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Indústria da IA não aceita “não” como resposta

Há dias estou com uma frase do David Bushell na cabeça:

Mais alguém notou que a indústria de IA não aceita “não” como resposta? A IA está sendo forçada em cada canto da tecnologia. É incompreensível a eles que alguns de nós não estejam interessados.

David reclamava de ter recebido comunicados da Proton oferecendo a Lumo, sua IA generativa, mesmo tendo sinalizado expressamente que não queria receber mensagens do tipo. O pior é que a Proton, em vez de assumir o erro e desculpar-se, insistiu em justificativas absurdas para dizer que não havia erro. Só cedeu quando um executivo entrou na jogada, e só depois do post viralizar.

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Acho que ninguém quer IA no Firefox, Mozilla

A Mozilla está desenvolvendo um assistente embutido no Firefox que será oferecido como um terceiro modo de navegação, ao lado do normal e das abas privativas. Eles o chamam de “Window AI”, ou janela de IA.

Os detalhes ainda são escassos. O que dá para antecipar, com base no anúncio oficial desta quinta (13), é que será uma implementação mais profunda que a barra lateral, já disponível, que dá acesso a chatbots de terceiros (ChatGPT, Gemini, Copilot etc.). O texto enfatiza que o recurso será opcional e que o usuário “está no controle”.

Há uma lista de espera para testar o recurso e uma discussão no fórum da Mozilla para que as pessoas “ajudem a moldar” essa iniciativa.

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Offline Translator funciona offline graças ao uso dos modelos de tradução da Mozilla

Ícone do Offline Translator: caractere japonês e letra “A” contra fundo salmão.

Sim, é verdade: a Mozilla está metida com esse negócio de inteligência artificial. Apesar do desgosto de parte dos usuários do Firefox, nem tudo são mãos com sete dedos.

Uma das primeiras iniciativas da Mozilla em IA generativa foi desenvolver modelos de tradução eficientes a ponto de rodarem no próprio dispositivo. O recurso já existe no Firefox e está disponível para quem quiser usar.

É a melhor tradução do mundo? Longe disso, mas quebra o galho quando trombamos com uma palavra esquisita ou caímos em uma página escrita em idioma desconhecido.

David Ventura pegou os modelos de tradução da Mozilla e os empacotou em um aplicativo para Android. Melhor desenvolvedor que marketeiro, batizou-o de Offline Translator.

O principal chamariz e diferencial para o Google Tradutor é que as traduções acontecem no próprio dispositivo, localmente. Em outras palavras, o texto não é enviado à nuvem para ser traduzido.

Além de trabalhar com frases digitadas pelo usuário, o Offline Translator oferece OCR (traduz textos presentes em imagens) e faz a transliteração de idiomas não-latinos.

Ao todo, são 52 idiomas suportados. Deve-se fazer o download dos modelos/idiomas desejados de antemão (o tamanho varia de 30–60 MB cada). Em celulares que oferecem o recurso, os modelos podem ser baixados na memória externa (cartão microSD).

O Offline Translator é gratuito e tem o código aberto. Está disponível para baixar apenas na loja F-Droid.

A Mozilla anunciou o encerramento do Pocket, um dos serviços pioneiros do tipo “para ler depois”.

A partir de 8 de julho, o Pocket não permitirá mais salvar, ou seja, ficará em “modo leitura”. Os dados poderão ser exportados até 8 de outubro de 2025. Depois dessa data, eles serão apagados.

Segundo a empresa, “a maneira como as pessoas usam a web evoluiu”, o que justificaria o redirecionamento de recursos para “projetos que combinam mais com os hábitos de navegação e necessidades online”.

O PC do Manual tem uma instância do Wallabag, uma boa alternativa ao Pocket. Para usá-la, precisa ser assinante do Manual.

Logo do Firefox. Silhueta de uma raposa de fogo envolta em um círculo azul.

O Firefox 138, lançado nesta terça (29), traz o aguardado gerenciador de perfis. A documentação oficial (em inglês) explica que “criar vários perfis permite que você mantenha dados de navegação, temas ou configurações separados para diferentes propósitos, como trabalho e uso pessoal”.

Há, também, novas opções de contraste com foco em acessibilidade e, no Windows 11, menus de contexto passam a ter aquele aspecto translúcido, padrão no sistema. Notas de lançamento e download.

Print da Dock do macOS, com o Firefox aberto usando o ícone “Derp Fox”.
Imagem: Manual do Usuário.

Pela primeira vez em muito tempo, passei batido por brincadeiras de 1º de abril. Acho que deu, né? A do Firefox, que acabou cancelada, seria engraçada: a Mozilla substituiria o logo da página inicial por um “derp fox” que gira quando o cursor do mouse passa por cima.

Dá para extrair o logo acessando esta URL no Firefox (testei no 137.0): chrome://activity-stream/content/data/content/assets/derp-fox.png

E é possível, também, ativar a página inicial que nos foi negada! Alguém no Reddit descobriu como fazer. Basta acessar o about:config e alterar o registro browser.newtabpage.activity-stream.newtabLogo.aprilfools para true.

Eu gostei tanto que adotei o “derp fox” como ícone do app, como se vê ali em cima.

