Por que uma assinatura paga neste site se o seu conteúdo é aberto a todos?


9/4/19 às 11h01

Faz quase um mês que lancei o financiamento coletivo do Manual do Usuário no Catarse. É uma das três frentes de geração de receita em que aposto para viabilizar o projeto e a que considero a mais importante.

Quem se torna assinante pago não tem nenhum conteúdo extra no blog. Ou em qualquer outro lugar. Recebe alguns mimos, como um relatório mensal da operação com dados de audiência e finanças; acesso a um grupo no Telegram; e participação em sorteios esporádicos de “recebidos”. Dentro do blog, porém, a experiência do assinante pago é a mesma de qualquer outro leitor. Não existe sequer um login ou coisa do tipo que o diferencie. Isso é justo? Ou ao menos faz sentido?

O modelo que adotei lembra o do jornal britânico The Guardian. Lá também o conteúdo é aberto, ou seja, não tem paywall, é liberado para todo mundo. Quem paga o faz porque reconhece o valor da publicação e acha importante que ela exista. Tem funcionado. Entendo que há diferenças gritantes entre um jornal global e um blog de um cara só, mas as necessidades desses dois extremos também são, na mesma medida, diferentes. Em outras palavras, acredito que o modelo seja adaptável a uma escala menor, como a do Manual. Algumas iniciativas que pessoalmente ajudo a financiar no Brasil, como o The Intercept e o Farol Jornalismo, também creem nessa possibilidade.

Agrada-me o modelo por ele afastar a troca direta do capitalismo mais puro — “eu te pago e você presta um serviço a mim”. Nele, o serviço se destina a todos em igual medida. Dinheiro deixa de ser um obstáculo àqueles que se interessam e/ou se beneficiam do meu trabalho. E, ao contrário de outros serviços “gratuitos”, tampouco cobro de maneiras indiretas, como com a coleta de dados para repassá-los a anunciantes ou quaisquer terceiros. É uma relação transparente.

No Manual do Usuário, financia quem quer e pode, porque em qualquer universo de leitores, mesmo no de uma publicação segmentada, nem todo mundo pode. Seria no mínimo hipócrita se eu reproduzisse em um negócio meu, em que detenho 100% do poder decisório, as mesmas dinâmicas excludentes e injustas que frequentemente critico.

Há uma incógnita no modelo: se a parcela dos que querem e podem pagar é grande o bastante para sustentar a operação. Se pegarmos a média de receita per capita dos atuais 72 assinantes confirmados, seriam necessários outros 279 assinantes para batermos a segunda meta da campanha — que, para mim, seria suficiente para tocar o negócio sem qualquer apreensão. É bastante gente, mas… quem sabe?

De qualquer forma, fiquei bem contente com esse início e mais confiante de que tal futuro é alcançável.

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