Fundo azul, com uma chamada para um PlayStation 5 no centro. À esquerda, a frase “Ofertas de verdade, lojas seguras e os melhores preços da internet.” À direita, “Baixe o app do Promobit”.

Plataformas de internet estão destruindo a democracia, diz Nobel da Paz

Plataformas de internet estão destruindo a democracia, diz Nobel da Paz, por Patrícia Campos Mello na Folha de S.Paulo:

Líderes que usam as redes sociais como armas — como Narendra Modi, na Índia, Viktor Orban na Hungria, que também faz aparelhamento da mídia tradicional, e Rodrigo Duterte — todos foram reeleitos ou conseguiram eleger o sucessor. O que isso significa? O que funciona contra essas operações de informação?

Maria Ressa: Neste exato momento, estamos impotentes. No longo prazo, é preciso educação. No médio prazo, é legislação. E, no curto prazo, é preciso ação coletiva. Precisa ser uma abordagem de toda a sociedade para tentar redefinir o que significa engajamento cívico hoje. Foi o que tentamos fazer para nossas eleições em maio. É o que Brasil vai precisar fazer para as eleições de vocês.

É preciso perguntar se as pessoas realmente querem viver num mundo onde se pode manipular todas as pessoas ou onde a democracia é destruída e não vivemos numa realidade compartilhada. Estamos em 2022 e a situação está piorando. Eu estou apostando minha liberdade nisso, na ideia de que podemos fazer alguma coisa.

Como a internet nos transformou em máquinas de conteúdo

Como a internet nos transformou em máquinas de conteúdo (em inglês), por Kyle Chayka na New Yorker:

A dinâmica que [Kate] Eichhorn descreve é familiar a qualquer pessoa que use redes sociais com qualquer regularidade. Ela não rompe com a nossa compreensão da internet tanto quanto esclarece, em termos eloquentemente diretos, como ela criou uma corrida brutal ao fundo do poço. Sabemos que o que publicamos e consumimos nos meios de comunicação social parece cada vez mais vazio, e mesmo assim somos impotentes para interromper isso. Talvez se tivéssemos uma linguagem melhor para o problema, seria mais fácil resolvê-lo. “Conteúdo gera conteúdo”, escreve Eichhorn. Tal como com o ovo do Instagram, a melhor maneira de obter mais capital de conteúdo é já tê-lo.

Fundadores do Substack mergulham de cabeça na guerra cultural

“É preciso haver um limite”: Fundadores do Substack mergulham de cabeça na guerra cultural (em inglês), por Joe Pompeo na Variety:

No post inaugural do Substack, de 17 de julho de 2017, explicando uma visão em que “publicações de notícias e conteúdos similares podem ser lucrativos com pagamentos diretos dos leitores”, Best e McKenzie [co-fundadores do Substack] evocaram a estreia em 1833 do New York Sun de Benjamin Day, que introduziu o modelo sustentado por anúncios à imprensa combinando circulação em massa e um preço baixíssimo. “Benjamin Day alterou radicalmente o futuro do jornalismo com um ajuste no seu modelo de financiamento”, escreveram Best e McKenzie. “Quase dois séculos depois, a indústria jornalística está pronta para outra reinvenção.”

Até certo ponto, o Substack cumpriu essa promessa, pelo menos para um grupo privilegiado de usuários com bases de seguidores substanciais. O serviço se tornou um paraíso para escritores que descobrem, por um motivo ou outro, que os meios de comunicação tradicionais já não funcionam para eles. O Substack nunca poderá oferecer o profundo apoio institucional e a musculatura editorial que vêm com o trabalho num local como o New York Times. Mas é capaz de prestar assistência limitada em apoio de edição, jurídico, em design, bancos de imagens e plano de saúde, sem falar em recursos de bastidores como um sistema de gestão de conteúdos e apoio técnico.

Uber e Lyft, sem ideias, aumentam preços desesperadamente em busca de lucro

Uber e Lyft, sem ideias, aumentam preços desesperadamente em busca de lucro (em inglês), por Aaron Gordon na Vice:

Desde que foram fundadas em 2009 e 2012, Uber e Lyft levantaram mais de US$ 30 bilhões de dólares em financiamento privado, de acordo com o Crunchbase. Mesmo com essa montanha de dinheiro, nenhuma das duas empresas conseguiu apresentar lucro real e consistente, apenas lucros “ajustados” que excluem um punhado de despesas reais que elas têm, como impostos e pagamentos de juros. E isso quando os cenários econômico e trabalhista mais amplos tornavam mais fácil a lucratividade com [o negócio de] táxis do que hoje.

