Números enormes

Números que ajudam a colocar em perspectiva o tamanho do setor de tecnologia — em vários sentidos.

De acordo com a Nielsen, o Brasil tem 10,4 milhões de influenciadores digitais. Para a consultoria, qualquer perfil com mais de mil seguidores é considerado influenciador. Esses números podem variar muito. Em 2022, a Adobe estimou esse número em 20,1 milhões — considerando quem tinha +5 mil seguidores e ganhava algum dinheiro com posts em redes sociais. / uol.com.br, news.adobe.com (em inglês)

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Pela primeira vez em 12 anos (!), o Medium fechou um mês no azul. Com mais de um milhão de assinantes pagantes (a empresa não revelou os números exatos), o TechCrunch fez as contas e estimou o faturamento anual em US$ 50–60 milhões. / techcrunch.com

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De acordo com o Banco Central, entre janeiro e maio deste ano os brasileiros mandaram US$ 7,3  bilhões em criptomoedas para o exterior — o mesmo valor gasto por brasileiros em viagens a turismo para fora do país. / investnews.com.br

Notícias da semana

Curadoria das principais notícias de tecnologia da semana.

Quarta, 21/8

Anatel e NIC.br assinaram um acordo para a criação de uma ferramenta de medição da velocidade de banda larga fixa. Ela poderá ser usada para rescindir o contrato sem multa caso a velocidade entregada esteja abaixo da prometida. / convergenciadigital.com.br

A Microsoft liberou uma correção para uma falha no GRUB de 2022 que quebrou instalações Linux em sistemas “dual boot”, ou seja, Linux e Windows na mesma máquina. O texto traz a gambiarra para reverter o estrago. / arstechnica.com (em inglês)

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Quinta, 22/8

Na União Europeia, a Apple estenderá as categorias que podem ter apps padrões alterados no iOS e iPadOS 18, e deixará excluir apps hoje impossíveis, como Fotos e App Store. / developer.apple.com (em inglês)

Números enormes

Números que ajudam a colocar em perspectiva o tamanho do setor de tecnologia — em vários sentidos.

Pesquisa do Datafolha e Fórum Brasileiro de Segurança Pública constatou que os brasileiros enfrentam mais de 4.600 tentativas de golpes financeiros por hora. / folha.uol.com.br

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Levantamento da AppMagic colocou o Google One como o aplicativo mais rentável dentro das lojas de aplicativos para celulares (App Store e Play Store), com faturamento de US$ 35 milhões entre janeiro e julho. O segundo lugar também é do Google, com o YouTube (US$ 21,8 milhões). / mobiletime.com.br

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O valor da ação da Americanas desabou 57,6% no pregão desta quinta (15), batendo em R$ 0,14, após a divulgação do balanço do primeiro semestre vir recheado de más notícias. / valor.globo.com

Notícias da semana

Curadoria das principais notícias de tecnologia da semana.

Segunda, 12/8

A Apple vai começar a morder 30% das assinaturas do Patreon feitas pelo app para iOS. Na ânsia de aumentar a geração de receita, a Apple achou uma boa “taxar” em 30% artistas, jornalistas e outros perfis pobretões que conseguem ser remunerados diretamente pela audiência. Boa sacada, Tim Cook. / news.patreon.com (em inglês)

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Terça, 13/8

O Flipboard deu mais um passo na integração ao fediverso e agora dá para seguir qualquer um que esteja em outro serviço compatível com ActivityPub, como Mastodon, Pixelfed ou Threads. / about.flipboard.com (em inglês)

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Quarta, 14/8

A Justiça Federal de São Paulo concedeu liminar pedida pelo Ministério Público obrigando a Meta a, em até 90 dias, cessar o uso de meta dados do WhatsApp em outras plataformas da empresa, como Facebook e Instagram. / oglobo.globo.com

No iOS 18.1, a Apple vai abrir o acesso ao chip NFC e APIs de segurança a aplicativos de terceiros, permitindo interações sem contato (“contactless”) fora do Apple Pay e Apple Wallet. O Brasil será um dos sete países contemplados. / apple.com (em inglês)

