Como meu FIFA 15 de caixinha custa mais barato que o download direto da EA?

Caixa do FIFA 15 com o jogo rolando na TV atrás.

O digital nos trouxe algumas vantagens claras. É mais barato, por exemplo, distribuir conteúdo assim do que por meio físico. E esse conteúdo é reproduzível com fidelidade total a um custo muito baixo — o de um Ctrl+C, Ctrl+V. Vez ou outra, porém, o mercado nos brinda com situações difíceis de compreender à luz dessas informações.

Um caso típico é o do e-book mais caro que o livro físico:

Como pode um livro de papel ser mais barato que o digital?
O Poder dos Quietos, de Susan Cain, na Amazon. É um bom livro.

Ainda que os custos de fabricação e logística sejam os menores do total gasto na produção, fica um gosto amargo no consumidor que, de repente, comprou um Kindle para economizar com livros. Na cabeça dele (e na minha), transferir 300 KB via Internet deveria ser mais barato que derrubar árvores, produzir papel, imprimir o mesmo conteúdo nesse papel, encadernar centenas de folhas, colocar o volume num caminhão e, depois de viajar centenas de quilômetros, alguém deixar o livro físico na portaria do prédio.

Caso mais curioso é o do e-book que “esgota.” Estou testando um Kobo Aura H2O e, enquanto “folheava” a página de promoções da Livraria Cultura, deparei-me com Perdido em Marte em promoção. Como tinha lido recentemente uma recomendação, salvei a oferta para vê-la melhor depois — foi o meu erro. Dois dias mais tarde, o e-book estava indisponível. Por quê? Sei lá.

Perdido em Marte digital esgotado na Cultura.
“Indisponível para download.”

Em outras lojas ele continua à venda, e com o mesmo desconto. Talvez o acordo da editora com a livraria tenha terminado, o que eliminaria a condição especial, mas talvez fosse melhor voltar ao preço original em vez de removê-lo do catálogo. Afinal, é um arquivo, não é um bem finito do tipo que “esgota.”

Essas estranhezas, em quase todos os casos, tem a ver com acordos de distribuição. Eu acredito no Reed Hastings, CEO da Netflix, quando ele diz que seu desejo é ter o mesmo acervo disponível para todo mundo, em qualquer lugar. Só que não depende só dele. Existe uma cadeia de interessados, de estúdios a produtores, que negociam suas produções a fim de lucrar mais. Embora ache uma droga isso enquanto consumidor, entendo a motivação. De qualquer forma, compreender a situação não me exime de achar certas situações estranhas.

Último caso. Gosto de jogar FIFA, mas sempre espero promoções para comprar uma nova versão. Não há urgência e, nos últimos anos, male má tempo para curtir o jogo, então não faz muito sentido pagar o preço cheio de lançamento. Ano passado aproveitei os 50% de desconto que a EA, produtora de FIFA, deu em sua loja própria, a Origin, que trabalha apenas com distribuição digital. Era Dia dos Namorados, um que passei sozinho, mas com FIFA 14, então foi um bom Dia dos Namorados.

Já com FIFA 15, a primeira estranheza apareceu no lançamento. Enquanto lojas do varejo, que vendem a versão em caixinha/DVD distribuída no Brasil pela Warner, estavam cobrando em média R$ 70 pelo jogo, a EA definiu o preço da versão digital da Origin em R$ 99.

Veja, o jogo é bom, não é esse o mérito em discussão. Apesar de FIFA ser como Street Fighter, ou seja, de versão para versão mudam uns personagens, um ou outro toque de bola e acrescentam alguma comemoração de gol estúpida (estou rindo muito desta que comprei ontem), FIFA 15 tem um trunfo na manga: ele trouxe ao PC um novo motor gráfico. Agora dá para ver as camisas sendo puxadas e pedaços de grama saindo do chão. Vale o upgrade!

Eu já estava ansioso pelo próximo Dia dos Namorados, mas acabei comprando FIFA 15 antes. Não na Origin, mas na Saraiva, que derrubou o preço para R$ 35.

