Preços de memórias subiram 500% no último ano — por causa da IA

por David Gerard

Empresas de IA fecharam acordos no ano passado para comprar praticamente toda a memória disponível no mundo. Nos EUA, os preços estão de 5 a 10 vezes maiores do que há apenas um ano.

A Gigabyte lançou uma nova placa-mãe para PCs que usa memórias DDR4, apenas porque as DDR5 estão impossíveis de encontrar. E com um processador de quatro anos atrás.

A Computer Base apurou que os preços na Alemanha subiram 350%. Discos rígidos e SSDs dobraram de preço.

E não é só o preço que sobe: às vezes você não encontra memória alguma. Isso prejudica mais as fabricantes de sistemas, em especial as grandes. A Apple não consegue manter o MacBook Air em estoque:

Fontes de varejistas dizem que a Apple está com dificuldades para manter o notebook em estoque, e que as remessas de novas unidades estão mais restritas do que eles conseguem se lembrar.

A Apple já tinha problemas no fornecimento do Mac Mini e do Mac Studio. Os preços dos seus celulares também devem aumentar.

As três grandes fabricantes de memória — Samsung, Micron e SK Hynix — preveem que, mesmo se a IA quebrar amanhã, a escassez continuará até 2028 ou mesmo 2030. Não se modifica uma linha de produção da noite para o dia.

A CXMT, fabricante chinesa de memória, estreou na Bolsa de Valores de Xangai fazendo barulho. A CXMT tem 9% do mercado de memória e deve chegar a 12% em 2027. A Apple pediu permissão ao governo dos EUA para usar os chips da CXMT.

A CXMT pode aliviar um pouco a pressão sobre os preços, mas não agora. Cuide bem do que você já tem.

Publicado originalmente no Pivot to AI em 19/8/2026.

O computador da família

Durante ~20 anos, entre os anos 1990 e 2010, o computador de mesa foi o símbolo da modernidade nos lares brasileiros, pré-requisito para futuros promissores e única porta de entrada da internet. Disputava espaço com a TV ou, nas casas maiores, ganhava um cômodo próprio, onde os residentes faziam trabalhos escolares, pesquisas triviais, jogavam e matavam o tempo em sites primitivos de uma web onde o texto escrito reinava.

Era o “computador da família”.

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“Novos” atalhos no teclado do velho macOS

Eu adoro e faço bom uso de atalhos no teclado, o que me leva a aprendê-los com grande interesse e a “treinar” seus usos a fim de assimilá-los à minha rotina. Isso explica, também, meu apreço pelo macOS e seus atalhos globais — alguns são complicados à primeira vista, um problema menor que é compensado pela uniformidade.

Mesmo usando o macOS há mais de dez anos, descobri dia desses, nesta lista, alguns novos (para mim).

Por exemplo, Command + Shift + /, um atalho para a busca nas opções do menu do aplicativo em foco. (Esse é outro recurso muito maneiro do macOS.) Em apps com muitas opções, como editores de vídeo, áudio e planilhas, às vezes é mais fácil usar essa busca do que fuçar nos menus. Agora consigo acioná-la sem tirar as mãos do teclado!

Os “novos” atalhos mais úteis, porém, são os das caixas de diálogo para salvar/descartar alterações em arquivos.

Até agora, eu só conhecia o Return para confirmar a opção em destaque (o botão azul). Quando queria apagar o arquivo ou descartar as alterações, precisava do mouse. Não mais:

  • Command + Backspace apaga o arquivo.
  • Command + D descarta as alterações/não salva o arquivo.

Bônus: o atalho Command + . (ponto final) cancela a opção. (É o mesmo resultado de apertar a tecla Esc, que me parece mais fácil.)

A lista é enorme e recheada de atalhos pouco óbvios. No mesmo site há outra de ferramentas de linha de comando para o macOS e 40 dicas para o iOS.

O Signal para computadores e iPad agora permite importar mensagens e mídias dos últimos 45 dias ao ser conectado ao dispositivo principal (celular com Android ou iOS). Antes disso, não havia sincronia do histórico — opção que permanece disponível.

O trabalho feito para viabilizar essa transferência do histórico ajudará na aguardada migração entre Android e iOS — e vice-versa. O trabalho já começou, segundo o blog do Signal. / signal.org (em inglês)

Ano do Linux (ou do SteamOS)

A “bostificação” do Windows, com publicidade invasiva, poluição visual e IA, é o maior incentivo em décadas para alguém buscar por alternativas. Ou pela alternativa, o Linux.

A Microsoft conta com algumas fortalezas que seguram pessoas no Windows. Consigo pensar em algumas: o Microsoft Office, os aplicativos da Adobe e jogos.

A Valve, dona do Steam, há anos investe em uma camada de compatibilidade, chamada Proton, que habilita jogos criados para o Windows a rodarem no Linux. É a base do seu SteamOS, sistema operacional baseado no Arch Linux e que vem instalado no Steam Deck, o bem sucedido computador portátil da Valve.

Na CES 2025, a Valve anunciou a expansão do SteamOS para outras fabricantes. O primeiro dispositivo de terceiro oficialmente licenciado é o Legion Go S, da Lenovo. / store.steampowered.com

E não deve parar por aí:

[…] o nosso esforço em torná-lo compatível com o Lenovo Legion Go S também aprimorará a compatibilidade com outros computadores portáteis. Antes do lançamento do Legion Go S, lançaremos uma versão beta do SteamOS que deverá melhorar a experiência em outros dispositivos portáteis e poderá ser baixada e testada pelos usuários. E claro que também continuaremos aumentando a compatibilidade e aprimorando a experiência em atualizações futuras.

