Jogadores do Palmeiras comemoram o título do Brasileirão de 1994.

Como eram os gadgets quando o Palmeiras foi campeão brasileiro pela última vez


25/11/16 às 8h43

O Estadão publicou uma matéria intitulada “Como eram os carros quando o Palmeiras foi campeão brasileiro pela última vez”. Cumprindo com meu dever jornalístico, averiguei que isso aconteceu em 1994 e que a matéria se justifica devido à forte probabilidade do time paulista ser, 22 anos depois, mais uma vez campeão brasileiro de futebol.

Confesso que gastei mais tempo pensando na lógica do jornal do que no conteúdo — que nem traz detalhes, só fotos dos carros; clássico clickbait. Concluí que não tem nexo algum, o que a torna sensacional!

As reações nas redes sociais, esses locais onde gastamos um tempo e paciência que nos são escassos e que, com frequência cada vez maior, representam a “opinião pública”, de gente ameaçando cancelar a assinatura do Estadão (!) devido ao desrespeito (?) do jornal com o time de futebol, só reforçam a minha tese de que o editor que aprovou essa pauta é um grande troll no sentido clássico do termo, ou seja, alguém que solta um conteúdo sutil, descompromissado e que, com menos de 20 palavras (as do título) e algumas fotos, causa um rebuliço em torno de um tema inócuo juntando outro que não tem qualquer relação que faça qualquer sentido.

Pessoas reclamam, no Twitter, contra matéria do Estadão.

Que inveja. Eu queria ter tido essa ideia.

Enfim, não terá o mesmo impacto, mas para enriquecer a conquista palmeirense e revisitar o saudoso ano de 1994, apresento-lhes como eram os gadgets quando o Palmeiras foi campeão brasileiro pela última vez!

O primeiro smartphone

IBM Simon ao lado de um iPhone 4.
Foto: Rob Stothard

Em 16 de agosto de 1994, foi lançado o primeiro smartphone da história, o IBM Simon. Ele tinha apps, touchscreen e custava exorbitantes US$ 1.100. E era grosso. Hoje, o padrão dos smartphones é ter menos de 1 cm de espessura; o Simon tinha 3,8 cm.

Fundação de grandes empresas

Com a ajuda da web, criada alguns anos antes, a Internet comercial estava começando a pegar. Nos Estados Unidos, três grandes empresas que ainda hoje estão por aí nasceram: Yahoo!, ainda com essa exclamação esquisitona, a Amazon, vendendo apenas livros de papel, e a Red Hat, uma das distribuições Linux mais bem sucedidas da história.

O ano de 1994 também viu projetos importantes chegarem à primeira versão estável (1.0): o navegador web Netscape e o sistema operacional Linux.

Os anos perdidos da Apple

Produtos da Apple lançados em 1994.
QuickTake 100, PowerBook 540c e Pippin. Fotos: Wikimedia.

Os anos 1990 foram complicados para a Apple. Em 1994, por exemplo, a empresa lançou seu video game em parceria com a Bandai, o fracassado Pippin; uma câmera fotográfica, a QuickTake 100; e um punhado de computadores, como a linha de notebooks PowerBook 500, creditada como a primeira a ter um touchpad (de lá até hoje, a Apple ainda chama essa parte de “trackpad”).

Notebooks

Outros notebooks usavam um tipo de “trackball”, uma bolinha que movimentava o mouse. No Brasil, o aparentemente imortal Emílio Zurita anunciava um notebook do tipo, da Compaq, por R$ 1.848 — corrigido, o valor em 2016 seria de quase R$ 12 mil:

A IBM ainda fabricava computadores e um deles, o PowerPortable N40, foi destaque no caderno de informática da Folha em 16 de março. Custava US$ 11.995.

Anúncio da Best Buy de notebooks em 1994.
Foto: AEI.

Não eram apenas os notebooks que custavam uma nota. Computadores em geral, o clássico desktop bege típico dos anos 1990, eram caríssimos mesmo nos Estados Unidos. Segundo a AEI, um think tank americano dedicado ao estudo de políticas públicas, um computador em 2016 é mil vezes mais rápido e 96% mais barato do que os que eram vendidos em 1994. Quando o capitalismo funciona, ele funciona pra valer.

PlayStation

O primeiro PlayStation.
Foto: Sony/Divulgação.

Em fevereiro de 1994, no Japão, a Sony lançou o PlayStation original. Essa imagem aí é posterior, devido ao controle — o Dual Shock, com as duas alavancas analógicas e função vibratória, só apareceria alguns anos mais tarde.

Acho que, em 1994, ninguém imaginava que, 22 anos depois, a marca PlayStation seria uma das poucas a trazer lucro para a Sony. Será que passava pela cabeça dos palmeirenses que demoraria mais de duas décadas para o time levantar aquele caneco outra vez? (Não é uma pergunta retórica, eu realmente não manjo de futebol.)

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