“Aqui tem ou não tem Wi-Fi?” Debate do livro Reprodução, de Bernardo Carvalho

Reprodução, obra de Bernardo Carvalho, é o primeiro livro do Clube de Leitura.

Sendo este o primeiro post para discussão no Clube de Livros do Manual do Usuário, peço paciência aos participantes e já digo de largada: todas as mancadas e absurdos ditos por mim aqui (e nos comentários) são de minha total responsabilidade. Ao senhor Rodrigo Ghedin, a quem agradeço pelo espaço e oportunidade de me comunicar com uma audiência bem bacana, coube o disparate de promover a leitura num país de tão poucos leitores de livros de uma literatura mais “séria”, digamos.

O convite a mais essa experimentação do Manual, pelo que pude sentir, foi extremamente oportuno, pois, como muitos de vocês, tenho o desejo de ler mais este ano. Daí essa oportunidade ainda melhor: estender as escolhas de livros que faria a mim mesmo para mais pessoas, com a grande chance de discuti-los ao término da leitura!

Ler, todos sabem, é um ato solitário. Há a leitura em conjunto quando da iniciação de jovens leitores; ao ler para uma criança ou adultos em alfabetização, por exemplo, estamos mostrando a eles que ler envolve atenção ao livro e concentração (algo escasso nos dias de hoje). As crianças, especialmente, viajam nas histórias e, apesar de já sermos adultos alfabetizados, tenho a impressão de que também nos pegamos muitas vezes em outros mundos a partir do que lemos — com menos imaginação, talvez, mas ainda ainda no terreno movediço da fantasia.

Capa do livro Reprodução.Nessa toada, o primeiro livro proposto, um livro de ficção como outros cinco que virão, Reprodução, do Bernardo Carvalho, me pareceu ideal pra começarmos, afinal, ele é curto e, pra nossa felicidade ou infelicidade, grosso. Grosso graças aos modos do seu personagem, o famigerado estudante de chinês… Eu, particularmente, o achei irritante e insuportável (de difícil convívio, melhor dizendo), mas gostaria de confrontá-lo e arrancar dele mais pérolas como “o homem é um eufemismo para o suicídio”.

Espero que você não tenha ficado atormentado com a leitura a ponto de querer passar longe de livros da mesma estirpe. Asseguro a você que não foi essa a intenção, mas o ponto principal — e isso se refletirá em todas as demais escolhas de livros do Clube — é que o mais importante é provocar, demover, atiçar e sensibilizar um determinado grupo de pessoas (em grande parte interessados quase que exclusivamente em tecnologia) para que notassem que o mundo ao nosso redor não está só cada vez mais complicado, mas também mais cifrado, codificado e repleto de incertezas.

E… Acalme-se, porque não farei mais filosofia de boteco! Mesmo porque acho que isso é algo que todos já notaram: habitamos um mundo (real e irreal) maravilhoso em nossos gadgets, mas eles não funcionam sozinhos e também não surgem do nada; não são autômatos providos de inteligência artificial desenvolvida a ponto de nos ludibriar e se reproduzirem em loop infinito. São pessoas, inclusive como esse imaginário estudante de chinês, com esse discurso medonho, que preenchem os nossos dias e temos que conviver com eles da melhor forma possível sem ficarmos tão malucos quanto.

Mais sobre Reprodução

Listo aqui, aos interessados em desdobrar um pouco a leitura da obra, duas críticas sobre o livro que me parecem bem interessantes, apesar de sempre serem insuficientes e requererem a SUA leitura da obra pra validar ou não o que o crítico diz. E vai também uma entrevista com o autor do livro que é excelente pra sacar um tanto do que ele pretendia quando resolveu escrever o Reprodução:

Segundo nosso querido personagem, “Brasileiro é burro e ignorante. Não dá pra conversar”. Vai, então, uma entrevista com o autor.

Apenas pontuando: a crítica, nesse caso, tem a função de nos ajudar a entender um pouco melhor a obra e o autor. Muitos já devem ter ouvido que críticos, seja de literatura, cinema ou artes, são escritores, cineastas ou artistas frustrados. Só que não é bem assim… A crítica, quando bem feita, claro, nos ajuda, e muito, porque é feita geralmente por alguém que tem muitas referências (leu muito, viu muitos filmes etc., mas viu tudo criticamente e não apenas por diversão ou passa-tempo). Ou seja, o crítico tem a visão e o conhecimento amplo o bastante pra saber posicionar uma obra a partir do seu ponto de vista para uma audiência que não tem essas mesmas referências e pode não sacar, talvez, a mensagem geral da obra ou de que forma ela se encaixa numa perspectiva artística.

Se você tem dúvidas, por exemplo, entre a qualidade da obra de um Bernardo Carvalho frente a um Paulo Coelho, é altamente recomendável que você tente encontrar mais referências sobre o contexto dos dois autores pra tirar suas próprias conclusões. Mas quando um crítico diz que, no caso, um Paulo Coelho não é literatura, ele tem lá suas razões.

Vamos conversar!

O esquema do debate é similar ao dos posts livres, porém restrito à obra. Novos tópicos podem ser abertos, tanto sobre a forma quanto a história, e, para fomentar esse começo, já deixamos alguns questionamentos ali.

Boa discussão a todos!

PS

Pra quem gostou muito do autor e quer ler mais dele, ele é, vejam só, colunista na Internet! Por essa talvez vocês não esperassem! Nesse caso, felizmente, a leitura é super válida e ficaremos, provavelmente, em melhor companhia do que o estudante de chinês em suas leituras.

Segue aqui também um agradecimento especial ao Flavio Moura e à Clara Dias, ambos da editora Companhia das Letras, que foram muito gentis em cederem um exemplar do livro para o sorteio. Ele será sorteado hoje, entre os assinantes do Manual do Usuário, no nosso grupo secreto do Facebook.

Revisão por Guilherme Teixeira.

