Fones de ouvido sem fio: uma análise tardia

Desde os primórdios deste Manual, tenho como meta o “slow web”, que aqui se traduz em ser o último a tratar de um assunto. (Está no texto de inauguração!) Mesmo ciente disso, não imaginava que algum dia abordaria um com oito anos de atraso.

Enfim, cá estamos. Vamos falar de fones de ouvido sem fios.

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Assinaturas do Substack pelo app do iOS: Preços inflados e nova “prisão” para newsletters

Quem hospeda uma newsletter paga no Substack precisa ficar atento à nova oferta de assinaturas pelo aplicativo do iOS. A plataforma publicou uma página de perguntas e respostas (em inglês) da mudança.

A Apple obriga todos os apps que oferecem conteúdo digital pago a usar o seu sistema de pagamentos — aquele que cobra uma taxa de 15% a 30%. O Substack aproveitou a brecha da recente decisão de um processo movido pela Epic Games, nos EUA, para adequar seu app à regra da App Store, dando a opção (padrão) a quem usa o app do iOS de assinar uma newsletter pela web, evitando a taxa da Apple.

O problema é que a decisão só vale para os EUA.

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Como remover abas do Safari “emperradas” no iCloud

As coisas na Apple funcionam até o dia em que deixam de funcionar. Um exemplo bobo, mas que me incomoda um bocado, são as abas do Safari “emperradas”, um defeito na sincronia de abas do iCloud — o recurso que me permite acessar as de um dispositivo em outros.

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uBlock Origin Lite para Safari

O melhor bloqueador de anúncios do mercado, o uBlock Origin, acaba de ganhar uma versão para o Safari, navegador web da Apple, funcional tanto no iOS quanto no macOS. É a versão “lite”, aquela do Chrome pós-encerramento do Manifesto V2. O uBlock Origin Lite para Safari é gratuito e tem o código aberto.

Trocaria o Liquid Glass pela interface do Windows 95

Neste podcast, comento as futuras novas interfaces do iOS/macOS, Android e Roku e reflito o impacto delas, passada a reação inicial, na nossa rotina.

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Alguns links citados:

Apple apresenta novo design de software elegante e encantador, no site da Apple.

Comece a criar com o Material 3 Expressive (em inglês), em um site do Google.

Roku está testando um novo visual (em inglês), no The Verge.

O redesign e o workflow, no Órbita.

O redesign e o workflow: Qual destas interfaces você prefere?, no Órbita.

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Print parcial da barra de endereços do Safari, mostrando a URL do Manual do Usuário sem o cadeado de segurança.
Adeus, cadeado do HTTPS! Imagem: Manual do Usuário.

Notou algo diferente na imagem acima? Desde o Safari 18.4, lançado no final de março, o navegador web da Apple não exibe mais o ícone do cadeado.

Só os deuses sabem quantas vezes cliquei naquele ícone — todas elas, sem querer, o que abria um popup chato no meio da tela. Detalhes da UI que aumentam a qualidade de vida 🙏

A justificativa do WebKit se desdobra em duas: 87% de todas as conexões já são feitas pelo HTTPS, ou seja, conexões seguras são o normal; e “a presença do [ícone do] cadeado poderia estar criando uma falsa sensação de segurança, se os usuários acreditassem que ele está lá para sinalizar que o site é confiável”. Dei esse alerta no já distante ano de 2018.

O Firefox, até a versão 138, pelo menos, ainda exibe o cadeado. O Chromium, base do Chrome, escondeu o ícone do cadeado em maio de 2023.

Na ação em que a Justiça estadunidense decide qual “remédio” aplicar à Alphabet pela condenação por monopólio do mercado de buscadores, Eddy Cue, vice-presidente de serviços da Apple, disse que, em abril, o volume de pesquisas feitas via Safari encolheu pela primeira vez em na história, ou seja, em quase duas décadas.

Eddy atribui a queda à ascensão de assistentes de IA generativa que entregam resultados de busca mastigados, como Perplexity (com quem a Apple estaria conversando), ChatGPT e Claude.

As ações da Alphabet (Google) tomaram um tombo de 7,5% após a declaração do executivo da Apple, reportada pela Bloomberg. A empresa soltou uma nota contestando a informação, em que diz que “continuamos a ver o crescimento geral de consultas à Pesquisa [do Google]. Isso inclui um aumento no total de consultas provenientes de dispositivos e plataformas da Apple”.

Em quem acreditar? Não sei, mas se havia dúvidas de que uma mudança sísmica está curso, dados como esse ajudam a dissipá-las.

Eddy Cue disse também que a Apple cogita alterar o Safari para que o navegador receba assistentes de IA e que a perspectiva de perder os US$ 20 bilhões anuais, que o Google paga de “caixinha” para ser o buscador padrão do Safari, está lhe tirando o sono. Que pena.

Uma olhada no iPhone 16e fabricado no Brasil

Estava na casa dos meus pais no feriado da Páscoa quando topei com um iPhone 16e. Pedi licença à dona para dar uma olhada mais de perto no sucessor espiritual do melhor iPhone. Que responsabilidade!

Apesar do novo nome e de fazer parte da família do “iPhone do ano”, o iPhone 16e é, para todos os efeitos práticos, um novo iPhone SE: um celular-Frankenstein, composto de partes de versões antigas (a base é o iPhone 14), algumas coisas do modelo mais recente (chip A18 e 8 GB de RAM) e recursos ausentes graças à Apple e suas táticas mesquinhas de upselling (antes era o modo noturno na câmera; agora, nada de MagSafe).

