Blog
O Mastodon ganhou uma retrospectiva do ano, nos moldes daquela famigerada do Spotify. Por óbvio, é bem mais simples: mostra o aumento dos seguidores, post mais popular, total de posts e hashtag mais usada. (Para ver as de quem já tem, a hashtag é #wrapstodon.) Ela está sendo liberada aos poucos na instância principal (mastodon.social). / @Gargron@mastodon.social
Em outras instâncias, é preciso atualizá-la para as versões mais recentes de testes (alpha ou nightly) e colar uns códigos via linha de comando. O blog ao lado ensina o caminho das pedras. / blog.thms.uk (em inglês)
Kirby vs. post de um blog
Kirby, a famosa personagem da Nintendo que absorve inimigos e ganha seus poderes, aprontou de novo: desta vez, engoliu um post de blog. / mgx.me (em inglês)
Leaving and Waving
Durante quase três décadas, a fotógrafa estadunidense Deanna Dikeman registrou as despedidas da casa dos seus pais. As fotos, de 1991 a 2017, foram reunidas na exposição “Leaving and Waving”. / deannadikeman.com (em inglês)
Software de big tech não é apenas ruim; é nocivo
Um dos males do software comercial, aquele feito por exércitos de desenvolvedores bem pagos por empresas enormes, de capital aberto e muito prósperas, é que com frequência (quase sempre) seus interesses se desalinham dos dos usuários, nós.
Dois casos recentes envolvendo duas das maiores empresas de tecnologia do mundo, Google e Microsoft.
O aplicativo do Google para iOS ganhou um recurso chamado “Anotação da Página”. Ao abrir o link de um site dentro do app, o Google pode “extrair entidades interessantes da página e destacá-las”. O destaque se transforma em links que, ao serem clicados, levam a uma página de resultados do Google. / seroundtable.com (em inglês)
Para que não reste dúvidas: o Google insere links em qualquer site acessado pelo seu aplicativo. Links que a pessoa dona do site não inseriu. Ao clicar nesses links arbitrários, alguém é levado aos resultados do Google — e aos anúncios do Google, que lhe geram receita.
Quem não quiser links enfiados precisa preencher um formulário e aguardar 30 dias (!) para ter sua solicitação aceita.
(Nunca entendi por que alguém baixa o aplicativo do Google. Qual a vantagem em relação a abrir o navegador e digitar ou ditar o que se quer pesquisar?)
A Microsoft relançou seu aplicativo de papéis de parede do Bing para Windows. Agora, está disponível na loja do sistema. Não baixe-o; é quase um malware. / apps.microsoft.com
Rafael Rivera, ex-Microsoft MVP, analisou o aplicativo e descobriu ações questionáveis programadas nele. / @WithinRafael@x.com (em inglês)
O Bing Wallpapers tenta colocar o Bing como buscador padrão em qualquer navegador instalado no computador e abre abas periodicamente para oferecer coisas do Bing.
O pior é que o aplicativo da Microsoft lê e descriptografa cookies dos navegadores.
Em nota ao site The Register, a Microsoft diz que o app “não lê e descriptografa todos os cookies do Edge e Chrome”. Ênfase no todos. / theregister.com (em inglês)
São apenas dois casos, ambos descobertos graças a pessoas curiosas que se dispuseram a chafurdar aplicativos de baixa qualidade e, pior, proprietários. Imagine quantos outros casos escabrosos passam batidos…
A mochila do Gabriel Arruda
Nesta seção, leitores do Manual mostram o que carregam em suas mochilas no dia a dia. Veja as outras mochilas já publicadas e mande a sua — a continuidade da seção depende de você.
Trabalho como cientista de dados (MLOps, mais precisamente) em regime híbrido. Normalmente vou duas vezes por semana ao escritório. Os itens variam um pouco, mas normalmente é uma combinação dos descritos abaixo.
Este site compara o tamanho geográfico de duas cidades quaisquer
Este site compara o tamanho geográfico de duas cidades quaisquer. / citysizes.com
O GitHub criou um fundo de apoio à segurança em projetos de código aberto com o apoio de parceiros de peso, como American Express, Shopify e a empresa-mãe, a Microsoft. Até aí, tudo bem. Problema é que essas empresas bilionárias juntaram apenas US$ 1,25 milhão que serão investidos em 125 projetos (US$ 10 mil para cada, distribuídos em 3 etapas ao longo de 12 meses).
