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A odisseia da autopublicação: como lançar um ebook no Brasil

Impressão. Gravura do século XIX. Autor desconhecido.

Entrevista com Landulfo Almeida

Manual do Usuário: Fale um pouco sobre você, sua formação e como começou a escrever.

Landulfo Almeida: Tive uma carreira bastante eclética. Sou formado em Engenharia Eletrônica e trabalhei por algum tempo desenvolvendo sistemas de software para automação industrial. Depois disso a vida, e meu espírito inquieto, levou-me a outros caminhos. Fui empresário e executivo de empresas de grande e médio porte, fiz pós-graduação em Marketing e passei muitos anos lecionando disciplinas relacionadas à tecnologia e marketing para alunos de administração de empresas.

Quando relato meu histórico as pessoas estranham que alguém da área de ciências exatas tenha se tornado escritor. A verdade, contudo, é que eu sempre gostei de escrever. Nos tempos de faculdade escrevia críticas sobre filmes, mas não mostrava para quase ninguém. Sonhava em escrever um livro com as resenhas críticas dos 100 melhores filmes que já assisti. Com o passar do tempo passei a dedicar cada vez menos tempo para o cinema e mais para os livros. Aí veio a ideia de escrever uma história.

Como trabalhava muito (passei muitos anos trabalhando durante o dia e ministrando aulas à noite), a inspiração vinha, eu começava, escrevia umas duas páginas e não achava tempo para continuar. Tudo mudou quando minha filha nasceu. Remodelei minha vida, reduzi a carga de trabalho e a inspiração voltou com toda a força.

Primeiro escrevia pequenos contos com histórias infantis que criei para ela, As histórias da princesa Lulu (nunca publiquei). Depois sugiram algumas ideias que registrei para escrever no futuro. Então veio à minha mente a cena inicial de As duas faces do destino -– minhas inspirações sempre começam com imagens, ponto de partida para todo o desenvolvimento da trama. A partir de então, percebi que não podia mais viver sem escrever.

Capa do livro As Duas Faces do Destino, de Landulfo Almeida.
Foto: Editora Novo Século/Divulgação.

MdU: Fale um pouco sobre o livro em si, um pequeno “resumo do autor”.

Landulfo: É uma história de mistério e aventura com pitadas de romance que tem como fio condutor da narrativa a ficção científica. Apesar dessa última observação, o livro se passa quase que totalmente no mundo de hoje, com personagens humanos e complexos. Questões como o amor, a amizade e as escolhas que a humanidade tem feito permeiam sutilmente a aventura.

O livro contra a história de Bruno, um sujeito comum que vê sua vida mudar radicalmente ao conhecer Adrianna. Ele logo descobre que ela é uma mulher excepcional sobre vários aspectos. Adrianna alega ter vindo de um universo paralelo ao nosso. Através dela, Bruno será envolvido em uma trama na qual está em jogo nada menos que o próprio destino da humanidade. Para deter Kerligan Amnael, o antagonista de Adrianna, ele precisará fazer parte do mundo dos negócios bilionários, promover descobertas científicas de última geração e se envolver em espionagem industrial. Terá que enfrentar sabotagens, assassinatos e, principalmente, as próprias dúvidas sobre a história de Adrianna.

Tão importante quanto o mistério e a aventura é a transformação de Bruno, de um brasileiro comum de classe média, sem maiores propósitos em sua vida, a um dos homens mais ricos do planeta, com uma missão quase impossível. As dúvidas e o peso da responsabilidade estarão sempre presentes na narrativa. Parece uma história inverossímil, mas garanto que tudo é muito bem embasado e explicado para dar veracidade à trama. E não falta ação, pode ter certeza.
A aventura começa em Salvador, mas logo se polariza entre São Paulo e Londres. Tento ao mesmo tempo prestigiar o Brasil e tornar a obra universal.

MdU: Quando terminou de escrever, qual foi o próximo passo? Procurar uma editora? Partir direto para a auto-publicação? Contratou alguém ou fez tudo sozinho?

Landulfo: Primeiro tentei achar um agente literário. Naquele momento esses profissionais eram poucos e difíceis de fazer contato. A maioria não me respondeu e quem o fez não estava aberto ao meu tipo de livro ou mesmo a novos autores.

