O Simplenote, aplicativo de anotações com um sistema de sincronia muito bom, está em modo manutenção, o que significa que não há recursos/novidades planejados ou em desenvolvimento, apenas eventuais correções de falhas. A notícia foi dada em um fórum de suporte, o que combina com o fim melancólico do app, comprado pela Automattic em 2013.
Editor de texto
Markdown no Bloco de notas do Windows 11
Minha reação instintiva à notícia de que o Bloco de Notas do Windows 11 ganhou suporte à formatação de texto foi de rechaçá-la. Que blasfêmia! Lendo a notícia, porém, pareceu-me algo interessante: a formatação é via Markdown, dá para alternar entre texto formatado e puro clicando em um botão e, o mais importante, desabilitar a formatação por completo nas configurações do app.
(É por essas e outras que é sempre bom ler além do título da notícia. O do blog da Microsoft que anunciou este recurso, por exemplo, não menciona Markdown, o que me fez esperar pelo pior.)
O Editor de Texto, bloco de notas do macOS, oferece formatação rica (formato *.rtf). É horrível. Acho que só a uso quando abro o aplicativo pela primeira vez após reinstalar o sistema ou ao ligar um computador novo. Minha primeira atitude é trocar o padrão para texto puro, nas configurações.
Dito isso, adoraria que o Editor de Texto do macOS tivesse suporte nativo a Markdown, nem que fosse apenas um destaque de sintaxe, ou seja, sem a renderização da formatação.
Voltando ao Bloco de Notas do Windows, soube que a versão que vem sendo atualizada pela Microsoft com coisas legais (Markdown) e questionáveis (Copilot/IA) nos últimos três anos é, na real, um aplicativo novo. E que o antigo, aquele que passou mais de duas décadas abandonado pela Microsoft, continua acessível em C:\windows\system32\notepad.exe. E que se o novo for desinstalado, o antigo vira padrão automaticamente. É bom ter um becape quando grandes mudanças atingem um software até então confiável.
(Pelo menos é oque diz este comentarista do Ars Technica. Não tenho um PC com Windows para verificar as informações.)
Aplicativos para escrever roteiros comentados por um roteirista profissional
Existem milhões de aplicativos de escrita, seja de roteiro ou de “romances”. Se você quer ser um roteiristas, provavelmente já deve ter baixado algum desses apps de que vou falar. Ou está um pouco perdido. Vou listar os que eu uso, já usei e os que acho que valem a pena mencionar porque sei que alguém usa.
Nigel Goodman é roteirista profissional desde 2009, mas já escrevia roteiros antes de começar a receber por eles, antes de ser trabalho. De lá pra cá, escreveu um montão de coisas que você pode ver aqui. Também escreveu um livro, Entrevista com a Pedra e outros contos, publicado pela Editora Patuá em 2011 (hoje disponível apenas em ebook), está na antologia Vias Obscuras da Editora Pesadilla e já teve alguns contos publicados em revistas.
O indiano Amit Merchant garante que seu bloquinho de notas offline é o melhor…

O Notepad, que o indiano Amit Merchant desenvolve há 9 anos (!), é um web app progressivo, gratuito e recheado de recursos, como modo escuro, exportação para formatos distintos, ajustes na tipografia e legibilidade e até um barulhinho de fundo para ajudar na concentração. Amit garante que seu bloquinho de notas offline é o melhor de toda a internet.
A Microsoft estava testando uma versão gratuita com anúncios (incluindo em vídeo) de Excel, PowerPoint e Word, com vários recursos básicos bloqueados e que só salvava arquivos no OneDrive.
Após a repercussão negativa, a empresa enviou um posicionamento a alguns sites afirmando que não tem a intenção de lançar esse Office zoado. É curioso tanto esforço para desenvolver algo e colocar esse algo para testes públicos sem ter a intenção de comercializá-lo… não?
Em momentos assim, é sempre bom lembrar de alternativas abertas e gratuitas, em especial o LibreOffice.
