Logo do Twitter em queda.

Apps da semana #6: Você pode usar qualquer app do Twitter desde que seja o oficial


18/8/18 às 15h43

Nota do editor: toda semana, o Manual do Usuário faz um registro dos novos apps lançados dignos de atenção, das grandes atualizações dos mais populares e eventuais promoções. É uma maneira direta e fácil de saber o que acontece com os apps que você usa todo dia ou pode querer instalar em seu smartphone.


Na última quinta-feira (16), o Twitter promoveu uma quebradeira generalizada em aplicativos alternativos. A empresa desativou uma API1 que possibilitava a esses apps oferecer vários recursos, entre eles o streaming da timeline, as notificações em tempo real e estatísticas de curtidas e retweets.

Entre os aplicativos afetados estão o Tweetbot (o que eu uso), Twitterrific, Echofon e TweetCaster.

De acordo com a consultoria Sensor Tower (via TechCrunch), os cinco clientes do Twitter de terceiros mais populares nas lojas oficiais do Android e iOS tiveram, nos últimos cinco anos, 6 milhões de downloads. Já o aplicativo oficial do Twitter, 560 milhões. Isso significa que o Twitter puxou o tapete de 1,1% dos seus usuários.

A justificativa oficial do Twitter é de que menos de 1% dos desenvolvedores que recorrem às APIs do serviço usavam essa que foi desativada, que eram “tecnologia legada” em “estágio beta há mais de nove anos” e que a empresa “enfrenta limitações técnicas e mercadológicas que não podem ser ignoradas”.

O que não entra na narrativa oficial é que essa situação é apenas o desfecho de um desmonte que vem ocorrendo desde 2012, pelo menos.

O Twitter nasceu como uma plataforma bastante aberta, com APIs generosas que fizeram florescer um ecossistema de aplicativos de terceiros bastante rico e diverso. E o Twitter se beneficiou muito dele. Da terminologia “tweet” ao gesto de puxar para atualizar a timeline, passando até pelo logo do passarinho, os apps de terceiros criaram muitos elementos que depois foram incorporados ao aplicativo oficial. Os próprios aplicativos oficiais do Twitter para iPhone e macOS nasceram da compra de um terceiro, o Tweetie, em 2010.

Não por acaso, o estrangulamento dos desenvolvedores da plataforma do Twitter começou às vésperas da abertura de capital da empresa na Nasdaq. O modelo de negócio adotado, de publicidade, depende da centralização e controle total da experiência para servir anúncios. O reflexo disso, além da dificuldade e agora inviabilização de apps que concorrem com o oficial, se vê no próprio app do Twitter, degradado com o passar dos anos.

O inovador design do primeiro app do Twitter para iPad foi trocado pela versão esticada do iPhone. O Twitter na web passou de um site leve e rápido para um trambolho lento, cheio de ruído. Todos os apps oficiais agora apresentam uma timeline semi-algorítmica e abusam de recursos para inflar engajamento, como trending topics que não refletem mais o que está sendo discutido por pessoas reais, contadores de retweets, favoritos e o que mais for necessário e notificações forçadas, do que fulano que segue fulano curtiu ontem.

Os apps de terceiros são, ou eram um respiro em meio ao caos que os oficiais viraram àqueles mais sensíveis ao modo mais “comercial” de se fazer apps. Não mais. O Tweetbot, por exemplo, foi mutilado na atualização de quarta-feira, que antecipou o encerramento das APIs legadas. Perdeu muito das suas funcionalidades, parou de se atualizar em tempo real. Tornou-se um app pior.

O argumento de que uma fatia ínfima dos mais de 300 milhões de usuários do Twitter acessam a rede por apps de terceiros vale para os dois lados, do Twitter e dos usuários insatisfeitos. Manter APIs legadas gera custos e trabalho de manutenção. Por outro lado, perder os pares de olhos de 1% dos usuários não afeta significativamente a receita da empresa. Além disso, estamos falando de usuários que, de qualquer forma, são avessos à publicidade e aos truques de engajamento da indústria, gente que prefere pagar para ter uma experiência melhor e/ou com mais recursos. Porque esses apps de terceiros são, na maioria dos casos, pagos — o Tweetbot custa R$ 16,90. Negligenciar uma parte tão assídua assim é um erro grosseiro.

Novos apps

QuickLook
Uma das coisas mais legais do macOS que o Windows não tem é a Visualização Rápida: com um arquivo ou pasta selecionado no Finder, basta um toque na barra de espaço para que uma visualização rápida dele apareça. Este app para Windows traz a mesma funcionalidade para o lado Microsoft dos sistemas desktop. // Windows 10, gratuito.

Picsew
O iOS 11 trouxe um novo sistema para tirar prints no iPhone que melhorou demais a experiência. Desde então, é possível tirar o print, editá-lo (desenhar por cima) e compartilhá-lo sem precisar salvar a imagem. Mas falta algo: “colar” diversos prints em uma imagem só, coisa que algumas personalizações de Android já trazem. O Picsew permite isso, de modo automático. // iOS, R$ 0,90.

Bettergram
O Telegram é o app de mensagens favorito de quem tem criptomoedas. O Bettergram é uma variante que destaca algumas características úteis a esse público. Isso não impede, porém, que outras pessoas o usem. Fora o painel com a cotação das criptomoedas em tempo real, as demais inovações do Bettergram devem agradar a outros usuários do Telegram, como separação em abas de conversas privadas, grupos e anúncios; aba de conversas favoritas; e painel afixado de emojis. // macOS e Windows, gratuito.

Apps atualizados

Polymail
O cliente de e-mail Polymail ganhou uma grande atualização que foca no trabalho em equipe. Agora, equipes que usam o app para e-mail podem debater mensagens dentro do app ou levar essas conversas para o Slack. A mudança é tão grande que redesenhou os planos pagos. // iOS e macOS, a partir de US$ 10/mês.

Android Mensagens
O app oficial do Google para mensagens SMS (e RCS, quando isso chegar às operadoras brasileiras) ganhou um modo noturno, que inverte as cores, deixando o fundo preto — ou quase preto. Para ativá-lo, toque no ícone dos três pontinhos no canto superior direito e, no menu que aparece, em “Ativar modo noturno”. // Android, gratuito.

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