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Movimentos estranhos em público

A compulsão por telas é um problema generalizado — quem diz que não tem, é porque ainda não se deu conta. Eliminar a tela, mantendo o aparato tecnológico conectado à internet, é uma possível saída?

Venho pensando nisso desde que coloquei um Apple Watch no meu pulso. (Ele já saiu dali.) O relógio da Apple realizou a profecia feita por Claudinho e Buchecha em 1998 e, de repente, eu conseguia controlar o calendário — e muitas outras coisas — sem utilizar as mãos.

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Funcionários de escritório também estão gastando demais com IA

por David Gerard

A corrida pela IA funciona queimando dinheiro de capital de risco e cobrando dos usuários de chatbot bem menos do que o custo real do serviço

A ideia é que os clientes vão se viciar no valor gerado pela IA. Aí os fornecedores de IA podem sugar tudo deles. E, enquanto isso, tentam não sangrar dinheiro demais.

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Links legais da semana

Toda semana, faço uma curadoria de links legais que encontro nas minhas andanças pela web. Quer mais? Acesse o arquivo.

handwritten.blog. Um blog escrito à mão. Literalmente. O cara escreve em um tablet com tela e-ink, depois faz todo um trabalho de adaptação e publica. O contra é que no celular fica tudo pequeno, mal dá para ler.

Wiki Spy. Navegue por imagens da Wikipedia. Clique em uma, e o site retorna outras similares. Mais um do nosso amigo Neal.

WordPress Museum. Um ambiente tridimensional com toda a história e um monte de curiosidades do WordPress. Dica do Daniel.

Gerador de Letras Recortadas. Este site gera frases com letras recortadas de revistas. Era o que sequestradores usavam quando existiam revistas de papel. Dica do Gustavo.

Distro Fighter. Um jeito… ahn… original de escolher uma distribuição Linux. Dica do Renan.

Dirty Little Zine. Quer criar um zine? Este site facilita um bocado o trabalho.

Moss Moss. Joguinho de plataforma para o PICO-8 (que também funciona na web) em que seu objetivo é se esfregar em todas as superfícies do cenário. Parece obsceno, mas é bem de boa, divertido e bonito.

Aplicativos no iPhone de lojas alternativas à App Store: Análise empírica e algumas reflexões

Regulação é uma maravilha e quem acha que não está maluco. Na última quinta (18), a Apple abriu o iOS no Brasil para lojas de aplicativos alternativas (ou de terceiros), acabando com o monopólio da sua App Store no país.

Bondade da Apple? Não. Foi pressão institucional que resultou em um acordo com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). O Brasil junta-se à União Europeia e ao Japão no restrito grupo de países onde lojas alternativas são permitidas no sistema do iPhone.

Não entrarei em detalhes técnicos nem financeiros do arranjo oferecido pela Apple — que prevê a cobrança de taxas mesmo de apps distribuídos por fora da App Store, o que a princípio me soa contraditório ao “espírito da lei”. Em vez disso, quero focar na experiência em si e no que se pode obter fora do jardim murado da Apple.

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Uma contradição no relato do meu quase atropelamento

Alguém no Tildes apontou uma contradição no final do relato do meu quase atropelamento, onde digo que, desde o incidente, passei a usar o Loop Engage que reduz 16 dB, o que é bem menos que o cancelamento de ruído dos AirPods Pro 2, estimado em 27 dB.

“A redução de 11 dB é muito maior do que os números por si só aparentam”, escrevi. Nesse caso, os 16 dB que o Loop Engage reduz seriam, também, uma redução significativa.

Ele tem razão. Se o objetivo da minha mudança de comportamento é manter a atenção máxima ao meu entorno, qualquer redução na audição joga contra esse intuito.

Desde quinta passada (18), quando li esse comentário, passei a experimentar a rua no seu volume normal. Sem Loop Engage, sem fones, nada: com ouvidos “nus”.

Como era de se esperar, após uns dois anos ininterruptos andando na rua com algo nos ouvidos atenuando o barulho, foi estranho. Por outro lado, o incômodo foi menor do que eu esperava. Talvez a minha tolerância tenha aumentado nesse intervalo?

Alguém me sugeriu usar o “modo Adaptativo” dos AirPods. Desde 2023, alguns modelos contam com esse recurso, uma espécie de união dos outros dois originais. Segundo a Apple,

O modo Adaptativo combina o Cancelamento Ativo de Ruído e o modo Ambiente para controlar o nível de ruído que você ouve nos fones de ouvido com base nas mudanças nas condições de ruído no ambiente. Você pode personalizar o Áudio Adaptativo para permitir mais ou menos ruído.

Sempre usei esses fones no “8 ou 80”, ou seja, com cancelamento de ruído ou no modo ambiente. Vivendo e aprendendo.

De qualquer forma, o modo adaptativo não resolve o problema de imagem. Continuaria sendo uma pessoa que parece distraída por seus fones de ouvido.

Esse problema de imagem se intensificou na sexta (19). No intervalo da partida entre Brasil e Haiti, pela Copa do Mundo, surpreendi-me ao ver na TV o jogador Vinícius Jr. bailando, todo pleno, em uma cidade barulhenta, porém isolado do caos sonoro graças aos seus AirPods Pro™ 3 com “o melhor cancelamento ativo de ruído do mundo em fones intra-auriculares”, em um comercial da Apple. Aí fica difícil.

Estes homens bregas com óculos ridículos querem que você também os use

A Meta, mesma empresa que afirmou em 2021 que hoje você estaria vivendo no “metaverso”, vendeu alguns poucos milhões de óculos com câmeras para pervertidos e, de repente, o novo futuro vislumbrado pela mente doentia de Mark Zuckerberg é da gente usando óculos com câmeras e “inteligência artificial”.