Sobre editores de texto, Markdown e simplicidade
Um dos pequenos prazeres que tenho no meu trabalho com a escrita é não depender de um ou outro editor de texto. Escrevo em texto puro, formatado em Markdown e publico em HTML — em outras palavras, não preciso usar um editor visual como o Word ou o do Medium.
Por isso, faz muito tempo que uso e aprecio a simplicidade do Editor de Texto (TextEdit.app), o “Bloco de Notas” do macOS. Usasse Linux, estaria igualmente bem servido por aplicativos similares, como o homônimo do Gnome, o Gedit e o KWrite.
Tamanha satisfação não me blinda de experimentar alternativas. Até hoje, porém, nenhuma me convenceu a abrir mão da leveza e simplicidade do TextEdit.app.
O MarkEdit, que descobri recentemente, foi o que chegou mais perto de me ganhar.
Apps novos e atualizados
Fossify Launcher: Um “lançador” para Android do sucessor espiritual do finado Simple Mobile Tools. Parece bem simples (e talvez ainda um pouco cru), como todos os apps do projeto. / Android / github.com/FossifyOrg (em inglês)
Infuse 8: Um dos melhores softwares de “media center” para plataformas Apple, o Infuse ganhou um novo visual e compatibilidade com o Vision Pro. / iOS, macOS, tvOS, visionOS / firecore.com (em inglês)
Inkscape 1.4: Um punhado de novidades, todas explicadas e ilustradas no anúncio oficial, focadas em acessibilidade e personalização. / Linux, macOS, Windows / inkscape.org (em inglês)
Obsidian 1.7: As “novidades reluzentes” da versão são a introdução de um histórico no Obsidian Sync e a edição de pré-visualizações de páginas. Há uma lista enorme de melhorias. Destaque para a velocidade de abertura e uso de memória. / Android, iOS, Linux, macOS, Windows / obsidian.md (em inglês)
Pageboy: Um gerador de sites estáticos que não depende da linha de comando nem de um sistema de templates. Legal! Custa US$ 13. / macOS / pageboy.app
Photomator 3.4: Atualização do editor de fotos do Pixelmator foca em novas ferramentas para organização. / iOS, macOS / pixelmator.com (em inglês)
Threads: Por algum motivo que só deve fazer sentido dentro da Meta, o Threads agora conta com um indicador que denuncia quando o usuário está online. / Android, iOS, Web / @mosseri@threads.net (em inglês)
TickTick 7.4: O app de listas de tarefas ganhou uma nova visualização semanal. Lembra alternativas mais simples, como TeuxDeux e Tweek. / Android, iOS / youtube.com/@GetTickTick (em inglês)
Reeder vira agregador de feeds para quem não entende feeds

A nova versão do Reeder, um dos agregadores de feeds mais tradicionais para plataformas Apple, é bem ousada. Ela rompe com convenções do gênero, como contadores de itens não lidos e organização por pastas, e se aproxima mais do fluxo de conteúdo das redes sociais.
O novo Reeder ainda lê feeds, mas não só: por ele, é possível acompanhar contas do Mastodon e Bluesky, canais do YouTube, podcasts e comunidades do Reddit.
É uma questão de UX, visto que todas essas fontes oferecem feeds RSS, Atom ou JSON, ou seja, podem ser acompanhadas em agregadores de feeds normais.
Outra ruptura do novo Reeder é a ausência de sincronia com serviços externos, como Feedly, Miniflux e Feedbin. O aplicativo só oferece sincronia via iCloud, e confia na lembrança da posição no feed para situar a pessoa em meio a tanto conteúdo. (Lembre-se, não tem contadores de itens não lidos nem pastas.)
Disponível para iOS, iPadOS e macOS, o Reeder cobra uma assinatura de R$ 4,90/mês ou R$ 49,90/ano.