Este commit, no repositório do site da Mozilla, remove todas as referências ao compromisso em não vender dados pessoais no Firefox. No arquivo structured-data-firefox-faq.html, da sessão de perguntas e respostas, a pergunta (removida) “O Firefox vende seus dados pessoais?” terminava dizendo que “Isto é uma promessa”. A pergunta e a promessa já não constam no site.

Relacionado: Por que agora, Mozilla?

Por que agora, Mozilla?

A Mozilla apresentou termos de uso para o Firefox. É a primeira vez que o navegador tem um documento do tipo, incomum em navegadores FOSS. Os termos de uso vieram acompanhados de uma política de privacidade atualizada.

Em um adendo no blog onde anunciou a novidade, a Mozilla esclarece que a cessão de certos direitos e permissões, prevista nos termos de uso, não significa propriedade dos dados ou o direito de uso do que acontece no navegador fora dos casos previstos na política de privacidade.

Esse tipo de confusão é normal. Serviços web e aplicativos precisam dessa garantia para operarem com dados dos usuários.

A política de privacidade prevê diversos casos de uso meio decepcionantes, em especial os ligados à iniciativa de “links patrocinados” (ainda indisponível no Brasil) e que envolvem marketing de produtos e inteligências artificiais generativas.

É preciso reconhecer que os dois textos são legíveis, relativamente fáceis de entender por serem livres de “juridiquês”. Também é possível desativar a maioria das (todas?) opções mais invasivas.

Por outro lado, esse anúncio soa como uma contradição ao “ethos” da Mozilla, ou o que se pensa sê-lo; uma contradição com os ideais de quem está atento e se importa com a monopolização da web pelo Google/Chromium e tem, no Firefox, uma espécie de bastião da web aberta.

“Por que agora?”, a Mozilla pergunta no blog. “Embora tenhamos ao longo da história confiado em nossa licença de código aberto para o Firefox e nos compromissos públicos com você, estamos trabalhando em um cenário tecnológico muito diferente hoje. Queremos tornar esses compromissos abundantemente claros e acessíveis.”

É tudo uma questão de perspectiva, claro. Nesse “cenário tecnológico muito diferente”, acho eu que as práticas históricas da Mozilla no contrato com os usuários seriam mais importantes do que jamais foram. Seguir a manada e sujar-se com a publicidade programática acaba com os (poucos) diferenciais que o Firefox ainda sustenta.

Os termos de uso não alcançam o código do Firefox, o que significa que “forks”, navegadores alternativos baseados no da Mozilla, não estão sujeitos a eles. Recomendo o LibreWolf em computadores. O projeto tem por propósito oferecer um Firefox livre do braço comercial da Mozilla e que priorize a privacidade. (E já vem com a extensão uBlock Origin pré-instalada.)

O LibreWolf pesa a mão na privacidade, o que gera alguns transtornos em uso normal da web. Para evitá-los, recomendo desativar a proteção contra fingerprinting (RFP).

Para o Android, o IronFox é recomendado pelo pessoal do LibreWolf. Outra alternativa, menos focada em privacidade acima de tudo, é o Fennec, disponível na F-Droid.

Mozilla e a publicidade digital

Dois posts da Mozilla — da CEO da Mozilla Corporation, Laura Chambers, e do presidente da Fundação Mozilla, Mark Surman — fincaram a bandeira do grupo no campo da publicidade digital. / blog.mozilla.org, blog.mozilla.org (ambos em inglês)

Ambos parecem ser reações às críticas recebidas pelo grupo por uma alteração recente no Firefox, que inseriu — em caráter de testes e com alcance limitado — uma opção ativada por padrão para testar a tecnologia chamada “atribuição com preservação de privacidade” (PPA, na sigla em inglês). / blog.mozilla.org (em inglês)

A instrumentalização do Firefox para a utopia da publicidade digital em larga escala que respeita a privacidade é uma de duas partes da estratégia da Mozilla nesse setor. No caso, a do produto. A outra, de infraestrutura, baseia-se na aquisição da Anonym, formada por dois ex-executivos da Meta, em junho. / blog.mozilla.org (em inglês)

Verdade seja dita, embora esses eventos tenham dado maior proeminência à iniciativa, o flerte da Mozilla com a publicidade não é novo, como nos lembrou Mark ao resgatar um post de maio de 2021 intitulado “Construindo um ecossistema baseado em anúncios com mais respeito à privacidade”. / blog.mozilla.org (em inglês)

Laura admite que a ideia não agrada a todos:

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A Mozilla vai encerrar sua instância no Mastodon em dezembro. A notícia, como era de se imaginar, foi mal recebida por meio que todo mundo no fediverso e fora dele.

A nova CEO da Mozilla tem reduzido as investidas fora das competências principais do grupo, mas ao mesmo tempo investido mais em inteligência artificial “ética”, o que para muitos é uma contradição em termos. De qualquer forma, quanto custa um servidor do Mastodon com algumas centenas de usuários? No mínimo, era um espaço para a própria Mozilla e seus funcionários terem presença em um ambiente que se alinha aos seus ideais.

O anúncio da Mozilla fez com que outras empresas e instituições dentro do fediverso se posicionarem. Comissão Europeia e Vivaldi (o navegador, não o falecido compositor italiano), por exemplo. / techcrunch.com, @mozilla@mozilla.social (ambos em inglês)

Antonio Vivaldi nasceu na Itália, não na Áustria, como informava a nota. (De onde eu tirei isso? Sei lá.)