Vamos tirar o escorpião do bolso aí, galera. / convergenciadigital.com.br, resources.github.com (em inglês)
Site de previsão do tempo simples e sem firulas
Frustrado com “o estado dos sites de previsão do tempo […] inundados de anúncios intrusivos, rastreamento desnecessário e lentos para abrirem”, Scott Russell criou um do jeito que queria, o Vanilla Weather: simples, rápido e sem firulas. / vanillaweather.com
E-books gratuitos da editora A Book Apart
Em março, a A Book Apart, editora de livros técnicos de desenvolvimento na web, fechou e devolveu os direitos de publicação dos +60 títulos que publicava aos respectivos autores. / abookapart.com (em inglês)
Alguns decidiram liberar suas obras gratuitamente, como Tim Brown (Flexible typesetting), Jeremy Keith (Going offline), Ethan Marcotte (Responsive web design) e Erin Kissane (Elements of content strategy). Será que outros autores seguiram esse caminho? Se souber, avise nos comentários.
O Wantu achou mais livros distribuídos de graça pelos autores e publicou a lista no site dele.
Sobre editores de texto, Markdown e simplicidade
Um dos pequenos prazeres que tenho no meu trabalho com a escrita é não depender de um ou outro editor de texto. Escrevo em texto puro, formatado em Markdown e publico em HTML — em outras palavras, não preciso usar um editor visual como o Word ou o do Medium.
Por isso, faz muito tempo que uso e aprecio a simplicidade do Editor de Texto (TextEdit.app), o “Bloco de Notas” do macOS. Usasse Linux, estaria igualmente bem servido por aplicativos similares, como o homônimo do Gnome, o Gedit e o KWrite.
Tamanha satisfação não me blinda de experimentar alternativas. Até hoje, porém, nenhuma me convenceu a abrir mão da leveza e simplicidade do TextEdit.app.
O MarkEdit, que descobri recentemente, foi o que chegou mais perto de me ganhar.
Dados de 1 milhão de posts do Bluesky são usados para treinar IAs
No último dia 15, o perfil oficial do Bluesky disse que “não usamos seu conteúdo para treinar IAs generativas e não temos a intenção de usá-lo”. / @bsky.app/Bluesky (em inglês)
Na noite desta terça (26), Daniel van Strien, funcionário da Hugging Face, uma espécie de marketplace de grandes modelos de linguagem (LLM), disponibilizou um conjunto de dados composto por 1 milhão de posts coletados da API do Bluesky. Ops! / @danielvanstrien.bsky.social@bsky.app, huggingface.co (ambos em inglês)
O protocolo AT, base do Bluesky, é completamente público. É por isso que ainda não é possível “trancar” um perfil. Tudo — posts, curtidas, RTs, quem segue quem — é disponibilizado em tempo real por uma API que eles chamam de “firehose”, ou mangueira de incêndio, em referência à alta vazão de dados que passa por ali.
Isso não é ruim. É graças a essa API que se pode criar aplicações criativas, análises jornalísticas e científicas e toda a sorte de coisas legais. E nem tão legais, como o conjunto de dados para treinar IAs.
Diante da repercussão, van Strien removeu o conjunto de dados do Bluesky da Hugging Face. Antes disso, o pacote estava entre os mais baixados da plataforma, ou seja, apesar de ter sido rápido, a remoção pode ter ocorrido tarde demais. / @danielvanstrien.bsky.social@bsky.app (em inglês)
O perfil do Bluesky também se manifestou. Disse que “é uma rede pública e aberta, como sites na internet”, e que estão analisando a inclusão de uma opção que permita aos usuários sinalizarem que não consentem com o uso de seus dados para o treinamento de IAs, como o famigerado robots.txt em sites. O que não garantiria qualquer coisa, visto que o robots.txt e uma opção similar no Bluesky não têm qualquer peso jurídico nem eficiência técnica. / @bsky.app@bsky.app (em inglês)
Isso não é exclusivo do Bluesky. A diferença é que outras empresas do setor fecharam suas APIs nos últimos anos para cobrarem (caro) por ela, casos do Reddit e do X, por exemplo.