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Detalhe do ícone de uma seta à direita e o rótulo “Continuar“, repetido à direita mostrando a diferença em píxeis (17 contra 19) do distanciamento do ícone para as bordas do botão.
Imagem: Manual do Usuário.

Ah, a boa e velha atenção aos detalhes da Apple! Após atualizar o macOS para a versão 15.4.1, somos brindados com mais um pedido para ativar a Apple Intelligence e esse ícone de uma seta visivelmente desalinhado.

Música ambiente no iOS 18.4 e o retorno ao app Música

Com todas as atenções voltadas à liberação da Apple Intelligence no Brasil e em outros mercados, uma novidade do iOS 18.4 quase passou batida: botões de música ambiente direto da Central de Controle.

São quatro: Dormir, Relaxante, Produtividade e Bem-estar. Eles se somam aos sons de fundo que estrearam no iOS 15, em 2021, para reforçar o arsenal de defesa das pessoas atordoadas com a barulheira do mundo contemporâneo. Obrigado, Apple! 🙏

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Deixem as nossas interfaces em paz

Não é de agora que sinto desconforto quando sei que algum software que uso passou por uma “grande atualização”.

Veja o caso do app do Jellyfin para Roku OS.

No dia 26/3 saiu uma grande atualização, versão 3.0.0, que os próprios desenvolvedores definiram como “😵‍💫 o lançamento ‘alguém me explica o que está acontecendo’ 🤷”. Mau sinal. De acordo com a lista de alterações, ela foi baseada em um “fork” (derivado), bem diferente da versão estável/oficial anterior que a nova substituiu.

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Vibe coding

Com o desenvolvimento dos grandes modelos de linguagem (LLMs) estagnado, techbros do setor tiveram que inventar outros critérios para sinalizar progresso e manter os bilhões de dólares de investidores fluindo enquanto a “inteligência artificial geral” (sic) não chega.

Foi daí que surgiram aberrações como a nova versão “mágica” do ChatGPT boa em “escrita criativa”, “agentes” autônomos, mais e mais modelos capazes de “pensar” ou “raciocinar”. (Tudo entre aspas porque essas simulações são medíocres quando muito, não funcionais com frequência.)

Dentre o show de novas aplicações para a IA generativa, surgiu o “vibe coding”, termo cunhado em fevereiro por Andrej Karpathy, co-fundador da OpenAI.

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A Apple liberou no Brasil, nesta terça (25), o uso dos AirPods Pro 2 como aparelho auditivo de uso clínico. Para quem tem perda auditiva, é uma maneira econômica de mitigar o problema. (Pois é, “Apple” e “econômica” na mesma frase, sem ironia.)

Outra novidade que chega aqui é a redução de som alto, que atua nos modos Ambiente e Áudio Adaptável dos AirPods Pro 2. Na condição de alguém sensível aos barulhos do mundo e que comprou fones de ouvido mais pelo cancelamento de ruído que por qualquer outra coisa, é muito bem-vinda.

3 abordagens para enfiar IA em um produto, da pior à melhor

Existem três maneiras de lançar novidades em um aplicativo ou sistema web que… digamos, são do tipo que “os usuários nem sabiam que precisavam”, como as baseadas em inteligência artificial generativa. Da pior para a melhor:

  1. Enfie goela abaixo, doa a quem doer. No final de fevereiro, o Discord lançou alguns “apps” de imagens com IA que não podem ser desativados e têm carta branca para vandalizar, digo, editar qualquer imagem em um servidor. Péssimo.
  2. Ops, ativamos sem querer. A Apple Intelligence é, por padrão, opcional. A princípio, era “opt-in”, ou seja, vinha desativada por padrão, ativava quem quisesse. Isso mudou no iOS 18.3, quando passou a ser “opt-out” (vem ativada, desative se quiser) e, em alguns casos, atualizações menores do sistema como a desta semana (18.3.2) reativam a IA nos dispositivos de quem optou por não usá-la. Péssimo.
  3. Opcional de verdade. Goste ou não de IA, estamos num momento em que a experimentação com a tecnologia por parte das empresas parece irresistível. O DuckDuckGo não foge à regra, mas está fazendo do melhor jeito possível. (Ou do menos pior.) As respostas de IA aparecem, por padrão, em ~20% das consultas (em inglês) e o chatbot é opcional e jamais aparece sem ser chamado. Para completar, nas configurações dá para desativar por completo ambos os recursos.

O DuckDuckGo define sua abordagem em relação à IA de “privada, útil e opcional”, e faz jus ao significado de cada uma dessas três palavras.

As pessoas realmente anseiam por IA no celular?

A tarde da sexta-feira é o horário favorito das empresas para despejar más notícias. Na última (7), a Apple informou que a Siri com IA generativa, um dos destaques da Apple Intelligence, “levará mais tempo do que pensávamos” para chegar ao mercado, o que só deve acontecer “no ano que vem”. A notícia foi passada, em nota, ao blogueiro John Gruber e à Reuters.

Não me recordo de outro lançamento da Apple tão atabalhoado quanto o da Apple Intelligence, marca criada para abrigar os recursos de inteligência artificial da empresa.

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