Comparativo de preços do FIFA 15 na Origin e Saraiva.

Paguei 1/3 do valor cobrado pela EA, ou seja, “direto da fábrica.” E o mais bizarro é que como FIFA 15 só funciona atrelado à Origin e eu não tenho leitora de DVDs em nenhum PC de casa, após a espera do envio tudo o que aproveitei do meu FIFA 15 de caixinha foi um código de 20 letras e números no encarte. Inseri-o no cliente da Origin e esperei algumas horas até o download terminar. Aceito sugestões (bem educadas!) sobre o que fazer com a caixa e os DVDs (são dois).

O mercado é fascinante — e FIFA 15 é bom demais.

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41 comentários

  1. Vendo sobre o ISBN ele também classifica edições. Acredito que o livro digital seja também organizado por esse sistema e as editoras provavelmente limitem a venda a x quantidades ou caso a edição seja revisada e uma nova seja colocada acaba por “esgotar”.

    Pode ser que o meio digital esteja sendo tratado como físico na hora da distribuição em produtos que se “esgotam” nos sistemas de vendas.

  2. Bom, esse também não é um problema exclusivo do Brasil. Lembro de um caso específico em que procurei um jogo para PS4 na Amazon, e a mídia física era quase um terço do preço do código da PSN que a Amazon também vendia. Esse tipo de comportamento é muito difícil de entender mesmo. Como já disseram, parece que a comodidade está ganhando muito mais importância na composição desses preços do que qualquer outra coisa.

  3. Eu cheguei bem atrasado, mas vou tentar adicionar algo: acredito que o quanto a gente paga para as coisas é mais uma construção social do que uma análise quantitativa dos custos ou regulação da concorrência. Principalmente, em se tratando de produtos como jogos, livros, músicas, filmes e afins. Ninguém tem condições de saber os reais custos envolvidos na produção desses itens, é completamente abstrato.

    Para definir justo, usa-se sempre a comparação com outros produtos, mas talvez esse valor esteja distante do “certo” de diversas formas: por que aceitamos um lucro tão alto dos fabricantes de smartphones mas não no de notebooks? Simplesmente porque foram baixando o preço de notebooks e smartphones isso só está começando: como Xiaomi faz aquele hardware por METADE do preço dos concorrentes? A resposta é que simplesmente aceitamos pagar $600 por esse dispositivo porque em 2007 era esse preço para fazer, mas decerto já está muito mais barato fazer um smartphone. Entretanto, até as empresas fazerem a primeira pressão de preço estaremos pagando um preço absurdo por assim dizer.

    Para músicas e livros isso chega a outro nível, afinal é sempre um monopólio em alguma instância: se você quer jogar Fifa, só a EA pode te vender o jogo. Se você quer ouvir Beatles, só quem tem os direitos de suas músicas podem vende-las. Ninguém se importa com “quanto custou”, apenas se tem pessoa disposta a pagar…para jogos ainda é um valor alto mas para música não devido a popularidade da pirataria.

    Nesse caso, estamos abismados porque estamos conseguindo analisar a falta de senso desses preços digitais. Entretanto, ninguém vai no banco e questiona que o novo sistema de TI deles cortou os custos para zero praticamente e os preços do serviço continuam altos: pagar R$7,00 em um DOC é uma insanidade considerando os custos de realizar isso de forma digital mas ninguém sabe fazer essa análise. Logo, continuamos pagando o absurdo de bom grado.

  4. Obrigado Ghedin pela dica do Livro O poder dos Quietos!

    É tanto fatores para analisar que fica difícil saber o que se passa.
    Lembra em 2008,2009,2010 quando os preços dos jogos na steam eram realmente baratos, mesmo em dólar? Depois que veio definitivamente no Brasil é difícil ter boas promoções em jogos recentes, só depois de um bom tempo.Agora com o dólar alto nem se fala.

    É meio esquisito com relação a Amazon, agora nas lojas brasileiras nem tanto.Acho que é como foi dito nos comentários, estão apenas disponibilizando a versão digital por comodidade.

