Como a estrategista de marcas Beatriz Guarezi trabalha

Foto da Beatriz Guarezi.
Nota do editor: Nesta seção, a cada 15 dias entrevisto profissionais de diferentes áreas a respeito de produtividade e da relação deles com a tecnologia. Veja os anteriores.


  • Nome: Beatriz Guarezi.
  • Cidade onde mora: São Paulo (SP)
  • Emprego atual: Estrategista de marcas na agência Ana Couto e dona and proprietária, editora, autora e faz-tudo no meu projeto de conteúdo, a newsletter Bits to Brands.
  • Computador: Eu uso o PC do trabalho pra tudo, e só o que posso dizer sobre ele é que é um HP. Estou sem PC “doméstico” no momento, então não tenho a menor ideia…
  • Celular: iPhone 7.
  • Gadget favorito: Kindle <3

Como você chegou onde está?

Encantei-me pelo poder das marcas de influenciar pessoas, aumentar o valor de um produto, de amplificar mensagens, de retratar estilos de vida, personalidades e até toda uma geração. Isso era 2013, mas carrego esse encantamento e senso de responsabilidade comigo até hoje.
Passei mais ou menos três anos estudando metodologias, lendo (muito) sobre o assunto e ajudando marcas de diversos segmentos no seu “antes e depois” e na sua concepção, atuando na parte de estratégia.

Em 2015 voltei à sala de aula, dessa vez em Boston. Durante essa que foi uma das experiências mais legais que eu já tive, “despertei” novamente — dessa vez para a tecnologia. Tanto trabalhando com uma startup entre Boston e São Francisco, quanto vivendo um dia a dia de inúmeros aplicativos e muita conveniência.

De volta ao Brasil, o objetivo era claro: unir minha bagagem em branding com o fascínio pelo mundo tech. O destino escolhido foi São Paulo.

Comecei por uma empresa de tecnologia, atuando com marketing de conteúdo, e um ano depois surge a encruzilhada que me traz a este momento. Eu queria ficar em tecnologia, mas sentia falta da estratégia. Eis que surge uma vaga na Ana Couto, uma das agências referências do país em branding, eu aplico e em poucas semanas estou dentro.

“E a tecnologia, onde fica?” Como resposta, criei a Bits to Brands, um espaço para reunir os dois universos que me compõem como profissional e que estão profundamente entrelaçados.

Como é um dia típico de trabalho seu?

Mesa de trabalho da Beatriz cheia de canetas, papéis e com uma caneca de café.
Foto: Beatriz Guarezi/Arquivo pessoal.

Cheio. Intenso. Infinito, hehe.

O dia a dia na agência ocupa o horário comercial, enquanto as atribuições da Bits to Brands ocupam o “after hours”, o que estica os meus dias geralmente até 23h, quando não mais.

Olhando assim parece que é traçada uma linha exata às 19h que divide um “emprego” do outro, mas na prática tudo anda em paralelo. Às vezes eu começo o dia com um texto da newsletter rendendo muito bem, então o trabalho se estende à noite — ou o contrário.

Em regra, eu começo toda segunda-feira com a check-list de atividades da semana — desde contas a pagar até etapas de entrega de cada projeto na agência e a edição da newsletter da semana, além dos extras ocasionais como preparar aulas, palestras, podcasts e esta entrevista, por exemplo :)

A partir disso, vou tocando cada dia até dar “check” em todos os itens.

Apesar da diversidade de atividades e projetos, algumas constantes na minha rotina são:

  • Abrir as newsletters que eu assino, para ler as notícias do dia e “pescar” bons links para a minha própria curadoria;
  • Tenho muitas reuniões durante a semana, então faço do Outlook meu melhor amigo. É por lá que eu tenho visão de como vão ser os dias e faço questão de bloquear como se fosse um compromisso o tempo para mim, como terapia, almoços e jantares;
  • Ler nos deslocamentos. Já que é difícil ter pausas específicas para ler um livro, uso o trajeto de ida e volta ao trabalho (seja de ônibus ou aplicativo de transporte) para ler algumas páginas todo dia;
  • Anotar o máximo possível. Ideias que surgem, o conteúdo das reuniões, insights para um projeto… Escrever é o melhor método de “download” de tudo que acontece na minha cabeça e me dá a segurança de ter onde consultar uma informação quando ela se perde no caos do dia a dia;
  • Abrir abas. A curadoria para mim não acontece em um momento específico, é durante todo o dia, a semana toda. Então, sempre que eu vejo um artigo interessante passando pela timeline, abro uma nova aba para ele. No momento de filtrar o que de fato vai para a newsletter, vou lendo aba por aba e selecionando.