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99 comentários

  1. Alguém tem uma boa ideia para o motivo do texto repetir tanto que a fonte original de informação não existe? Ele faz isso especialmente no discurso da delegada (“Está tudo no relatório. Como assim não leu?”), mas também há ocorrências no discurso do estudante.

    1. No caso da delegada, sendo o que lemos é aquilo que o estudante ouve através da parede e completa com a sua imaginação do que acha que está ouvindo (pelo menos entendi assim), parece ser parte do comportamento paranoico da delegada, que está sob efeito dos psicotrópicos. Já as demais referências que o estudante faz, ele sempre aponta os autores. Não me recordo desses trechos. Vc tem algum pra citar?

  2. O que vocês acharam dessa passagem de quando a delegada e o delegado conversam:

    “E quer saber o que ele [o pastor sob investigação] me ensinou? Que dinheiro tem cheiro de gente. Vai dizer que nunca tinha notado? Não? Eu também não. Até ele me dizer. É um cheiro azedo de milhões de mãos. Nunca te disseram que na China é com leite azedo que ensinam os cães a farejar e reconhecer as malas abarrotadas de dinheiro? Nada a ver com cheio de morto. Vivo tem cheiro de leite azedo. É por isso que o dinheiro excita. Tem cheiro de gente vivia. Foi o que ele disse. Uma única nota passa por milhões de mãos, tem cheiro de milhões de paus e milhões de bocetas. Que foi? Desculpe! Ele me disse que não tem nada mais sujo.”

    p. 97.

    Agora pegar dinheiro na carteira ou no caixa eletrônico tem outro significado… :/

    1. Eu concordo. Não é de hoje que tenho aversão (nojo, para ser mais preciso) de cédulas. É um negócio extremamente nojento.

      Para uns 80% das coisas que compro em estabelecimentos físicos uso cartão; ficarei bem feliz quando for para tudo. (E, mais ainda, quando tiver Apple Pay/Samsung Pay em todo lugar!)

      1. Hum, não tenho nojo das notas, apesar delas circularem muito. Por alguns estudos q fizeram (“Leia. Leia.”) mostram q há mais bactérias, sei lá, no mouse q usamos q em cédulas… Sem falar q as cédulas são bonitas, trazem os símbolos da república e tal. As moedas tb são bem legais… Acho q se um dia perdermos as cédulas e as moedas e elas virarem artigo de um museu numismático… é sinal q o capitalismo mudou de fase. As moedas em si tem um peso histórico tão grande q é difícil imaginar um futuro sem elas, já q carregam tantos significados. A partir desse seu comentário, e ligando ao q a personagem diz, um mundo sem cédulas poderia ser um mundo sem reprodução como conhecemos hj… Algo q se aproxima da utopia do Aldous Huxley no “Admirável mundo novo”…

      2. Hum, não tenho nojo das notas, apesar delas circularem muito. Por alguns estudos q fizeram (“Leia. Leia.”) mostram q há mais bactérias, sei lá, no mouse q usamos q em cédulas… Sem falar q as cédulas são bonitas, trazem os símbolos da república e tal. As moedas tb são bem legais… Acho q se um dia perdermos as cédulas e as moedas e elas virarem artigo de um museu numismático… é sinal q o capitalismo mudou de fase. As moedas em si tem um peso histórico tão grande q é difícil imaginar um futuro sem elas, já q carregam tantos significados. A partir desse seu comentário, e ligando ao q a personagem diz, um mundo sem cédulas poderia ser um mundo sem reprodução como conhecemos hj… Algo q se aproxima da utopia do Aldous Huxley no “Admirável mundo novo”…

  3. Vou aproveitar a deixa para soltar uns pitacos pela primeira vez aqui no MdU!

    Confesso que o livro não está entre os meus preferidos, principalmente graças a duas características já ditas por vocês em outros comentários: estilo de narrativa e a personalidade do nosso tão querido estudante de chinês…

    Mas pareceu-me que essas duas características são o que mais fazem o livro dar “pano pra manga” nas discussões, tornando-o algo pra ser lembrado a cada vez que cometermos o erro de olhar os comentários no G1, ou trombarmos com algum fato no cotidiano.

    E como suponho que essa discussão e esse mal-estar devem ter sido os principais objetivos do autor ao escrever essa obra (ainda não li os links que o Fabio passou, preferi despejar o que achei antes de vê-los), o livro ficou pra mim como algo em que percebi a qualidade, mesmo não sendo algo do meu agrado.

    Sobre o estudante especificamente, várias questões estão ainda num canto da cabeça “amadurecendo”.

    Uma delas foi o que um consumo excessivo de informações pode trazer, sem uma reflexão adequada.

    Em certo trecho, por exemplo, ele solta “Não fui eu que disse. (…) Estou só reproduzindo o que eu li”, algo em que vi um misto de uma tentativa de argumento de autoridade e a mostra de que seu discurso era só um amontoado de citações.

    Outra é o fato do monólogo trazer não só a ideia de que as pessoas não dão a devida a atenção ao que seu interlocutor diz, mas também uma curiosidade sobre o que era realmente dito pela outra pessoa. Será que de certa forma, as reações do estudante não podem ter sido provocadas pelo delegado? Eu não defenderia essa posição, mas também não a descartaria…

    E no final, acho que todos nós temos momentos (ao menos moderados) de estudante de chinês: julgando pessoas que possuem visões diferentes das nossas, reproduzindo preconceitos, enfim.

    Fica a nota mental pra nos policiarmos mais em relação a isso.

    E finalmente, muito boa a iniciativa!

    1. Quando ele diz que “está só reproduzindo o que leu”, vejo também uma tentativa de se isentar de quaisquer responsabilidades sobre aquilo que falou antes.

      Por exemplo: se disse algo preconceituoso/idiota e foi repreendido pelo delegado, olha só: não sou eu! É só o que li por aí nos blogs, colunas, revistas e portais, ok? Você devia ler também!

