Facebook Lite em um Moto X.

Facebook Lite faz jus ao nome: economia em recursos do smartphone chega a 75%


26/1/15 às 16h57

Lançado sem alarde e por ora limitado a oito países emergentes, o novo app do Facebook faz quase tudo que o principal, porém consumindo menos recursos do smartphone. Não é a primeira vez que a rede social segue esse caminho, logo cabe a pergunta: que o Facebook Lite traz de novo?

A maior novidade é que ele agora é um app. O antigo Facebook Lite e a outra versão ainda mais simples, totalmente livre de imagens e com dados gratuitos graças a acordos com operadoras ao redor do mundo, o Facebook Zero, eram acessadas pelo navegador. A nova encarnação do Facebook Lite é um app para Android que, no momento, está disponível em poucos lugares, a saber: África do Sul, Bangladesh, Nepal, Nigéria, Sri Lanka, Sudão, Vietnã e Zimbábue. (Atualização, em 16/6: agora, no Brasil também.)

O Facebook Lite lembra bastante a versão para Symbian e as antigas móveis para a web, e o TechCrunch diz que ele é baseado no finado cliente do Snaptu, uma startup que criava apps de redes sociais para featurephones e que foi adquirida pelo Facebook em 2011 por cerca de US$ 70 milhões. Ou seja, das origens ao que o precedeu, tudo aqui diz respeito a velocidade e leveza.

Sendo assim, o “Lite” em seu nome não é de enfeite e a escolha por esses países, longe de ter sido aleatória. O objetivo do Facebook é levar a experiência mais completa possível a smartphones fracos usados em redes lentas e instáveis. Pense em aparelhos que custam até US$ 30 para o consumidor, como os muitos vendidos na Índia, e em conexões 2G/EDGE — ou as oferecidas por operadoras brasileiras nos planos pré-pagos mais simples. Embora o Brasil não esteja no primeiro lote de países onde o Facebook Lite está disponível, ele tem “potencial” para recebê-lo posteriormente.

Instalei o app para ver antes o que o usuário que compra smartphones baratos por aqui verá quando (e se) ele for disponibilizado por aqui. Não no cenário ideal: os testes foram feitos com um Moto X de 2ª geração e na rede 3G (no plano pré-pago) da Vivo, que embora esteja bem longe do potencial máximo dessa tecnologia, geralmente é estável e rápida dentro dos termos propostos.

1% do tamanho do app principal do Facebook

Facebook Lite: por ora, indisponível no Brasil.

A primeira coisa que se nota é o tamanho do aplicativo. O app principal tem 30,8 MB segundo a Play Store; instalado no Moto X, só ele (sem contar os dados que baixa) ocupa 130 MB. O instalador da versão Lite tem meros 252 KB e no mesmo smartphone ocupa apenas 1,4 MB de espaço. É uma diferença absurda de ~99% entre um e outro. A descrição da loja de apps do Google ainda ressalta outras vantagens dessa variante peso pena:

  • Rápido para instalar: o app tem menos de 1 MB.
  • Rápido para abrir.
  • Eficiente com dados.
  • Projetado para redes 2G e áreas com conectividade a redes limitada.

Atualização (16/6): O Facebook liberou o Lite no Brasil. Baixe-o aqui.

Parece ser o sonho de quem não dispõe de um plano de dados decente, seja por economia ou falta de opções mesmo. Quer usá-lo já, como eu fiz? Não adianta ir à Play Store. No momento ela exibe uma mensagem dizendo que o app não está disponível no país. A solução é procurar o APK, ou seja, o instalador à parte e instalá-lo por fora — um processo conhecido como “sideloading”.

  • Este é o instalador que eu usei. É perigoso fazer sideloading porque corre-se o risco de instalar apps maliciosos e outros tipos de coisas ruins no seu Android. Até agora, não tive quaisquer problemas com esse, mas desde já alerto: instale por sua conta e risco. Uma opção mais segura, indicada pelo Italo F. nos comentários, é baixar do APK Mirror, um diretório mantido pelo blog gringo Android Police. Este é o link para o Facebook Lite.
  • Por padrão o Android bloqueia a instalação de apps fora da Play Store. É preciso liberar isso indo em Configurar, Segurança e ativando o item “Fontes desconhecidas” — dependendo da marca do seu aparelho o caminho pode variar.

Hands-on com o Facebook Lite

Feed e um post de página no Facebook Lite.
Clique para ampliar.

Ao abrir o Facebook Lite (procure por “Lite” na gaveta do sistema, que é o rótulo usado pelo app), os motivos dele ser tão leve ficam claros. É um app bastante espartano — em outras palavras, feio. Ele lembra a versão web homônima lançada por volta de 2010, com cantos quadradões e sem muita preocupação com alinhamentos e a disposição dos elementos. E é de se questionar até que ponto esse desleixo é acidental, proposital ou inerente à simplicidade do aplicativo. Qualquer que seja o motivo, é feio — e esse reforço dá a dimensão do quanto é feio. Meudeus, é feio demais!!