Você dá muita atenção à produtividade? Se sim, de que maneiras práticas isso se traduz em sua rotina?

Foto da lista de tarefas, em papel, da Beatriz.
Foto: Beatriz Guarezi/Arquivo pessoal.

Menos do que eu deveria, mas dou o máximo de atenção possível.

Hoje, a minha principal ferramenta são minhas listas. Começo toda semana jogando no papel todas as atividades que tenho a cumprir.

Primeiro e principalmente, para não esquecer. Segundo, porque o “riscar” a cada tarefa cumprida me dá bastante senso de realização — inclusive, se eu faço algo além do que estava previsto na lista inicial, acrescento esse item porque gosto de ter a dimensão exata de tudo que eu fiz.

Outra coisa que me ajuda a manter as coisas sempre andando é trabalhar em “versões” de tudo. Eu prefiro construir uma apresentação, por exemplo, primeiro em um grande rascunho onde coloco a estrutura e todas as minhas ideias (v1), depois recheando cada etapa de pesquisa ou material construído pelos colegas (v2) e por último revisando texto e design de cada slide para uma versão final.

Isso faz com que eu tenha todas as etapas evoluindo juntas, ao invés de finalizar 100% uma antes de partir para a próxima. Isso é algo bem particular, mas para mim funciona bem.


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Qual o seu lifehack (atalho/dica/facilitador) favorito?

Manter só as mensagens não lidas/respondidas visíveis. Isso vale tanto para WhatsApp quanto para e-mail.

Eu sou a rainha de me perder em meio à mensagens e e-mails, e sei bem disso. Dizem que a aceitação é o primeiro passo, né? Por isso, mantenho as “não lidas” no topo da caixa de entrada de e-mails e vou vencendo cada uma aos poucos.

Isso faz muita diferença especialmente no WhatsApp, que facilmente se enche de mensagens em grupos, então eu sempre “arquivo” todas as conversas assim que respondo. A sensação de menos coisas aguardando resposta ajuda na ansiedade também.

Você consegue se desconectar de vez em quando?

Certamente menos do que gostaria, mas tomei algumas decisões na minha relação com redes sociais e aplicativos das quais não volto atrás.

A primeira foi desativar notificações push porque percebi que elas tiravam demais minha atenção no trabalho. Pode ser só uma notificação inútil de um delivery mandando promoção engraçadinha, mas perde-se o fio da meada e aí até voltar…

A segunda foi deletar o aplicativo do Facebook, coisa que faz mais de um ano e diminuiu consideravalmente o meu uso dessa rede sociail que eu percebi que não me agregava mais.

A terceira foi fazer uma limpa em todas as contas que eu seguia no Instagram e Twitter. Eu não acredito que a solução (pelo menos para mim) seja largar completamente as redes sociais, mas o que eu posso é garantir que o tempo que eu passo nelas seja melhor aproveitado.

Por isso, dei unfollow em perfis de lojas, blogueiras, pessoas fitness e até pessoas com quem eu não tenho nenhum contato na vida “real”. E agora procuro seguir contas de conteúdo, saúde mental e inspiração (como a @thrive da Ariana Huffington, ou a @obviousmag). Então, sempre que eu pego o celular, tiro algum proveito do que eu vejo.

Quais aplicativos não saem da tela inicial do seu celular?

A tela inicial do celular meio que reflete as áreas da vida, né?

  • Entretenimento: Spotify e Netflix;
  • Vida social: Twitter e Instagram;
  • Locomoção: 99;
  • Trabalho: Slack e Mailchimp;
  • Dinheiro: Nubank e Splitwise.

E assim vai :)

Você tem algum projeto paralelo? Se sim, fale um pouco sobre ele.

A Bits to Brands é uma newsletter semanal para falar de marcas, tecnologia, tendências e comportamento.

É para profissionais de tecnologia que querem pensar nos seus produtos como as marcas que são e para profissionais de marca e comunicação que querem se manter atualizados sobre as maiores marcas do mundo. E também para qualquer um que queira entender o mundo em que vivemos sob esses pontos de vista (tem vários advogados que assinam a news!).

É o meu lugar no mundo, que eu divido com mais de 1.500 pessoas uma vez por semana.

Comecei há um ano meio sem saber no que ia dar e de lá para cá tenho trocado com muita gente, evoluído imensamente como profissional e recebido convites e oportunidades inimagináveis para a Beatriz de um ano atrás (como esse!).

É muito trabalho, mas também muita recompensa.

O que você está lendo no momento?

