Entrevista com Marcio, da newsletter Imagina Só

Hoje é dia de estreia no Manual! Uma série de entrevistas com pessoas que mantêm newsletters presentes no nosso diretório de newsletters brasileiras. Espero que goste!

Qual é a sua newsletter?

Imagina Só.

Fale um pouco de você, Marcio.

Só um pouco? Complicado… Bom, eu nasci no interior da Bahia, na gloriosa Conceição do Almeida que fica no Recôncavo Baiano, mas sou soteropolitano, já que moro em Salvador desde antes de completar um aninho de idade. E por que isso é importante? Porque eu faço questão de ser bairrista e lutar contras as forças do mal do eixo. Brinks. Porque eu faço questão de falar e escrever sobre as coisas daqui, que todos de fora tratam como “regional” enquanto peculiaridades do Rio/SP são o “Brasil”.

Parece uma briga né? Talvez seja.

Em horário comercial eu sou tech lead, trabalho ainda com desenvolvimento de software (há mais de 20 anos) e ingressei na área por mero “acaso fortuito”. Eu tinha um computador em casa e gostava de acessar o mIRC. Isso é tudo. Sério. Amo o meu trabalho? Não, mas faço o suficiente para me manter bem empregado.

Viu, só? Não invente mais essa de falar pouco e libere uma caixa de texto dessas com limite alto que eu vou me perdendo nos assuntos, nem sei mais se é sobre mim ou sobre o quê.

Como surgiu a ideia de lançar uma newsletter?

A ideia de lançar a newsletter veio depois que fiz um curso de Aline Valek, escritora que é uma influência para mim. O projeto final do curso era criar uma newsletter e foi o que fiz. Primeiro lancei ela na Revue, mas aí o Kiko do Foguete cancelou o serviço e agora vim pro Substack. Estou lá ainda, por enquanto, apesar de toda a tramamóia, mas atento para mudar.

Eu já vinha escrevendo regularmente durante a pandemia em outro site/serviço, o Medium, inclusive para uma revista digital lá, daí aproveitei para colocar minhas crônicas e causos numa newsletter.

Qual é o seu processo criativo para escrever uma nova edição?

O completo caos. Até escrevi sobre isso em uma edição. Gostaria de mentir e dizer que tenho tudo organizado num aplicativo tipo o Notion, que tenho uma agenda, etc., mas estaria mentindo.

O que eu faço mais ou menos organizado é anotar as ideias. Escrevo muito em cadernos (sabe, papel e caneta?) e também anoto coisas no Obsidian ou qualquer app de notas simples e vou guardando. Anoto frases, conversas, coisas que leio em livros e quando eu tenho um tempo livre, geralmente aos finais de semana, eu sento e começo a escrever.

Coloco as ideias e frases numa página em branco numa ordem qualquer, que eu vou mudando, e vou puxando os textos de cada uma das partes e ligando. Quando eu canso de ficar revisando, voltando, aí eu vejo que já está bom e publico.

Periodicidade? Quando eu quiser, quando eu estiver bem e com tempo. Não tem dia, não tem negócio de semanal, quinzenal; estragar um hobby transformando isso em trabalho é pra mim o fim. Se um dia eu chegar nesse ponto, vou precisar arrumar outro hobby.

Sua newsletter tem uma assinatura paga ou gera dinheiro de alguma outra forma?

Não.

Pretende transformá-la em negócio/tentar fazer dinheiro com ela no futuro?

Não.

Por quê?

Não tenho interesse algum em gerar renda com minha newsletter. Tenho o privilégio de ser bem remunerado pelo meu trabalho e, como eu disse, sinto que se eu fizer isso vou começar a me cobrar por ter periodicidade, dia certo para publicar, quantidade de textos no mês, ou seja, tudo o que não quero.