    Eu prefiro digital, mas com relação aos livros um complementa o outro.

    Abraço!

  5. Eu senti isso na pele quando procurei pelo volume único do Senhor dos Anéis para o Kindle. Seria impossível pra mim levar o livro físico na mochila, mas o preço do ebook na loja da Amazon é um absurdo. Um pouco de perseverança + Google + Calibre resolveram meu problema rsrs. Já comprei vários livros na loja, que fique bem claro, mas algumas editoras simplesmente faltam com o respeito mesmo. Essa é minha opinião.

  6. Tem também a questão que empresas como a Amazon rastreiam e criam perfil dos clientes e dos concorrentes alterando valores dos produtos em tempo real e o tempo todo. Saraiva também está trabalhando nisso.

  7. sugestão do que fazer com as mídias: anuncia no olx. :)

    Quanto ao artigo, o argumento do panino manino (que nick…) é o que eu penso também. As empresas e produtoras de jogos, livros, etc, estão encarando esse mercado como facilidade e um mimo para o cliente. Então, elas se sentem no direito de cobrar a mais. Tipo, “vc quer comprar meu produto tão fácil assim somente movendo os dedos? blz, mas só pagando valor X”

    E o povo vai e compra pq é fácil, rápido, etc..Hoje em dia tá muito mais fácil também se descontrolar em contas e faturas devido a tamanha facilidade hoje em dia.

    paypal, bankline, nubank, debito automatico…..se o cara não tomar cuidado, meu irmão…

    auahuahuhauahuahuhau

  8. A impressão que eu tenho, pelo menos nos produtos vendidos no Brasil, e vendo como o Pannino Manino diz, que as empresas veem a venda do digital como um “serviço” e não como uma venda de fato, é q as empresas não reduzem sistematicamente o preço como deveriam e passam a elevá-los sistematicamente. Noto isso nas franquias, que se espalham como algo positivo, mas que na verdade representam a imposição de um custo aos consumidores, em diversos territórios diferentes, ficando imunes a situações locais, já q são orientadas pelos donos das marcas de modo centralizado, e, no digital, há justamente a não-visão de que se trata de uma forma de negociar diferente da usual. Ao ver o dono da livraria cultura, por exemplo, repudiar a modernidade (eu o vi numa entrevista no programa metrópoles) apesar dos investimentos q a própria livraria cultura fez no livro digital, foi mais uma demonstração de uma “marcação de posição”, pra eles terem já q muitos têm livros digitais (saraiva, por exemplo), do q pra entrar no ramo de forma nova mesmo. O preço dos livros digitais é injustificadamente alto mesmo levando em conta a “novidade” que é essa venda por aqui e a falta de uma difusão maior dos leitores digitais (até por isso mesmo deveria ser mais em conta ainda). Acho q o consumo de filmes e música já está superando isso (netflix, rdio, etc) fora daqui, mas na questão do consumo de um item digital específico, a mentalidade de quem vende aqui no Brasil ainda é incompatível com preceitos básicos descritos, por exemplo, no já bem conhecido “Calda Longa”. Talvez nossa economia (a forma como nos organizamos enquanto sociedade mesmo; a civilização brasileira, em suma ) não é afeita a esse tipo de negócio mesmo e explorar quem compra é a regra… Acho o artigo vital pra compreensão das coisas como são e como serão daqui ainda uns bons anos. Problema é q não vejo mudança em vista…

  9. Ainda sonho com o dia que eu vou comprar o livro físico e poder baixar a versão digital. Eu comprei um kindle a pouco.. Assino o serviço deles que cobra R$ 19,90 para acesso ao Kindle Unlimited, tambem assino o Iba clube que me dar acesso a 4 revistas da abril mensalmente, mas não me importava em pagar R$ 49,90 para ter todas as revistas da abril para consumo digital… tem muitos livros que são baratos demais na versão digital, mas ainda sinto falta de ter os mesmos na estante e ainda continuo socializando(emprestando) os livros fisicos com amigos.

