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A queda e o retorno do maior canal de Big Brother Brasil do Telegram

Montagem com o logo do Telegram em um favo, sobre os favos de redes sociais e propriedades da Globo do #RedeBBB.

Não são muitas as atrações televisivas que perduram por longos períodos no ar sem cair no ostracismo. O Big Brother Brasil (BBB), reality show da Rede Globo prestes a encerrar sua 21ª edição, é uma dessas raras exceções, e só conseguiu isso pelo alto nível de adaptação que vem demonstrando há mais de duas décadas.

Um exemplo dessa adaptabilidade ocorreu em 2017, quando a Globo criou a #RedeBBB, uma cobertura multiplataforma do programa. Como aquela hashtag insinua, foi um salto de cabeça na internet, uma aposta alta na força das redes sociais para alavancar ainda mais a influência da atração. A iniciativa revelou-se uma tacada de gênio. Desde então, a comoção com o BBB nas redes, em especial no Twitter e no Instagram, tem sido gigantesca.

O logo da #RedeBBB exibe uma colmeia em que cada favo representa um território virtual onde o BBB fincou bandeira: a TV Globo, o Multishow e o pay-per-view (TV); o site Gshow e o Globoplay (plataformas digitais próprias); e Facebook, Instagram e Twitter (redes sociais).

Em 2021, faltou um favo: o do Telegram.

Os canais do Telegram que se dedicam à cobertura do Big Brother explodiram em popularidade na edição deste ano, a ponto de incomodar a toda-poderosa Globo. O maior deles, Canal Espiadinha (@espiadinha), chegou a 300 mil seguidores, foi derrubado por supostamente infringir direitos autorais, e com a ajuda dos fãs se reergueu e chega à final do reality com quase 200 mil pessoas acompanhando suas atualizações ininterruptas.

O Espiadinha BBB é cria da carioca Erica Mathias, de 19 anos1, autodeclarada “fanfiqueira” — saiu da cabeça dela uma das fanfics mais bizarras e populares do Brasil, a do romance entre o apresentador Fausto Silva e a cantora norte-americana Selena Gomez. Quando a pandemia a impediu de iniciar sua graduação em Letras na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e ela se viu isolada em casa, quis fazer algo e, para isso, voltou-se ao Telegram. “A princípio era um hobby, e depois, aos pouquinhos, foi se transformando em algo mais profissional”, conta.

Print do Telegram para macOS mostrando o canal Espiadinha BBB.
Quase 200 mil pessoas acompanham o Espiadinha BBB no Telegram.

Como muitos brasileiros, Erica sempre assistiu ao BBB. Nos últimos anos, por influência de amigos, teve contato com o Telegram e se interessou pelo aplicativo. Juntar as duas aconteceu quase que ao acaso: “Não foi algo que eu planejei, ‘ai, eu vou traçar uma estratégia aqui no Telegram’. Foi acontecendo com o tempo. Fui entendendo as funcionalidades, o público foi acompanhando, e acabou que deu certo.”

Para Erica, o Telegram tem um grande potencial inexplorado: “As ferramentas são muito boas. Não tem um limite tão rígido de caracteres, tem como usar em forma de blog, linkar, formatar um post bonitinho, colocar fotos, vídeos, é uma ferramenta muito completa e ainda notifica quando chega alguma coisa. É prático, e acho que estava faltando um pouco disso.”

O Manual do Usuário tem um canal no Telegram, onde posta notinhas diárias e alertas dos novos conteúdos do site e dos nossos podcasts. Toque aqui para acompanhá-lo.

Em um mar de canais de BBB, um fenômeno que chamou a atenção logo na largada da edição 2021, não foi só a qualidade da sua cobertura que levou o Espiadinha BBB à liderança no app de mensagens e a atrair gente que sequer o tinha instalado no celular. “Eu não fui o primeiro canal a comentar Big Brother, mas os outros canais eram muito separados por torcida e às vezes eu sentia que não tinha a liberdade de me expressar”, explica Erica. “Aí criei o meu próprio canal e nele eu falei ‘ó, vocês podem torcer para quem quiserem, contanto que não desrespeitem ninguém’. E acabou crescendo.”

Queda e recuperação

E como cresceu. O Espiadinha BBB é, hoje, o maior canal de Big Brother do Telegram, com quase 200 mil seguidores. Era maior, mas ele foi derrubado na manhã de 6 de março supostamente por violação de direitos autorais, acusação derivada da veiculação de trechos de vídeos do reality sem autorização da Globo. “Nós postávamos vídeos, transcrições, e aí começamos a receber ‘strikes’, sabe? No Twitter, sempre foi muito comum as pessoas pegarem pequenos trechos e comentarem, fazerem memes, por isso não víamos problema”, admite Erica.

A frequência dos “strikes”, alertas que a plataforma emite a quem infringe suas regras, alterou a rotina dela e dos seus seis ajudantes: “[Passamos a] postar vídeos mais curtos, a transcrever mais”, explica, “só que os ‘strikes’ não pararam. Até que chegou um momento em que derrubaram o canal, derrubaram mesmo.”

