A mochila do antropólogo Rafael Cristaldo

Nesta seção, leitores do Manual mostram o que carregam em suas mochilas no dia a dia. Veja as outras mochilas já publicadas e mande a sua — a continuidade da seção depende de você.

Olá, pessoal! Tudo bem? Meu nome é Rafael, nasci em novembro de 1997, sou natural de Farroupilha (RS) e, atualmente, sou um antropólogo que mora na capital Porto Alegre. Vocês podem me achar no LinkedIn e no Instagram.

Escrevo este texto inspirado no meu amigo-artista e colega de apartamento Tiago Gasperin, que recentemente escreveu um texto aqui sobre a sua pochete.

(mais…)

Feliz aniversário!

por Alex Schroeder

Hoje recebi um longo e-mail de um colega de trabalho. Ele foi meu gerente de projeto por duas semanas, alguns anos atrás. É uma pessoa legal. Ele escreveu três parágrafos enormes, desejando saúde, momentos inesquecíveis e encontros enriquecedores, descrevendo a vida como um livro aberto cheio de desafios e momentos maravilhosos… Depois das primeiras frases, comecei a me perguntar: o que está acontecendo? O e-mail terminava com mais votos de feliz aniversário e feliz Páscoa. Mas isso foi na semana passada.

Aí me lembrei que a minha empresa também entrou no hype da inteligência artificial.

Fiquei sem saber o que fazer. Respondo com um e-mail exagerado de agradecimento gerado por IA, só para trollar? Apenas um “Muito obrigado!”… Ou parto para uma conversa séria?

(mais…)

A Hypertext TV é “uma celebração de pequenos sites e jogos artesanais”

Print do guia de canais do site Hypertext TV.

A Hypertext TV é “uma celebração de pequenos sites e jogos artesanais”. A interface simula uma TV de tubo e os “canais” (sites) disponíveis variam de acordo com o dia e horários — volte em dias diferentes para receber outros conteúdos. Trata-se de uma espécie de provocação à oferta de conteúdo ilimitado sob demanda da web moderna. “A Hypertext TV é uma tentativa de imaginar essa programação compartilhada [da TV e do rádio] na web: limitada, não algorítmica, coletiva. Explore o que está no ar hoje. Talvez você descubra algo novo.” (O código é aberto e dá para sugerir sites.)

MusicBrainz Picard identifica músicas de arquivos *.mp3 e corrige metadados automaticamente

Ícone/logo do Picard.

Na minha primeira tentativa de trocar o streaming por arquivos *.mp3, um dos problemas com que me deparei foi o de organização: como padronizar os metadados das músicas?

A solução que me era conhecida à época, editar manualmente cada canção, era impraticável. Quem tem tempo para isso?

Na segunda (e, desta vez, bem sucedida) tentativa, em 2024, topei com um aplicativo gratuito que é quase bom demais para ser real, o MusicBrainz Picard (Linux, macOS, Windows).

(mais…)

O site 404s é uma ode às páginas de erro da web

Print da página inicial do site 404s, com o título “Página não encontrada” (em inglês).

O 404s é uma ode às páginas de erro da web. O nome do site faz referência ao código de resposta padrão do protocolo HTTP para páginas não encontradas. Este site celebra o erro — e acredito que celebrar os nossos erros, a ponto de nos orgulharmos deles, é algo um tanto saudável.

Acho, também, que a página de erro deste Manual precisa de um pouco de atenção, não?

Uma olhada no iPhone 16e fabricado no Brasil

Estava na casa dos meus pais no feriado da Páscoa quando topei com um iPhone 16e. Pedi licença à dona para dar uma olhada mais de perto no sucessor espiritual do melhor iPhone. Que responsabilidade!

Apesar do novo nome e de fazer parte da família do “iPhone do ano”, o iPhone 16e é, para todos os efeitos práticos, um novo iPhone SE: um celular-Frankenstein, composto de partes de versões antigas (a base é o iPhone 14), algumas coisas do modelo mais recente (chip A18 e 8 GB de RAM) e recursos ausentes graças à Apple e suas táticas mesquinhas de upselling (antes era o modo noturno na câmera; agora, nada de MagSafe).