A Meta encerrou o Crowdtangle, ferramenta de análise do Facebook e Instagram muito usada por pesquisadores e jornalistas. / npr.org (em inglês)

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Quinta, 15/8

As AI Overviews, respostas geradas por inteligência artificial antes dos resultados do Google, chegaram ao Brasil. Aqui, foram batizadas de “Visões Gerais criadas por IA”. / blog.google

Depois de AliExpress, Shopee e Shein, outro peso-pesado do varejo oriental chegou ao Brasil fazendo barulho. Em julho, o app da chinesa Temu foi o mais baixado no Brasil, com 7,7 milhões de downloads, segundo a consultoria AppMagic.

O receituário é, em parte, similar ao das rivais continentais — promoções o tempo todo, ofertas relâmpago, preços baixos e produtos de qualidade duvidosa. Há, porém, um componente extra na estratégia de crescimento da Temu: a “gamificação”.

A Folha de S.Paulo destrinchou os jogos da Temu. Seduzidos por promessas de brindes e descontos, consumidores são instados a interagir em jogos digitais e infernizar amigos para que se cadastrem na loja.

Sem surpresa, as “missões” vão ficando progressivamente mais difíceis e, mesmo quando o consumidor vence o jogo, a premiação decepciona. Uma das personagens ganhou uma pochete e uma torre de brinquedo.

(Conheci ali os “paradoxos de Zenão”. Adoro essas pequenas pérolas de saber polvilhadas sobre o texto noticioso.)

Esse tipo de “jogo” pode ser novo no varejo, mas é figurinha manjada em estratégias de crescimento. TikTok e Kwai, também empresas chinesas, tornaram-se titãs no mercado brasileiro abusando dela desde 2021, pelo menos. Joguinhos do novo mercado de mini-apps do Telegram, como o infame “Hamster Kombat”, idem.

Em qualquer caso, vale a velha lógica do capitalismo: não existe almoço grátis — nem dinheiro fácil obtido de maneira lícita.

R$ 1,5 bilhão

Levantamento da ACI Worldwide estima que criminosos desviaram R$ 1,5 bilhão com golpes do Pix em 2023 —aqueles em que a vítima é induzida a fazer a transferência para uma conta do criminoso usando as próprias credenciais. / folha.uol.com.br

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64%

A pesquisa TIC Educação 2023, do Cetic.br, revelou que 64% das escolas brasileiras restringem a horários e/ou locais o uso de celulares pelos alunos. Em 28%, a proibição é total, o que deixa apenas 7% das escolas com o uso liberado. / desinformante.com.br

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61,1%

Em junho, 61,1% das transações presenciais no Brasil foram feitas por aproximação/NFC, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). Em junho de 2021, esse tipo de pagamento presencial representava apenas 13,9% do total. / mobiletime.com.br

Notícias da semana

Curadoria das principais notícias de tecnologia da semana.

Segunda, 5/8

Em uma decisão histórica, a Justiça estadunidense condenou o Google por práticas monopolistas no mercado de buscas na internet. As punições ainda serão definidas. É só o começo: em breve começa outro processo, esse por monopólio do mercado de publicidade online. / apnews.com (em inglês)

A Anatel publicou o novo texto dos direitos de consumidores de serviços telecom. Destaque para a garantia de preço promocional por 12 meses e uma “etiqueta” de características dos planos. / convergenciadigital.com.br

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Terça, 6/8

O X (antigo Twitter) processou anunciantes que estariam promovendo um suposto “boicote sistemático ilegal” ao se recusarem a anunciar na plataforma. Digno de xadrez 4D processar seus próprios clientes para forçá-los a continuar sendo clientes. / techcrunch.com (em inglês)

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Quarta, 7/8

O governo começará a testar, neste sábado (10), um sistema alertas de desastres que independe de pré-cadastro. / mobiletime.com.br

O Google iniciou os testes do “bloqueio por detecção de roubo”, ou “modo ladrão”, em celulares Android no Brasil. / folha.uol.com.br

O Ministério da Justiça e Segurança Pública pediu a Apple e Google mais proteção a aplicativos de e-mail no iOS e Android. O e-mail é visado por criminosos que buscam invadir contas bancárias após furtarem ou roubarem celulares. / folha.uol.com.br

Museus abrem o caminho ao fediverso no governo federal

Em abril, após ataques de Elon Musk no X (antigo Twitter) direcionados ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, o presidente Lula, membros do alto escalão do governo federal e parlamentares retaliaram o bilionário — que é dono do X — criando perfis no Bluesky, uma rede social rival criada em cima de um protocolo aberto, o AT.