    1. A Amazon tem algo parecido. Quando você compra um livro de papel, pode começar a ler a versão digital enquanto o produto comprado não chega. Nunca testei, mas vai nessa linha de raciocínio.

  10. Bom, eu acho que esse custo é em relação a manutenção da infraestrutura.
    Quando o fluxo do produto físico é terminado (está na mão dos clientes), a regra é que o custo termina. No máximo manutenção de ambiente de jogo online.

    Agora, com a versão digital, a empresa deve comprar a infraestrutura disponível para a distribuição e mantê-la. O jogo vai ter que estar disponível para você, quando você quiser. As diversas versões do jogo (localização, versões atualizadas), deverão estar lá, quando você quiser.

    Isso gera um custo fixo – ou variável? – que o produto físico não possui. E tudo isso após a compra e ‘entrega’ ao consumidor final.

    Bom, é isso que eu acho.

    1. Talvez, mas no caso do FIFA 15 não se aplica porque todas as unidades, físicas ou por download, convergem ao Origin. Mesmo comprando a caixinha/DVD, você precisa instalar pelo Origin e utilizar a infraestrutura da EA.

  11. Acredito que estamos em um período de transição, e ainda há uma resistência das desenvolvedoras de assumir todo o papel de vendas. Explico, se o jogo fosse mais barato digitalmente na Origin, você iria acabar com qualquer revendedor de jogos, e querendo ou não ainda temos a concepção de que as lojas físicas são as grandes vitrines dos produtos.

    Mas no fim, deve existir uma razão economica, pois querendo ou não os desenvolvedores ganham de qualquer jeito, e muito provavelmente o valor na loja digital deve estar ligado com os valores de moedas internacionais, por exemplo, esse mesmo FIFA 15 nos EUA custa na Origin U$ 34,99, que com um dólar a +-3 reais fica próximo dos R$ 99,00 cobrados na versão brasileira da loja. Já nas revendedoras eles são competitivos, usam de muitos artifícios para baixar o preço, como: subsídios fiscais para produtos nacionais, margens de lucro menores, aquisição de grandes lotes por preços menores e escalonamento de vendas. Além de esses jogos terem sido adquiridos pelos revendedores em contratos anteriores à essa explosão do dólar.

    Ótimo topico de discussão, parabéns pelo site!

  12. Não sabia que o preço de lançamento da versão física do FIFA foi mais barato. Comprei pelo preço cheio na Origin na época do lançamento… ajudei a alimentar essa desigualdade.

  13. A economia explica:

    Oferta x Demanda.

    Com a melhora das conexões de internet, do tamanho de armazenamento dos discos (tanto de PC quanto de console), praticidade de trocar de jogo (não precisa abrir a caixa, tirar o dvd, abrir a gaveta do pc – ou do console – tirar o disco que estiver lá, encaixar o disco que vc quer, depois guardar o disco que estava lá na sua própria caixa e guardar as duas caixas no armário) as pessoas tem tido preferência maior pelas versões digitais dos jogos. Logo a demanda pelas versões digitais são maiores, enquanto que as versões físicas são menores. Assim, menos demanda para os jogos físicos levam a menores preços.
    (claro que esta análise é bastante reducionista, mas a essência é mais ou menos essa).

    1. Ampliando um pocuo este raciocinio, deve ser pensar nas condições:

      – Games com mais de 3 anos de lançamento, o preço despenca (basta ver os preços na Origin ou Steam).
      – Apesar da demanda maior, a possibilidade de oferta no meio digital/download é automaticamente igualada pela demanda e muito mais fácil que em produção de mídia (CD/DVD). Tipo, CD e DVD depende de quanto é produzido. Download não. É como deixar um papel infinito e o pessoal vai indo e tirando pedacinho a pedacinho. Claro que há todos os custos relacionados a manutenção de equipamentos de download, etc… Mas ainda assim, os custos de oferta em download e a possibilidade de atendimento de demanda são extremamente MENORES do que em formas físcias, já que pode simplesmente deixar um servidor de arquivos, uma pessoa cobrando e acabou.

