Profissão: criador de conteúdo

Tremo na base quando alguém me pergunta o que eu faço. O que eu faço? Não sei. Costumo responder “sou jornalista”, definição que está longe de me descrever, apenas para matar o assunto.

“Tenho um blog” é outra resposta a que recorro quando a carga de paciência está cheia. A ela sucedem-se perguntas inevitáveis, como “mas você consegue viver só disso?”, e comentários do tipo “eu já tive um blog, ganhava uns trocados com AdSense”.

A fundação da Célere embolou ainda mais o meio-campo. “Tenho uma pequena agência que presta serviços de tecnologia para jornais digitais.” Correto, mas cansei só de escrever. E, sendo bem pedante, isso não é “o que eu faço”, é “onde eu trabalho”. Parte do tempo. Porque tem o blog ainda.

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[…] O que aprendemos ao longo deste último ano, em especial do ponto de vista do consumidor, é que eles não estão comprando [computadores] por causa de IA. Na verdade, acho que a IA provavelmente os confunde mais do que os ajuda a entender um resultado específico.

Homem branco, com barba por fazer e sorrindo.Kevin Terwilliger
Líder de produtos da Dell

Surpreende que a primeira fabricante a mandar a real sobre “PCs com IA” seja a Dell, parceria de primeira hora da Microsoft na iniciativa dos notebooks Copilot+.

Note, porém, que a citação completa sinaliza que a Dell não vai parar de investir em IA, apenas que a tecnologia deve deixar de ser o carro-chefe do marketing. Ela começa assim: “Estamos muito focados em oferecer recursos de IA de um dispositivo — na verdade, tudo o que estamos anunciando [na CES] tem uma NPU nele —, mas o que aprendemos…”

Sua vida digital não é sua: a batalha oculta pela liberdade do software  fsf.org

Sou muito simpático ao software livre. (E lamento não usar mais softwares do tipo.) No blog da Free Software Foundation, Jason Self reforça a importância das quatro liberdades do FOSS em face do aprendizado de máquina — que, neste contexto, se confunde com o que chamam por aí de “inteligência artificial”. Ele o define assim:

[…] software que não apenas segue instruções, mas aprende e toma decisões autônomas. É um novo e poderoso tipo de código, e se tornou a caixa preta mais profunda já criada.

O texto apresenta a IA como uma ameaça para revisitar as bases do movimento. O que é sempre bom e, vez ou outra (como neste caso), revela histórias desconhecidas do público (ou a mim, pelo menos). É por uma dessas, a da criação do conceito de software livre, que trouxe este link para cá:

No Laboratório de Inteligência Artificial do MIT, um programador chamado Richard Stallman ficou frustrado com uma nova impressora a laser da Xerox que vivia emperrando. Sua solução era simples: modificar o programa para notificar automaticamente os usuários na rede sobre o congestionamento, economizando tempo e frustração de todos. O problema era que ele não tinha permissão; o código-fonte do programa era um segredo. Embora um programador em outra universidade tivesse o código, ele estava vinculado a um acordo de confidencialidade e se recusou a compartilhá-lo. Isso não foi apenas um inconveniente; foi uma crise ética em miniatura. Um problema prático se tornou impossível de resolver, não por razões técnicas, e definitivamente não porque era melhor assim. Uma barreira foi colocada intencionalmente para negar aos usuários o controle sobre o software que eles usavam.

Esse momento de frustração acendeu a centelha para o movimento do software livre.

Na próxima vez que a minha impressora emperrar, encararei a situação com um pouco mais de animação. Forçando um pouco a barra, ela tem um quê de sagrado, pois reproduzem o momento da criação do software livre. Amém!

Pessoas que usam um mouse da Logitech no macOS passaram algumas horas com as funcionalidades limitadas. Um certificado expirado dos apps Logitech Options+ e G HUB causou a confusão. A falha, ridícula, pelo menos serviu para as pessoas descobrirem utilitários alternativos melhores para este fim. (O melhor software, porém, é nenhum software; mouse bom se garante sem essas coisas, hehehe!)

