O problema da biometria nas urnas eletrônicas
Felipe Ventura, no Gizmodo:
Em Maringá (PR), o vice-prefeito disse que a biometria é um “vexame nacional“. E o presidente do TRE-RJ, desembargador Bernardo Garcez, comentou que as urnas biométricas “foram uma solução para um problema inexistente”. Nós precisamos mesmo da biometria nas urnas?
Não presenciei isso, já que voto em Paranavaí e lá ainda é à moda antiga. Em plena capacidade a biometria deve ser mais rápida, mas desse jeito, com tanta demora e, o que é mais grave, falhas grotescas de software e procedimentos, talvez fosse o caso de reconsiderar o uso da tecnologia ou restringi-la a poucas cidades-testes até que ela seja aprimorada.
Trabalho no TRE/RN. Acredito que nas cidades onde deu problema foi culpa da má qualidade na prestação de serviço no período da coleta de digitais. À época, foi feito contratação temporária de vários terceirizados e administração priorizou produção e velocidade no atendimento, esquecendo da qualidade. Resultado: muitas digitais aceitas na marra sem contraste suficiente, entre outras formas de acelerar o atendimento. Nós, servidores, já prevíamos que teríamos muito trabalho e atraso nas eleições por causa disso.
Além disso, diferente de outros anos, O TSE programou as urnas para que só liberassem a votação após oito tentativas sem sucesso no reconhecimento da digital. Lembro que antes eram três. Somando esse fato ao anterior, dá pra entender o motivo dos atrasos.
Fora isso, ainda temos os motivos de demora de sempre, como velhinhos que ficam vinte minutos olhando para a tela da urna sem saber o que estão fazendo ali, e até novidades, como as pessoas que achavam que a urna era touch screen, fruto dos novos tempos com smartphones e TAA bancários com essa tecnologia…
Surreal essa história das pessoas achando que a urna é touchscreen!
Pois é! Hehehe! Ouvi essa história de mais de uma fonte e conheço pessoas que presenciaram cenas do tipo. O cidadão ficava lá dizendo que não estava aparecendo nada.
O mesário perguntava: “está aparecendo o que na tela?”.
E ele: “nada”.
“Aperte os números no teclado!”.
“Não está aparecendo os números!”.
Tanto minha esposa quanto eu, que votamos em seções separadas, tivemos sorte: nada de filas e a biometria funcionou sem problemas. Como já vi dar muito problema com essa tecnologia, esperava um caos completo. O que, pelo visto nao aconteceu. Seria interessante mostrarem a quantidade de urnas onde a biometria deu problema…
Aqui em Maringá eu fiquei cerca de 1 hora na fila. Provavelmente a demora foi por causa de falhas no reconhecimento biométrico e, em menor grau, também porque muita gente não faz a colinha e fica tentando lembrar os números na hora que já está na cabina.
Minha mãe ficou ainda mais tempo na fila, foram 2 horas. Em um certo colégio daqui, houve quem ficou até 5 horas. :o
Foi mais rápido ir a Paranavaí, votar e voltar!
No DF, onde todo mundo votou com biometria, teve de tudo. Minha esposa não teve problema na seção dela, mas na minha seção estava tudo mais complicado e eu mesmo não consegui em nenhuma das oito tentativas.
Claramente o TSE teria que pisar no freio e dar uma boa olhada no que aconteceu, já que os problemas não foram isolados (podem não ter sido muitos, mas ocorreram em todos os lugares). Mas o histórico da área de TI daquele tribunal não me dá nenhuma esperança de que isso vá ocorrer.
Mas já é restrito a algumas poucas cidades-teste, não?
Foram 764 nessas eleições. É um bocado de cidade.
Bom, 15% da população não é exatamente “poucas cidades-teste”, my bad.
Digital é bacana mas nunca funcionou tão bem… talvez reconhecimento facial seja uma ideia melhor. E o procedimento em caso de não identificação tem que ser melhor, pedindo documento do eleitor, de preferência com foto, não só o mesário digitar uma senha.
Eu votei em Niteroi onde tem biometria. As filas estavam gigantes, mas não sei se era por causa do biometria ou porque a minha nova seção eleitoral era muito movimentada. O processo de biometria comigo foi bem rápido, coloquei o dedo e reconheceu de primeira. Também não vi demorando com outros eleitores na mesma fila que eu.
O Felipe também votou em Niterói. Por lá parece que três seções foram mais problemáticas: centro, Largo do Batalha e Santa Cruz. Saiu uma matéria na Agência Brasil especificamente sobre a cidade: http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2014-10/biometria-causa-filas-em-niteroi-que-tambem-registra-boca-de-urna
E sim, na mesma matéria há elogios de eleitores ao sistema. Somemos o seu aos deles :-)