Ano do Linux (ou do SteamOS)
A “bostificação” do Windows, com publicidade invasiva, poluição visual e IA, é o maior incentivo em décadas para alguém buscar por alternativas. Ou pela alternativa, o Linux.
A Microsoft conta com algumas fortalezas que seguram pessoas no Windows. Consigo pensar em algumas: o Microsoft Office, os aplicativos da Adobe e jogos.
A Valve, dona do Steam, há anos investe em uma camada de compatibilidade, chamada Proton, que habilita jogos criados para o Windows a rodarem no Linux. É a base do seu SteamOS, sistema operacional baseado no Arch Linux e que vem instalado no Steam Deck, o bem sucedido computador portátil da Valve.
Na CES 2025, a Valve anunciou a expansão do SteamOS para outras fabricantes. O primeiro dispositivo de terceiro oficialmente licenciado é o Legion Go S, da Lenovo. / store.steampowered.com
E não deve parar por aí:
[…] o nosso esforço em torná-lo compatível com o Lenovo Legion Go S também aprimorará a compatibilidade com outros computadores portáteis. Antes do lançamento do Legion Go S, lançaremos uma versão beta do SteamOS que deverá melhorar a experiência em outros dispositivos portáteis e poderá ser baixada e testada pelos usuários. E claro que também continuaremos aumentando a compatibilidade e aprimorando a experiência em atualizações futuras.
Os números do Steam confirmam a tendência de crescimento (embora ainda tímida). / gamingonlinux.com (em inglês)
Ouvi alguém dizer “ano do Linux”?
Pera aí vai acabar o suporte do win10 como assim!? Oq faço?
Anon, segundo a Microsoft:
Fonte: https://www.microsoft.com/pt-br/windows/end-of-support
Você pode migrar para o Windows 11, como a Microsoft sugere (caso seu PC atenda os requisitos) ou partir para outro Sistema Operacional, como o GNU/Linux, que possui várias Distribuições (Distros). Uma delas, bem popular por se assemelhar ao Windows é o Zorin OS Lite 17.2: https://help.zorin.com/docs/getting-started/getting-zorin-os-lite/
Por aqui, já são 23 “anos do Linux” em meus computadores. E na moral? Tô muito satisfeito com a minha escolha.
Para os usuários domésticos, o Linux e sabores poderiam até ser uma alternativa.
Mas, para as corporações, o Windows não morrerá tão cedo. Ainda mais pela integração do Office 365 com a nuvem Azure/Onedrive/Teams, possibilitando edição remota e interativa.
Fora os inúmeros outros serviços providos e suportados pela Microsoft. Então, o Windows é só uma pequena parte.
Aliás, ter equivalentes do Excel/PowerQuery/PowerBI, Outlook/Exchange, Teams/Office, com a mesma integração/suporte/facilidade de uso para usuários comuns no Linux ainda é um belo desafio. Sem mencionar a questão de integração, padronização e segurança.
Linux é imbatível em servidores/conteiners, mas quem utiliza são especialistas, não os usuários.
PS> não gosto da Microsoft, mas reconheço os serviços dela.
Achei estranho as pessoas não citarem umas coisas aqui:
Sou desenvolvedor de apps e há anos não utilizo nada da Microsoft seja Azure, Windows, Visual Studio, Office, Linkedin, Github, Outlook…
Só alegria.
Ano do Linux… essa promessa é eterna msm. Haha
Mas tô curioso pra saber o q vai acontecer quando milhares de PCs irão ficar sem suporte com a morte do Windows 10. Forçar o povo comprar hardware novo só pra usar W11? Sei ñ…
Ué, ficou como resposta ao seu comentário. Q estranho. Kk
No desktop, acho que houve uma mudança de paradigma significativa.
Nunca imaginei que usaria GNU/Linux como único sistema presente em minha máquina e isso aconteceu graças à minha preferência pela Microsoft: o OneDrive deixou de rodar nativamente no Windows 7 e, ao atualizar para Windows 10, tive problemas de drivers e de atualizações. Hoje, estou com o Debian 12 rodando OneDrive “nativamente” com o app Onedriver.
Há 1 mês, instalei Zorin OS Lite 17.2 no desktop de um familiar (leigo) e até agora nenhuma queixa ou dificuldade de uso.
Nos games, o SteamOS abriu a porteira para leigos rodarem jogos atuais numa Distro GNU/Linux, algo inimaginável há não muito tempo.
Algo que penso muito é: o Windows traz, em regra, uma experiência massificada; enquanto GNU/Linux faz jus, a meu ver, à expressão PC: Personal Computer. Pois cada usuário escolhe a Distro e a personaliza de acordo com suas necessidades / gostos. De forma modular, inclusive.