Pela dimensão das mudanças que propõem, creio que o objetivo do desenvolvedor seja alcançar um público que não usa agregadores de feeds. Para quem já usa e gosta do Reeder clássico, a boa notícia é que ele continuará disponível, rebatizado na App Store de Reeder Classic, à venda via compra única de R$ 49,90.
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Novidades e atualizações
[Linux, macOS, Windows] O destaque do Firefox 130 é a tradução de trechos dentro de páginas traduzidas por inteiro. Não sei quando isso seria útil, mas é isso aí. / mozilla.org (em inglês)
[Web] Usa o Canva? O valor da assinatura do serviço aumentou — em alguns casos, em 300%. / ia.acs.org.au (em inglês)
[macOS] Saiu o Moom 4, nova versão de um dos mais antigos gerenciadores de janelas do macOS. Com o Sequoia na boca do forno, com gerenciamento de janelas nativo, será que apps como esse têm futuro? / manytricks.com (em inglês)
[Android, iOS, Linux, macOS, Web, Windows] O Todoist ganhou um leiaute de calendário na visualização “Hoje”. A linha que separa listas de tarefas de compromissos na agenda é bem tênue. / todoist.com
[Linux] Concessio é um aplicativo bem simples que ajuda a entender o sistema de permissões de arquivos em sistemas Unix. / github.com (em inglês)
[Android] Eu não resisto a um editor de texto simples, e o Xed-Editor parece bem bom. / github.com (em inglês)
Falha no Simplenote fez usuários acessarem anotações de outras pessoas
O Simplenote, aplicativo de anotações da Automattic, é um dos favoritos da casa por ser leve, multiplataforma e oferecer um sistema de sincronização rápido e confiável. Ou assim o era.
Na noite do último domingo (18), o leitor Rick postou no Órbita o relato de um evento que ele bem classificou de “muito bizarro”:
Loguei no Simplenote na web e estava me preparando para anotar algumas coisa quando, do nada, minha nota desapareceu e logo em seguida assisti a uma nova nota ser criada e alguém anotando coisas em inglês. Eu fiquei de cara, desloguei e quando loguei novamente, as anotações continuaram, mas agora em esloveno. Acabei escrevendo uma mensagem e obtive resposta; a pessoa me perguntando como eu estava e que não estava nem aí com o que estava acontecendo, hahaha.
Outros usuários do Simplenote relataram a mesma situação no fórum de suporte. Passado algum tempo, a equipe do aplicativo publicou uma atualização no tópico reconhecendo o problema, que, segundo ela, só teria afetado usuários do Simplenote na web — apps para celulares e computadores, não.
No mesmo dia, Rick e outros usuários afetados pela falha receberam um e-mail explicando o que houve e quais medidas foram tomadas para mitigar a falha. Segundo o comunicado:
Semana passada, alguns códigos errados foram implementados, o que fez com que autorizações de login fossem ligadas às contas erradas.
Todas as contas afetadas tiveram os acessos redefinidos e sessões foram fechadas. Em seguida, as desculpas padrões para esse tipo de situação.
Por mais que eu goste do Simplenote, não é um aplicativo indicado para guardar dados sensíveis. A documentação do aplicativo (que, reconheçamos, ninguém lê) diz expressamente que:
As anotações não são criptografadas em repouso [no servidor] devido a restrições do lado do servidor. Por esse motivo, recomendamos não usar o Simplenote para armazenar algo particularmente sensível.
Não que sirva de desculpa para um deslize grave como o dessa semana. Para alguns leitores, grave demais — eles disseram ter perdido a confiança no produto.
FiveNotes 3, app de anotações temporárias, ganha versão para iOS

Há anos uso um tipo de aplicativo no computador que poderia ser rotulado de “papelzinho de anotações”: mais simples que um app de notas, como Obsidian e Apple Notas, e sempre à mão — de preferência com um atalho no teclado global.
O que uso no macOS se chama FiveNotes. Nesta quinta (11), o aplicativo da Apptorium ganhou uma grande atualização. O FiveNotes 3 traz novos recursos e, pela primeira vez, está disponível no iOS/iPadOS, com sincronia de dados via iCloud.