É bom salientar que estou falando do que eu quero, não o que as pessoas devam fazer. Até porque eu mesmo pingo dinheiro em algumas newsletters com assinaturas pagas e também para Salimena. Aliás, assinem @linhadotrem, as tirinhas são excelentes e o valor de contribuição é muito pouco pelo que você recebe.

Que dispositivo(s) você usa para escrever e gerenciar sua newsletter? (O Manual do Usuário é um blog de tecnologia, afinal 😁)

Eu meio que comentei isso anteriormente, mas vamos organizar esse baba1. Meus dispositivos listados abaixo:

  • Caderno e caneta.
  • Obsidian: Anoto ideias e sonhos doidos que tenho.
  • Substack: Uso o próprio dashboard do Substack para fazer a edição final do texto.
  • LibreOffice Writer: Onde inicio alguns textos e às vezes não termino, mas guardo tudo numa pasta sincronizada via Syncthing entre meu celular, Obsidian, OrangePi e notebook.
  • OrangePi: Tenho um OrangePi Zero 3 com 1 GB e nele eu tenho um ARMBian com alguns editores leves de texto onde também escrevo. Uso mais para escrever contos ou meus livros, mas às vezes pinta algo pra newsletter também.

Quem você mais admira e gostaria que respondesse essas perguntas?

Deixe um recado aos leitores do Manual do Usuário.

Escrever em tempos como os atuais parece ingênuo ou até desperdício de energia, mas eu particularmente gosto de encarar como um ato de resistência. Assim como a escrita, qualquer forma de arte possui essa “força”.

E sabe o que mais? Não precisa ser nada disso, quem disse que você precisa lutar? Pode servir apenas como um refúgio, e tudo bem. Bem não, tudo ótimo.

Faça a sua parada em paz, encontre algo que goste de fazer, e apenas faça. Sem esperar nada em troca, você vai ver só o bem que vai lhe trazer.

Ah, e gostaria de agradecer o espaço aqui em seu sítio e mandar um abraço pra todos os leitores do Manual do Usuário.

  1. Baba é pelada ou partida de futebol em baianês.

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9 comentários

  1. Quando li “gloriosa Conceição do Almeida que fica no Recôncavo Baiano” não pode deixar de pensar ser uma referência ao Xadrez Verbal. Mas não tenho certeza. 😅 Ótima entrevista!

  2. Gostei da entrevista e mais ainda de conhecer a newsletter do Marcio! Muito boa, assinei.

    Comecei a minha recentemente também para falar de um lugar meio ignorado, o centro-oeste, embora eu não viva mais lá (talvez por isso a vontade de escrever). E escrevendo para além do trabalho, estou me sentindo muito bem por tocar um projeto autoral. Não conhecia essa sensação de ~artista.

  3. E eu ñ imaginava que o Márcio trabalhava com jornalismo e ñ como tech lead. Rs Velhos tempos da blogosfera baiana.

    Legal ver que escreve uma newsletter sem a pretensão de se ter ganho real.

  4. Muito bom Gostei demais Conheci o Márcio numa empresa que trabalho, trabalhamos juntos, um cara bom e do bem!

  5. Que legal o espaço de entrevistas para newsletters recomendadas! Isso dá maior visibilidade para escritoras e escritores e conhecermos um pouco mais sobre cada um, então ótima iniciativa! Me identifiquei com o Marcio, não só por trabalhar na área de tecnologia, mas por tornar a escrita em um hobby sem a necessidade de retorno financeiro (que inclusive é uma dura realidade!).

  6. adorei a entrevista!

    e eu também assino o "linha do trem", me divirto e reflito bastante com as tiras.

    1. Ótima entrevista! Eu adoro a sinceridade do Márcio e seus textos. Simpatizo com a ideia de não cumprir uma periodicidade e deixar os textos nascerem de forma mais orgânica.

      Para honrar compromisso, muita gente despeja uns textos mais ou menos, só para cumprir o protocolo. Não faz sentido, ao menos pra mim.