      1. Pois é, curioso isso: assim como em várias vezes ele usa isso como uma defensiva, nesse esquema de “foi ele, não sou eu”; em outros momentos ele usa como uma ofensiva, aproveitando o gancho pra soltar um “como assim você não viu? Tá na internet, nos jornais!”.

        Complicada a formação de discurso do nosso estudante de chinês, viu…

        1. Afinal, chinês é a língua mais difícil do mundo, ela exercita os dois hemisférios do cérebro ao mesmo tempo.

    2. Duas passagens dizem alguma coisa… na fala do delegado com a delegada: “Não é melhor passar o tempo com informação?”. p. 99. e “Que é que você dizer com leitor de revistas? Ah! Boçal. Um idiota da mídia”. p. 85.

      Só isso dá muito pano pra manga e, pra ser sincero, esse excesso de informação com certeza faz com q tipos tenham dificuldade em lhe dar com o q veem e leem e, ao se arvorarem em diálogos possíveis pelos comentários ou mesmo redes sociais, se embananam um pouco, qdo não colocam todo seu ódio e preconceito pra fora. Se bem q, eu mesmo, tenho essa dificuldade, já q leio menos do q gostaria e essa insuficiência deixa lacunas sérias no q penso.

      E legal vc manter essas questões na cabeça (amadurecendo, como disse), pq é assim mesmo, leva tempo pra assimilar as coisas, mas, com certeza, essa personagem criada pelo Bernardo Carvalho, tem força suficiente pra se manter por muito tempo no meu imaginário. Não apenas projetando nos outros a ojeriza q poderia sentir ao ler um comentário racista vindo de um cara como o estudante de chinês, por exemplo, mas em me ver no espelho e me dar conta das barbaridades q devo estar falando por aí tb…

    3. “Outra é o fato do monólogo trazer não só a ideia de que as pessoas não dão a devida a atenção ao que seu interlocutor diz, mas também uma curiosidade sobre o que era realmente dito pela outra pessoa.”

      Foi o que mais me incomodou enquanto lia o livro. Essas pessoas, além de todos preconceitos e pré-julgamentos, não parecem conseguir receber informação durante o “debate”, apenas regurgitam seus pensamentos.

      Nos poucos momentos em que se pegam em algumas contradições (claro, falando TANTO como não se contradizer?) fica nítido o desconforto na fala do estudante e da delegada. Nisso, acho que o autor acertou em cheio: a maneira de desconversar, de desdizer de uma maneira disfarçada.

  4. Desisti. O estilo de escrita somados a apenas 3 capitulos e um ctrl + c e ctrl + v de todo o tipo de abobrinha e verborragias na web tornaram o livro cansativo demais e no meio da correria do dia a dia (e para piorar, esse mês tive um imprevisto bem complicado) a leitura precisa ser minimamente prazerosa. Pode ser dura e de tema complicado, mas o estilo da escrita não pode ser o que ele fez. Complicado …. Pra não verbalizar o que eu pensei

    Quero dizer, teve otimas partes mas elas ficavam escondidas no meio da escrita caótica. No começo inclusive eu tinha a impressão que estava lendo a transcrição de um dialogo por um escrivão daqueles de tribunal. Risos

    No fim dava uma preguiça existencial enorme pegar o Kindle.

    1. Hum… interessante esse paralelo da obra com um ofício jurídico. Afinal, a delegada, se é q ela existe, tira uma onda da escrivã Márcia o tempo todo…

      E, espero q vc não se chateie, mas achei muito positivo vc ter se incomodado com o livro. Porque, me parece, foi essa a ideia do autor: mostrar que esses discursos malucos q lemos por aí são muito irritantes. Bom, mas essa é a minha leitura da coisa. Mas literatura qdo bem feita, cara, tb nos tira do lugar comum da leitura prazerosa e começa a dar comichões e mexer com coisas mais profundas em cada leitor.

      O que achei prazeroso mesmo foi me deparar com as frases espirituosas dos personagens de tempos em tempos. :)

      1. De trás para a frente: eu marquei algumas frases espirituosas e claros recados do autor. Legais sim, mas ter que encarar tanta bobagem para se chegar nas pérolas começou a não compensar.

        Risos, eu entendi o que disse, mas acho que o erro do livro também é esse. Observe, é possível mostrar como esses discursos são insuportaveis, sintetizando no estudante e em monologos dele, mas sem expandir pro livro todo. Leitura prazerosa para mim , não é um resumo dos comentários do g1 com uma mensagem oculta. Percebe? Não fiquei incomodado por surpresa que pessoas pensem como o estudante. Ou incomodado pelo discurso. Achei chato mesmo. Se um McOstentação for possuído por Bach vai ser dificil de me ganhar a atenção. Adoro sair do lugar comum, mas ele precisa ser minimamente chamativo. Esse não foi

        1. Ler, eu acho, não é fácil na maioria das vezes… Determinadas leituras exigem mais do leitor em vários graus distintos. Daí que entregar tudo mastigado pode ser uma via e algum autor possa fazer de maneira interessante, mas é raro.

          E qdo vc denota o ‘erro do livro’ eu acabo discordando um tanto, pq o “Reprodução” não é um livro de não-ficção, isto é, qdo um cara, sei lá, coloca um evento fora do contexto ou atribuiu uma citação de uma pessoa a outra etc, isso sim é um erro, mas no caso de uma obra artística, q é justamente o caso desse livro, ele não tem um “erro”, propriamente. Se o autor fizesse de outro modo, seria outra obra, saca? É quase como vc se deparar com um quadro, ou mesmo uma fotografia, e falasse: o cara pintou errado isso aqui ou ele fotografou errado aquilo lá… Se é uma obra artística, não há erro, há um manejo melhor ou pior da linguagem daquela arte da qual o autor se apropria.Tive essa impressão, de q vc não curtiu o manejo da linguagem literária da qual o autor se apropria pra criar o seu trabalho, o livro.