“Ficamos arrasados”, confessa Erica. Mas não o suficiente para se deixarem abater: “Fizemos uma gestão de crise muito pró-ativa. Falamos: ‘vamos fazer alguma coisa, não vamos ficar assim, não’”. Os próprios seguidores se mobilizaram e fizeram um mutirão para divulgar o novo canal, surgido das cinzas do anterior, subindo hashtag no Twitter e convidando amigos para acompanharem-no. Embora tenha 2/3 da antiga base, Erica encara o novo canal como “uma felicidade” porque ele tem um bom engajamento (cada postagem passa fácil dos 500 comentários) e sabe que pode contar com os seguidores caso outros imprevistos surjam futuramente.

Print da mensagem de retorno do canal Espiadinha BBB.
No mesmo dia em que caiu e voltou, o canal Espiadinha recuperou 50 mil seguidores. Imagem: Telegram/Reprodução.

O apoio da base de seguidores é importante porque não há garantias de que problemas do tipo não se repetirão, uma incerteza derivada da opacidade do Telegram. “Mandei e-mails para o Telegram, tuitei contatos; não obtive resposta”, diz ela. Por isso, não é possível saber o que, ou quais conteúdos exatamente, propiciaram a derrubada do canal original.

Na época, especulou-se que a veiculação de posts patrocinados pudesse ser outro fator, talvez até mais relevante que os vídeos, que teria levado à reação extrema da Globo. Ao ser perguntada se acha que a publicidade no canal tenha pesado em sua remoção, Erica desconversa: “Acredito que seja uma questão da Globo de querer monopolizar o ponto de vista, sabe? O pay-per-view não é todo mundo que tem tempo de assistir, e às vezes por uma questão logística eles tenham achado que o canal estava prejudicando mais do que ajudando. Criei uma rede de interatividade que quem está assistindo ao Big Brother não tem, mas essa interatividade gera interesse no programa.”

Erica não abre valores, mas afirma que se mantém com a renda proveniente das inserções publicitárias que rolam no Espiadinha BBB e em outros canais que administra. Além disso, ela consegue remunerar seis “adms” (abreviação para administradores), pessoas que se revezam na ajuda para cobrir o BBB.

BBB e além

O Big Brother Brasil tem servido como um “botão turbo” para a transformação digital da Globo. Em março, os usuários do Globoplay gastaram 253,3 milhões de horas na plataforma, atraídos em grande parte pelo BBB. O número é 119,6% maior que o do mesmo mês de 2020.

É um percentual altíssimo, mas que quase some frente ao crescimento do Espiadinha no mesmo período. O canal, apesar de ser associado ao BBB, não se dedica exclusivamente a ele. “Nós cobrimos o A Fazenda 12, foi uma cobertura como a gente faz do BBB”, diz Erica. “A diferença é que ainda não tinha o público que a gente tem agora”. Ao final do reality show da Record, em 2020, o canal tinha 4 mil seguidores. O salto, para quase 200 mil durante o BBB 21, representa um crescimento próximo de 5.000%.

Erica nunca falou com alguém do Telegram, tampouco da Globo, mas acredita (“são ‘achismos’ nossos”) que o seu canal foi percebido e influenciou mudanças na estratégia da emissora carioca: “Agora tem uma opção de um QR Code lá e eles te mandam notificação [no app do Globoplay] do que está acontecendo no pay-per-view. Isso não tinha antes. Acredito que é uma ferramenta que foi criada para combater os canais do Telegram.”

Mulher de cabelos curtos cacheados, sorrindo, usando fones de ouvido brancos e vestido preto de bolinhas brancas.
Erica, dona do canal Espiadinha BBB no Telegram. Foto: Arquivo pessoal.

O fim do BBB 21, marcado para esta terça (4), não amedronta Erica. Como dito, o Espiadinha é um canal de realities, e a agenda para 2021 está cheia: há coberturas planejadas do No Limite (Globo), Power Couple e A Fazenda 13 (ambos da Record), e “todos esses realities vão preenchendo o espaço até o BBB 22, que é um grande reality, mas não é o único”, comenta.

Além dos realities, Erica ramificou o seu empreendimento, transformando o canal em uma “rede Espiadinha”: hoje há canais paralelos dedicados à música pop, animescinema. Nenhum é tão grande quanto o original, mas em todos é perceptível o esmero e o uso inteligente dos recursos que o Telegram oferece. “O Telegram compacta várias coisas, e aí eu consegui produzir coisas [nele] que geram interesse nas pessoas”, diz.

Pergunto a ela qual seu palpite para a final do BBB 21. “Palpite é a Juliette, né? Pela repercussão que ela tem”, analisa. E emenda em seguida: “Agora, torcida é para o Gilberto.”

  1. Sim, ela é mais nova que o Big Brother Brasil.

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3 comentários

  1. Ghedin, você vai me permitir uma brincadeira/provacação de assinante: o ROI do canal dela é melhor que o do MdU hein? Talvez seja o caso de mudar o rumo da companhia pra “alavancar os resultados” do MdU? Abraço.

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