Como eram os gadgets quando o Palmeiras foi campeão brasileiro pela última vez

Jogadores do Palmeiras comemoram o título do Brasileirão de 1994.

O Estadão publicou uma matéria intitulada “Como eram os carros quando o Palmeiras foi campeão brasileiro pela última vez”. Cumprindo com meu dever jornalístico, averiguei que isso aconteceu em 1994 e que a matéria se justifica devido à forte probabilidade do time paulista ser, 22 anos depois, mais uma vez campeão brasileiro de futebol.

Confesso que gastei mais tempo pensando na lógica do jornal do que no conteúdo — que nem traz detalhes, só fotos dos carros; clássico clickbait. Concluí que não tem nexo algum, o que a torna sensacional!

As reações nas redes sociais, esses locais onde gastamos um tempo e paciência que nos são escassos e que, com frequência cada vez maior, representam a “opinião pública”, de gente ameaçando cancelar a assinatura do Estadão (!) devido ao desrespeito (?) do jornal com o time de futebol, só reforçam a minha tese de que o editor que aprovou essa pauta é um grande troll no sentido clássico do termo, ou seja, alguém que solta um conteúdo sutil, descompromissado e que, com menos de 20 palavras (as do título) e algumas fotos, causa um rebuliço em torno de um tema inócuo juntando outro que não tem qualquer relação que faça qualquer sentido.

Pessoas reclamam, no Twitter, contra matéria do Estadão.

Que inveja. Eu queria ter tido essa ideia.

Enfim, não terá o mesmo impacto, mas para enriquecer a conquista palmeirense e revisitar o saudoso ano de 1994, apresento-lhes como eram os gadgets quando o Palmeiras foi campeão brasileiro pela última vez!

O primeiro smartphone

IBM Simon ao lado de um iPhone 4.
Foto: Rob Stothard

Em 16 de agosto de 1994, foi lançado o primeiro smartphone da história, o IBM Simon. Ele tinha apps, touchscreen e custava exorbitantes US$ 1.100. E era grosso. Hoje, o padrão dos smartphones é ter menos de 1 cm de espessura; o Simon tinha 3,8 cm.

Fundação de grandes empresas

Com a ajuda da web, criada alguns anos antes, a Internet comercial estava começando a pegar. Nos Estados Unidos, três grandes empresas que ainda hoje estão por aí nasceram: Yahoo!, ainda com essa exclamação esquisitona, a Amazon, vendendo apenas livros de papel, e a Red Hat, uma das distribuições Linux mais bem sucedidas da história.

O ano de 1994 também viu projetos importantes chegarem à primeira versão estável (1.0): o navegador web Netscape e o sistema operacional Linux.

Os anos perdidos da Apple

Produtos da Apple lançados em 1994.
QuickTake 100, PowerBook 540c e Pippin. Fotos: Wikimedia.

Os anos 1990 foram complicados para a Apple. Em 1994, por exemplo, a empresa lançou seu video game em parceria com a Bandai, o fracassado Pippin; uma câmera fotográfica, a QuickTake 100; e um punhado de computadores, como a linha de notebooks PowerBook 500, creditada como a primeira a ter um touchpad (de lá até hoje, a Apple ainda chama essa parte de “trackpad”).

Notebooks

Outros notebooks usavam um tipo de “trackball”, uma bolinha que movimentava o mouse. No Brasil, o aparentemente imortal Emílio Zurita anunciava um notebook do tipo, da Compaq, por R$ 1.848 — corrigido, o valor em 2016 seria de quase R$ 12 mil:

http://www.youtube.com/watch?v=VyDCOMMmFog

A IBM ainda fabricava computadores e um deles, o PowerPortable N40, foi destaque no caderno de informática da Folha em 16 de março. Custava US$ 11.995.

Anúncio da Best Buy de notebooks em 1994.
Foto: AEI.

Não eram apenas os notebooks que custavam uma nota. Computadores em geral, o clássico desktop bege típico dos anos 1990, eram caríssimos mesmo nos Estados Unidos. Segundo a AEI, um think tank americano dedicado ao estudo de políticas públicas, um computador em 2016 é mil vezes mais rápido e 96% mais barato do que os que eram vendidos em 1994. Quando o capitalismo funciona, ele funciona pra valer.

PlayStation

O primeiro PlayStation.
Foto: Sony/Divulgação.

Em fevereiro de 1994, no Japão, a Sony lançou o PlayStation original. Essa imagem aí é posterior, devido ao controle — o Dual Shock, com as duas alavancas analógicas e função vibratória, só apareceria alguns anos mais tarde.

Acho que, em 1994, ninguém imaginava que, 22 anos depois, a marca PlayStation seria uma das poucas a trazer lucro para a Sony. Será que passava pela cabeça dos palmeirenses que demoraria mais de duas décadas para o time levantar aquele caneco outra vez? (Não é uma pergunta retórica, eu realmente não manjo de futebol.)