      Fora isso, o fato de FIFA ter distribuidor único também é um ponto a se considerar :)

    2. Acho que tem uma pequena questão a se levar em conta ao aplicar o conceito da “Oferta x Demanda”:
      Em um produto físico, aumentando o preço quando a demanda é grande, aumenta também o lucro. Já que a quantidade desse produto é finita, a possibilidade de lucro também é.
      Em um produto digital, a quantidade é “infinita”. Logo, a possibilidade de lucro também, pois quanto mais vezes vende, mais lucro. Nesse caso, não haveria a necessidade de aumentar os preços, pois se ganharia na quantidade.

      Enfim, o que quero dizer é que esse conceito não faz tanto sentido quando não se tem um estoque, já que a “oferta é infinita”. Nesse caso, o preço é maior apenas porque as pessoas pagam pela comodidade.

      1. Isso é vc analisando apenas o lado da oferta.
        Produtos digitais são infinitos no que tange a oferta, mas os custos existem em portanto, precisa-se de vendas para transformá-los em lucro.

        Mas vc logo complementa:

        “Enfim, o que quero dizer é que esse conceito não faz tanto sentido quando não se tem um estoque, já que a “oferta é infinita”. Nesse caso, o preço é maior apenas porque as pessoas pagam pela comodidade.”

        Lógico, se há demanda por um valor X, pq cobrar X/2 ?
        É justamente isso que mantém o equilíbrio. Se as pessoas não vissem vantagens em comprar a versão digital e, portanto, a demanda fosse baixa, as empresas seriam forçadas a reduzir os preços (caso os custos assim o permitissem) Não para desafogar os estoques, não pq a oferta seria maior que a demanda (neste caso de mídias digitais será sempre maior que a demanda – já que em tese a oferta é infinita), mas para vender produto e transformar os custos em lucros (demanda alta). Mas a partir do momento em que, cobrando o mesmo preço da versão física (já que em tese são produtos semelhantes) nota-se que a versão digital vende mais, não há justificativa plausível para reduzir o preço da versão digital, mas sim da versão física, pq como vc falou, os estoques físicos precisam ser desfeitos.

        1. Aí acho que volta a questão do Ghedin: para muitos, a vantagem do digital é imaginar que ele é mais barato justamente por ter uma “oferta infinita” e nada de ocupar espaço físico (apenas digital).

          Por quê então não vender o FIFA por 35 reais digital por exemplo? Acho que o centro da questão é aqui: por mais que seja interessante deixar o preço alto do digital, para muitos isso não é vantagem. Então por quê não ter despencado o preço do FIFA digital quando o preço do FIFA físico também despencou? Só para desafogar a venda das mídias físicas? Serve ao livro também. Ou então, fazer uma “venda casada”: compre a versão física, ganhe a versão digital. (Ei, usando a Key do CD, o Ghedin instalou o jogo :p ).

          Dá para entender o porque do preço do físico ser mais baixo que o digital em alguns momentos. O problema é quando o preço do físico é mais baixo que o digital em todos os momentos. Isso acaba de certa forma incompreensível em um primeiro momento, por isso o post do Ghedin (imagino). O pior é ver que o digital tem ficado mais caro que o físico… aí não dá. Aí para alguns, é mais interessante comprar um DVD, converter o formato e aí assistir onde quiser.

          1. A versão digital do FIFA n custa 35 reais (mesmo que os custos assim o permitam) pq há demandas (e consequentemente vendas e lucros) com o preço à 99,90. Há quase que um monopólio na oferta, poucos sites, além da EA, vendem a versão digital. Logo, a elasticidade preço da demanda (em linhas gerais representa a variação na demanda quanto o preço varia) é relativamente baixa, por causa da baixa concorrência.

            No caso das versões físicas a concorrência é enorme e as lojas precisam reduzir os preços para se diferenciar da concorrência.

