Tudo que você precisa saber do bloqueador de anúncios nativo do Chrome [atualizada]

Telas do bloqueador de anúncios do Chrome cobertas pelo logo do navegador.

A partir desta quinta-feira (15), o Chrome passará a bloquear anúncios intrusivos no desktop e em dispositivos móveis. Preparei um guia no formato de perguntas e respostas sobre essa importante mudança.

É verdade que o Chrome bloqueará anúncios nativamente?
Sim.

Não precisa de extensão?
Não, nada. O recurso, inclusive, virá ativado por padrão.

Por que não ele ainda não apareceu no meu Chrome? nova!
Por ora, o bloqueador só vale para Canadá, Estados Unidos e Europa. Ainda não há previsão para ele ser disponibilizado no Brasil.

Por que isso é importante?
Porque o Chrome é o navegador web mais usado do mundo. Em desktops, ele responde por 60% do mercado. Em dispositivos móveis, é o padrão do Android, sistema presente na grande fatia dos smartphones em uso hoje.

Sites que dependem de publicidade para pagarem as contas podem ter problemas sérios se seus anúncios forem bloqueados no navegador web mais popular. E, embora as extensões do tipo “adblock” sejam muito populares na Ásia, no ocidente e, especialmente no Brasil, elas ainda são usadas por uma parcela pequena, do tipo que não chega a afetar significativamente esses negócios.

Todos os anúncios serão bloqueados pelo Chrome?
Não, apenas anúncios considerados irritantes pela Coalition for Better Ads, um grupo de empresas de publicidade, da qual o Google faz parte.

O que são anúncios irritantes?
São oito tipos de anúncios (ou 12, dependendo de como é feita a contagem), sendo quatro exclusivos para dispositivos móveis. Entre os que valem tanto para desktop quanto para smartphones e tablets, temos:

  • Pop-ups;
  • Anúncios que se sobrepõem à página e exibem um contador;
  • Vídeos que tocam sozinhos com som;
  • Elementos fixos e grandes na página (você rola e eles seguem a rolagem).

No smartphone, as regras são ainda mais rígidas. Além dos quatro tipos acima, também são considerados irritantes os anúncios que:

  • Ocupam mais de 30% da tela;
  • Contenham animações piscantes;
  • Cobrem toda a tela sem um contador;
  • Trazem uma camada de rolagem sobre o conteúdo da página.

Esta imagem ajuda a entender melhor:

Os oito tipos de anúncios irritantes, segundo o Google.
Tipos de anúncios irritantes. Imagem: Coalition for Better Ads/Divulgação.

Quem definiu esses anúncios?
A Coalition for Better Ads conduziu uma pesquisa com 40 mil pessoas na América do Norte e Europa. A elas, foram exibidos 55 tipos de anúncios para desktops e 49 para dispositivos móveis. Os pesquisadores, então, perguntavam quais tipos eram os mais incômodos. A lista acima é o resultado desse esforço. A pesquisa pode ser consultada aqui (em inglês).

Analistas e empresas rivais do Google acusam a empresa de enviesar a pesquisa. Ao Wall Street Journal, Ryan McConville, CEO da startup de publicidade Kargo, reclamou que “[O Google] Criou um padrão que se aplica a eles”.

A reportagem também cita empresas integrantes da Coalition for Better Ads que fizeram lobby para excluir suas peças do bloqueio — mesmo as que se enquadram nos conceitos definidos como irritantes, caso dos vídeos com som do Facebook e de pop-up da Bounce Exchange. O próprio Google tem algo do tipo: os anúncios que precedem vídeos do YouTube e são executados com áudio.

Como é feita a verificação dos sites?
O Google analisa um conjunto de páginas de cada site e, em seguida, confere um de três status possíveis: Aprovado, Alerta e Reprovado. Cabe aos donos dos sites alertados e reprovados fazerem os reparos corretos e submetê-los novamente à avaliação, através do Search Console do Google.

Este vídeo explica (em inglês):

E isso funciona?
O Google diz que sim. Segundo a empresa, que fez um trabalho junto aos sites a fim de minimizar o impacto da medida, até o dia 12 de fevereiro, 42% dos sites reprovados corrigiram os problemas e, segundo a Axios, dos 100 mil sites analisados, apenas 0,9% caíram nessa classificação.

Apenas os anúncios intrusivos são bloqueados?
Não. Se um site contém um anúncio que se encaixa nas definições dos proibidos pelo Google, todos os demais da página são bloqueados — até mesmo os do próprio Google, via AdSense, caso estejam presentes. Todo site tem 30 dias, após a notificação do Google, para se adequar.