          Entendo perfeitamente o seu comentário, pq, por exemplo, qdo eu li o “Ensaio sobre a cegueira”, do Saramago, o livro só ficou realmente interessante pra mim lá pela metade… E o Saramago tem um estilo muito próprio de escrita, ele não curtia muito os pontos finais, saca? Só q mesmo a parte q não me interessou muito, faz parte da obra e tive q percorrê-la até chegar ao q considerei as melhores partes.

          Se estiver inspirado, dia desses, leia isso aqui: “Memórias do subsolo”, do Dostoievski. Vc já deve ter ouvido falar desse escritor russo, muito provavelmente. É um monólogo tb. Acho q deve ser o monólogo mais famoso da literatura mundial, mas isso estou chutando. :)

          1. Fabio, usei a palavra erro de forma pessoal. Claro que não existe técnica certa ou errada. E experimentos e ensaios são perfeitamente possiveis, alias, devem ser feitos.

            Vc definiu melhor. O manejo da linguagem do qual o autor se apropria. É isso.

            E na minha visão, não é um monologo – coisa que gosto e bem já devo ter visto algumas peças de teatro e livros assim. É beeeeeeeeeeem diferente de Dostoievski, é um monologo de comentarista de g1. Não tenho paciência…

          2. Eu vi uma peça, há algum tempo, era uma encenação do “O estrangeiro”, do Albert Camus (esse livro é muito foda, diga-se). Ela foi transformada num monólogo e foi incrível, cara. O ator era o Guilherme Leme. E agora tá em cartaz, aqui em sp, um outro monólogo, de um livro q comecei a ler, mas como tem mil páginas, tem chão pela frente, “As benevolentes”. Parece q é muito bom tb.

            Mas, cara, longe de mim querer ditar o q vc deve achar do livro, blz? Foi só uma pequena discordância mesmo. Já imaginava q vc levaria numa boa, mas é só pra frisar :)

          3. Claro. Inclusive como comentei sobre a entrevista dele, o assunto acerca da maneira como as pessoas estão se comunicando é interessante mesmo!

        2. Thiago, eu sempre digo a mim mesma: “Não leia os comentários”. (aqui, pode). E sempre me pego dando uma olhada. Leio o título e penso “o que o povo vai falar…”. Quando terminei Reprodução, disse a mim mesma: ENTENDEU AGORA? Tá bom pra essa vida? NÃO LEIA OS COMENTÁRIOS!

        3. Thiago, eu sempre digo a mim mesma: “Não leia os comentários”. (aqui, pode). E sempre me pego dando uma olhada. Leio o título e penso “o que o povo vai falar…”. Quando terminei Reprodução, disse a mim mesma: ENTENDEU AGORA? Tá bom pra essa vida? NÃO LEIA OS COMENTÁRIOS!

          1. Eu consegui me treinar + algumas extensões mataram até o Disqus em alguns sites.

            talvez o que mais me cansou no livro foi o monologo escrito por um comentárista de G1. foi o estilo de narrativa proposto, mas cujo qual, não tenho a menor paciência de encarar.

  5. Desisti. O estilo de escrita somados a apenas 3 capitulos e um ctrl + c e ctrl + v de todo o tipo de abobrinha e verborragias na web tornaram o livro cansativo demais e no meio da correria do dia a dia (e para piorar, esse mês tive um imprevisto bem complicado) a leitura precisa ser minimamente prazerosa. Pode ser dura e de tema complicado, mas o estilo da escrita não pode ser o que ele fez. Complicado …. Pra não verbalizar o que eu pensei

    Quero dizer, teve otimas partes mas elas ficavam escondidas no meio da escrita caótica. No começo inclusive eu tinha a impressão que estava lendo a transcrição de um dialogo por um escrivão daqueles de tribunal. Risos

    No fim dava uma preguiça existencial enorme pegar o Kindle.

  6. “O delegado está pronto para esmurrar o estudante de chinês quando o telefone interrompe a passagem da vontade ao ato.”

    Não sei para vocês, mas para mim ainda não passou a vontade.

    1. Hahaha… Beirava o insuportável mesmo. Aparentemente nada o fazia calar. Talvez entregar uma revista semanal a ele pudesse entretê-lo por alguns instantes.

  7. Como outros aqui, me incomodou o estilo da narrativa. Consegui me acostumar com o tempo, mas era coisa que volta e meia eu pensava. Achei a conclusão da estória interessante e surpreendente. Ingênuo, fui?

    1. Sim, demora um tempinho pra entrar nessa torrente de coisas q o estudante diz sem parar e depois com aquele diálogo imaginado entre delegada e delegado.

      Hum… o final me pareceu tão maluco qto toda a história. Vi coerência aí.

  8. Achei o livro maravilhosamente doído! Havia abandonado a leitura aos 82% mas hoje cedo terminei, não contive a curiosidade. É de estudantes de chinês que a internet está cheia, e eu me senti lendo um interminável comentário do G1. O estilo é doloroso e até engraçado, também. Seria mais fácil se as falas do delegado substituto aparecessem além daquele trecho curto e genial com a delegada, mas o resultado não poderia ser melhor.

    Perfeito!

    1. O G1 reúne a ‘nata’ dos comentaristas :)

      Esse lance de não ter as falas pareceu um pouco aquele programa ‘ensaio’ da tv cultura. Não sei se vc já viu. Um cara faz as perguntas, vc não as ouve, e o artista reponde e muitas vezes ele repete a pergunta. Fica parecendo, as vezes, conversa de doido.

      Não q o estudante do livro seja totalmente doido, mas aquele cara não bate bem da cachola. O problema é q não sei se esse é o caso dos comentarista do G1… se não forem trolls q se multiplicaram como gremilings, estamos perdidos.