Doppi, o player mais legal para seus arquivos de música

Botão de “play” branco contra um fundo azul arroxeado.

Na minha primeira aventura no retorno aos arquivos de música (*.mp3, *.flac), em 2023, mencionei um aplicativo para iOS, o Doppi. Foi ele o escolhido para me acompanhar na segunda tentativa, desta vez bem-sucedida.

Por isso, achei que valia dar maior destaque ao app (“o player mais legal para seus arquivos de música”). Além de ótimo, nesse intervalo ele ganhou novos recursos sensacionais:

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CEOs da tecnologia: Os funcionários PRECISAM estar no escritório. Não dá para fazer o trabalho remotamente.

Também CEOs da tecnologia: A maioria dos funcionários pode ser substituída por IA. Hospedada remotamente.

Dell e Microsoft, gênios do marketing

Lembra quando a Warner Bros. mudou o home do seu streaming de HBO Max para Max e, menos de um ano depois para HBO Max de volta? Ou quando a pessoa mais rica do mundo provou que dinheiro não tem relação com inteligência e jogou a marca “Twitter” no lixo? Gênios do marketing!

Talvez seja o capitalismo tardio, talvez efeito colateral de novas drogas rolando entre os manda-chuvas das empresas mais poderosas do mundo. Ou apenas estupidez mesmo. Fato é que a prática está se espalhando, e rápido.

No início de 2025, a Dell reformulou sua linha de notebooks e aposentou nomenclaturas tradicionais, incluindo a XPS, talvez a mais lembrada após a MacBook, da Apple. O objetivo era simplificar. Ninguém entendeu nada.

Corta para 2026 e a Dell anunciou na CES, para a surpresa de ninguém, que voltará a usar a marca XPS.

Correndo por fora, temos a Microsoft. Ao acessar o site office.com, deparamo-nos com esta pérola (destaque meu):

Bem-vindo ao aplicativo do Microsoft 365 Copilot

O aplicativo Microsoft 365 Copilot (anteriormente Office) permite que você crie, compartilhe e colabore em um só lugar com seus aplicativos favoritos, agora incluindo o Copilot.*

Imagine só, trocar a marca que é sinônimo de aplicativos básicos de produtividade há três décadas por… Copilot, um gerador de lero-lero que geral não gosta e quando usa, só o faz obrigado pelo empregador.

Bom para nós. Quanto menos associarmos softwares críticos a marcas comerciais das big techs, melhor. Vida longa ao Microsoft 365 Copilot — ou qualquer outro nome ruim que Word, Excel e cia. venham a ter no futuro.

2025 foi um ano desastroso para o Windows 11  windowscentral.com

Zac Bowden cometeu um textão afirmando que os fãs de Windows (definição do autor) entubaram um “2025 desastroso para o Windows 11”. Faz uns anos que não uso Windows, mal toquei na versão 11, por isso li com atenção redobrada.

Tenho certeza que você consegue adivinhar o problema mais óbvio do Windows 11 em 2025:

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Seu celular é uma casa falsa

por Adam Aleksic

Nota do editor: Gosto de encerrar o ano do Manual com um texto mais reflexivo. (O do ano passado é um bom exemplo.) Topei com este do Adam e fiquei comovido. É um ótimo chamado à realidade: mais efetivo que listar dicas e recomendações de como usar o celular e uma leitura mais prazerosa também. Espero que você leve as palavras dele às suas próprias reflexões de fim de ano. Volto do recesso no dia 12/1. Boas festas e feliz 2026! ✨

As escadas de madeira da casa onde cresci tinham um degrau que rangia. Ainda consigo visualizar nitidamente o jeito como ele gemia sob meu peso. Era um som tão alto e revelador que eu costumava saltava esse degrau nas escapadas noturnas até a cozinha. Caso contrário, acordaria a casa inteira.

