Fundo azul, com uma chamada para um PlayStation 5 no centro. À esquerda, a frase “Ofertas de verdade, lojas seguras e os melhores preços da internet.” À direita, “Baixe o app do Promobit”.

Roteiro da Boca Rosa para o dia a dia no Instagram

Recorte de um story, mostrando uma mulher de costas (aparece somente parte da cabeça) olhando para uma TV com um slide sendo exibido, título “Conteúdo Stories”, seguido de uma lista de situações cotidianas que serão transformados em stories. A TV é segurada por uma mão estranha que parece sair da parede.
Imagem: @centralreality/Twitter.

Há muito o que analisar neste roteiro de dia a dia no Instagram da influenciadora Bianca “Boca Rosa” Andrade.

Em primeiro lugar, é a síntese da capitalização da vida. Nada é espontâneo, mesmo aquilo que parece ser e é apresentado como espontâneo. Nem o “nenein” escapa da espetacularização que a “mamain” promove da própria vida.

Nesse sentido, é praticamente uma demolição da quarta parede: vemos, desnudado, que aquilo a que milhões de pessoas aspiram é uma ilusão, é um produto meticulosamente fabricado. Não que isso seja surpresa ou novidade, mas encarar o “script básico do dia a dia” é similar a assistir aos vídeos do Mister M.

O mais perturbador da cena, porém, é aquela mãozinha assustadora saindo da parede para segurar a TV. O que é aquilo? (E por que ela exibe esse roteiro numa TV? Quem tem uma TV para isso?) Via @centralreality/Twitter.

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14 comentários

  1. Sobre o script na tv, tem cara de ser uma reunião pra discutir o conteúdo e tá ali projetado pra todo mundo ver melhor

  2. O golpe está aí…

    Sério q alguém está surpreso por uma rede focada nas aparências e estética, que a única função é ordenhar dados dos usuários enquanto mantém a atenção deles geraria frutos diferente disso?

    Chocado estou pela mão saindo da parente, por um momento fiquei em dúvida se era esquisofrênico

  3. Não me fascinou em nada o roteiro (a mão sim).

    Concordo com um texto publicado sobre o tema pelo Youpix, segue o copypaste abaixo:

    Estamos sendo enganados pela realidade do Instagram?

    Pra quem é cria do Twitter, deve ter acompanhado a polêmica envolvendo o planejamento (de milhões) dos stories da Boca Rosa. 👄

    Pra quem não viu e não sabe o que tá rolando, deixa eu te contar: Vazou ontem o planejamento de publicações dos stories da Bianca Andrade (a Boca Rosa) aos fundos de um story que ela postou.

    Os twitteiros ficaram ensandecidos. “Como assim nada é autêntico e não é real?” “Como assim até quando ela mostra o bebê (que é uma fofura, diga-se de passagem) é planejado?” “Estão nos enganando esse tempo todo?”

    Pode ser chocante para nós usuários médiso – que não somos creators, mas tenho uma notícia: O Instagram também é sobre negócio. No final do dia, a Boca Rosa tem um objetivo, vender mais!

    O próprio Instagram já anúnciou, há algum tempo, que a plataforma está focada em criadores. Porque também são negócios! 🗣️ e movimentam uma grana significativa, tem uma audiência de milhões, retém atenção das pessoas na plataforma.

    E tem muito estudo, muita análise de dados, muuuita construção para entender qual narrativa da marca o público se conecta mais. E isso é uma estratégia inteligente.

    O planejamento da Boca Rosa não é pra enganar a audiência. É estratégia. É compreender o que a audiência quer ver com o que ela pode entregar e que acima de tudo contribui pra lá na frente atingir os objetivos da marca que é construir imagem, reputação e VENDER!

    Pode ser chato pra quem consome o conteúdo ter contato com o planejamento. Mas no final do dia é entender como prender a atenção da galera. E dá certo – além de ser mega importante.

    Em tempos de rede sociais, quem consegue prender atenção da audiência é rei! Sem planejamento estratégico quem cria conteúdo não é NINGUÉM!