(mais…)

Windows no Game Boy Color

O espanhol Ruben Retro criou uma versão do Windows para Game Boy Color — o avô do Nintendo Switch. Dá para jogar Campo Minado, ouvir música, desenhar (e imprimir o desenho na impressora esquisitinha do Game Boy)… até a famigerada tela azul de morte está lá. Fascinante! Não consegui encontrar detalhes técnicos da proeza e o cartucho está esgotado.

Embelezando o texto na web

Mais um capítulo da série “fascinado com os detalhes do CSS”, desta vez com o atributo text-wrap: pretty e o cuidado dos navegadores para determinar as quebras de linhas, “rio tipográfico” (não conhecia o conceito) o comprimento da linha final.

O Safari é o penúltimo grande navegador a implementar o text-wrap: pretty, novidade anunciada em um post super detalhado (em inglês), interessantíssimo. “Pretty”, em inglês, significa “bonito”; achei belo a especificação do CSS delegar a cada navegador as decisões para apresentar texto embelezado por ele.

(mais…)

O undercut-f1 é um aplicativo de linha de comando (TUI) que exibe dados de corridas…

Terminal exibindo a classificação de uma corrida de Formula 1.

O undercut-f1 é um aplicativo de linha de comando (TUI) que exibe dados de corridas de Formula 1 — em tempo real ou em sessões de replay. Ele exibe tempos por setor com cores para melhores tempos pessoais e gerais, tipo de pneus, distância entre os pilotos e para o líder e informações da corrida. Além, óbvio, da classificação.

ChatGPT consegue adivinhar o local de fotos

Não que eu me orgulhe disso, mas a verdade é que perdi o fio da meada dos lançamentos da OpenAI. Na quarta (16), a empresa anunciou dois novos modelos, o3 e o4-mini, com curiosos desdobramentos.

O o3 é definido pela OpenAI como “o nosso mais poderoso modelo de raciocínio”; o o4-mini, um “modelo menor otimizado para raciocínio rápido e eficiente em custo”. Ambos são acessíveis pela interface do ChatGPT e são capazes de lidar com vários ferramentais, como a análise de arquivos enviados.

Um dos exemplos dados pela OpenAI no anúncio oficial, do tipo “pensar com imagens”, parece ter disparado uma nova febre: descobrir a localização de imagens a partir delas próprias, uma espécie de pesquisa reversa ou, como tem se falado nas redes sociais, “o fim do Geoguesser”.

O TechCrunch notou que o o3 não é muita coisa melhor que o GPT-4o, um modelo anterior e mais rápido, e que não é perfeito, errando os locais de várias imagens e, às vezes, sequer conseguindo dar um palpite. De qualquer modo, às vezes essa capacidade do ChatGPT assusta e cria, desde já, um novo vetor de paranoia com privacidade online: não basta mais limpar os metadados de fotos.

Pela própria natureza dos LLMs, é muito difícil distinguir avanços genuínos do entusiasmo da torcida. O Techmeme, um agregador do noticiário e de reações de gente da indústria da tecnologia, pescou este comentário de alguém no X:

Estou obcecada com o3. É muito melhor do que os modelos anteriores. Ele acabou de me ajudar a resolver uma questão psicológica/emocional com a qual tenho lidado há anos em três conversas (uma que não é socialmente aceitável compartilhar, e aqueles com quem eu compartilhei não ajudaram/não poderiam ajudar).

Fico me perguntando que tipo de “questão psicológica/emocional com a qual tenho lidado há anos” uma conversa com uma IA lançada há poucas horas poderia resolver.

***

A blitz de lançamentos da OpenAI está surtindo efeito. Em março, puxado por “trends” como a do estúdio Ghibli e a das caixas de bonequinhos, o ChatGPT foi o aplicativo mais baixado do mundo, segundo a consultoria Appfigures, desbancando Instagram e TikTok, líderes habituais nos últimos meses.