            “Então por quê não ter despencado o preço do FIFA digital quando o preço do FIFA físico também despencou? Só para desafogar a venda das mídias físicas?”
            Pq n faz sentido vc reduzir o preço de algo que tem demanda alta. Aqui tem uma questão. A EA vende a versão digital direto ao consumidor, mas n a versão física. Quem vende a versão física são as lojas varejistas, que precisam se diferenciar da alta concorrência por preço. Então para manter a demanda alta (e consequente vendas e lucros) os varejistas precisam reduzir preço, mesmo que reduza sua margem de lucro, e assim desafogar sua oferta.

          2. Você ainda não entendeu onde quero chegar.

            Como a EA sabe se os 99 é comprada uma demanda suficiente que lhe atenda? Só porque as compras no site diz? E por que é a única distribuidora?

            Vamos somar outras coisas nisso para validar este argumento: qual é a demanda de “piratas”, àqueles que pegam em sites de compartilhamento? Será que um preço mais baixo não atrairia parte destes para comprar um jogo original? Pirataria também é uma forma de concorrência. E ficar atacando com a lei (e moral) em cima destes não adianta.

            Como eu fiz estes dias a comparação para o Saulo: lembremos quando a Microsoft ofertou o Windows 8 por 70 reais (CD-KEY oficial) e 30 reais (CD-KEY atualização). Salvo engano, muitas pessoas foram para a oferta de 30 reais de alguma forma. E usam a licença de forma oficial, sem problemas. Se a Microsoft quisesse, era só pegar as licenças compradas de forma “fraudulenta” e eliminar. Mas imagino que não fora feito.

            Por quê não se ofertou um valor único, sem diferenças? O que faz diferenciar valores no digital? Sendo que os próprios empresários sabem que muitos clientes analisam o mercado e notam quando o produto está caro demais para os padrões ofertados. E no final, sempre buscam um valor batendo perna por aí?

            Como eu falei, não discordo de existir os preços e entendo o porque da manutenção, isso expliquei em um comentário. Mas ao mesmo tempo, tal como o Ghedin e muitos, me estranha o valor ser alto em relação a outras formas. É nisso que um empresário deveria pensar na hora de ofertar valores.

            Baixou o valor do estoque físico? A concorrência é ela também! Aproveite a janela! Esse é o ponto!

            Pois senão são janelas de oportunidades se perdendo.

          3. “Como a EA sabe se os 99 é comprada uma demanda suficiente que lhe atenda?” Ela simplesmente sabe. Ela sabe quanto é vendido e quanto ela recebe por isso. Uma coisa é certa, se as vendas por este preço n fossem suficientes para ela ter o retorno esperado do investimento no jogo (todo projeto tem sua taxa interna de retorno) ela simplesmente abaixaria o preço. Por esse valor ela com certeza tem o retorno esperado.
            Além disso, com o preço relativamente alto, ela pode simplesmente aumentar consideravelmente a oferta fazendo promoções esporádicas em datas especiais: por exemplo, comprei o meu FIFA 15 para PS3 por 49,90 em uma promoção na PSN. Acontece que se este fosse o preço original, para que ela tivesse controle da demanda e pudesse aumentá-la consideravelmente caso necessário, ele perderia margem de manobra (iria baixar ainda mais o valor do jogo?).

            De fato a EA poderia vender mais, ceteris paribus, se vendesse originalmente a este preço de 49,90, ao invés dos 99, mas esse se tornaria o preço padrão. Em qualquer lançamento os 49,90 seriam o preço cheio e com o tempo a demanda se estabilizaria com esse preço. Ela perderia poder de manobra, precisando reduzir ainda mais o valor para ter um aumento de demanda caso necessário.

            “E por que é a única distribuidora?” Não sei se é a única, mas o suposto monopólio dá a ela o poder de mercador e arbitrar o preço, apenas com base na demanda, sem se preocupar com a oferta (consequentemente preço) da concorrência.

