Fogão a lenha é responsável por 50% das mortes por poluição no Brasil

Senhora cozinha em seu fogão a lenha.
Foto: Hélvio Romero/Estadão.

Fala-se muito da poluição causada pelos carros e pela indústria, e dos malefícios que o cigarro causa. São temas urgentes, sim, mas existe outro vilão, protegido por lembranças bucólicas e escondido nas camadas mais pobres da população, matando muita gente: o fogão a lenha.

Segundo estimativas da ONG dinamarquesa Copenhagen Consensus, 50% das mortes por poluição no Brasil são causadas pelos fogões a lenha. Isso equivale a 24 mil mortes por ano. São sete milhões de famílias que ainda têm no fogão a lenha o principal meio de preparar e esquentar alimentos. A combustão da lenha e carvão libera monóxido de carbono e micropartículas que são absorvidas pelos pulmões. Em termos comparativos, diz a ONG, que é especializada na propositura de soluções baratas para problemas socioeconômicos globais, é como se cada habitante de uma casa com fogão a lenha fumasse dois maços de cigarro por dia.

A saída é uma tecnologia mais moderna, o fogão a gás. O problema está no preço do botijão, em média de R$ 50, proibitivo para famílias carentes. Algumas, retratadas pelo fotógrafo Hélvio Romero para a matéria do jornal, até têm fogões a gás em suas cozinhas, mas devido ao custo eles só são usados para esquentar água e requentar a comida.

Atualização (14h05): Os dados apresentados foram aferidos em um estudo sobre os impactos dos fogões a lenha na saúde de famílias cearenses conduzido por pesquisadores da Universidade de Aalbrog, da Dinamarca, em parceria com o Instituto Federal do Ceará (IFCE), e pela já referida ONG Copenhagen Consensus. O post foi atualizado para esclarecer esse ponto. Para mais informações leia a reportagem completa do Estadão.

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22 comentários

    1. os links sairam errados: en.wikipedia.org/wiki/Rocket_stove

      aspta.org.br/wp…/11/Manual-de-Construção-do-Fogão-Ecológico.pdf

  1. Isso me fez lembrar de quando tava lendo um livro sobre a história do design e havia um anúncio old de um forno elétrico dizendo algo como “seguro e faz bem à saúde”. agora entendi porquê…

  2. Bem, na verdade o assunto já é discutido há algum tempo na área de saúde pública e os efeitos poluentes são bem conhecidos. Adicione o fogão a lenha à baixa umidade relativa do ar no inverno e às queimadas (mais frequentes nesta época do ano) e o caldo está feito. Outras fontes:
    http://www.epa.gov/burnwise/pdfs/woodsmoke_health_effects_jan07.pdf
    http://www.environmentalhealthnews.org/ehs/news/hazards-of-wood-smoke
    http://des.nh.gov/organization/commissioner/pip/factsheets/ard/documents/ard-36.pdf

  3. Uma coisa que poderia ser feita é readequar o fogão à lenha de forma que todos os gases e poluentes fossem redirecionados para fora. Bastaria uma chaminé e uma vedação melhor no fogão. E claro, um projeto de fogão que fizesse o mesmo direcionar os poluentes para fora. Ou até fazer uma espécie de “filtro” como fazem nas fábricas. :)

  4. Aqui em Minas o fogão a lenha é uma tradição! Não fica restrito a famílias carentes. Há casas boas de gente com melhor condição financeira e que conta com um desses para usos mais esporádicos. Eu mesmo já quis fazer um em casa. E quem já comeu uma boa comida feita assim sabe que é diferente de um fogão a gás.

    Já ouvi falar de uma senhora, avó de uma colega de escola, que dizem ter morrido de complicações pulmonares em decorrência dos muitos anos cozinhando num fogão desses, mas foi o único caso.

    E outra coisa que me veio à mente enquanto eu lia o texto: Será que uma churrasqueira a carvão também não geraria os mesmos problemas?

    1. No caso da churrasqueira existe a chaminé, para dar vazão à fumaça. O problema dos fogões mostrados na reportagem é que eles ficam dentro de casa e toda a fumaça acaba concentrada ali. Aí complica.

      1. Isso é uma informação importante pra levar em consideração.
        Praticamente todos os fogões a lenha que conheço tem chaminé para fora de casa, então acho que não gera tanto perigo assim.
        Deve-se levar em consideração também, que nem sempre a chaminé funciona como deveria, e muita fumaça acaba ficando no ambiente…

        1. Eu também não conheço nenhum fogão a lenha sem chaminé. Mas como tu falou, aquela bosta de chaminé apodrece e enche a casa de fumaça hahahahahhahaa

          1. Em regiões mais pobres (vide foto de início), há muitas pessoas que não tem conhecimento suficiente e faz o fogão sem chaminé ou vazão de gases.

          2. Também vai influenciar o tipo de madeira queimada, nas grandes cidades não tem lenha natural, os pobres queimam restos de móveis, caixas de frutas, etc. Muitas vezes madeiras pintadas, revestidas com plástico ou com alguma tratamento químico.

  5. Detesto essas notícias slideshows porque elas são (mais*) vagas. Quem forneceu os dados? Que tipo de poluição, todas? Qual a metodologia para averiguar que de fato a morte foi por poluição? Porque a informação como está posta é chocante, reflete nosso atraso em modernizar a civilização e de como a pobreza está longe de ser solucionada apenas por índices divulgados por governos… mas o quanto dela é realmente fato?

    *Ontem li o “News is bad for you — and giving up reading it will make you happier” (http://www.theguardian.com/media/2013/apr/12/news-is-bad-rolf-dobelli) e já percebo que estou chato.

    1. Se vc entrar no link do Dr. Drauzio: http://drauziovarella.com.br/drauzio/fogao-a-lenha/ (que está no texto) vai notar que o assunto é importante e que embora não diga a metodologia aplicada, coloca a OMS, ONU e EUA (este ultimo doando 50 bilhões de USD) no assunto. A simples presença dos citados já garante que o assunto é bem sério e a metodologia atestada.

      Além disso, sabendo do que a combustão a lenha libera no ar, é só fazer um calculo simples de exposição baseado em quantas casas ainda tem esse tipo de fogão no Brasil. Cruzar com dados do SUS sobre intoxicação pelos elementos da combustão (e prontuários) e acho que temos uma boa idéia.

      Lembrando que se a pessoa não tem dinheiro para usar outro tipo de combustivel, provavelmente teremos uma exaustão bem ineficiente nessas casas.

      1. Concordo com o assunto bem sério, mas ainda acho que seria interessante que se fizesse leitura da metodologia (minha crítica, nesse sentido, vai ao jornal por não fazer o aprofundamento).

        Mesmo que depois da averiguação o resultado fosse menos alardante do que parece, ainda é um problema em várias esferas a ser removido.

  6. Minha vó ainda usa. Passei a infância inteira lá na cozinha e final de semana almoço na vó é de lei. Não sabia disso : /

  7. Minha vó ainda usa. Passei a infância inteira lá na cozinha e final de semana almoço na vó é de lei. Não sabia disso : /

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