Caixa de som da Aquarius grudada na parede.

[Review] A sonzera que a Aquarius Acqua Rock in Rio consegue fazer


23/3/16 às 10h16

Vem do Rio de Janeiro e com a marca estampada do Rock in Rio, o grande evento musical que há décadas traz bandas de renome internacional à capital carioca (e a… ahn, Lisboa?), uma das caixinhas de som Bluetooth mais baratas e, provavelmente, mais vendidas do país. Frequentemente disponível no varejo por menos de R$ 40, a Aquarius Acqua Rock in Rio é boa?

Claro que não, mas acho que ninguém espera isso de um negócio tão barato, né? Os produtos imediatamente superiores custam, no mínimo, o dobro; os de marcas mais estabelecidas, como a X50 da Logitech, com sorte são encontrados por R$ 150. Tem que haver algum demérito num concorrente que custa tão menos.

Aliás, essa mesma caixinha é encontrada facilmente em lojas chinesas, daquelas que despacham para qualquer lugar do mundo sem cobrar frete, tendo como único diferencial o fato de não ter a marca “Rock in Rio” — o que, dependendo da sua relação com festivais pode vir a ser uma vantagem. Isso me leva a crer que o trabalho da Aquarius ou é o de montar um projeto comprado de chineses ou apenas o de importar, localizar e fazer o branding do Rock in Rio.

Versão genérica da Aquarius Rock in Rio à venda na DealExtreme.
Conheço você de algum lugar…

Independentemente do que for e das evidentes limitações do produto, é um trabalho decente. Além do manual, em português e bem didático (apesar do “primar o botão” perdido ali no meio), o preço em que ela consegue vender a caixa de som nacionalizada é digno de nota. Em muitos momentos, chega a ser mais baixo do que cobram nas lojas chinesas. No dia em que escrevo isto a original chinesa aparece por R$ 35 na DealExtreme. Nas lojas da B2W (Americanas, Submarino) ela costuma chegar a R$ 39, às vezes até R$ 29. Negócio da China!

A caixa de som Bluetooth Aquarius Acqua Rock in Rio (ou sem Rock in Rio, no caso do modelo laranja) não tem muitos destaques positivos. No que importa, a sonoridade, não dá para dizer que ela é boa. Tem 3W de potência e até consegue a preencher cômodos pequenos, mas as músicas soam bastante abafadas, falta detalhamento, os graves são pífios e a sensação é de que ela é pouca coisa melhor do que seria ouvir o som direto do alto-falante embutido do seu smartphone. (A depender do smartphone, suspeito até que a qualidade desse seja melhor.)

A conectividade é tranquila, como praticamente toda caixinha Bluetooth do tipo. Um toque bacana é que, ao ligá-la, uma voz feminina, falando um português brasileiro corretíssimo, dá instruções claras ao usuário sobre o que fazer. Só atente ao fato de que é preciso inserir uma senha (0000) durante o pareamento.

O design do produto é de todo simples. A saída de som fica embaixo, e não no topo, onde estão posicionados cinco botões — liga/desliga, play/pause, avançar faixa/aumentar o volume, voltar faixa/diminuir o volume e atender ligações — e o LED, que alterna entre as cores azul e vermelho para indicar nível de bateria e status da caixa. A base é, na realidade, uma ventosa. Isso é legal porque a Aquarius Acqua é à prova d’água (com um nome desses, surpreenderia se não fosse).

Saída de som na parte de baixo da Aquarius Rock in Rio.

Usei uma, modelo Rock in Rio na cor preta, por alguns dias. É meio deprimente o som, mas quebra o galho — e essa expressão, “quebrar o galho”, dá o tom do que a Aquarius Acqua se propõe ou consegue ser. Uma coisa legal é que ela é dura na queda. Não sei se por incompetência minha ou falha da ventosa, minha unidade caiu duas vezes no chão de uma altura de ~1,50 e, mesmo assim, continua funcionando.

A autonomia, pelo menos nos meus testes, bateu em cima com a promessa da Aquarius, ou seja, três horas de áudio. Na caixa vem um cabo USB curtíssimo que serve para recarregar a caixa em um computador.

Kamasi Washington pirando na Aquarius Rock in Rio.

Se você está disposto a gastar uns trocados para melhorar a qualidade da música que consome, economize um pouco mais e pegue uma caixinha melhor. Antigamente a minha indicação seria a MD-12, da Nokia, mas ela saiu de linha faz tempo, antes mesmo de parte da Nokia ser vendida para a Microsoft. Hoje, a Logitech X100 e sua irmã mais nova, a X50, são as imediatamente mais baratas e seguramente decentes para se ter. Custam mais, mas é uma diferença que se justifica.

A Aquarius Acqua Rock in Rio é parte de uma família. Além dessa caixinha, a Aquarius também comercializa fones de ouvido in-ear e headphones, os primeiros rotineiramente vendidos por menos de R$ 10. Não os testei, mas não é de se esperar muita coisa. Esses produtos podem ser ótimos presentes de amigo secreto ou, no caso da caixinha Bluetooth, algo para se largar no banheiro caso você curta banhar-se ao som da sua música favorita. Nada mais que isso.

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