Se pegarmos um grupo de 10 pessoas que usam GNU/Linux e outro de igual número que usa Windows, quantas Distros e Desktop Environments diferentes teremos. Deixo uma fala do professor Kretcheu a esse respeito:
(Paulo Kretcheu)
Ótimo comentário! Faz um tempo que tinha interesse de instalar um sistema novo e de código aberto; pensei em ir pro Debian, mas me considero bastante iniciante em computação, mesmo me virando tranquilamente no Windows, então instalei o Zorin que entrega bastante coisa na mão. Verei como vai ser
Obrigado. Espero que tenha uma boa experiência aí com o Zorin OS! Infelizmente, mexi nele apenas no dia em que o instalei (em um PC de familiar), mas gostei: a sensação era de usar um Windows sem as coisas irritantes e ruins do sistema da Microsoft.
Copiando aqui o comentário que fiz num dos sites da “concorrência”:
O ano do Linux vai ser o ano que a MS liberar o Office 365 nativamente nele. Hoje eu e muita gente fica “presa” no Windows porque não existe solução no mercado que seja páreo pro Office em questão de usabilidade.
E não, rodar Office capado na Web ou no Wine não é usabilidade.
Não sei porque esta é a barreira, sou heavy user do office e não conheço nenhum recurso matador que o office365 tenha que o libreoffice não tenha.
Usa msm o Excel? Se ñ, nem dá pra falar muito. Nada chega perto do Excel.
Infelizmente a compatibilidade. Se só eu vou editar um arquivo, o libreoffice resolve tudo. A partir do momento que tenho que mandar esse arquivo para um usuário de office tem sempre alguma coisa fora do lugar
Sinto dizer que a Microsoft sempre vence. Eles tem um virtual monopólio do mercado corporativo, com uma suíte de escritório que já é padronizada há mais de 30 anos, e tendo essa posição, só precisam defendê-la fazendo bastante lobby, copiando e incorporando as inovações dos concorrentes. De vez em quando abre-se uma janelinha de oportunidade para o Linux, como agora, mas aí a MS ajusta o curso e faz um pouquinho de marketing agressivo, que acaba por eliminar a chance da concorrência. Acho que a única empresa que poderia fazer frente seria a Apple, mas eles preferem continuar confortáveis nos seus nichos. Enfim, num mundo ideal teríamos liberdade de escolha total se todas as plataformas e sistemas usassem protocolos abertos e interoperáveis. Mas, como fechar e prender o cliente é mais lucrativo, continuaremos tendo que nos ajoelhar e aceitar imposições de produtos que não gostamos.
Será que não é exagero dizer isso sobre o Windows/Linux? Tenho a impressão que, mesmo com alguma fricção, é possível resolver quase tudo no pinguim, com raras exceções
Olha, partilho do mesmo desejo, que o Linux desbanque sistemas proprietários e venha salvar milhões de almas sofrendo com bostificação do Windows. Mas… Para o Linux ganhar usuários de verdade, alguma outra coisa teria que acontecer que vá além da simples bostificação do Windows. Teria que ser uma coisa muito grande.
Me surpreende a forma como o usuário comum aceita as coisas sem lutar (propagandas invasivas, por exemplo), mesmo quando a solução está a alguns cliques de distância. Trabalhei por muitos anos com manutenção de computador (lá no passado). O bom e velho técnico de bancada e campo com seu estojo de CDs e chave phillips sempre a mão. Era rotina chegar um PC pra formatar em que eu abria o Internet Explorer e aquilo tinha tantas barras de ferramenta que chegavam a ocupar quase metade da tela. Bugava minha mente ao tentar entender o que levava um usuário a continuar usando um navegador nessas condições todos os dias.
Esse e outros exemplos eram rotina…
Não sou do tipo que espera que o usuário leigo deva ir além das suas capacidades pra resolver problemas técnicos. Não, deixe isso para os nerds. Mas seria reconfortante saber que uma criatura da mesma espécie que eu, pelo menos tentou ser proativo para desinstalar uma das 15 barras de ferramenta inúteis que degradam sua experiência, pois pra muitas delas bastavam alguns cliques. Eu me sentiria um pouco mais orgulhoso de pertencer à espécie Homo sapiens.
Por tudo que vi na minha vida de técnico, pelos incontáveis computadores que passaram por minha bancada, tenho que dizer a dura verdade: a Microsoft poderia colocar propagandas presas no ícone do mouse e as pessoas vão aceitar. É triste.