Acompanhe

Newsletter (toda sexta, grátis):

  • Mastodon
  • Telegram
  • Twitter
  • Feed RSS

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

46 comentários

  1. Uma curiosidade, em abril de 1994 ganhei um CD de música do Skank (Calando) no meu aniversário e não tinha onde tocar. Só fui ouvir o CD uns 6 meses depois…

    Em 1994 usava um 486 SX, da IBM, com disquetes de 5 1/4 e sem drive de CD… que época!

  2. Uma curiosidade, em abril de 1994 ganhei um CD de música do Skank (Calando) no meu aniversário e não tinha onde tocar. Só fui ouvir o CD uns 6 meses depois…

    Em 1994 usava um 486 SX, da IBM, com disquetes de 5 1/4 e sem drive de CD… que época!

  3. Ghedin, a reação dos torcedores não é simplesmente por essa matéria. Há tempos o Estadão vem fazendo uma cobertura imparcial quando fala sobre o Palmeiras e isso foi a gota d’água para muitos torcedores, inclusive eu, que decidiram por cancelar a assinatura do jornal.
    Se quiser exemplos, depois posso mandar matérias que mostram claramente uma má vontade absurda do jornal em relação ao Palmeiras.

    1. Não acompanho o noticiário esportivo, então só li a referida matéria do Estadão a respeito do Palmeiras. Porém, ainda que seja o caso, a reação não seria um pouco desproporcional devido à natureza do objeto?

      Digo, é futebol, é um esporte, torcer (acho) seria algo leve, meio descompromissado. Eu não torço para times, mas outros interesses que passam meio que pela mesma vibe do esporte tendo a não encará-lo com tanta seriedade — se um jornal pegasse no pé de FIFA, por exemplo, não ligaria muito; talvez até entrasse na onda e zoasse também.

      Fico um pouco perplexo quando as pessoas ficam (genuinamente) irritadas, bravas, agressivas por questões derivadas do esporte. Enfim, estou tentando entender, na condição de um outsider (e é difícil, admito), a importância no grande esquema das coisas que tem o Estadão pegar no pé do Palmeiras.

    2. Não acompanho o noticiário esportivo, então só li a referida matéria do Estadão a respeito do Palmeiras. Porém, ainda que seja o caso, a reação não seria um pouco desproporcional devido à natureza do objeto?

      Digo, é futebol, é um esporte, torcer (acho) seria algo leve, meio descompromissado. Eu não torço para times, mas outros interesses que passam meio que pela mesma vibe do esporte tendo a não encará-lo com tanta seriedade — se um jornal pegasse no pé de FIFA, por exemplo, não ligaria muito; talvez até entrasse na onda e zoasse também.

      Fico um pouco perplexo quando as pessoas ficam (genuinamente) irritadas, bravas, agressivas por questões derivadas do esporte. Enfim, estou tentando entender, na condição de um outsider (e é difícil, admito), a importância no grande esquema das coisas que tem o Estadão pegar no pé do Palmeiras.

  4. Em 1994 chegou à casa de meus pais nosso primeiro computador. Eu tinha uns 9 ou 10 anos e lembro até hoje da configuração: era um processador 486 DX-2 rodando a 66 MHz (com direito àquele botãozinho “turbo”), 4 MB de RAM e uns 500 MB de HD. O monitor era o famoso SyncMaster 14″ da Samsung. Ele tinha porta para impressora, drive de 3,5″ e de 5″1/4. E só. Um amigo do meu pai também arranjou um MS DOS 6.22 e um Windows 3.11 piratas, além de uns jogos de pinball e do clássico Stunts, além daquele jogo do esquiador que precisa fugir do urso.

    O tão sonhado “kit multimídia” só chegou uns dois anos depois, acompanhado de uma cópia de Dark Force e de demos de Doom, Heretic, Terminal Velocity e outros joguinhos que pareciam décadas a frente do Mega Drive que tínhamos em casa.

    A maldita Era FHC chegou logo em seguida e este PC bege e surrado teve de aguentar longos seis anos de uso, quando em 2000 enfim compramos um computador novo. Ele só foi receber o Win95 lá por volta de 98 ou 99. Esse computador de 94 nunca acessou a internet e nem modem tinha.

    Bons tempos.

    1. O primeiro de casa chegou dois anos depois, um Pentium 166 MHz, 16 MB (ou 8?) de RAM, disco rígido lentíssimo da Quantum de 1 GB. Ah sim, sem kit multimídia. Velhos tempos (não sei se “bom” faz jus, haha, apesar da nostalgia!).

    2. Aqui chegou mais ou menos nessa época também (antes tive um MSX). Era um 486 DX4-100 e já tinha até modem da USRobotics 14.400. Depois recebeu um upgrade para um pentium 133, com modem de 56.600 V90 (importantíssimo) também da USRobotics.
      Me lembro de ter que usar os comandos para conectar a internet, tipo, tcpd algo do tipo!

