Pessoa de sexo não identificado, com cabelo roxo e pele azul, segurando uma xícara de café com vários ícones em alusão ao Manual do Usuário na fumaça e um celular na outra mão. Embaixo, o texto: “Apoie o Manual pelo preço de um cafezinho”.

A cultura pop virou um oligopólio

A cultura pop virou um oligopólio [em inglês], por Adam Mastroianni na newsletter Experimental History:

Sou inerentemente cético em relação a grandes alegações a respeito de mudanças históricas. Publiquei recentemente um artigo mostrando que as pessoas superestimam o quanto a opinião pública mudou nos últimos 50 anos, por isso, naturalmente, estou atento a vieses similares aqui. Mas esta mudança não é ilusória. É grande, está acontecendo há décadas e em todos os lugares que se olha. Portanto, vamos ao fundo da questão.

[…]

O problema não é que a média tenha diminuído. O problema é que a diversidade diminuiu. Filmes, TV, música, livros e video games deveriam expandir a nossa consciência, levar a nossa imaginação a dar saltos e nos introduzir a novos mundos, histórias e sentimentos. Deveriam nos alienar às vezes, ou nos irritar, ou nos fazer pensar. Mas não são capazes de nada disso se apenas nos alimentam de sequências e “spinoffs”. É como comer miojo toda noites, para sempre: pode ser confortável, mas uma hora ou outra você ficará desnutrido(a).

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8 comentários

  1. Ok, li agora o texto original e entendi o ponto. Pelo trecho publicado aqui tinha entendido que o autor estava saudoso dos “velhos tempos” quando a cultura pop era mais heterogênia mas muito menor também.

    Entendi que o texto é um apelo aos consumidores para tentarem diversificar seus gostos e não necessariamente contra a criação dos blockbusters.

  2. Sei lá, não concordo muito. Acho que a quantidade e qualidade de produções independentes nunca foi tão grande.

    1. Pelo que entendi (li por cima pois não muito bom em inglês sou), apesar do número de produções independentes ser alto, o local onde ver ou a atenção dada acaba sendo para poucos. Ainda falamos de 007, Star Wars, produções de marcas já estabelecidas há quase 100 anos em breve. Disney , Sony, Warner, etc… todos com seus subconglomerados e narrativas de venda que já vem a meio século.

      Vide o Brasil: apesar de hoje a gente já ver o Irmão do Jorel como uma produção nova, ela é uma das poucas que despontam no meio da Turma da Mônica por exemplo. Ou da Galinha Pintadinha.

      De games: por mais que tenham games indies legais, o foco fica mais em jogos coletivos online tipo Overwatch, Counter Strike (que já tem 20 anos de idade salvo engano), etc…

      1. Eu entendo que pra achar a novidade a pessoa acabe tendo que garimpar mais, enquanto o “mais do mesmo” é esfregado na nossa cara o tempo todo, mas não entendo isso como um problema. Talvez no máximo como um sintoma das leis de direitos autorais praticamente ilimitadas.

    2. O autor do texto concorda com você. E aponta essa variedade como um dos fatores que levam à concentração da nossa atenção em fórmulas prontas. Ele cita isso em dois momentos:

      Software and the internet have made it easier than ever to create and publish content. Most of the stuff that random amateurs make is crap and nobody looks at it, but a tiny proportion gets really successful. This might make media giants choose to produce and promote stuff that independent weirdos never could, like an Avengers movie. This can’t explain why oligopolization started decades ago — YouTube only launched in 2005, for example, and most Americans didn’t have broadband until 2007 — but it might explain why it’s accelerated and stuck around.

      E:

      Another way to think about it: more opportunities means higher opportunity costs, which could lead to lower risk tolerance. When the only way to watch a movie is to go pick one of the seven playing at your local AMC, you might take a chance on something new. But when you’ve got a million movies to pick from, picking a safe, familiar option seems more sensible than gambling on an original.

      O problema que ele aponta não é de variedade de oferta, mas de domínio da atenção.

      1. Olha.
        Entendo, e provavelmente pelo autor ter tido uma reflexão mais profunda sobre o tema ele esteja certo.
        No entanto, dou meu depoimento anedótico.
        Quando eu locava VHS, eu escolhia com base nos autores conhecidos (o que implicava em produtoras conhecidas, com regras definidas para seus diretores). Hoje em dia, tem muito ator novo na jogada. Muito diretor novo. Muita coisa nova que a Netflix só gasta a grana lá no fim pra jogar pra dentro da plataforma. Liberdade de criação total.
        Acho que nunca estivemos tão livres das produtoras tradicionais como hoje em dia.
        Não há dúvidas que as grandes franquias estão fazendo cada vez mais grana, mas qual seria a evidência de que isso está ocorrendo em detrimento dos demais?

      2. Admito que não li o texto original, mas aparentemente eu e o autor chegamos a conclusões diferentes com as mesmas hipóteses. No exemplo dele, eu só poderia escolher um dentre os 7 filmes que meu cinema local escolheu, enquanto hoje eu posso assistir basicamente tudo. Se eu vou ter paciência pra procurar coisa diferente ou não depende muito mais de mim do que das corporações.

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