***

Nesta quinta (17), o Google liberou o Gemini 2.5 Flash, que “oferece uma grande atualização nas capacidades de raciocínio, ao mesmo tempo em que continua a priorizar a velocidade e o custo”. Talvez esse novo modelo consiga adivinhar a cor das nossas roupas íntimas e trazer a paz mundial.

O julgamento que pode separar Instagram e WhatsApp da Meta

Os julgamentos de casos antitruste nos tribunais estadunidenses talvez sejam a maior contribuição do país à humanidade depois dos ovos beneditinos e da Hollywood dos anos dourados.

Nesta segunda (14), teve início um dos mais aguardados dos últimos tempos, em que a Federal Trade Commission (FTC, espécie de Cade dos EUA) acusa a Meta de monopolizar o mercado de redes sociais pessoais, barrando concorrentes em potencial com as aquisições bilionárias de Instagram e WhatsApp. Um dos possíveis “remédios” é o desmembramento da empresa, restabelecendo Instagram e WhatsApp como alternativas independentes e rivais do Facebook.

(mais…)

FBI: O perigo em usar conversores de arquivos online

Em abril de 2024, o WordPress 6.5 trouxe, entre outras novidades, suporte nativo ao formato de imagens *.avif.

Pessoas normais só se importam com formatos de arquivos de imagens quando topam com incompatibilidades — a Apple e seu *.heic para fotos tiradas com o iPhone é, acho, a maior força de ~conscientização nessa frente. Eu, que sou anormal, passei meses refletindo se as vantagens evidentes do *.avif se sobrepunham à universalidade de antecessores menos eficientes, como *.jpg e *.png.

Faz algumas semanas, decidi dar o salto e adotar o *.avif para (quase) todas as imagens deste Manual.

(mais…)

O Geocities Time Machine transforma qualquer site moderno em uma obra-prima…

Print do Manual do Usuário como se fosse um site do Geocities dos anos 1990.

GIFs animados bregas (chamas, “em construção”, “novo” piscante), cores chamativas, texto em movimento com a finada tag <marquee>: está tudo lá. O Geocities Time Machine transforma qualquer site moderno em uma obra-prima dos anos 1990 — ou qualquer site da época hospedado no saudoso Geocities. A imagem ao lado é a deste Manual “geocitificado”. Dica do Antonio.

O batismo por analogia em dois níveis do GNU nano

O povo do software livre é cheio de gracinhas na hora de batizar suas criações. Estão aí o GNU (GNU’s Not Unix) e o Wine (Wine Is Not an Emulator) de provas.

No Mastodon, Simon Tatham contou a história do nano e seu batismo por analogia duplo:

O editor de texto GNU nano recebeu seu nome por analogia inspirado em um editor anterior (não livre) com uma interface muito semelhante, chamado pico. O nome faz um trocadilho com prefixos do Sistema Internacional de Unidades: “Tipo o pico, mas um pouco maior.”

O pico foi derivado do cliente de e-mail Pine [descontinuado]: é o editor embutido que o Pine usava para compor e-mails, que foi retirado e transformado em uma ferramenta independente. É uma abreviação de PIne COmposer, até onde eu sei.

E o Pine também foi batizado por analogia, a partir de um cliente de e-mail mais antigo chamado Elm. [São árvores em inglês, pinho e ulmeiro.]

Portanto, o nano tem dois níveis de “batismo de aplicativo por analogia a um anterior” em sua história. (Sem contar a etapa intermediária em que o Pine deu origem ao pico, porque esse não foi por analogia.)

Alguém consegue pensar em uma cadeia mais longa do que essa, envolvendo três ou mais níveis de batismo por analogia? Ou o nano é recordista?

Nas respostas, lembraram ainda do Micro, outro editor que se propõem ser um pouco mais completo que o GNU nano.