  5. Mais um pouco de nostalgia para quem era criança em 1994:

    • lançamento das revistas Herói, Supergamepower e Dragão Brasil (aliás, se houve uma era de ouro nas bancas de jornal para nerds espinhentos, 1994 deve ter sido um ano central…)
    • início da exibição de Cavaleiros do Zodíaco e Power Rangers
    • implantação do Plano Real e a consequente chegada aos mercadinhos de bairro de M&M’s, Ferrero Rocher, Kinder Ovo e outras guloseimas semelhantes
    • comercialização dos Biscoitos Passatempo

  6. O primeiro CD player q teve em casa foi em 94, uma venda do Zurita via TV Mappin.
    Eu acho legal ver o que ele destaca do computador… 486 é o formula 1 dos micros (a gente tinha um 386 em casa na época), vem com windows 3.1 e lotus. eu trabalho na IBM, até pouco tempo atrás eles ainda usavam a marca Lotus pros apps de escritório, eu sempre lembrava do PC velhão com lotus smart suite.

    1. O primeiro de casa foi no ano seguinte: um rádio simples da CCE com toca-fitas e cd player, daqueles com alça e que podiam ser usados a pilha (quatro pilhas daquelas mais grossas). Durou uns bons cinco ou seis anos.

      Pedi para os meus pais para poder ouvir o CD dos mamonas assassinas.

    2. O primeiro de casa foi no ano seguinte: um rádio simples da CCE com toca-fitas e cd player, daqueles com alça e que podiam ser usados a pilha (quatro pilhas daquelas mais grossas). Durou uns bons cinco ou seis anos.

      Pedi para os meus pais para poder ouvir o CD dos mamonas assassinas.

  7. Eu lembro do meu tio que trabalhava com telefonia, tirando a maior ONDA com um celular gigantesco, pendurado na cintura.

  8. Eu lembro do meu tio que trabalhava com telefonia, tirando a maior ONDA com um celular gigantesco, pendurado na cintura.

  9. Eu tinha 6 anos em 94 e lembro de pouca coisa do mundo. De gadgets mesmo, lembro de nada.

    Mas respondendo sua pergunta: não, ninguém pensava que ficaríamos tanto tempo na fila. Na década de 90, por conta da cogestão com a Parmalat e tal, Palmeiras tinha supertimes. Quando a Parmalat quebrou, a gestão do clube foi junto e aí veio série B e etc.

    E agora, com uma gestão séria – que até tirou DOS dos computadores do clube em 2013 – a gente saiu dos anos perdidos, enfim.

    DÁ-LHE PORCO ???

  10. Eu tinha 6 anos em 94 e lembro de pouca coisa do mundo. De gadgets mesmo, lembro de nada.

    Mas respondendo sua pergunta: não, ninguém pensava que ficaríamos tanto tempo na fila. Na década de 90, por conta da cogestão com a Parmalat e tal, Palmeiras tinha supertimes. Quando a Parmalat quebrou, a gestão do clube foi junto e aí veio série B e etc.

    E agora, com uma gestão séria – que até tirou DOS dos computadores do clube em 2013 – a gente saiu dos anos perdidos, enfim.

    DÁ-LHE PORCO ???

  11. Em 1994 eu jogava Fifa 94 e World Championship Soccer no saudoso Mega Drive, sonhava em uma dia comprar o acessório 32X, mas 1,5 anos depois pulei pro 3DO da Panasonic.

    1. Sim, e acho isso bem curioso! Até escrevi, numa análise de um FIFA (13, acho) para o saudoso Continue, que a parte que menos me importava era a dos times e jogadores. Se FIFA fosse feito para mim, ele traria uns seis times (vermelho, amarelo, verde, preto, branco e azul), com jogadores fictícios, mas equilibrados e diferentes entre si, e estaria de bom tamanho.

    2. Sim, e acho isso bem curioso! Até escrevi, numa análise de um FIFA (13, acho) para o saudoso Continue, que a parte que menos me importava era a dos times e jogadores. Se FIFA fosse feito para mim, ele traria uns seis times (vermelho, amarelo, verde, preto, branco e azul), com jogadores fictícios, mas equilibrados e diferentes entre si, e estaria de bom tamanho.

  12. Troll nada… Isso é coisa de Corinthiano. E a única lógica q cabe aqui é a inveja pura. E tb estou pensando em cancelar minha assinatura do MdU depois dessa, mas como a ideia “”original”” foi do Estadão, vou relevar.

      1. Não dá… Não sou mais assinante faz uns 15 anos. Vou ter q cancelar algo como retaliação. Vou pensar em algo conexo.

          1. vou dar um jeito de cancelar a internet do ghedin qdo ele vier com essas gracinhas…

          2. vou dar um jeito de cancelar a internet do ghedin qdo ele vier com essas gracinhas…

          3. Hmmm, então se eu ficar sem conexão, já terei um suspeito…….. (além do habitual, a minha operadora de Internet. Será que são palmeirenses?)

Do NOT follow this link or you will be banned from the site!