  9. Belo Post, Fábio…
    Infelizmente não pude incluir o livro nas minhas leituras a tempo de participar das discussões, mas fiquei com mais vontade de lê-lo. Já acompanhava o Bernardo no blog do IMS há um tempinho, mas nunca li nenhum dos seus livros (uma vergonha, eu sei). Mas enfim, acho que começarei por este. :)

    1. Imagina, cara, não há por que se envergonhar. A obra dele é vasta, o que é ótimo, porque dá muita chances de começar a lê-lo por onde vc achar melhor. Leia sim! É curto, dá pra ler rápido. Ele tem uns textos bons nesse blog. Eu leio e fico pasmo, não sei se ele está inventando ou se ele passa por aquelas coisas mesmo. :)

    2. Imagina, cara, não há por que se envergonhar. A obra dele é vasta, o que é ótimo, porque dá muita chances de começar a lê-lo por onde vc achar melhor. Leia sim! É curto, dá pra ler rápido. Ele tem uns textos bons nesse blog. Eu leio e fico pasmo, não sei se ele está inventando ou se ele passa por aquelas coisas mesmo. :)

      1. Pois é… Tenho a mesma sensação ao ler os posts dele no blog.
        Gostei das dicas de críticas (o livrada é um dos meus blogs literários favoritos) e da contextualização da obra.
        Acompanhando e curtindo esse clube da leitura. Parabéns.

        1. Poxa, cara, descobri o “Livrada!” faz pouco tempo e curti (veja só o termo escapulindo) o autor do blog.

          O Ghedin ainda está vendo se manterá ou não os comentários abertos, quem sabe se ficar aberto, até lá vc pode dizer o q acha do livro se vier a lê-lo.

          Vamos ter mais cinco livros de ficção. O próximo é bem legal tb. Mas vai exigir mais fôlego ;)

          1. Ele tem um canal no youtube tb, tal qual o blog. Vale a pena conferir.

            Blz, vou acompanhando as discussões por aqui.

          2. Ele tem um canal no youtube tb, tal qual o blog. Vale a pena conferir.

            Blz, vou acompanhando as discussões por aqui.

  10. Numa sugestão de leitura aí no post, o texto do Livrada!, o autor da crítica comenta o seguinte: “Um exemplo é o fato dele ficar falando “curti”, como as pessoas fazem o “curtir” no Facebook. Cara, ninguém fala isso na vida real.”

    Também acho que na vida real ninguém fica falando curtir o tempo todo, mas esse curtir do estudante do chinês, a mim, pareceu quase como um cacoete de um usuário compulsivo de internet que tomou pra si o expressões comuns da própria internet.

    Não sei se o Bernardo Carvalho é versado em tecnologia, acho que não, mas ele diz ser viciado em internet, então, ele estava bastante a par do botão curtir disseminado em praticamente todo santo site. Ele, me pareceu, quis tirar uma onda com isso e colocou e materializou o ‘curtir’ dessa forma…

    Faz sentido?

    1. Total! Senti isso também, de que ele trouxe o botão “Curtir” do Facebook para a “vida real”. O que é bizarro. Lembrou-me o famoso Daniel Matos e outros cacoetes “internéticos”, como dizer “LOL” — e isso, por mais zoado que pareça, já ouvi aqui pelos arredores de Maringá:

      https://www.youtube.com/watch?v=yaTJihSLFFc

      Daniel Matos, um personagem, também é meio perturbado, mas de uma forma diferente da apresentada no livro. Ambos são caricaturas que partem de um mesmo “ator social” cada vez mais comum na Internet/na vida.

    2. Eu ouvia antes da popularização do Facebook o “curti”, aqui no Rio não era incomum. Depois, virou vocabulário específico de coisa de internet.
      Porém, já presenciei várias vezes pessoas reproduzindo (oh!) em uma conversa um texto lido online. Ou pior ainda, a pessoa fala sobre uma conversa acalorada que teve no whats, saca o celular do bolso e começa a ler as mensagens em voz alta. É um texto que não pertence nem ao oral nem ao escrito, é um híbrido, e ouvi-lo em voz alta, recitado, me causa agonia.
      Todo o discurso do estudante de Chinês me deu agonia. Acho que foi essa a intenção do curti, bem como o do “copy?”

      1. Isso ficará cada vez mais natural, eu acho, de uma pessoa levar ao conhecimento de todos, algo q viu no whatsapp ou qualquer outro recurso pessoal e individualizado, oralmente. Isso é bem humano e é, talvez, um dos indícios mais fortes da nossa sociabilidade. Se nós saímos de uma cultura oral pra uma cultura escrita (e depois imagética e tb escrita) me parece normal essas idas e vindas, por mais moderna e sofisticada q fiquem as nossas formas de diálogo. Estou só cogitando, mas precisaria ler e pensar mais sobre o assunto, mas é algo promissor de se entender isso q vc comentou.

    1. Nada, nada. Mas posso estar enganado. Sempre achamos que somos melhores do que realmente somos, não é? Está nas revistas, na rede.

      Ao longo da leitura fiquei tentando me perguntar se eu possuía esse tipo de comportamento em algum grau que me lembrasse e não consegui lembrar de situação nenhuma onde me senti como achei que ele tava se sentindo, nem me expressei como ele se expressa.

      Até assumo que tenho um pouco dessa vontade de “ter opinião”, mas acho que a minha maneira de me expressar é bem mais calma, ouvindo todas as partes e sem esses preconceitos todos.

      1. Tendo a crer q temos uma visão pessoal bem condescendente… e como sempre nos comparamos com os outros, pode ser q o nosso referencial influencie muito nesse aspecto. Tb fico muito feliz e satisfeito e não ser um comentarista boçal, mas em q nível o q eu escrevo, mesmo qdo não estou, sei lá, repelindo uma boçalidade alheia, tb não se encaixaria numa forma violenta de se comunicar com os outros? Mesmo achando q faço correto e o q faço direito, estou no mesmo jogo… Apesar da comicidade do estudante de chinês, do ridículo q ele representa, ver gente como ele por aí é meio degradante e não sei se dá pra sair incólume disso depois q espiamos uma caixinha de comentário qualquer… :/

  11. 5. Ler colunistas, blogs, articulistas, cronistas, textos e conversas em redes sociais, com a abundância dos dias de hoje, transforma nossas vidas em que e de que forma?