Se dependesse do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), o destino teria sido outro protocolo descentralizado, o ActivityPub.

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Notícias da semana

Curadoria das principais notícias de tecnologia da semana.

Segunda, 29/7

A Apple liberou a Apple Intelligence, seu conjunto de ferramentas de IA, nas versões de testes do iOS 18.1 e macOS 15.1. Deve chegar em outubro, mas só para quem usa o sistema em inglês. / 9to5mac.com (em inglês)

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Terça, 30/7

Foi disponibilizado o primeiro Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, com previsão de investimentos de R$ 23 bilhões até 2028. O texto prevê um supercomputador e um LLM brasileiro. / agenciabrasil.ebc.com.br

O Google começou a integrar o Pix em sua carteira digital, via parcerias com C6 e PicPay. A disponibilização será gradual. / mobiletime.com.br

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Quarta, 31/7

A Senacon publicou uma nota técnica com quase 100 exigências para plataformas sociais relacionadas à transparência da publicidade que veiculam. Elas têm até dezembro para se adequarem. / nucleo.jor.br

A Bending Spoons, empresa italiana que adquiriu o Evernote uns anos atrás, abriu a carteira outra vez e comprou o WeTransfer. O valor do negócio não foi divulgado. / techcrunch.com (em inglês)

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Quinta, 1º/8

A Intel vai demitir 15 mil funcionários como parte de um plano de corte de custos. / g1.globo.com

A Anthropic lançou o Claude, seu assistente de IA, no Brasil. A assinatura custa R$ 110/mês. / anthropic.com (em inglês)

8,5 milhões

O caos proporcionado pela CrowdStrike na sexta passada (19) derrubou 8,5 milhões de computadores com Windows. O número equivale a 1% da base instalada, segundo a Microsoft — um 1% bem importante, pois a CrowdStrike só trabalha com grandes clientes corporativos. Via Microsoft (em inglês).

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US$ 10

Na quarta (24), a CrowdStrike enviou cupons do UberEats de US$ 10 para clientes afetados pela falha catastrófica da sexta anterior (essa do número acima). Pior: os cupons não funcionavam porque, segundo relatos, a Uber marcou a conta da CrowdStrike como fraudulenta. (Tecnicamente, este é um “número minúsculo”.) Via TechCrunch (em inglês).

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R$ 5 milhões

A Senacon multou Oi, TIM e Vivo em R$ 5 milhões pela publicidade enganosa acerca do 5G. Segundo o despacho publicado no Diário Oficial da União, as três operadoras divulgaram “mensagens publicitárias referentes a 5G que induziram os consumidores ao erro, por não informarem com clareza e adequação as limitações da tecnologia DSS.” Via Mobile Time.

Notícias da semana

Curadoria das principais notícias de tecnologia da semana.

Sexta, 18/7

O Google vai desativar seu encurtador de URLs, o goo.gl. Todos os links do tipo deixarão de funcionar em 25/8/2025. Encurtadores de URLs sempre foram uma má ideia. / developers.googleblog.com (em inglês)

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Segunda, 22/7

O Google desistiu de aposentar o bloqueio a cookies de terceiros no Chrome. Em vez disso, vai introduzir uma “nova experiência” que permita às pessoas fazer uma “escolha informada” que vale para toda a navegação web. Finja surpresa… / privacysandbox.com (em inglês)

O Pix Automático, modalidade de cobranças recorrentes do Pix, foi adiado outra vez, para 16/6/2025. O Banco Central anunciou também alguns reforços na segurança do Pix que passam a valer em 1º/11 deste ano. / bcb.gov.br