Acabei de começar The algebra of happiness, do Scott Galloway. Ele é professor de branding da NYU e especialista em tecnologia. Tem um TED talk muito bom sobre o efeito de Google, Apple, Amazon e Facebook sobre nós, e o seu primeiro livro, Os quatro (também sobre essas empresas), é um dos meus favoritos.

Esse que estou lendo agora é o seu último lançamento, e é basicamente sobre a vida. Sobre carreira, relacionamentos, objetivos… Ele envia uma newsletter semanal com esse tipo de reflexão que eu gosto muito, então resolvi dar uma chance para o livro. Terminando faço uma review na Bits to Brands :)

Que conselhos você daria a alguém interessado em seguir carreira na tua área?

Saia da bolha.

Da bolha das coisas que você gosta, do seu jeito de ver o mundo, da sua zona de conforto, da sua classe social.

Eu tenho descoberto cada vez mais que quanto mais eu aprendo, mais eu tenho a aprender. E tanto marcas quanto tecnologia são áreas em constante evolução, então a gente nunca pode chegar no ponto de “agora eu sei o que eu precisava”. Sempre tem algo que se atualizou, sempre tem um ponto de vista diferente, sempre tem uma novidade surgindo.

Beatriz Guarezi é estrategista de marcas. Encontre-a na Bits to Brands e no Twitter.

Foto do topo: Arquivo pessoal.

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8 comentários

  1. Eu faço parecido com relação as mensagem: e-mail eu deixo as não lidas primeiro (sei que tinha coisas com mais de 1 ano ali, que elimenei porque caducou kkk).

    Já no WhatsApp eu sempre que tenho que fazer algo, marco a conversa como não lida, ai fica aparecendo a bolinha verde e a contagem no cabeçalho do app, então vou fazendo durante o dia (ou semana).

  2. Posso ser o ranheta da vez? Acho que esse é o tipo de entrevista (as respostas, não as perguntas) que pode glorificar uma rotina “na correria, sem tempo pra nada”, como se fosse um troféu a ostentar e necessariamente sinônimo de sucesso. E sobre essa última parte parabéns à Beatriz, por tudo que já conquistou.

    Ademais, acho horrível esse falso cognato/anglicismo de quem usa “aplicar” no sentido de se candidatar a algo. Muito comum em brasileiros que mora(ra)m fora.

    Mas continue com a seção Ghedin, o interessante é ver variedade de perfis mesmo.

    1. O grande problema do aplicar é que ele é uma tradução errada de algo que já existe na LP. O verbo candidatar dá conta de passar o mesmo sentido de aplicar. Sem falar na regência e na complementação do verba aplicar, que já existe na LP e que é distinta do usado pelos RH’s país afora.

      Sendo o mais chato possível – e caindo no normativismo da LP – usar aplicar como sinônimo de candidatar é agramatical.

      A ideia por detrás do uso errado de aplicar é algo que me foge completamente ao entendimento. Não entendo como uma pessoa alfabetizada e escolarizada pode preferia uma tradução errada ao invés de uma palavra já dicionarizada e com gramática definida.

    2. oi Raphael!

      de forma alguma eu quis parecer que meu excesso de trabalho é símbolo de orgulho. os frutos do meu trabalho, sim, são símbolo de orgulho, e são atingidos com uma dedicação extra de horas do meu dia. é uma escolha consciente que eu faço, essa de dedicar o meu tempo (antes livre) a um projeto paralelo, mesmo com um emprego em horário comercial que exige dedicação intensa.

      as conexões, oportunidades e o retorno desse projeto fazem com que o investimento de tempo valha a pena, e enquanto assim for, pretendo continuar.

      dito isso, a intenção não é glorificar, muito menos recomendar esse estilo de vida. ele me pesa – e muito – em outras áreas, que não vieram ao caso nessa entrevista.

      mas, no momento, é o que eu escolho levar. e hoje faz sentido. talvez se eu for responder novamente a essas perguntas daqui uns anos, eu use adjetivos diferentes para descrever minha rotina. espero que “tranquila” seja um deles.

      ah, e sobre o anglicismo, eu consumo muito conteúdo em inglês todos os dias, então acabo usando esse tipo de recurso involuntariamente. não chego a ser dessas de “startar” projetos ou “bookar” compromissos, mas acabo “aplicando” para vagas às vezes sem nem perceber :)

      1. Não tenho mais nada a dizer a não ser: ótima resposta :)

        O bom da seção de comentários do MdU é a prevalência da civilidade mesmo nos debates divergentes.

        Espero que você continue com o bom trabalho e consiga uma merecida tranquilidade daqui a um tempo!

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