    1. Vários. Para citar um:

      “A educação no Brasil acabou. Acabou mesmo! O nível está baixíssimo. Não dá para conversar. Não tem interlocutor. Ninguém sabe nada. Tá difícil encontrar gente do meu nível. Sou um cara informado. Pronto, falei.” Presunçoso ao extremo — e ainda fecha com outra gíria de Internet odiosa por escrito, pior ainda falada.

      Mas às vezes, bem esporadicamente, ele diz alguma coisa bem legal. Esta sacada, por exemplo:

      “Quem acha tudo bonito não tem consciência do horror.”

      1. Ahhh, eu devia ter marcado algumas. Teve uma que gargalhei. E o medo dele com as insinuações do delegado quanto à sexualidade? Qualquer coisinha já acabava o pavio. Vejo o estudante como uma pessoa histérica, desesperada em emitir opiniões e “verdades que doem”.

        1. A delegada (no diálogo imaginado pelo estudante) uma hora sugere q o agente/filho vive numa espécie de “consciência paralela” (p. 128). O excesso de opiniões q ele contém, o estudante, dá mesmo essa impressão de q não se sabe ao certo em q mundo ele vive.

      2. Ele é inteligente tb… tem umas sacadas curiosas sobre a vida, apesar das lentes distorcidas q usa.

      3. “Daqui a 20 anos é possível que o que a gente pense não seja nem pensamento. Então, não é melhor parar de pensar logo e começar a orar para que os psicotrópicos – não é assim que você diz? – continuem fazendo efeito?”

        1. Eu não sei se vc leu o “Admirável mundo novo”, mas nesse livro, eles usam uma droga, o SOMA, o tempo todo, pra ficarem tranquilos e apaziguados… Vi uma certa referência a isso, apesar de já não estarmos muito longe de um mundo em q se apela a todo tipo de droga com frequência, de um mundo em q é necessário estar sob o efeito de algo pra suportá-lo. Pesada essa parte da delegada e seus dilemas psicológicos…

    2. O estudante de chinês é um caga-regra, corneteiro, mas tem frases muito boas:

      “Todo povo tenta se achar superior aos outros pra sobreviver à depressão de encarar o que realmente é.”

      “A gente depende da burrice dos outros pra ser inteligente por comparação.”

      1. Sim, caga-regra e violador das próprias regras… Na página 39 ele diz “o racismo é uma merda”, mas ele é racista… apesar de negar dizendo q é “brasileiro”.

        1. Assim como ele se sente ofendido em ser chamado de gay, mas em seguida diz que não ser homofóbico… O “morde-e-assopra preconceituoso” faz parte da característica do personagem.

    3. “Ninguém precisa estar à frente do seu tempo pra dar errado no Brasil. Basta estar no presente.”

    4. Esse trecho dos cachorros é muito insólito!:
      “Começou com um. E dali a pouco já eram dois e depois três e quatro. E, no final, todos os cachorros da aldeia estavam seguindo a minha ex-professora de chinês, pra vingar o cachorro que ela tinha comido no café da manhã. Porque ela exalava o cheiro do amigo deles desaparecido. E, antes que ela pudesse entender o que estava acontecendo, já estava cercada por uma matilha de dezenas de cães que não latiam, não mordiam, não faziam nada além de cheirar e seguir a minha ex-professora até a escola. Todos cheirando a minha ex-professora de chinês. Pra humilhar, claro. Bicho é foda. Opa! Desculpe. Aquela ameaça silenciosa, sabe? Não é pra menos que ela ficou desse jeito, não é? E não é à toa que foi parar na igreja. Por causa dos cachorros, claro. Eu acho que explica. Só pode ser. Que mais?”

    1. Essa foi a maior surpresa (ou o maior choque?) para mim. Parágrafos de dezenas de páginas com apenas um lado de um diálogo, admito, causaram muita estranheza e, em menor grau, alguma dificuldade para manter o fluxo da leitura. E soube de outros leitores (aqui do Manual) que estão engajados no Clube e também tiveram essa dificuldade.

      Uma escolha um tanto… peculiar do autor, não? Nunca tinha lido um livro com essa estrutura narrativa.

      1. O Bernardo Carvalho escreveu uma penca de outros livros… E, pelo que me parece, esse é o único em que ele usa o monólogo (ou monólogos se quisermos crer que existem outras pessoas ali além do estudante) como eixo principal. É o primeiro livro dele q leio.

        Bom, mas parece que essa foi a ideia mesmo pra meio que imitar os dias de hoje, em que ninguém presta atenção no que os outros dizem e há esses “monólogos” (nunca lemos a outra parte, apesar de ser uma conversa, se não por aquele que fala) ao longo da leitura. De fato, é cansativo e exaustivo… Mas há muitas pérolas no meio e, pra mim, que vou lendo e marcando o que me interessa, foi divertido pescá-las. É engraçado o estranhamento, porque deveríamos estar já meio que habituados com esse formato, mas como ele é ficcional, há muito de caricatural ali no meio tb. Afinal, já trombei com pessoas parecidas com o estudante na vida real e nos comentários de sites e elas não são assim…

        Se vc não achou o estilo insuportável, há um outro autor (com temática totalmente distinta dessa) que vai nesse ritmo, mas, digamos, é ainda mais extremo. É o Thomas Benhard. Seu texto se parece com uma música clássica, qdo um tema é retomado várias vezes… O livro “Extinção” é assim, sem respiro, sem parágrafos e vc afunda junto com o narrador em sua história. Lendo o “Reprodução”, lembrei muito do “Extinção”.

        O livro do Bernardo dá margem pra muita coisa e o fato do personagem estar preso (se é que está mesmo, afinal, fiquei com muitas dúvidas sobre a sanidade dele), é um espaço que não cabe muita coisa, se não, monólogos amalucados como esses.