No macOS, o FiveNotes 3 vem recheado de novidades, das quais destaco o suporte a temas, janela flexível (dá para mover, redimensionar livremente e fixá-la nos cantos da tela), novos atalhos no teclado, ações para o Atalhos e um sistema de backup local.
No iOS/iPadOS, o app preserva algumas características e, mais importante, sincroniza as cinco notas com o macOS.
Apesar do mesmo nome, a Apptorium vende o FiveNotes 3 como dois apps independentes, em compras únicas. No macOS, sai por R$ 29,90 na App Store. (Apesar de venderem-no por fora, sai mais barato na lojinha da Apple.) No iOS/iPadOS, R$ 14,90.
Ah, um app gratuito para macOS permite a criação de temas personalizados, compatíveis com ambas as versões.
Bebop, aplicativo para escrever notas em texto puro no iOS

Dizem que grandes mentes pensam igual, e espero que seja verdade. Soube nesta segunda (13) que Jack Cheng, autor do manifesto Slow Web que está na raiz deste Manual do Usuário, lançou um aplicativo para iOS.
O Bloco de Notas deve ser um dos aplicativos mais usados no Windows e, ainda assim, carece de recursos básicos. Só agora o app está ganhando verificação ortográfica e corretor automático. (Um dia, talvez, alguém dentro da Microsoft resolva arrumar o “desfazer” horrível do Bloco de Notas.) Por enquanto, apenas nas versões de testes do Windows 11. Via Microsoft (em inglês).
Atualização (23/3, às 7h40): Aparentemente, o comportamento esquisito do “desfazer” no Bloco de Notas foi corrigido. Obrigado ao Rodrigo Teixeira Dias e Marcellus, que trouxeram a boa nova nos comentários.
E-mail em texto puro
Em meados dos anos 1990, uma guerra foi travada nas caixas de e-mail de quem já estava online. Foi nessa época que o e-mail em HTML chegou, criando discussões acaloradas em BBSs, listas de e-mail e canais de IRC.
É bem provável que a maioria — talvez, você — não saiba do que estou falando. Voltemos uma casa, para ficarmos todos na mesma página.
Stashpad Docs: Alternativa minimalista ao Google Docs
O Stashpad Docs é uma alternativa ao Google Docs com suporte a Markdown e que dispensa a criação de uma conta.
É possível criar textos em grupo, com edição colaborativa em tempo real e suporte a comentários. Para convidar alguém, basta enviar o link de compartilhamento.
Outro detalhe legal é que o conteúdo fica salvo localmente. O que também pode ser um problema, caso você perca acesso ao dispositivo ou apague os dados locais. Fazendo o cadastro, é possível sincronizar documentos — entre outros benefícios.
Atenção: a Stashpad é uma startup financiada por capital de risco. O Docs é o segundo produto deles — o primeiro, um app de anotações com interface de mensagens de texto, não repercutiu como se esperava.
Stashpad Docs / Web / Gratuito
Noto: App de anotações simples e bem feito para Android
Não é porque existem muitos aplicativos em uma categoria que todos são bons ou mesmo seja fácil encontrar um que seja bom.
Tome, por exemplo, a dos editores de texto simples, ou de anotações. Difícil achar um bem feito, apesar da farta oferta.
No Android, o Noto, desenvolvido por Ali Albaali, é uma ótima opção. Gratuito, bem otimizado, com um visual moderno e agradável (já adaptado ao Material You 3) e vários detalhes bacanas, é uma escolha fácil para quem procura por um editor simples sem integração com a nuvem.
Há até algumas opções avançadas, como organização por etiquetas, senhas e lembretes por notificações.
O código é aberto e não há anúncios. Ali diz que o Noto é parte do seu portfólio, ou seja, que serve para “demonstrar suas habilidades no desenvolvimento de software”.
Noto / Android / Gratuito