a TouchWiz se restringia ao mau gosto, à redundância de apps e à usabilidade ruim. Aqui, a situação é mais crítica. A interferência no Android compromete todo o conjunto.

TV digital no Galaxy Gran Prime.

E é uma pena porque, de outro modo, há pouco a se queixar do Galaxy Gran Prime. O acabamento não é lá aquelas coisas, mas ele tem boas virtudes. A bateria, por exemplo, é legal — tem 2600 mAh e dura um dia inteiro tranquilamente. As câmeras, ambas são boas. E a TV digital é em alta definição, coisa que ainda não tinha visto em um smartphone. Tudo bem que a tela não acompanha a resolução do sinal, mas perto da alternativa, o 1-Seg (320×240 pixels), é sensacional. Não dá para gravar a programação, mas essa é uma limitação compreensível — consumiria os parcos 8 GB de espaço disponível rapidamente e tenho dúvidas se esse hardware aguenta o tranco…

Câmera de selfies — e truques

Atrás, o Galaxy Gran Prime traz uma câmera de 8 mega pixels. Normalmente é essa a que chamamos de “câmera principal”, mas nesse caso talvez o mais correto seja dar esse título à frontal. Com 5 mega pixels e ângulo de 85º, a câmera de selfies desse smartphone faz bonito — mas graças a um truque do app da câmera.

Fiz algumas fotos e fiquei surpreso com a qualidade. Até brinquei no Twitter, dizendo que a câmera frontal tinha um “Photoshop embutido”. E… bem, não é exatamente a câmera, mas o app da Samsung que tem esse poder. Ao abrir os modos de foto da câmera frontal, você se depara com três: Selfie, GIF animado (?) e Selfie panorâmica. Note que não existe alternativa para uma foto simples, a única opção é o modo Selfie. Não se trata apenas de um nome da moda, mas de um algoritmo poderoso que “edita” sua selfie em tempo real.

Baixei o app Câmera do Google para fazer um comparativo e é notável a diferença:

Comparativo de fotos.
A mesma câmera, dois apps diferentes.

Bom? Ruim? O resultado é bonito, sem dúvida. Um pouco artificial, mas no fim é um atalho automático para edições que a maioria de nós faz. Isso tira um pouco do “efeito uau” da câmera e mascara as coisas (note como minha pele parece perfeita no “modo Selfie”)…

A câmera de trás também tem esse modo Selfie um outro similar, “Embelezar rostos”, e outras fabricantes também trazem variações dessas edições automáticas, então não é o caso de apontar dedos à Samsung, nem nada do tipo. Na verdade toda fotografia digital, com exceção das salvas em raw, passam por um pós-processamento do tipo, só que ele não costuma ser tão radical como nesse caso. Na real, não sei muito bem o que pensar sobre isso…

A câmera de trás é aquela tipicamente intermediária: à luz do dia, faz fotos boas; à noite, esqueça — nem com o modo Noturno ativado ela se salva. O alcance dinâmico é abaixo da média, mas nada que o modo HDR não corrija. As cores tendem a sair um pouco foscas, mas, novamente, dá para contornar esse problema com um pouco de pós-edição em qualquer VSCO Cam ou Snapseed da vida. No geral é uma câmera legal, à altura do que o Galaxy Gran Prime custa, e que fará feliz o proprietário de uma.

Abaixo, exemplos de fotos feitas com o Galaxy Gran Prime em diversas condições:

Foto com HDR feita com o Galaxy Gran Prime.
Foto feita com auxílio do HDR. Redimensionada para 730×411.
A mesma foto, sem HDR.
Mesma situação, sem HDR. f/2,4, 1/17s, ISO 125. Redimensionada para 730×411.
Foto no modo Noturno.
Foto feita com o modo Noturno ativado. Redimensionada para 730×411.
Detalhes de uma folhagem.
f/2,4, 1/717s, ISO 50. Crop de 100%.
Boa foto feita com o Galaxy Gran Prime.
Dá para ser feliz com essa câmera. f/2,4, 1/40s, ISO 80. Modo automático. Redimensionada para 730×411.
Selfie feita com o Galaxy Gran Prime.
A foto do início do post. f/2,2. Redimensionada para 600×1067.

A velha TouchWiz

Tela inicial do Galaxy Gran Prime.

TouchWiz, para quem não sabe, é o nome da camada de software que a Samsung aplica no Android. Ela muda ícones, padrões de cores, configurações, acrescenta recursos e, nesse caso, peso ao sistema.

A que acompanha o Galaxy Gran Prime segue o padrão visual da que vem no Galaxy S5. Não é bonita, nem muito prática comparado o sistema ao Android padrão, mas aqui, dada a presença de menos recursos, ela parece mais simples. Meu referencial principal é a tela de configurações. Se no S5 ela é uma lista infinita e desordenada, aqui ela tem apenas ícones diferentes e duas ou três entradas extras de recursos da Samsung. Até o número de apps diminuiu. O player de música da Samsung, por exemplo, não está disponível. Em seu lugar, apenas o Play Música.

Fora isso, há algumas coisas úteis como o modo Ultra economia, que transforma o Galaxy Gran Prime em um dumbphone capaz de ficar alguns dias longe da tomada, e a fileira de atalhos rápidos na cortina de notificações (se bem que a implementação do Android 5.0 é melhor). Pena que outras, como o “Não Perturbe” da Samsung, não é vista em lugar algum.

Atualização é sempre um assunto espinhoso no universo Android. Consultei a assessoria da Samsung sobre o tema e a resposta foi de que “ainda não temos previsão para a atualização do Gran Prime para Lollipop”. Nesse caso, tal incerteza é grave, pois a atualização para o Android 5.0 vai além dos novos recursos e mudanças estéticas; ela tem o potencial de melhorar o desempenho do aparelho, já que ele é otimizado para CPUs 64 bits. Dado o estado horrendo do desempenho do Galaxy Gran Prime, qualquer ajuda nesse sentido é bem-vinda.

O Galaxy Gran Prime vale a pena?

Borda do Galaxy Gran Prime.

Não. As câmeras são boas, ver TV no celular com qualidade de imagem é bacana, mas essas vantagens são prontamente esquecidas quando você abre o navegador e… bem, e nada acontece. Depois, quando o sistema fica lento, não responde seus comandos e, de repente, responde a todos de uma vez só, a neutralidade dá lugar à irritação.

Não dá para entender o Galaxy Gran Prime. Intriga-me que a Samsung tenha lançado um smartphone com desempenho capenga num segmento tão acirrado como o dos intermediários, na faixa dos R$ 700~800. Com concorrentes ótimos e mais baratos como Moto G, Zenfone 5 e Lumia 730, não consigo enxergar motivos para optar pelo Galaxy Gran Prime em detrimento de qualquer um desses outros três.

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