O app que busca uma fórmula mais justa para os entregadores

O app que busca uma fórmula mais justa para os entregadores, por Débora Sögur-Hous no Reset:

O volume ainda é pequeno, mas alguns dos pedidos que ele [João, entregador] transporta chegam pelo AppJusto, aplicativo que atua em São Paulo capital e que pretende fazer o que diz no nome: estabelecer uma relação mais justa entre a comodidade para os clientes, as oportunidades de venda para os restaurantes e a remuneração dos entregadores.

O ponto de partida do serviço foram as demandas feitas nos “breques dos apps”, como ficaram conhecidas as greves dos trabalhadores de aplicativo. Para integrar a rede do AppJusto, eles precisam estar formalizados como MEI (microempreendedor individual), o que garante a seguridade social oferecida pelo governo.

Além disso, o aplicativo tem uma parceria com a seguradora Iza contra acidentes pessoais e, como medida de transparência, faz os pagamentos aos entregadores em uma plataforma separada, a Iugu, para demonstrar ao cliente que a taxa de entrega fica toda com o motoboy.

Os entregadores recebem R$ 10 fixos por pedido entregue, mais R$ 2 por quilômetro rodado acima de 5 km. Isso representa um valor médio de R$ 11,56 por corrida.

Compartilhamento de dados do Google é assustador

Compartilhamento de dados do Google é assustador, por Parmy Olson na Bloomberg Línea:

Cada vez que você abre um aplicativo em seu telefone ou navega na web, um leilão pela sua atenção acontece nos bastidores, graças a um próspero mercado de dados pessoais. O tamanho desse mercado sempre foi difícil de definir, mas um novo relatório do Conselho Irlandês para as Liberdades Civis, que faz campanha agressiva há anos nos Estados Unidos e na Europa para limitar o comércio de dados digitais, agora trouxe um número. O relatório, que o conselho compartilhou com a Bloomberg Opinion, afirma que as plataformas de anúncios transmitem os dados de localização e os hábitos de navegação de americanos e europeus cerca de 178 trilhões de vezes por ano. De acordo com o relatório, o Google transmite o mesmo tipo de dados mais de 70 bilhões de vezes por dia em ambas as regiões.

É difícil para os humanos visualizarem esses números, mesmo que as máquinas os calculem confortavelmente todos os dias – mas se o uso de nossos dados pessoais pudesse ser visto da mesma forma que a poluição, estaríamos cercados por uma névoa quase impenetrável que fica mais espessa à medida que interagimos com nossos telefones. Quantificando de outra maneira: por meio de atividade online e dados de localização, uma pessoa nos EUA é exposta 747 vezes por dia a anúncios em tempo real, de acordo com os dados. O conselho diz que sua fonte não identificada tem acesso especial a um gerente de uma campanha publicitária realizada pelo Google (esse número não inclui dados pessoais transmitidos pelo Facebook da Meta Platform (FB) ou pelas redes de anúncios da Amazon (AMZN), o que significa que a verdadeira medida de todos os dados de transmissão é provavelmente muito maior).

Bolhas de tecnologia estão estourando em todos os lugares

Bolhas de tecnologia estão estourando em todos os lugares (em inglês), Na The Economist:

Um passatempo favorito no Vale do Silício, atrás apenas de inventar a próxima tendência, é detectar bolhas. Mesmo “insiders” da indústria tendem a dar opiniões espetacularmente erradas. “Você verá alguns unicórnios mortos este ano”, previu Bill Gurley, um conhecido capitalista de risco, em 2015, o ano em que a incubação dessas startups que valem mais de US$ 1 bilhão realmente disparou.

O jogo ficou muito mais fácil: o barulho de bolhas estourando pode ser ouvido em todos os lugares. Ações de tecnologia, ofertas iniciais públicas de ações (IPOs), empresas de cheques em branco (conhecidas como SPACs), “valuations” de startups e até criptomoedas: todos esses ativos que alcançaram altas estonteantes nos últimos anos estão voltando à terra. É difícil dizem quão barulhento será o estouro — e quais podem inflar novamente.

Filtros de selfie que afinam nariz e rosto incentivam racismo e cirurgias plásticas entre jovens

Filtros de selfie que afinam nariz e rosto incentivam racismo e cirurgias plásticas entre jovens, por Fabiana Moraes no The Intercept Brasil:

O uso hard dos filtros que promovem uma espécie de “harmonização facial” (outro fenômeno nacional relacionado às redes sociais) foi barrado pelo Instagram/Facebook em 2019: ali, a empresa divulgou um comunicado informando que iria retirar do Spark AR os filtros associados à cirurgia plástica e, a partir de uma nova política de responsabilidade, novos filtros do gênero iriam passar por uma revisão mais apurada até serem aprovados. Isso porque os relatos sobre a relação entre redes sociais e dismorfia corporal (também casos de suicídios) aumentaram consideravelmente – e isso já antes da pandemia, quando olhar para nós mesmas nas telas se tornou mais comum.