Sim, os CEOs do Vale acreditam que a melhor maneira de mitigar a compulsão por telas a 20 cm do rosto é colocar telas a 20 mm dos olhos.

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Beta do Audacity 4

Já está disponível o beta do Audacity 4, nova versão — com visual e ícone novos — do tradicional editor de áudio FOSS (Linux, macOS e Windows). Faça becape de projetos feitos na versão 3.x: esses abrem no Audacity 4, mas alterações salvas (ou novos projetos) nele não têm retrocompatibilidade com o Audacity 3.x, segundo o Omg! Ubuntu.

Encontramos os aplicativos de IA perdidos. E ninguém baixa eles

por David Gerard

Em setembro passado, o programador Mike Judge perguntou: se a IA é tão boa para programar, cadê os pequenos aplicativos feitos por IA? Onde estão os widgets que alguém simplesmente vibe codou? A avalanche de apps porcaria feitos por IA? Ele foi atrás dos números e não encontrou aumentos nos apps chegando à App Store ou à Play Store.

Neste ano, os bros da IA finalmente estão excretando aplicativos! E adivinha só? Ninguém quer saber deles.

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Links legais da semana

Toda semana, faço uma curadoria de links legais que encontro nas minhas andanças pela web. Quer mais? Acesse o arquivo.

Town Square. Script que cria uma pracinha no rodapé do site. (Role a página até o final para ver na prática.) Quem estiver online ganha um boneco de palitinho e consegue conversar com outras pessoas. Feito pelo brasileiro Cauê.

Firewood Splitting Simulator. Um simulador de corte de lenha porque sim. Dica do Rennan.

LinkedIn Badge Generator. Gerador de avatares com aquele selo “Open to Work” do LinkedIn, mas personalizável. Feito pelo Gabriel Nunes.

Sociedade para o avanço do salto de paraquedas nu. Não sei o que dizer.

A Million Times. Um relógio feito de muitos relógios. Inspirado na obra “Humans since 1982”, de Bjarke Ingels.

moments. É tipo o Bear Blog — serviço simples para publicar blogs —, só que voltado a fotos. O resultado é bonito e gostoso de navegar. Explicação do criador (em inglês). Indie e, por ora, gratuito.

KomoDo. Aplicativo de listas de tarefas baseado no todo.txt para Linux (KDE/Qt).

Apple Intelligence pode ser obrigatória no iOS e macOS 27

Até hoje, a Apple mantém a Apple Intelligence, o conjunto de ferramentas de inteligência artificial encrostados nos seus sistemas operacionais, como algo opcional. Se não quiser, basta ignorar a opção durante a configuração de um novo dispositivo ou nas atualizações do sistema.

Esse gesto de respeito com seus clientes pode mudar no iOS/macOS 27. Relatos dão conta de que, pelo menos no primeiro beta, a Apple Intelligence é obrigatória:

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Quase fui atropelado

No início de junho, durante uma visita aos meus pais no interior do Paraná, decidi trocar a ida à musculação por uma passada na farmácia à luz dos primeiros sinais de enxaqueca — o melhor momento para tomar remédio e evitar uma crise.

A farmácia mais próxima fica a cerca de 1,5 km. Calcei os tênis de corrida para unir o útil ao agradável: uma caminhada leve para buscar o remédio.

Saindo da farmácia, decidi mudar a rota para dar algumas voltas em uma pracinha onde, quando morava lá, costumava ir para caminhar.

Quase chegando à casa dos meus pais, atravessei uma avenida movimentada, sem sustos. Do outro lado, tive um lapso e, por um momento, imaginei que a rua transversal fosse de uma mão só. (Ela de fato é do outro lado da avenida.)

Olhei para um lado, nenhum carro ou moto à vista. Fui.

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Fim da linha para extensões que bloqueiam anúncios no Chrome e derivados

O Google removerá os últimos traços do Manifest v2, recurso que viabilizava extensões robustas de bloqueio de anúncios, como a uBlock Origin, nas versões 150 e 151 do Chrome. Derivados (“forks”) do Chromium — Edge e Opera — sinalizaram que seguirão o mesmo caminho do Google, ainda sem prazos definidos. Bloqueadores de anúncios adequados ao Manifest v3 funcionam, porém com limitações.

Firefox (e derivados) e Safari continuarão suportando o Manifest v2.

Galera acabei de me dar conta que esse botão de IA no YouTube finalmente vai nos permitir converter de volta tutoriais em video para tutoriais em texto… meio que deitei

Homem branco, sério, de cabelo curto encaracolado e bigode.gui
@NotaDiamond@mastodon.com.br

É a natureza se regenerando ao mesmo tempo em que é destruída pelo processo de regeneração.

RCS chega a 145 milhões de usuários ativos no Brasil 
mobiletime.com.br

Kaio Marin, head de RCS for business do Google Brasil, disse em um evento no final de maio que o RCS tem 145 milhões de usuários no Brasil no final de 2025.

Para se chegar a tal número — 86,6% do total de pessoas com celulares em 2024 (IBGE) —, presume-se que o Google coloque na conta de “usuários ativos” qualquer pessoa que receba spam ou tentativas de golpe por RCS.

A inflada no número, mais um exemplo de como torturar as estatísticas para pintar um cenário mais conveniente, coincide com um reforço do Google nas ferramentas de publicidade baseadas em mensagens de texto. A nota do Mobile Time, onde noticiou o dado, lista os novos recursos para anunciantes do Google envolvendo RCS.

Não é muito diferente do que a Meta está tentando fazer com o WhatsApp, com a diferença de que este é usado para outras coisas além de falar com comércios. No RCS, que pouquíssima gente usa (de verdade) no Brasil, essa investida só ajuda a consolidar o aplicativo Mensagens como um lixão de spam.