Os números do Steam confirmam a tendência de crescimento (embora ainda tímida). / gamingonlinux.com (em inglês)

Ouvi alguém dizer “ano do Linux”?

A Dell aproveitou a CES 2025 para anunciar uma mudança na nomenclatura dos seus computadores. Até aí, tudo bem. Só que se a intenção era simplificar, acho que… deu errado? São três linhas — Dell, Dell Pro e Dell Pro Max —, e cada uma comporta três padrões de qualidade — Premium, Plus e Base. (Se precisa de um infográfico para entender, não é simples.) Isso implica a existência futura de um notebook chamado Dell Pro Max 16 Premium (sim, ainda tem o tamanho da tela no nome dos notebooks). / dell.com (em inglês)

A Apple tirou a semana para atualizar alguns computadores. Entre eles o Mac mini com chips M4 ou M4 Pro, anunciado nesta terça (29), com um novo visual que faz dele o menor computador que a empresa já lançou (2×12,7×12,7 cm, pouca coisa maior que um Apple TV). No Brasil, os preços começam em R$ 8 mil — e, finalmente, 16 GB de RAM passa a ser o mínimo nas linhas da Apple. / apple.com, youtube.com/@Apple (em inglês)

Quase dá para pensar em um desses como “portátil”, no sentido de levá-lo por aí para plugar em um monitor e teclado/mouse. (O peso também ajuda; é cerca de 50% mais leve que um MacBook Air.)

Linux terá espaço em notebooks “Copilot+”

A grande novidade da semana da Microsoft foi o lançamento de uma nova categoria de notebooks, chamados PCs Copilot+.

Eles trazem chips ARM da Qualcomm que, as duas empresas juram de pés juntos, são capazes de fazer frente aos da Apple, que desde 2020 fazem os da Intel e AMD passarem vergonha e demolem qualquer justificativa objetiva para alguém comprar um notebook de +US$ 1 mil de outra marca ou com outro sistema operacional.

Há motivos para acreditar que desta vez, depois de algumas tentativas frustradas de levar ao Windows à arquitetura ARM (a mesma dos chips da Apple e de celulares), é pra valer.

O Snapdragon X Elite que move esta fornada de notebooks Copilot+ tem as digitais da Nuvia, startup formada por ex-engenheiros da Apple, que a Qualcomm adquiriu em 2021.

À parte a promessa de lidar com um pé nas costas com recursos de IA, como o Recall e traduções em tempo real em texto (legendas) e áudio, a migração para a arquitetura ARM, se tudo correr bem, deve trazer maior autonomia de bateria e desempenho aos notebooks com Windows.

Do seu lado, a Microsoft disse ter otimizado o sistema para os chips ARM e criado uma camada de emulação para softwares x86 chamada Prism. Se for tão boa quanto a equivalente da Apple, a Rosetta 2, a escassez de apps específicos para ARM num primeiro momento deverá ser indolor aos consumidores.

Os notebooks Copilot+ não serão baratos. O preço mínimo dos da Microsoft e de parceiros, como Asus, Dell e Lenovo, é de US$ 999, o que os coloca no território do MacBook Air, o campeão de vendas da Apple e alvo prioritário da Microsoft nessa investida — não foram poucas as comparações feitas durante a apresentação.

A notícia é boa para mais gente, incluindo quem não gosta do Windows. Em paralelo à colaboração com a Microsoft, a Qualcomm está trabalhando para fazer o seu Snapdragon X Elite rodar suave no Linux. Vários recursos já foram incorporados às versões 6.8 e 6.9 do kernel e o que falta já está mapeado para as duas próximas.

No planejamento da Qualcomm, em novembro teremos acesso a instaladores fáceis e totalmente compatíveis do Ubuntu e Debian.

A julgar pelas decisões da Microsoft em relação ao Windows — que virou um cabide de penduricalhos de IA ou vitrine para serviços “Copilot” —, é bom mesmo que haja suporte a sistemas operacionais alternativos.

O ano do Linux é sempre o próximo, mas para quem já vive no futuro, ter notebooks ARM com bom desempenho que não sejam da Apple é uma ótima notícia.

Scott Yu-Jan usou uma impressora 3D para criar o que batizou de Macintosh Studio, uma espécie de “case” que combina um iPad mini com um Mac Studio, inspirada no Macintosh clássico. Essas gambiarras costumam ser feias e/ou desengonçadas; esta é uma exceção à regra.

Muito legal ver a Lenovo abraçando a reparabilidade em seus notebooks. A nova geração do ThinkPad T14, anunciada no MWC, foi desenvolvida com o auxílio do iFixit e traz vários componentes substituíveis pelo próprio consumidor — memórias, SSD, bateria e até adaptadores de redes sem fio.

É a maior fabricante de notebooks do mundo tomando o caminho oposto à da Apple (a mais lucrativa?), que não permite trocar nada em seus últimos notebooks.

A notícia é especialmente boa para nós, brasileiros, porque ao contrário da Framework (referência em notebooks reparáveis), a Lenovo atua no país e é quase certo que esses novos T14 serão vendidos aqui. Via iFixit (em inglês).