Passei então a pesquisar as editoras e tentar descobrir quais publicavam livros cuja temática era semelhante à de minha obra, quais recebiam originais e de que forma. Consegui mandar o original, devidamente registrado na Biblioteca Nacional, para cinco editoras. Quase todas me retornaram após alguns meses indicando que não tinham interesse.

No ínterim, através das pesquisas na internet, fechei contrato com uma pequena editora que aceitava publicar os livros em parceria, dividindo os custos. Foi meu grande erro. Perdi tempo e dinheiro e não consegui publicar. Felizmente, nesse processo entendi melhor como o mercado funciona. Conheci alguns autores nacionais através da rede mundial e recebi uma dica sobre a Editora Novo Século e o selo Novos Talentos da Literatura Brasileira. O contato foi fácil e o retorno rápido. Fechamos o contrato pelo selo Novos Talentos. Sugiro que os autores iniciantes conheçam o programa, é muito interessante (o autor participa com parte dos custos de publicação). Estou extremamente feliz em fazer parte do conjunto de autores da Novo Século.

MdU: Está satisfeito com o resultado financeiro? Ou isso é o que menos importa?

Landulfo: Tudo importa. O resultado financeiro é um espelho da quantidade de pessoas que leram seu livro. E, salvo alguma exceção, todo autor que publica sua obra deseja ser lido pela maior quantidade de pessoas possível.

Dito isso, embora o resultado financeiro ainda esteja abaixo do desejado, está de acordo com as expectativas. Seria um erro gerar grandes expectativas de vendas para um autor novato no mercado de ficção brasileiro em um curto espaço de tempo. Porém, acredito que o trabalho contínuo de divulgação, a publicação de novas obras e o crescimento do número de leitores no Brasil oferecerá as condições para que este retorno financeiro se torne satisfatório.

MdU: O que você diria a um autor iniciante, que está terminando de escrever seu primeiro livro?

Landulfo: Pesquise. Participe dos eventos literários, seja de forma presencial ou virtual. Acompanhe os blogs literários e as páginas das editoras. Consulte os autores já publicados, famosos e desconhecidos. Pergunte! Tem muita gente disposta a passar os conhecimentos e experiências adquiridas. Eu mesmo já respondi a várias pessoas que me contataram e muitas já me ajudaram.

Se você ama escrever, não desista diante das dificuldades. É difícil publicar e ser lido, mas os prazeres superam em muito os obstáculos.

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32 comentários

  1. Olá gostaria de saber de você que já tem algumas obras, a vendas. Como tem sido as vendas nessa plataforma tem dado certo?

    1. Daniel, em plataformas digitais eu vendi exatamente 13 cópias. :-)
      Claro que não houve campanha de marketing, não fui a eventos… tem muita gente que consegue números mais robustos, mas para isso você precisa dedicar tempo e recursos.
      Um grande abraço!

  2. Este ano publiquei meu livro, em capa comum e ebook, na Amazon. ´É sobre o tema desenvolvimento pessoal (autoajuda). Trata-se de um método que elaborei, e sempre funcionou comigo para atingir minhas metas, realizar meus sonhos. Por isso, decidi colocá-lo por escrito e desse modo ajudar meus semelhantes a realizarem seus sonhos, alcançarem seus objetivos, atingir suas metas, de modo simples, intuitivo e eficaz. Quem comprar o livro em papel, recebe o ebook grátis.

    Deixo abaixo o link para pesquisarem :

    https://www.amazon.es/dp/1976851432

    Felicidades à todos.

  3. Puxa, não consegui parar de ler. Obrigado pelas informações, são extremamente úteis. Vale lembrar que não há um vencedor que não tenha incorporado o espírito da perseverança. Mesmo os grandes começaram pequenos!

  4. Sou designer e comecei a escrever. Pensei no amazon e nessas outras editoras em que você envia o arquivo e eles publicam. Mas achei o lucro extremamente pequeno. Criei um site e estou pensando publicar por la mesmo sabendo da pouca visibilidade. Posso pagar alguem pra traduzir em ingles e publicar nessas redes sociais de autores. Otimo texto, muito obrigado!