É preciso uma intimidade extraordinariamente profunda para desenvolver esse tipo de hábito. Quando você começa a conhecer um lugar de verdade, cria suas próprias idiossincrasias de navegação do tipo. Meu colega que mora comigo diz que sempre segurava o corrimão de um jeito particular ao subir as escadas da casa onde que cresceu.

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Links do dia — os últimos de 2025

Toda semana, faço uma curadoria de links legais que encontro nas minhas andanças pela web. Quer mais? Acesse o arquivo.

Pop!_OS 24.04 LTS lançado: Uma carta do nosso fundador (em inglês). O mais importante aqui é que o Cosmic, ambiente gráfico da System76, finalmente ganhou o status de estável. Alguém aí vai experimentar?

Bug no Instagram esconde da busca perfis de políticos e jornaisNúcleo. “Nunca atribua à malícia o que pode ser adequadamente explicado pela burrice.”

Operation Bluebird quer relançar o “Twitter”, diz que Musk abandonou o nome e o logo (em inglês), Ars Technica. Só teria o meu apoio se esse novo Twitter adotasse um protocolo aberto, como o ActivityPub.

Matcha. Uma interface que organiza feeds RSS como se fosse uma curadoria diária (tipo os links do dia!) e a exporta para um arquivo Markdown ou no terminal. “Leia os posts do RSS quando quiser e no seu ritmo, evitando assim o FOMO durante o dia.”

Picnic. App para iOS que te ajuda a apagar fotos ruins numa interface semelhante à do Tinder. O plano gratuito tem um limite de 100 “deslizes” diários, mas é possível aumentá-lo mantendo a frequência.

Arrobas Pralamentar. Ontem manifestei nas redes uma ideia para facilitar o voto no legislativo em 2026. E não é que esse site já existe?

Deixe tudo bem para mim. Resolveu todos os meus problemas! (Cuidado com o plano pago; é de verdade.)

Nota do editor: O recesso do Manual começa na próxima segunda (15), o que significa que esta é a última lista de links legais de 2025. Aproveitarei o período de folga para fortalecer o estoque e voltar com tudo no dia 12 de janeiro de 2026.

É possível que a escolha da pessoa do ano da revista Time, que nesta edição elegeu “os arquitetos da IA” (leia-se: CEOs de big techs da área), tenha sido feita por uma IA. Primeiro indício: apontar pessoas no plural (“os arquitetos da IA”) como a pessoa (singular) do ano. Segundo e mais forte indício: só alguém estúpido como uma IA elegeria essa galera tosca como pessoa(s) do ano.

Home Assistant Voice Preview Edition, a alternativa livre às Alexa e Siri para controlar casas inteligentes

por James Pond

Quando o assunto é caixas de som inteligentes, a Amazon tem a Alexa, Apple tem o HomePod e o Google tem o Nest. Se você quiser algo privado — que rode localmente — para controlar a sua casa, não existem alternativas.

Ou não existiam. Para fechar essa lacuna, a Nabu Casa, patrocinadora do projeto de código aberto Home Assistant, lançou o Home Assistant Voice Preview Edition.

Comprei seis desses aparelhos para substituir seis HomePods que tinha espalhados pela casa. Depois de algum tempo de uso, a pergunta que fica é: dá para confiar nesse para o uso no dia a dia, ou é melhor esperar por uma versão que não tenha “preview” no nome?

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Links do dia

Toda semana, faço uma curadoria de links legais que encontro nas minhas andanças pela web. Quer mais? Acesse o arquivo.

Google e Apple facilitam a migração entre Android e iOS em trabalho conjuntoTecMundo. Parece que a nova funcionalidade nativa nos sistemas substituirá os apps disponíveis para esse fim. Ainda sem data de lançamento.

ClassicPress 2.6.0. Várias melhorias nos bastidores, mais a opção de excluir revisões de posts e páginas pela interface web. Ansioso para migrar o Manual para o CP!

RemoveWindowsAI. Script que remove os recursos de IA do Windows 11. Use por sua conta e risco.