A interface do app lembra vagamente a do oficial. No topo fica a pesquisa e, abaixo, ícones para o feed, pessoas que te adicionaram, bate-papo, notificações e menu principal, todos com contadores (também quadrados) vermelhos bem chamativos. O feed exibe os mesmos posts da versão web e dos apps oficiais, ou seja, não joga todas as atualizações de todos os contatos; ele passa pelo algoritmo que restringe posts a um número menor e de contatos e grupos com quem você mais interage, o que é legal já que do outro jeito você é inundado só com os parabéns de gente que não conhece a contatos que não lembra de ter adicionado.

Um dos artifícios do Facebook Lite para não abusar do seu plano de dados é exibir imagens em miniatura no feed. Um toque dá zoom. Links, porém, exibem miniaturas na largura da coluna. Uma incongruência meio esquisita.

Menu e edição de foto no Facebook Lite.
Clique para ampliar.

Os botões de curtir e comentários estão sempre visíveis. Outras opções ficam escondidas em um botão de três pontinhos e são exibidas em um menu que toma toda a tela. Estão lá o compartilhamento, o “não quero ver isto” e outras opções recorrentes. Ao expandir imagens, indicadores simples de curtidas e comentários aparecem no topo e outras opções ficam escondidas em um botão no canto inferior direito, incluindo o “zoom” — não há suporte para multitouch (“pinch to zoom”) mesmo que o seu smartphone reconheça mais de um dedo na tela.

Ver nesta versão (teoricamente) reduzida quase todas as opções do app tradicional foi o mais surpreendente. Na verdade, tive trabalho para encontrar recursos ausentes. Notei coisas como as ferramentas de edição de fotos, que ainda existem, porém são bem simples — dá para rotacionar imagens e aplicar dois filtros básicos (sépia e preto e branco). A marcação de pessoas está disponível, porém não dá para tocar nas carinhas delas na foto; ela é atrelada à publicação. Coisas que no app oficial são em tempo real, como os resultados que aparecem na digitação da pesquisa, obviamente não são vistas nessa versão.

No geral, são só detalhes do tipo, que acrescentam à experiência, mas não são imprescindíveis, que estão ausentes. De resto, tudo, de grupos a páginas (incluindo insights simplificados nas que você administra!), eventos e até posts patrocinados e páginas sugeridas aparecem nele. Ah, e o bate-papo funciona ali mesmo, dispensando o de outra forma obrigatório Messenger.

O Facebook Lite não tem pegadinhas

O Facebook Lite é um app feio (já escrevi isso?), mas sua agilidade na rede móvel é notável. Ele abre e carrega os novos itens do feed de um jeito muito rápido e, ignorada a apresentação, não fica devendo muito ao app oficial. Tem até notificações push! E, claro, além de ser mais amigo do seu plano de dados, ele também é bastante gentil com o hardware.

Enquanto o app principal chega perto dos 200 MB de RAM consumidos facilmente, o Lite gasta em torno de 50 MB (em stand by esses números caem para 130 e 30 MB, respectivamente). É praticamente 1/4 de memória a menos, e se pensarmos que smartphones com 512 MB de RAM ainda estão à venda, é uma quantidade relevante.

RAM e espaço interno Facebook-Facebook Lite.
Clique para ampliar e ver com mais clareza a diferença gritante.

Não é de hoje que o Facebook se preocupa em ter um app leve, apesar do trambolho que é o seu principal. Entre os problemas de ser um negócio global usado por mais de um bilhão de pessoas, está o de se adequar a cenários diametralmente opostos.

Em países europeus e nos Estados Unidos, onde smartphones minimamente potentes são acessíveis e as conexões, rápidas, o app principal, embora pudesse ser muito melhor, não causa tanto transtorno. Em locais menos favorecidos, passa perto de ser inviável quando instalado junto a outros apps.

Para piorar, é nesses lugares mais escassos que estão os futuros usuários do Facebook. Isso explica as iniciativas pesadas do Facebook e do Google em universalizar o acesso, em levá-lo a preços muito baixos ou de graça para lugares desprivilegiados. Há um potencial inexplorado ali pela simples falta de infraestrutura. Iniciativas como o Internet.org (Facebook) e o investimento pesado na Space X (Google) têm um fim bem claro e não totalmente beneficente.

No fim, muita gente pode se beneficiar do Facebook Lite. Melhor que isso, só se todo esse empenho em tornar um app mais leve fosse direcionado ao principal. Ele já avançou significativamente nos últimos anos, mas ainda há espaço para melhorar. Um dia, talvez, teremos apenas um app do Facebook, mas um rápido e leve. Enquanto isso, o novo app quebra o galho para quem não exige muito da rede social e não quer, ou não pode ter o luxo de deixar que ela exija muito do smartphone.

O Facebook Lite é gratuito e está disponível apenas para Android. Baixe-o aqui.

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