Esse será o ano no Linux?
Não sei, mas tenho forte suspeita de que 2025 será mesmo o ano da vigilância digital. Não sou profeta formado, mas tudo aponta pra essa direção. Entenda, todos anseiam pelo sonhado assistente de IA poderoso, certo? Que compreende e executa tudo que o usuário deseja. Como todos sabem, a excelência desse assistente está intimamente ligada aos dados pessoais. As big-techs esbarraram na justificativa do século para escanear cada bit existente nos dispositivos e tudo consentido pelo usuário. “É tudo para que você tenha uma experiência incrível”.
Eu trabalho com TI e venho acompanhando essa última geração de IA desde seu nascimento. Como um filósofo de chuveiro que sou, algo me faz pensar que os últimos 20 anos de coleta de dados foram apenas um pré-aquecimento para o que está por vir. Será outro nível. Acreditem (gastei muita eletricidade para chegar a essa intuição).
Ainda sou otimista, tá? O tom “apocalíptico” acima apenas se aplica ao usuário leigo-passivo (que Deus o proteja). A grande boa notícia é que, para o usuário proativo como muitos de nós aqui, sempre houve e haverá abundância de opções para escapar da bostificação e da vigilância massiva. Sim, muitas delas com o suor dos neurônios e batalhas no shell, mas sempre disponíveis.
Dito isso, acredito que 2025 pode ser um bom ano para o Linux sim (mas nada épico). O usuário comum irá aceitar as mais absurdas invasões à privacidade, sempre. Isso nunca vai mudar, porém, vale lembrar que o mundo digital também é composto por empresas e entidades governamentais e essas tem bons motivos para se preocupar com a direção em que o Windows segue: bostificação, custos, vigilância excessiva e indesabilitável, etc. Desenvolvedores terão fortes incentivos para criar distros focadas no ambiente corporativo. Detalhe, isso mais tarde pode trazer uma salvação para o usuário leigo doméstico também. Espero que sim.
Excelente comentário, Cesar. Lembro bem dessa época dos “quatro dedos de barras” no navegador, algo bizarro mesmo, no nível daquela TV com a tela rodeada de anúncios do filme Idiocracia.
Falando em GNU/Linux, acredito em iniciativas pontuais partindo de pessoas como boa parte de nós, desde os entusiastas até os que detém maior conhecimento técnico.
Há exatamente 1 mês, alertei minha irmã e meu cunhado sobre o fim do suporte do Windows 10 em 2025 e consegui convencê-los: instalei o Zorin OS Lite 17.2. Até agora, não entraram em contato nenhuma vez, apenas disseram que estão conseguindo usar normalmente.
Pois é, eu devia ter guardado alguns screenshots daqueles casos, seria uma recordação interessante.
Como você disse, iniciativas pontuais podem ajudar na adoção do Linux, mas isso não iria longe enquanto não se resolver uma questão de “infraestrutura”. Uma dessas questões é o pacote Office. Muitos subestimam a importância desse aspecto, alguns até dizem que é “simples”, basta instalar o LibreOffice e pronto. Ou então usar o Google Docs no navegador. Quando escuto tais conversas fica claro que a pessoa nunca teve que trabalhar numa empresa usando Office todos os dias, abrir aquela pasta com 300 documentos do Word/Excel, com macros e formatação complexa. É compreensível, ninguém é obrigado a saber disso.
Eu usei muito o Office da Microsoft, cheguei até desenvolver um programa de gestão em Access, porém LibreOffice tem sindo minha suite padrão já há muitos anos, e posso dizer uma coisa que seria um bom comentário para aquele outro post “Qual a sua opinião mais controversa?”:
O Office da Microsoft possui uma interface muito mais bem trabalhada e polida do que o LibreOffice.
E a coisa não para só na interface, tem a questão da familiaridade também (outro aspecto que muitos subestimam por ser meramente psicológico). Imagine usuários num ambiente corporativo que usam Word/Excel por uns 20 anos (e há muitos hein). Tentar forçar uma equipe a usar um LibreOffice, com sua interface bem diferente, várias arestas a serem polidas, seria iniciar uma guerra civil dentro dessa empresa.
Pelo número gigante de usuários Office no mundo corporativo, podemos dizer que a questão Office é uma das peças-chave a ser resolvida antes que a comunidade Linux possa sequer sonhar com uma grande adoção. Antes disso, esquece! Veremos apenas nichos como gamers e servidores. Mas não, não recomendaria nenhuma empresa ou grupo tentar replicar o MS Office. Até para grandes organizações, como a Apache Foundation, isso dever ser uma missão monumental, tanto criar do zero quanto transformar o LibreOffice. Não seria um bom caminho.