    Nas últimas semanas, estava lendo esse artigo aqui do ThePittNews que chama “A Economia do Criador pode prejudicar os usuários” e fala um pouco sobre como é essa relação de navegar nas redes sociais quando nelas estão envolvidas negócios e economias inteiras.

    E choca porque hoje, as mídias sociais tem uma função diferente do que tinha quando a gente chegou e escolhemos nosso primeiro username.

    1. A análise do YouPix é superficial, termina antes de chegar à discussão que importa.

      Acho que ninguém ficou chocado com o fato a Boca Rosa (ou qualquer influenciador) planejar o que posta no Instagram. O que incomoda nessa imagem é que ela escancara o fato de que não existe espontaneidade nas redes sociais comerciais. Toda espontaneidade é planejada, seja de gente como a Boca Rosa, seja de anônimos que são influenciados por ela — e são, ou ela não seria bem sucedida no que faz.

      A imagem que as redes sociais como o Instagram e que influenciadores como a Boca Rosa vendem, de que esses ambientes servem para mostrar a vida, que os influenciadores são gente como a gente (eu escreveria “relatable” se este fosse um texto do YouPix), é balela. A gente finge que acredita, e seria ok se terminasse aí, mas não termina. Essa coisa é tão popular e viciante que esse modo de vida da Boca Rosa impregna tudo e todos, uma lógica financista que deve ter implicações profundas em nossa maneira de ver o mundo.

      1. Bingo.

        Acho que é por isso que é difícil eu ver algum vídeo de influencer brasileiro. Geralmente é fácil sentir o jeito que falam como se fosse um “script para autor”. Soa forçado, querendo ou não.

        “E agora uma palavrinha de nosso patrocinador”…

      2. Realmente, está muito impregnado. É só ver os dados do artigo da Folha, abaixo. O “quero ser youtuber” de uns anos pra cá virou o “quero ser incluencer”.

        É como se abrir o Insta~ (ou qualquer outra rede) você entra em um imenso intervalo comercial disfarçado de vida das pessoas.

        “Brasil tem mais influenciadores do que dentistas e engenheiros civis”

        https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2022/05/brasil-tem-mais-influenciadores-do-que-dentistas.shtml (use o https://12ft.io/ para tirar o paywall)

  4. Gostei da mão saindo da parede, ficou bem assustador, acho que não era a intenção.
    Quanto a tv exibir o roteiro, será que a exibição não faz parte de algum roteiro, como um simulação dentro de uma simulação dentro de outra simulação e etc…A artificialidade é tão grande que até o que seria um “furo” também é artificial.

  5. ” ‘script básico do dia a dia’ é similar a assistir aos vídeos do Mister M.”
    Sei lá, mas os vídeos do Mister M eram mais legais de assistir. O que mais me incomoda é que para boa parte da população adulta que acompanha esses youtubeiros, influencers e afins, sabe que esses vídeos e estilo de vida são ilusões fabricadas. O problema todo são os adolescentes que acompanham isso e acreditam de fato que isso é real. E sim, eu tenho uma antipatia enorme dessa turma toda! Meu filho, que mora com a mãe (que não observa essas coisas como deveria), vive deslumbrado com as ideias ruins que essa turma passa.

  6. Já vi comentários de que “o espontâneo não tem graça”. Infelizmente, essa é a realidade.

    Por falar em espontaneidade, já viram falar do app BeReal?

      1. Infelizmente, essa ‘falta de motivação para viver’ não chega a ser algo extremo, mas a perda de interesse por coisas “reais” é realmente triste.

        Eita! Eu achei tão legal o BeReal. kkkk Acabei viciando.

    1. É esse o problema. Você tem duas opções: Ser você mesmo ou monetizar seu canal. Você é obrigado a escolher uma opção, e tão somente essa. Você perde nas duas, escolha qual tu vai perder menos.

    2. O único brasileiro em vídeo que acompanho é o J. Roberto, do “Ônibus na Rodagem”. Creio que é o único canal brasileiro que vejo que tem uma naturalidade ao falar, não soa forçado. É bem “espontâneo” mesmo.

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