            “Vamos somar outras coisas nisso para validar este argumento: qual é a demanda de “piratas”, àqueles que pegam em sites de compartilhamento? Será que um preço mais baixo não atrairia parte destes para comprar um jogo original?” De fato. O problema é que ainda é muito difícil medir isto. A psicologia econômica mostra que se um produto pode ser vendido por 100 reais por exemplo, vc pode lançá-lo por 180 e realizar promoções “de 180 por 110” e ainda assim obter mais ganhos do que a oferta inicial por 100 reais. Se o preço normal do produto fosse os 100 reais, estes 100 reais se tornariam o “valor caro”. Não sei se me fiz entender.

            O resto das perguntas acho que meio que respondi no meio do comentário, então termino por aqui para não se tornar um texto enorme.

          4. Novamente: o ruim aqui é a questão de ofertar com margem acima. Valores altos demais para certas condições, que abaixam esporadicamente, acaba só dando justamente uma “sensação psicológica”, e isso uma hora acaba. O consumidor se pergunta no final se fez um bom negócio.

            Os “100” se tornam o valor caro dependendo da sensação de necessidade e de custo de produção que o consumidor nota que é cobrado. Se o consumidor nota que aquele é um valor justo de cobrança e que acima disto é caro, então não há o porque cobrar mais caro.

            Programas de computador / aplicativos de celular, e quaisquer outros tipos de serviços onde não há oferta física, mas automaticamente atendível a demanda, as pessoas notam que o valor ofertável é “justo” ou não. Quando a empresa trabalha com valores nas quais ela julga que tem maiores ganhos, e isso prejudica seus consumidores, não é a toa que há reclamações de preços. Ninguém gosta de se sentir enganado, porém as pessoas gostam de se sentir na vantagem perante os outros. Ou que pelo menos todos são atendidos de forma justa.

            Hoje o mercado não tem mais tanto “poder de manobra”. E o pior é ver que a EA por exemplo reclama dos baixos ganhos. Se continuar trabalhando assim, não se sustenta no mercado.

      2. Há uma confusão quando se diz que produtos digitais tem oferta infinita. Isso seria mais claro colocando a palavra potencial. Explico. A oferta potencial dos jogos digitais que é infinita. Isso pq não existe infinitos jogos digitais do FIFA por aí, mas sim a possibilidade de serem infinitos. A oferta de jogos digitais será sempre igual à demanda, pq jogos digitais só se concretizarão no produto havendo alguém pra baixá-lo. Em outras palavras, a oferta só se materializa por meio da demanda.
        Por isso a relação oferta x demanda é bem latente nestas circunstâncias.

    3. Não é bem questão de oferta e demanda, pois a oferta no caso dos produtos digitais é ilimitada. O preço sobe quando a demanda é maior do que a oferta, então os consumidores precisam “disputar” por aquele produto, portanto, o preço sobe. No caso dos produtos digitais, a demanda nunca vai superar a oferta, pois você não tem N quantidades de FIFA 15 para vender digitalmente, esta quantidade não é finita.

      O que você trouxe faz todo sentido, mas está mais relacionado com concorrência do que com oferta e demanda. Com a concorrência, o consumidor tem mais opções para comprar, portanto as empresas terão que disputar pelos clientes, o que leva a uma redução dos preços.

  14. Resposta em 1 palavra: estoque.

    A caixinha ocupa espaço, ocupa tecnologia, ocupa pessoal, ocupa o “robô”. As vezes dar “de graça” sai mais barato que manter isto.

  15. Acho que hoje a fiscalização para venda digital deve estar mais forte criando aumento de custos por impostos, além dos custos comuns relativos (quanto custa os serviços de hospedagem de dados, o uso das redes – lembrando o caso Netflix – e tudo o mais? Os custos de royalites, de questões jurídicas – eles provavelmente botam isso para a perseguição contra pirataria).

    Imagino também que o aumento do dólar seja um ponto a somar no encarecimento. Afinal, muitos serviços de “cloud” estão no exterior e não no Brasil. Logo, a cotação é na moeda americana.