  5. Parabéns Marcellus,
    muito elucidativo teu texto. Tenho uma obra que já foi publicado online, já foi publicado por uma editora física, já comercializei, acho que devo ter vendido cerca de 400 exemplares. Mas estou muito a fim de publicar no formato e-book, recebo propostas de editoras online que pedem uma grana pra formatar e etc e depois publicar, divulgar e vender. Ainda estou estudando se esse é o melhor caminho ou simplesmente faço a autopublicação, o que vc sugeriu. Veja no link https://www.facebook.com/aanatomiadodivorcio/?fref=ts

    Abraço!
    Maik Oliveira

  6. Sou leitor assíduo de C7 e recomendo a todos que gostem de ficção científica. E até os que não curtem muito, pois a série é divertida para todos os gostos e é impossível não se apaixonar pelos personagens. Aprendiz, bjo, me liga! Rs! :-)

  7. Olá a todos.
    Achei muito interessante ler os prós e contras da publicação e da autopublicação online. Gostaria de poder compartilhar aqui com vocês, até mesmo numa tentativa de incrementar o post: a plataforma XinXii também atua na autopublicação de eBooks de maneira gratuita.
    Para eBooks de ficção, o ISBN sai de graça. Basta você fazer o upload e seguir as instruções.
    Para saber como publicar no XinXii, basta clicar no link. São somente 3 passos e você já estará com seu conteúdo online.
    Grata
    http://www.xinxii.com/gd_cms.php/pt?page=publish_pt

  8. Excelente texto, parabéns. Você explica de uma forma tão clara que só não entende quem não quer.
    Quanto ao GOOGLE PLAY realmente é uma complicação miserável.Consegui disponibilizar parte dos textos dos meus livros no GOOGLE BOOKS, mas queria comercializá-los no google play e não consegui. Eles disseram que o google ainda não está vendendo livros de autores brasileiros. Só que no site deles tem vários livros de brasileiros.

  9. Olá pessoal,
    achei o psot maravilhoso, bastante didático e de muita ajuda para quem quer começar a autopublicar mas não sabe quais os primeiros passos para isso.
    Eu gostaria de sugerir aqui também uma plataforma gratuita pela qual publiquei um livro infantil, a xinxii.com/pt
    É tudo gratuito, ISBN também é grátis para a categoria ficção e você ainda venda nas lojas parceiras como Amazon, Kobo, livraria cultura, tudo através do único perfil no XinXii. Acho uma boa oportunidade também, já que a dificuldade para nós é bem grande.
    Sorte a todos! Abraços
    Verô.

  10. É possível e viável publicar obras de domínio público?? A minha ideia era fazer uma boa capa e uma diagramação e colocar alguns livros a venda por um bom preço.

  11. Marcellus,

    Eu tenho pretensões de autopublicação um livro didático. Você acha que é uma ideia razoável? Imagino que exista uma grande dificuldade na formatação dele (matemática) e ainda não fui atrás desses detalhes.

    1. Olá, Eloy, há quanto tempo, hein?! :-)

      O problema da formatação de fórmulas matemáticas foi um dos pontos de discussão da versão 3 do formato epub. Nunca fiz o teste, mas a especificação diz que há suporte a MathML, o que deve fazer com que equações e gráficos apareçam como o autor imaginou.

      Infelizmente, o Kindle não suporta o formato e, pelo pouco que li, você teria que enfiar as fórmulas como imagens PNG. Não é o melhor dos mundos…

      Agora, sobre o mercado, sinceramente não sei dizer. O que tenho visto na faculdade de engenharia é desalentador: a maioria não tem noção do que seja um Kindle e já houve casos de *professores* divulgando sites onde é possível baixar cópias digitalizadas. Então, comercialmente talvez não valha a pena.

      Por outro lado, como realização pessoal é uma coisa fantástica! Se eu fosse você, tocaria como um projeto de final de semana. Mal não fará. ;-)

      1. Sem dúvida!
        Você sabe se existem empresas que formatam o livro em Epub3 a partir de originais em word?

        1. (Muito tempo depois, olha eu aqui!)

          Eloy, o iBooks Author que o Marcellus cita no texto, embora possa ser usado para diversos fins, foi concebido para a criação de livros didáticos. Não sei se usa ou se tem pretensões de usar um Mac, mas dependendo da importância desse projeto, pode ser uma boa.

          1. O projeto é importante (target: jan/2015), e acredito que seja quase impossível levá-lo sozinho; precisarei contratar uma empresa ou um digitador/diagramador competente e dedicado. :-)

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