Jellify. Player de música FOSS, para Android e iOS, que “conversa” com servidores Jellyfin.

Como limpar as malhas dos AirPods Pro 2 e posteriores. O ótimo vídeo-tutorial da Apple foi traduzido para o português do Brasil.

Atomic Semi. O site desta fabricante de semi-condutores é só um punhado de fotos bem legais.

Size of Life. O mais recente experimento do Neal Agarwal, com ilustrações de Julius Csotonyi, compara as formas de vida na Terra, da menor à maior. Use a seta à direita para passar ao próximo.

The Deep Dive (em inglês). Site interativo que mostra até onde os oceanos chegam — se você tiver braço para rolar toda a página.

A escala do universo. Neste aqui, cabe de tudo, até o próprio universo.

Links do dia

Toda semana, faço uma curadoria de links legais que encontro nas minhas andanças pela web. Quer mais? Acesse o arquivo.

50 milhões de brasileiros já usam IA, mas potenciais benefícios continuam limitados às camadas de maior renda e escolaridade. Este é apenas um dos dados da pesquisa TIC Domicílios 2025, do Cetic.br. Vale ler o release inteiro e mergulhar nos dados.

Austrália bane menores das redesStartups.

4º encontro do Homebrew Website Club Curitiba. Estará na capital paranaense neste sábado (13)? Venha tomar um café e escrever HTML com a gente. A participação é gratuita.

PeerTube v8: gerencie seus vídeos com a sua equipe (em inglês). As principais novidades são o novo player de vídeo e suporte a equipes no gerenciamento de canais.

Apresentando o n8n 2.0 (em inglês). Ainda em beta. Há novidades diversas, em especial na segurança e velocidade. A atualização pode desencadear quebras, então atenção. A versão final sai dia 15/12.

Samsung lança a One UI 8.5 Beta para elevar a facilidade de uso. Por ora, apenas na linha Galaxy S25 em alguns países — Brasil ficou de fora.

Firefox 146 (em inglês). As principais novidades são becape local no Windows 10, processo dedicado à GPU no macOS e suporte total a escalas fracionadas no Linux em Wayland.

Activas. Novo app para iOS de “inteligência do bem-estar”. Ele reúne dados de saúde e oferece estatísticas e dicas. Tem também um chatbot de IA. O mais curioso? O app é gratuito.

1º WebSocialBR reúne experiências do governo no Fediverso e lança guia produzido pelo Ibram. O guia é uma espécie de cartilha com o bê-a-bá para ingressar no fediverso. (Aproveita e já segue o Manual!)

Cyberspace (em inglês). Uma rede/plataforma social baseada em texto. Tem várias ferramentas (bate-papo, mensagens diretas, comunidades) e temas.

Exposed by Default. O que um site consegue extrair do seu dispositivo quando você o acessa? Este aqui expõe todos os dados possíveis. (São muitos!)

Campanha “mande só o prompt” (em inglês). Em vez de mandar o lero-lero gerado por uma IA, peça ao interlocutor para mandar o prompt que ele escreveu para a IA. Uma campanha que eu apoio.

Como ser encontrado(a) por recrutadores no LinkedIn

Nota do editor: Vagas de emprego são tema recorrente no grupo de assinantes do Manual. Em uma conversa recente, surgiram tantas dicas legais para o LinkedIn que acabamos com uma espécie de guia para se dar bem na plataforma. Agradecimento a todos que contribuíram, em especial à Marcia que guiou o debate, ao Caique que salvou a conversa e ao Paulo, que condensou muitas mensagens neste texto conciso.

Ninguém gosta do LinkedIn, mas muita gente precisa estar lá para se candidatar a vagas em diversas empresas que, com sorte, vão enviar uma mensagem automática dizendo que decidiram seguir com outro candidato. Mesmo assim, é necessário tentar entender como essa Disney corporativa funciona e como ela pode (sim, é possível) te ajudar a conseguir um emprego menos arrombado.

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