Bem, a meu ver, a chave para que o Linux tenha uma porta de entrada ampla e confortável para esses bilhões de usuários Windows está, acredito eu, nos emuladores. Quando tivermos emuladores próximos da perfeição, que rodam 99% de tudo que há no Windows, aí o terreno para o grande êxodo começa a ficar pronto.
Wine e Proton ambos têm bom potencial para chegar lá.
Parece que jamais vamos escapar de tratar tecnologia como mágica.
Minha aposta é que a Apple só consegue ser tão rica e prestigiada por ter sido pioneira em fundir a indústria da moda com a da tecnologia, criando os artefatos fetichistas perfeitos. Tudo isso por causa que temos preguiça em trabalhar com a nossa autoestima e ter uma compreensão básica como funcionam os dispositivos que são a base da modernidade.
Ou, melhor, minto: talvez a galera que vai sair da faculdade em 2035 consiga melhor com isso.
Acredito que a adesão do linux aumentará para jogos, lentamente, mas continuamente. Espero que o valor das versões SteamOS do Legion Go S sejam mais baixo que suas contrapartes Windows, e que o gerenciamento de recursos e bateria continuem superiores. Isso dará força ao uso do SteamOS em detrimento da plataforma suprema para jogos single player, indies e experiências online que não precisam de anti-cheat.
No momento que a porcentagem de usuários tornar-se relevante, as grandes desenvolvedoras “serão forçadas” a adaptarem-se ao novo sistema, ou se tornarão vulneráveis aos competidores que o fizerem mais rápido.
Da minha parte, torço para que mais modelos desses cheguem ao Brasil, especialmente as versões com SteamOS dos mesmos produtos. O Legion Go S, por exemplo, tem preço sugerido de 729 dólares para a versão windows, e 499 dólares para a versão SteamOS. São mais de 200 dólares de diferença! Imagina isso refletindo aqui no Brasil?
Acho que os aplicativos da Adobe não são uma barreira para segurar alguém no Windows, já que são programas que desde sempre existem pra Mac também. Já vi pesquisas que mostram um crescimento ano a ano do MacOS enquanto o Windows cai (lentamente, mas cai).
É que o macOS tem outra barreira muito alta (e relevante no Brasil): preço. Quem pode bancar +R$ 6 mil num MacBook Air/Mac Mini segue esse caminho, mas são poucos.
As pesquisas que mostram crescimento ano a ano do macOS refletem dados globais ou de países ricos. No Brasil o macOS perdeu espaço nos últimos anos, segundo o StatCounter*.
* Não é a fonte mais confiável do mundo, mas acho que serve. “Unknown” seria o ChromeOS?
30 anos que é o Ano do Linux no desktop e…..nada, acredito que irá continuar do mesmo jeito, pode aumentar os usuários do mesmo modo que aumentou no mastodon nas redes sociais mas o grosso ainda irá continuar o Windows com ou sem propaganda, em um passado muito distante o Linux foi cogitado como a solução para a pirataria e os virus(que eu acho que tem muito mais apelo que o alardeado agora) que eram um problema para as empresas com altos custos de licenciamento, hoje nem isto justifica já que o “valor” do Windows é ridiculo ou zero. Trabalhei durante anos com formatação e montagem de computadores e duvido que o Linux terá uma fatia relevante a curto prazo. Continuará nos nichos.
Aqui em casa já é o “ano do Linux” pela terceira vez seguida
Sempre me prometeram o ano do Linux no desktop. Vai que esse é o ano. Dito isso, minha experiência pessoal é de que é mais fácil configurar o KVM pra rodar Win11 no Arch do que usar o proton de maneira satisfatória. Single-GPU-Passthrough 4 life
Acredito que o crescimento vai ser bem maior do que nos anos anteriores, mas tem uma grande barreira pra ainda fazer a maioria dos jogadores abandonarem o Windows, os anti-cheats.
Enquanto não tiver alguma solução para que os anti-cheats, principalmente os vias kernels, rodem no Linux, ou via camada de emulação ou via próprio suporte dos jogos e desenvolvedoras, a grande massa de jogadores, aqueles que jogam jogos online como Valorant, LoL, Fornite, não vão abandonar o Windows.
Mas quando tiver alguma solução, ai o cenário muda bastante.
Não sei como esta agora, mas eu rodava o LOL pelo Lutris, mas acho que para um usuário médio eles não querem ter o trabalho de fazer isso (e estão certos)