      2. Eu me senti tomando um caixote na praia. Só que eu entendi que era exatamente esse o efeito que o discurso deveria ter. Li em 3 dias e não tive dificuldade em retomar porque o rapaz era meio repetitivo. E a delegada também.

    2. Gostei da história, mas não da forma que ele foi escrito. Explico o porque:

      Costumo ler 1 hora por dia, sendo 30 de manhã e 30 no fim do dia (tempo que levo nas 2 viagens de metrô que faço pro escritório). Abrir o Kindle sabendo que terá 30 minutos pra ler, e o rodapé marcar que falta 1h40 pro término do capítulo é um pouco incômodo.

      Outro ponto negativo pra mim foi a história sendo narrada em forma de parágrafo único, em um monólogo sem “quebras de página”. Como leio de forma pingada, em todas as retomadas tinha que voltar umas 2 páginas pra relembrar onde havia parado.

      Mesmo com estes “senões”, achei a história bem cativante. A cada página que lia ficava mais curioso em saber quem era o boi de piranha da história, de quem era a criança, se haveria futuros reencontros entre os protagonistas e qual a relação do agente com tudo isso.

      1. Roderico, interessante o seu comentário sobre o tempo. Farei uma metáfora boba, mas talvez sirva. Imagine q vc conheceu alguém e se interessou por essa pessoa (em qualquer nível: amizade ou mesmo um relacionamento amoroso). Dificilmente vc poderia manter essa relação de modo tão cronometrado. Se esse foi o caso, do livro ter te interessado, lê-lo é como estar num relacionamento. É só vc e o livro… E se o livro te interessa, vc nem nota o tempo passar. Bom, no seu caso vc nota, por estar em trânsito, mas se vc curtiu a história, asseguro q todo tempo será insuficiente com o livro, porque vc vai querer lê-lo, lê-lô… Até o fim e, provavelmente, vai lastimar qdo a história acabar. Tem gente q retarda a leitura, porque não se quer ver longe dos personagens de um determinada história. Entendo o seu ponto. No seu caso, talvez um livro de contos se encaixe melhor no seu fluxo… Mas ainda assim, há contos q são longos e podem tomar mais q meia hora.

        Esse lance dos parágrafos, acho q foi proposital, pra irritar mesmo :)

        Mas bem legal saber q vc curtiu a história. Ela é bem atípica com todas essas viagens do estudante de chinês.

        1. Eu acabo mantendo, acho interessante pra me guiar na hora de parar… As vezes você tá com sono, mas faltam só 10 ou 15 minutos pra acabar o capítulo, vale o esforço de seguir em frente.

          No livro de papel é fácil avançar algumas páginas e ver quanto falta, depois retornar, no Kindle é mais difícil, então esse é o valor do tempo de de leitura pra mim.

          Mas tento não ficar olhando ou me guiando por ele tempo inteiro, porque ele tem esse efeito mesmo de “nossa, ainda falta muito…”

    3. Indo um pouco além da estrutura do texto, que muita gente aqui já comentou sobre, também achei os discursos bastante repetitivos. Eu sei que é intencional, justamente pra irritar, mas ler pela centésima vez que a Márcia é escrivã, um pouco burra e sai as terças pra estudar foi um pouco incômodo demais! hahaha

      Aproveitando que falei na Márcia, achei interessante ela e a professora serem as únicas com nome no livro. Fiquei imaginando se isso queria passar alguma mensagem que não pesquei.

      1. Apesar q a delegada fala da Márcia com muito desdém. Ela, inclusive, diz não se lembrar do nome dela no começo… Os nomes, de um modo geral, são tratados assim, o estudante de chinês, ao se referir a professora, traduz o nome dela dizendo q significa várias coisas e não se importa muito com isso. Interessante a sua observação. Geralmente o autor não deixa barato e vai dando dicas nesses pequenos detalhes sobre o significado da obra.

      2. Imagine que você é o leitor, você detesta o estudante, detesta a delegada, acha os dois loucos, mas no meio da torrente de preconceitos, um deles você acha dentro de você. E eles repetem, repetem, repetem, repetem… Pois é, de cara eu não gostei da Márcia e depois da milésima grosseria da delegada eu já me sentia um verme.

    4. Primeiro comentário no Manual, a ideia do debate literário chamou minha atenção e inscrevi-me no Disqus. Daí, deixo meu comentário tardio.

      Sobre o estilo do autor, nessa obra, incomodou bastante. O Fábio citou um autor que desconheço, Thomas Benhard. A mim, veio a cabeça o Saramago. Não lembro de monólogo que o portuga tenha escrito, mas, assim como este livro, temos parágrafos sem fim, que duram páginas, e os diálogos ali no meio, sem a marcação da alternância de fala dos personagens. Se der mole, perde-se fácil.

      E aproveitando a deixa do Thiagones mais abaixo, o primeiro capítulo me pareceu um depoimento à PF. Não sei se alguém já viu, mas os que já tive contato são assim – um rol de declarações da testemunha/acusado; as perguntas do policial aparecem em outro termo, antes ou depois das respostas. Portanto, não se trataria de um monólogo, mas sim de um depoimento (ou quase), as intervenções do delegado ficam implícitas nas respostas de nosso herói(?). Mas isso é só uma leitura minha, vai saber.

      1. Daniel, pelo q li e o do próprio autor, considera-se, sim, um monólogo. Como a gente ouve só a voz do estudante… Mas outras interpretação são igualmente possíveis. É um ponto bem interessante o paralelo com um depoimento ou ofício, afinal, ele está detido.

        Comentei sobre o Saramago mais abaixo e ele é outro autor difícil de acompanhar, mas vale a pena. O Thomas Benhard é o pior q já li nesses termos de enxurrada de texto e repetição (as repetições dele são bem mais cansativa, ele chegar a repetir o nome de um personagem ao qual se refere, sei lá, umas 20 vezes na mesma página). Mas o resultado é incrível. Vale muito a leitura…

        E bem legal vc participar por conta desse debate. Afinal, ele segue o espírito do Manual e a proposição é, pela literatura nesse caso, entendermos um pouco melhor o mundo pelo qual nos interessamos tanto, q é o da tecnologia. As falas dos personagens, claro, não refletem a realidade absoluta dos comentários q lemos por aí, mas não ficam longe…

  12. 2. Já tiveram que dialogar com alguém como o estudante de chinês? Ou vocês acham possível existir alguém assim ou apenas num livro?