    Normalmente, quando um DVD está mais barato que o digital, geralmente é porque é ponta de estoque ou fim de produção (quando saí os FIFAs? se bobear, logo já saia o FIFA 16 – que nem fabricante de carro :3) Estou cansado de ver lugares onde se vê DVDs de filmes e alguns jogos por 10 reais ou menos. Uma boa caminhada acha essas coisas. Normalmente o preço mais alto é em época de lançamento. Em 2 ou mais meses, o preço vai decrescendo até virar ponta de estoque.

    Soma-se também o dito pelo Manino: muda-se a visão que tem. Se digital antes o custo baixo compensava, hoje é uma comodidade.

    PS1 : guarde os DVDs. Sou adepto de quanto mais backup, melhor.

    PS2: a comemoração é meio que um funk, não?

    1. FIFA sai em setembro, estamos na meia vida da última versão.E sim, existem os custos de distribuição, mas será que 7 GB de download é mais caro que todo o processo de manufatura e transporte da versão física? Com DVDs de filmes eu até entendo (é um produto “desinteressante” à maioria), mas FIFA 15 ainda está no auge, tem consumidores interessados. É essa vertente que não entendo.

      1. Então, se for o que penso, vai novamente no que falei do “caso Netflix”: é caro para manter os tubos, então eles jogam o preço para cima. E como já mencionado (que também eu tinha falado em outro comentário), por aqui ser uma representação, aqui também seus custos aumentam.

        Em tempos: fui aproveitar e dar uma pesquisada. Não consigo acessar a Origin americana para saber o preço por lá (seria uma boa para fazer o comparativo), mas na Best Buy, está em torno de US$ 60 uma mídia para PS3/Xbox (não vi para PCs) http://www.bestbuy.com/site/games-promotions/fifa-15/pcmcat335900050000.c?id=pcmcat335900050000

        Em um site que não sei se é original ou não e fornece CD-keys (G2A), o valor da Key “original” (?) para Fifa 15 é R$ 70 (divide por 3, uns 23 US$) https://www.g2a.com/fifa-15-origin-cd-key-preorder-global.html?adid=Fifa15&id=50&gclid=CN306I745sQCFdQdgQodgJ0AZA

        1. Fazendo um parênteses no assunto do texto:
          Pra tu ver como o preço de jogo muda conforme a plataforma. A maioria dos lançamentos saem a US$60.00, independente da plataforma. Aqui no Brasil, Steam vende esses lançamentos a R$100,00~R$130,00 (por causa da alta do dólar). Para consoles, é comum R$170,00+…

          1. E tem a grande diferença, é que lá, 1 a 2 semanas o preço já começa a cair…. em 2 meses o jogo já entra no chamado “bin bargain” onde cai uns 70% do preço.

            Aqui o mesmo jogo dura uns 3 anos e continua lá R$ 99. Sempre foi assim e sempre será.

            Hoje você encontra Starcraft 1 (um jogo de 1998) aqui no Brasil por R$ 29,90. Site oficial, compra digital. Triste.

  16. Sabe o que é? As empresas estão vendo na distribuição digital não uma evolução natural do comércio digital, estão vendo como um “serviço”, “vantagem” e “conveniência para o consumidor”.
    Não é que seja mais barato para eles e então por consequência do custo menor o preço seja menor, não, o que muda é apenas a facilidade de compra para você e a ausência de espera pela chegada do produto. Então te cobrar mais pelo clicar para comprar e receber o produto, o digital acaba sendo o luxo ao invés do econômico.

      1. E põe comodidade nisso.
        Tá muito fácil gastar dinheiro hoje em dia, ainda mais em uma promoção da Steam :P

        1. minha comodidade é jogar “nome_do_livro + pdf” no google. =)

          Já é o terceiro livro que lerei por recomendação do Ghedin.
          O rapaz é quase um guru das recomendações literárias. Só livro bom!

    1. É uma possibilidade. Assim como ingressos de shows/cinema tem a “Taxa de conveniência” cobrada de quem compra online em cima do preço normal de quem compra indo até o local para comprar a entrada.

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