Posso ver anúncios em um site que tem eles bloqueados pelo Chrome?
Sim. Quando você entrar em um site com anúncios bloqueados pelo Chrome, um pop-up surgirá para informá-lo disso e oferecer uma exceção à regra. Assim:

Pop-up que denuncia anúncios bloqueados no Chrome para Android.
Pop-up de anúncios bloqueados no Chrome mobile. Imagem: Google/Divulgação.

Vamos ao que importa: esse bloqueador de anúncios embutido do Chrome é bom?
É cedo para dizer, mas tudo indica que ele será minimamente bom. Ele certamente oferecerá uma navegação mais limpa e agradável na web, já que ataca os tipos mais irritantes de anúncios. Então, sim, será uma melhoria.

É o melhor? Ou aquelas extensões ainda são mais eficientes?
Depende do que se espera de um bloqueador de anúncios. O do Chrome fica só na superfície: além de não eliminar todos os anúncios — os considerados aceitáveis pela Coalition for Better Ads são exibidos normalmente —, ele não afeta as dezenas, às vezes centenas de scripts de monitoramento e criação de perfis de consumo que costumam acompanhar anúncios e são usados para segmentar a publicidade.

Esses scripts, que estão presentes na maioria dos sites, ainda têm outros efeitos colaterais que prejudicam a experiência: aumentam o tamanho das páginas e, consequentemente, consomem mais dados do usuário e demoram mais para carregarem.

Então, se a sua preocupação vai além da superfície e recai na privacidade e/ou em desempenho, o bloqueador de anúncios do Chrome é quase irrelevante.

O motivo para o Chrome ignorar esse aspecto do problema é óbvio: o Google é uma das que praticam esse monitoramento dos usuários num nível bastante avançado, e, mais importante que isso, é a maior empresa de publicidade digital do planeta.

Esperar que a solução para o problema da falta de privacidade intrínseco à publicidade online venha do Google é mais ou menos o equivalente a querer que a Philip Morris faça campanha contra o tabagismo ou que o Facebook resolva a questão da disseminação de notícias falsas — duas coisas que, apesar de dizerem que acontecem, são verdadeiros paradoxos.


Se ficou alguma dúvida, escreva aí nos comentários e tentarei respondê-la. Você também pode consultar as fontes que usei para compilar essas perguntas e respostas: Coalition for Better Ads; blog do Chromium; NiemanLab.

Matéria atualizada às 12h10 do dia 15/2, com a pergunta sobre a abrangência geográfica do recurso.

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10 comentários

  1. Uso esses bloqueadores principalmente por causa de ads como o taboola e similares que infestam os conteúdos dos sites, misturando assuntos sérios com matérias sensacionalistas, fake news, pseudo-ciência, etc. e, ao que me parece, continuarão na ativa no navegador da Google.

  2. ” a Philip Morris faça campanha contra o tabagismo” – Engraçado que li um dia desses, não me lembro onde, que um executivo da Philip Morris disse que a empresa tem planos de deixar de fabricar cigarros. Sinceramente não acredito que seja pelos malefícios mas porque as pessoas estão ficando mais conscientes acerca do problema e, a longo prazo, o principal produto deles não vai vender tão bem assim.

    Enfim, nada muito relacionado com a matéria, mas me lembrei dessa curiosidade ao ler esse trecho.

  3. O quê está irritante é essa banner pedindo a assinante da Gazeta já devidamente “logado” pedindo para assinar a Gazeta por R$0,99. Se o cara já é assinante vocês não conseguem fazer uma regra para isso parar?

  4. Engraçado mesmo tá o Opera mobile: ele bloqueia os anúncios alheios, mas entre uma aba e outra, mostra os anúncios da própria empresa. Ou seja, é como se eles dissessem: “vamos bloquear os anúncios, mas em troca disso vc precisa ver os nossos”. Por outro lado, o Opera desktop faz um trabalho exemplar.
    Quanto ao Chrome, daqui a pouco surge uma denúncia dizendo que o Chrome favorece determinadas publicidades em detrimento de outras, mesmo que ambas estejam de acordo com as normas. Podem anotar e me cobrar depois.

  5. Antes tarde do que nunca, né!?
    Se essa atualização tivesse acontecido há meses atrás, eu já estaria muito ansioso por ela, mas desde que passei a usar o navegador Samsung Internet justamente por ter Adblock, e outras ferramentas úteis também, nunca mais me interessei em usar o Chrome no Android. Era muito irritante entrar em sites com pop-ups, banners gigantes e aqueles malditos vídeos propaganda com áudio, me desmotivava bastante a usar o Chrome.
    Parabéns pelo artigo Ghedin, gostei bastante desse formato de perguntas e respostas, foi muito esclarecedor.

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