A União Europeia notificou a Meta de que seu arranjo de exigir uma assinatura paga como alternativa à vigilância dos usuários do Facebook viola os direitos dos consumidores do bloco. Note que essa rusga em nada tem a ver com a GDPR (lei de proteção de dados pessoais), ou seja, ainda há espaço para mais porradaria. / ec.europa.eu

A Meta liberou a sua assinatura paga, Meta Verified, para empresas no Brasil. São quatro planos, com valores que chegam a R$ 10 mil por ano. / oglobo.globo.com

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Terça, 23/7

A Meta expandiu sua inteligência artificial para mais países, incluindo vários da América Latina, mas deixou o Brasil de fora “devido a incertezas regulatórias”. / about.fb.com

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Quarta, 24/7

Sistema do governo atingido por ataque hacker foi criado no Judiciário e é usado em mais de 300 órgãos. folha.uol.com.br

A beleza da concorrência: na Europa, a AltStore PAL, loja de apps alternativa para o iOS, publicou seus primeiros apps de terceiros — incluindo dois clientes de BitTorrent, categoria de app vetada pela Apple em sua App Store. / fosstodon.org/@altstore (em inglês)

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Quinta, 25/7

A OpenAI anunciou um protótipo (beta) do SearchGPT, seu aguardado buscador web. Pelos vídeos, parece trazer novas ideias à mesa, com a vantagem de não ter que conciliá-las com experiências legadas, como Bing e Google. Tem fila de espera para testar. / openai.com (em inglês)

Saiu o Linux Mint 22 “Wilma”. Esta versão é baseada no Ubuntu 24.04 LTS e terá suporte até 2029. / omgubuntu.co.uk (em inglês)

Memento: O começo do setor de apps de transporte no Brasil

por Guilherme Felitti

No Brasil o registro que funciona de verdade é o da torneira — e olha lá, que borrachinhas velhas desperdiçam litros e litros de água diariamente. Piadinha infame à parte, falemos sério: o Brasil não registra sua história direito e, quando registra, não cuida.

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O fim do Leia Isso

O Leia Isso, um site popular que oferecia a leitura de artigos de outros sites em uma interface agradável e burlava paywalls porosos, saiu do ar no dia 21 de junho. Conversei com o fundador, que pediu para permanecer anônimo, a fim de entender o que houve e se existe alguma chance do Leia Isso voltar.

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WhatsApp: cada vez mais complexo e inescapável

O WhatsApp, aplicativo mais popular do Brasil, é inescapável. Os poucos que prefeririam não usá-lo, por qualquer motivo, se veem cada vez mais impossibilitados à medida que o app da Meta se transforma em uma espécie de utilitário, um pré-requisito para interações das mais diversas. Ao mesmo tempo, vem sendo desfigurado para abrigar novas funcionalidades que deixam seu uso mais difícil.

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ANPD proíbe Meta de treinar IAs com dados pessoais no Brasil

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados Pessoais (ANPD) enfim mostrou os dentes e determinou que a Meta suspenda o tratamento de dados pessoais para treinar inteligências artificiais.

A proibição, determinada em caráter cautelar, baseia-se em quatro pilares: ausência de base legal para tratar os dados com essa finalidade; falta de informações sobre as mudanças na política de privacidade; dificuldade excessiva aos usuários para negarem o uso de seus dados; e tratamento de dados de menores de idade sem as devidas salvaguardas.

Vale mencionar o “timing” da determinação, como lembrou Carlos Affonso Souza em sua coluna no Uol: na semana em que estavam previstos o lançamento dos recursos de IA do WhatsApp no Brasil e em que o projeto de lei 2338/23, o PL da inteligência artificial, teve movimentações no Congresso.

A Meta se disse “desapontada” com a determinação. Os argumentos da ANPD me pareceram razoáveis — já viu o labirinto para negar o uso de dados pela Meta?

Carlos Affonso acredita que a determinação, ao focar em uma empresa (e das maiores), passe um recado a toda a indústria. Afinal, existem outras além da Meta fazendo o mesmo tipo de treinamento com dados, incluindo os pessoais.