    1. Evito. Mas observe que o estudante de chinês era um grande catado de todas as abobrinhas que lemos.

      Mas se dividido em 100, é basicamente o que vemos em locais bem piores que minha time line, como comntaristas de portal

    2. Convivo no trabalho. A crítica do livrada reclama que o Estudante é esteriotipado, eu garanto que não é. O repertório da pessoa também é repetitivo, obcecado, contraditório. Ele reúne fragmentos de informações para embasar suas conclusões sobre o que é certo ( ele) e errado (o resto do mundo). É falso. Ele xinga colegas de trabalho pelas costas. E chega que esse comentário tá me dando gastrite.

    3. Enquanto eu lia o livro, não tive como não lembrar da treta envolvendo um típico estudante de chinês, seguidor do youtubber Nando Moura (até então desconhecido por mim), mas trata-se de mais um “conservador” intolerante que persegue o excelente Pirula, também youtubber, pelo fato de ele ser ate, dentre outros preconceitos.
      No vídeo você vê um típico cidadão que consome discurso preconceituoso e de ódio barato na internet e depois quer extrapolar sua indignação, e acaba por tomar uma atitude agressiva, abordando pessoas na rua dessa forma.
      O interessante é que o Pirula foi tão educado com ele que o estudante de chinês percebe que foi vacilo o que ele fez (a namorada dele, inclusive, confessa no vídeo que é fã do Pirula, hahaha).
      Enfim, a treta não parou por aí, mas vale assistir a aula de paciência do Pirula.

      https://www.youtube.com/watch?v=O7wY-63zYow

      1. Puts, e o cara do vídeo falou q fez um vídeo tipo o “Provocações”, do Abu…

        Cara, se alguém me para assim na rua com acusações ou rotulações, o sangue ferve. O Pirula agiu como um monge…

        Mas ver o estudante de chinês na vida real é algo deplorável e embaraçoso na maior parte das vezes.

      2. Puts, e o cara do vídeo falou q fez um vídeo tipo o “Provocações”, do Abu…

        Cara, se alguém me para assim na rua com acusações ou rotulações, o sangue ferve. O Pirula agiu como um monge…

        Mas ver o estudante de chinês na vida real é algo deplorável e embaraçoso na maior parte das vezes.

      3. Ah… já vi uns vídeos desse Nando. Puts, se ele falasse comigo como faz nos vídeos, o sangue ia ferver, provavelmente. Esses caras são loucos, qualquer hora vão mexer com um pavio curto e podem criar uma baita confusão.

  13. Caros, apenas pra começar a discussão, proponho algumas questões, divididas em comentários diferentes. Comecem pelo que achar mais interessante. Não há a obrigatoriedade de responder todas e vocês podem elaborar questões ou comentários/observações que também não resultem em questões. Como disse o Ghedin sobre o Clube de Livros, é o mesmo esquema do post-livre. :)

    1. Já de cara, vocês gostaram do livro?

    1. Curti.

      No começo estava bem esquisito até eu entender o que tava acontecendo. Fui achando graça do discurso e da maneira de se expressar do estudante de chinês. Até criei uma certa simpatia por ele.

      Quando passaram as primeiras páginas e o monólogo não acabava fiquei intrigado. Pensei: “não é possível que vai ser o livro todo desse jeito.” No final do primeiro capítulo respirei aliviado: “agora vai!” E, pra minha surpresa, um novo monólogo de uma maneira inesperada!

      Me interessei muito pela história do delegado. No fim das contas, acabei me identificando mais com o personagem dele, jogado ali naquele ninho de loucos.

      A leitura é bem puxada, mas o final compensa o esforço e algumas ideias que estão ali no meio fazem valer bastante a pena. Fiquei inclusive pensando que é uma história que poderia funcionar muito bem no cinema, com um orçamento bem baixo: uma locação e 4 ou 5 atores.

      A quem não leu, fica uma dica: Leia. Leia.

      1. Confesso q tb fiquei exasperado com o discurso interminável dos personagens e essa espiral quase sem fim de respostas sem sentido, mescladas com conhecimento duvidoso e uma chuva de clichês me fizeram ficar bem aliviado qdo me esquivo de ler comentários em certos sites… porque isso seria entrar numa espiral dessas, de verdade, mas sem nenhum valor literário, ou seja, um tempo desperdiçado.

      2. Passei pelo mesmo sentimento de esperança num fim do monólogo. Quando acabou o primeiro e comecei o segundo, tive esperança de que o terceiro não fosse assim. Quando vi que o terceiro também era, larguei. Hoje cedo peguei o livro de novo e terminei na curiosidade hahahah.

    2. Gostei muito. Não tive problema coma retomada da leitura porque não tinha um fio condutor pra recuperar, nem o discurso fazia sentido. No fim, quando o autor ofereceu uma tentativa de explicação, de volta à lógica, a coisa ficou mais louca ainda. Genial :)

    3. Gostei da trama, mas cansei da linguagem utilizada. A forma que autor utilizou pra que tivéssemos ideia das perguntas feitas ao estudante de chinês deixou a leitura bem massante, porque ele praticamente repetia as perguntas feitas a todo momento no seu monólogo. Talvez esse sentimento de cansaço, e até de uma certa claustrofobia, foi proposital do autor.

      1. Me pareceu mesmo proposital e eu tb achei cansativo, mas valeu muito, porque esse tipo de situação tragicômica é bem improvável no mundo real, eu acho. A trama é amalucada, mas mesmo assim interessante de ver o q acontece. É um livro difícil de gostar, porque, me parece, não é pra ser gostado mesmo.

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