Algumas pesquisas evidenciam esse fenômeno: um estudo realizado entre cirurgiões da Academia Americana de Plástica Facial e Cirurgia Reconstrutiva (AAFPRS, na sigla em inglês) mostrou que, em 2019, 72% deles foram procurados por pacientes que queriam realizar procedimentos para ter uma melhor aparência em selfies, um aumento de 15% em relação à pesquisa feita em 2018. Para se ter ideia da explosão, apenas 13% das pessoas apresentaram a mesma motivação em 2013.

Mas a retirada dos filtros de cirurgia plástica não mudou tanta coisa lá pelos Stories da vida: é possível encontrar diversos vídeos com dicas sobre como driblar os impedimentos do Instagram, como vemos no vídeo do canal de Larissa Rodrigues “como criar filtro de plástica (deformações) QUE APROVA pra instagram story Spark Ar”. Alguns destes criadores possuem enorme relevância na criação de realidades aumentadas, a exemplo de Jeferson Araujo, com 954 mil seguidores no Instagram e que, no ano passado, desenvolveu o filtro Cruella. O trabalho foi um sucesso e chamou atenção da Disney, que comprou o filtro na ocasião do lançamento do filme homônimo. Hoje dedicando-se mais aos filtros artísticos e/ou de humor (como o ótimo Rampage, que tatua o corpo e rosto de quem o usa), Jeferson também produzia tutoriais de cirurgia plástica: em um divulgado em 2019, ele segue a cartilha padrão e ensina os usuários a afinar o nariz. Durante a pandemia, a rinoplastia superou a lipoaspiração entre os procedimentos mais procurados. Em um país de maioria negra, no qual um fenótipo (características observáveis) muito comum é o de pessoas com narizes arredondados ou chatos, esse fenômeno é bastante revelador. Me parece que passa não somente por questões da dismorfia, mas da própria autonegação.

Como Juliette chegou ao 1º lugar no iTunes em 63 países graças a plano de fãs e doações via Pix

Como Juliette chegou ao 1º lugar no iTunes em 63 países graças a plano de fãs e doações via Pix, por Braulio Lorentz no G1:

O G1 conversou com a equipe do Juliette Charts, o principal perfil responsável pelas ações que levam músicas da cantora ao topo do iTunes.

No Twitter e no Instagram, eles pedem doações por Pix e fãs da cantora enviam entre R$ 1 e R$ 10. Toda quantia arrecada, cerca de R$ 3 mil para cada música escolhida, é transferida para pessoas que vivem fora do Brasil, membros de fã-clubes parceiros ou fãs da própria Juliette.

Fascinante.

Diz a Lei de Goodhart: “Quando uma medida torna-se uma meta, ela deixa de ser uma boa medida.”

A cultura pop virou um oligopólio

A cultura pop virou um oligopólio [em inglês], por Adam Mastroianni na newsletter Experimental History:

Sou inerentemente cético em relação a grandes alegações a respeito de mudanças históricas. Publiquei recentemente um artigo mostrando que as pessoas superestimam o quanto a opinião pública mudou nos últimos 50 anos, por isso, naturalmente, estou atento a vieses similares aqui. Mas esta mudança não é ilusória. É grande, está acontecendo há décadas e em todos os lugares que se olha. Portanto, vamos ao fundo da questão.

[…]

O problema não é que a média tenha diminuído. O problema é que a diversidade diminuiu. Filmes, TV, música, livros e video games deveriam expandir a nossa consciência, levar a nossa imaginação a dar saltos e nos introduzir a novos mundos, histórias e sentimentos. Deveriam nos alienar às vezes, ou nos irritar, ou nos fazer pensar. Mas não são capazes de nada disso se apenas nos alimentam de sequências e “spinoffs”. É como comer miojo toda noites, para sempre: pode ser confortável, mas uma hora ou outra você ficará desnutrido(a).

Como aumentar vida útil das roupas e ajudar a salvar o planeta

Como aumentar vida útil das roupas e ajudar a salvar o planeta, por Bel Jacobs na BBC News:

[…] Está ficando cada vez mais difícil ignorar os prejuízos sociais e ambientais causados pela fabricação de roupas.