Em qualquer lugar, mas ainda mais naqueles onde um terceiro controla seus dados e que não ofereça criptografia de ponta a ponta, é boa ideia considerar que tudo que for publicado, em público ou não, pode ser acessado por pessoas indesejadas em algum momento.
***
Ainda no departamento das dores de crescimento do Bluesky, na segunda (25), a União Europeia deu um puxão de orelha na startup pela falta de uma página em seu site informando o número de usuários que residem no bloco e onde fica sua sede.
O Bluesky ainda está longe do piso para ser considerado uma “plataforma muito grande” segundo o Regulamento dos Serviços Digitais (DSA, na sigla em inglês). A obrigação de expor as informações acima, porém, vale para todas as empresas que atuam na UE, disse o porta-voz da Comissão Europeia, Thomas Regnier, ao Financial Times. / ft.com (em inglês)
Saiu o elementary OS 8, distro Linux voltada a consumidores finais com uma pegada meio macOS. A nova versão traz suporte ao Wayland (ali chamado de “Sessão Segura”; não é o padrão, porém), melhor suporte a Flatpaks, Dock refeita e outras mudanças menores. / blog.elementary.io (em inglês)
Decisão do Cade equipara App Store brasileira à da União Europeia
O Cade, em decisão preliminar de um processo movido pelo Mercado Livre contra a Apple, em 2022, determinou uma série de medidas que quebram os monopólios da distribuição e das compras dentro de apps da Apple no iOS e iPadOS. / gov.br
A notícia veiculada primeiro pela agência Reuters cita apenas que a Apple está obrigada a, em até 20 dias, permitir a compra de serviços ou produtos fora de apps (ou seja, publicizar links para seus próprios sites) e a permitir o uso de opções alternativas de pagamentos dentro de apps. / reuters.com
A pena pelo não cumprimento das determinações é de multa de R$ 250 mil por dia.
A notificação do Cade lista uma medida mais profundas: a distribuição de apps por lojas alternativas e via download direto (“sideloading”) (cláusula 5, I, d), equiparando o cenário brasileiro ao europeu. / sei.cade.gov.br
O TechCrunch lembra que decisões similares já foram ou serão impostas na Europa, Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos. Em cada um desses casos, a Apple instituiu regras específicas restritas às jurisdições. / techcrunch.com (em inglês)
Quantos países mais precisarão obrigar a Apple a ajustar as regras da App Store para que a empresa as mude no mundo inteiro?
Dados de “Pokémon Go” são usados para treinar IA de geolocalização
Se existe uma certeza na tecnologia em 2024, é que todo dado será extraído e usado para treinar inteligências artificiais. Nem o simpático Pokémon Go escapa a essa regra. / gamerant.com
A Niantic, dona do jogo, criou um “grande modelo geoespacial (LGM, na sigla em inglês, em alusão aos LLMs) com base em imagens vindas do seu “Sistema de Posicionamento Visual (VPS).
Um recurso chamado “Pokémon Playground”, que cria espaços no mundo real compartilhados pelos jogadores de Pokémon Go para deixarem bichinhos a fim de serem fotografados, serviu de isca para induzir as pessoas a alimentarem o VPS. / nianticlabs.com (em inglês)
A Niantic se defendeu dizendo que a varredura dos locais era completamente opcional e que apenas andar por aí com o jogo aberto não ajuda a treinar um modelo de IA. Ufa!
Segundo a empresa,
O LGM permitirá que os computadores não apenas percebam e entendam espaços físicos, mas também interajam com eles de novas maneiras, formando um componente crítico de óculos de realidade aumentada e áreas que vão além, incluindo robótica, criação de conteúdo e sistemas autônomos. / nianticlabs.com
Num dia você baixa um joguinho inocente de Pokémon, no outro descobre que pode ter ajudado a treinar futuros drones autônomos assassinos. Tomara que isso conte alguns pontos com a Skynet no juízo final.