Veja (e cancele) todas as páginas que você já curtiu no Facebook

Placa com o botão Curtir do Facebook.

Quando você se cadastrou no Facebook? Se faz algum tempo, digamos… alguns anos, é bem provável que tenha acumulado muitos likes, diversas curtidas em páginas dos mais variados tipos. O sistema incentiva isso e, no fim, é uma forma fácil de construir a sua persona online — “veja a banda descolada que eu curto!”, “esse filme é mesmo muito bom” ou “eu uso esta marca”.

O problema com o curtir do Facebook é que ele não é transitório, diferentemente de nós, seres humanos. O que faz a minha cabeça hoje pode, daqui a algum tempo, não ter o mesmo peso. Em casos mais extremos, sequer figurar na lista das coisas que eu gosto ou de que já gostei e não tenho vergonha de declarar. Num momento estamos dando o máximo para expormos o nosso melhor lado a amigos, colegas e desconhecidos na Internet; rapidamente e sem aviso, mal sabemos que figura esse amontoado de curtidas virou — ainda que, dizem, o Facebook seja capaz de conhecer melhor a nossa personalidade do que outras pessoas.

Casey Johnston, em um lindo texto na série de ensaios de fim de ano do The Awl, sumarizou muito bem essa questão temporal:

Eu tinha um blog que comecei na adolescência e que era composto basicamente por reclamações sobre a escola ou meu trabalho. Algumas pessoas me diziam que era engraçado. Aquilo era encorajador. Uma das minhas amigas disse que eu estava “exagerando” e eu achei algo meio idiota de se dizer. Relendo-o alguns anos atrás, descobri muito depois que ela estava certa. Paguei para acessar o recurso de edição em massa do serviço e, assim, alterar o status da coisa toda para privado. Agora eu tenho um Tumblr, e um Twitter, mas mesmo voltando nessas timelines há muito com o que se preocupar. Eu devia fazer alguma coisa a respeito.

De acordo com todo artigo sobre Internet e redes sociais, meu eu online é uma curadoria do meu melhor eu. Aquele era eu, tentando pra valer. A capacidade de sumir por completo com aquele esforço é tão tentadora, mas eu não consigo me livrar de tudo; é muito suspeito. Eu sempre serei comparativamente, em algum lugar da Internet, mais jovem e bobo.

Esconder tudo, dependendo de como você se comporta (ou se comportava) na Internet, é realmente complicado, mas isso não significa que seja impossível, ou mesmo condenável, dar um trato no seu eu virtual. Aliás, a linha que separa o “virtual” e “real” sempre foi borrada e cada vez mais gente se dá conta disso. Quando você escorrega e capota na calçada, se levanta rapidinho e faz aquele panorama de 360º para ver se alguém reparou. Se um ato involuntário e dolorido ativa esse senso de urgência e correção quase que instintivamente em nós, por que não algo que, em algum ponto do passado, foi feito conscientemente e que hoje pode nos constranger não deve ativar os mesmos mecanismos de defesa social?

Pato Donald dando uma curtida à Margarida.A Casey se referiu a um sistema de blogs que, pagando, oferece um mecanismo de edição em massa. Alguns oferecem mesmo isso; outros, como os citados Twitter e Tumblr, não. No Facebook a situação é ainda mais caótica — o que é um problema, já que ele se define e, para muita gente é, como uma espécie de identidade online de fato. Além daquelas curtidas de coisas super legais que depois, com a cabeça fria e a adrenalina baixa não parecem assim tão legais, temos os pedidos dos amigos para curtirem suas páginas que, quando muito, duram umas poucas semanas. (Sempre me vem à cabeça esse GIF animado do Pato Donald quando recebo um desses, mesmo quando a página é legal e/ou me interessa e eu curto.)

Você pode nadar pelas configurações do site para fazer grandes ajustes de privacidade e, depois, prender a respiração e mergulhar no mar de curtidas atreladas ao seu perfil. Outra saída, que descobri recentemente e que me motivou a escrever isto, é recorrer ao Facebook Page Unliker.

Desenvolvido por Iheanyi Ekechukwu, trata-se de um sistema simples e de visual bem rústico que, depois que você se autentica via Facebook, exibe todas as páginas que você curtiu desde que entrou no Facebook. Aparecem o nome (com link para acessá-la), a data da curtida, quanta gente está falando dela no momento e, claro, um botão para “descurti-la”.

Pedaço de tela do Facebook Page Unliker.

Fiz o login e me deparei com 504 (!) páginas que, em algum ponto da minha vida no Facebook, me interessaram o suficiente para ganharem meu joinha. É uma viagem no tempo promovida por centenas de botõezinhos azuis. Rolei-a até o final, cancelei a curtida de algumas e, ao bater no rodapé o número de páginas curtidas havia caído para 453. Nada mal.

No fórum do Product Hunt, onde descobri a ferramenta, Ekechukwu comentou algumas dificuldades que teve com ela. Como o botão do Facebook é pesado, foi preciso recorrer a algumas gambiarras para não travar o computador do usuário — ou exigir uma configuração digna de Crysis apenas para limpar seu histórico em uma rede social:

“O problema com o botão Curtir do Facebook é que ele vem empacotado em um iframe e, uma vez que você chega a 100 iframes, [a página] consome muito processamento. Tentei contornar isso limitando o número de visualizações ativas a 50 de cada vez, apagando itens antigos na medida em que você rola a página. Gambiarra? Sim. Perfeita? Longe disso.”

Por e-mail, sugeri a ele um botão único que cancelasse todas as curtidas. Isso seria bem útil! Infelizmente, o mesmo problema (iframes) impede a criação desse botão mágico. Ekechukwu, em resposta:

“A princípio eu queria ter um botão de cancelamento em massa, mas como o Facebook usa iframes para renderizar os botões, é impossível capturar os botões verdadeiros para o clique. De qualquer forma, agradeço a sugestão!”

Fora isso, outra solução mais drástica é… bem, apagar sua conta no Facebook. E se você acha que a rede social está atrapalhando muito a sua produtividade, considere instalar esta extensão.

Foto do topo: Thomas Angermann/Flickr.

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4 comentários

  1. Acessei seu blog e achei interessante seu post, vou começar seguir blog, eu tenho aprendido muito com esse tipo de material.

  2. Caraca, fantástico! Faz um tempo que eu me perguntava se existia algo do tipo, haha.

    Outra uso interessante…. Ajudar o algoritmo do facebook com o que você curti muito e melhorar o feed. :D

    Tipo, com cem páginas é improvável que você receba atualizações de boa parte delas. Na verdade, receberá apenas das páginas que o facebook identificou que você gosta mais… As que mais curtiu, mais comentou, tempo que passou lendo, etc.. Ele pode deixar passar algumas que você gostaria muito que aparecesse. Então é interessante marca-las como “Adicionar a lista de Interesses”, opção que aparece após curtir a página e, ao adicionar a lista, é possível definir também como “Favorito”… O problema é fazer isso para todas as páginas que curtiu no passado, haha… Esse sistema facilita muuuuito a minha vida! :D

    Fica a dica! E talvez seja interessante recomendar ao criador que adicione essas opções logo de cara no sistema, pra que não precise acessar às páginas individualmente.

  3. Se não me engano o máximo é de 5.000 páginas curtidas. Tenho minha conta no FB desde 2009 e ano passado cheguei a esse número. Daí fui discurtindo coisas chatas que iam aparecendo na minha timeline tipo páginas de frases românticas e outras ‘cositas mas’.

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