As taxas de consumo de recursos naturais são estratosféricas, sem falar na poluição e nos níveis de resíduos, enquanto as cadeias de fornecimento globais são marcadas pela exploração. E o setor é ainda responsável por uma parcela que varia de 2 a 8% do total das emissões globais de gases do efeito estufa, dependendo do estudo consultado.

São fatos impressionantes, considerando que, até certo ponto, trata-se de uma indústria de produtos não essenciais. Muito poucas pessoas nas capitais consumidoras de moda ao redor do mundo realmente precisam de mais roupas. Mesmo assim, são produzidas cerca de 80 a 100 bilhões de peças de roupa por ano – e esta estimativa é conservadora.

Como a Uber se blinda na justiça contra vínculo trabalhista de motoristas

Como a Uber se blinda na justiça contra vínculo trabalhista de motoristas, por Paulo Victor Ribeiro no The Intercept:

Com uso de jurimetria, uma sofisticada análise de dados de tribunais do trabalho brasileiros, a Uber criou uma estratégia para evitar perder processos de motoristas. O método utilizado é complexo, mas a ideia é simples. Ainda não existe uma decisão consolidada sobre o vínculo de trabalho entre motoristas e aplicativos de transporte, abrindo espaço para interpretações dos magistrados, que recorrem às decisões judiciais anteriores para balizar sua decisão atual. Isto é: na hora de julgar um processo do tipo, o responsável olha o que outros juízes na mesma situação fizeram. Isso não determina sua escolha, mas serve como um parâmetro. A Uber, então, analisa a propensão de um determinado magistrado ou tribunal específico julgar casos em favor do motorista – e não da empresa.

Se existe chance de a empresa perder, um acordo é oferecido ao motorista, evitando o registro de uma derrota no tribunal. Se a possibilidade maior é de a plataforma sair vitoriosa, a empresa não se mexe e espera o julgamento. Com isso, sentenças contrárias ao reconhecimento de vínculo de trabalho são sempre registradas, enquanto possíveis sentenças a favor do vínculo são antecipadas por um acordo, evitando a formação de jurisprudência.

O futuro da web é texto de marketing criado por algoritmos

O futuro da web é texto de marketing criado por algoritmos (em inglês), por Tom Simonite na Wired:

A Jasper também pode gerar conteúdo ideal para anúncios no Facebook, e-mails de marketing e descrições de produtos. Ela faz parte de um grupo de startups que adaptaram uma tecnologia de geração de texto conhecida como GPT-3, da empresa de inteligência artificial OpenAI, para satisfazer uma das demandas mais antigas da internet — criar texto de marketing que gere cliques e apareça na primeira página do Google.

A criação de textos de marketing provou-se um dos primeiros casos de uso em larga escala da tecnologia de geração de textos, que deu um salto em 2020 quando a OpenAI anunciou a versão comercial do GPT-3. Só a Jasper afirma ter mais de 55 mil assinantes pagantes, e a OpenAI diz que um concorrente tem mais de 1 milhão de usuários. A Wired contou 14 empresas que oferecem abertamente ferramentas de marketing que podem gerar conteúdos como posts em blogs, manchetes e comunicados de imprensa usando a tecnologia da OpenAI. Seus usuários falam da escrita potencializada pelo algoritmo como se ela fosse se tornar tão ubíqua quanto a verificação ortográfica automática.

“Sou um péssimo escritor e isso facilita muito criar conteúdos relevantes para o Google”, diz Chris Chen, fundador da Instapainting, que usa uma rede de artistas para transformar fotografias em pinturas de baixo custo.

Brasileiros usam “carteiraço da LGPD” para dar o troco em spam no WhatsApp

Brasileiros usam “carteiraço da LGPD” para dar o troco em spam no WhatsApp, por Gabriel Daros no Uol Tilt:

O programador porto-alegrense Fernando Dandrea, de 29 anos, não tem ideia de como seus dados foram parar na mão da imobiliária Urban Company. Mas, quando recebeu a mensagem de um vendedor no WhatsApp, ele sabia exatamente como reagir. Exigiu ser informado quem havia autorizado aquele contato. E arrematou: “Solicito saber nos termos da Lei 13.709, LGPD: como obtiveram os dados e quais são eles?”

O vendedor até tentou contornar, com respostas vagas, mas acabou pedindo desculpas e desaparecendo.

[…]

No artigo 18, a LGPD diz que o titular dos dados poderá a qualquer momento solicitar a eliminação dos dados pessoais coletados, mesmo que a coleta tenha sido feita com consentimento.

Segundo Bruno Bioni, diretor do Data Privacy Brasil, a prática do “carteiraço” é válida, e não depende da intermediação de uma outra instituição para a exigência destes dados.

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