Migalhas do iOS 18.1 e gravação de ligações nativa no iPhone

A Apple atualizou seus sistemas operacionais nesta segunda (28). O iOS 18.1 e macOS 15.1 focam na Apple Intelligence, os recursos de IA que, por ora, estão disponíveis apenas em dispositivos definidos no idioma inglês estadunidense. / apple.com

As novas versões são tão insignificantes que o comunicado à imprensa sequer foi publicado na sala de imprensa brasileira da Apple.

Há alguns detalhes (migalhas?) no iOS 18.1 para quem fala outros idiomas:

  • O seletor de emojis agora mostra emojis maiores;
  • Na tela de bloqueio, notificações agrupadas de um mesmo app passam a exibir um contador do total de não lidas;
  • A Central de Controle ganhou novos controles, incluindo botões individuais de conectividade.

Deve ter uma ou outra coisa perdida ali que não encontrei. Detalhes.

Não sei se isso é do iOS 18.1 ou se já tinha no iOS 18: agora é possível gravar ligações no iPhone. (Print, outro print.)

Colegas jornalistas, regozijai-vos!

Durante uma chamada, basta tocar em um novo botão no canto superior esquerdo da tela. Uma mensagem de voz anuncia ao interlocutor o início da gravação e o áudio é salvo no aplicativo Notas.

Nos iPhones em inglês estadunidense, a Apple Intelligence transcreve o áudio. Só de ter a gravação, porém, já um adianto — e existem ótimas ferramentas externas para transcrevê-lo.

Omnivore é vendido à startup de IA ElevenLabs

O Omnivore, popular aplicativo gratuito de leitura, foi adquirido pela ElevenLabs, uma startup de inteligência artificial focada em áudio.

Em um novo e-mail, Jackson avisou que o app do Omnivore será encerrado no dia 15 de novembro e, após esse dia, todos os dados dos usuários serão excluídos. / blog.omnivore.app (em inglês)

O anúncio ainda não foi oficializado. Jackson Harper, criador do Omnivore, adiantou a notícia aos usuários do Omnivore via newsletter. (Print do e-mail.)

Na mensagem, Jackson diz que o foco agora está em expandir o ElevenReader, um app que lê em voz alta, com vozes sintéticas de IA “ultra-realistas”, mas garante que “o código do Omnivore continuará 100% aberto para todos os desenvolvedores”, e que a ElevenLabs garante que a comunidade poderá continuar criando em cima da fundação do Omnivore.

Isso significa que Jackson se afastará do projeto e que o Omnivore agora está à deriva?

Meta AI no WhatsApp: Privacidade e desativação da inteligência artificial

Para muita gente, a Meta AI que pipocou no WhatsApp é a primeira interação com IA generativa. O encontro tem causado algumas frustrações e gerado ansiedade.

Sem rodeios: não é possível desativar a Meta AI.

Poderia ser, mas não é do interesse da Meta, que quer, com esse movimento, tomar a dianteira na corrida da IA generativa. Acostume-se com aquela rodinha colorida na busca.

Há relatos de que dá para remover a bolinha que aparece no topo da tela, ao lado dos botões de câmera e iniciar conversa. A opção Mostrar botão Meta AI estaria na área Conversas, nas configurações do WhatsApp. Aqui, porém, não a encontrei. / idec.org.br

Neste site, é possível impedir o uso de interações com a Meta AI para treinar as IAs da Meta.

Note que conversas pessoais e em grupos são criptografadas de ponta a ponta e não são usadas para esse fim. A solicitação acima diz respeito apenas a conversas com a Meta AI e a mensagens em que a IA é invocada em um grupo. / faq.whatsapp.com

Curioso que esse comportamento acabou sendo uma frustração para alguns, como o Gustavo. Não dá para agradar a todos. / manualdousuario.net/orbita

Blog de viagens com câmera de E Ink colorida

Kaloyan Kolev está rodando o mundo para testar uma câmera com tela E Ink colorida que ele desenvolveu, documentando a jornada — com fotos da câmera — em um blog. / eink.cam (em inglês)

Apps novos e atualizados

CleanMyMac: Grande atualização do CleanMyMac (que perdeu o “X” do nome), com nova interface e ferramentas simplificadas para fazer a manutenção do macOS. / macOS / macpaw.com (em inglês)

Fresco: Para celebrar o quinto aniversário do seu aplicativo de pintura digital, an Adobe liberou o Fresco de graça. (Antes, exigia assinatura.) / iOS / blog.adobe.com (em inglês)

Inoreader: Aplicativo para ler feeds RSS e outros conteúdos, o Inoreader ganhou um novo visual e perdeu os anúncios no plano gratuito. / Android, iOS, Web / inoreader.com (em inglês)

Long Ago: Eu adoro apps que ajudam a monitorar a frequência de atividades e/ou há quanto tempo algo aconteceu. O Long Ago é novo na área. / iOS / longago.app

Notion Mail: Depois de se aventurar em calendários, agora o Notion mira o e-mail com pitadas generosas de inteligência artificial. Só funcionará com Gmail quando sair — por ora, dá para deixar o e-mail na lista de espera. / notion.so

Vivaldi 7: Dos criadores do navegador Opera, o Vivaldi chega à sétima versão com a interface redesenhada e um novo painel central personalizável. / Linux, macOS, Windows / vivaldi.com (em inglês)

Números enormes

Saiu a nova edição da pesquisa TIC Kids Online Brasil. Ela mostra que embora 93% da população brasileira com idades entre 9 e 17 anos esteja conectada à internet, apenas 3 em cada 10 crianças são supervisionadas pelos pais ou responsáveis com recursos de restrição de conteúdo. / convergenciadigital.com.br

A SaferNet encaminhou um relatório ao Ministério Público Federal, Polícia Federal e autoridades francesas em que denuncia que +1,25 milhão de usuários do Telegram no Brasil estão em grupos que vendem e compartilham imagens de abusos sexuais e nudez não consensual. / convergenciadigital.com.br

Essa caberia no post de apps atualizados, mas preferi colocar aqui: após um hiato de 19 anos, o aplicativo WinDirStat ganhou uma atualização. (E das grandes, cheio de novidades.) / blog.windirstat.net (em inglês)

Bluesky levanta US$ 15 milhões em rodada liderada pela Blockchain Capital

O Bluesky tem sido a plataforma mais beneficiada com o expurgo da cracolândia digital (o X, antigo Twitter) promovido pelo próprio dono, Elon Musk. Nesta quinta (24), a startup chegou à marca de 13 milhões de usuários. / bsky.social (em inglês)

A equipe aproveitou a oportunidade para anunciar uma rodada de investimento série A, de US$ 15 milhões, liderada pela Blockchain Capital.

Prevendo reações negativas do público, o texto esclarece que:

Isso [a entrada da Blockchain Capital] não muda o fato de que o aplicativo Bluesky e o Protocolo AT não usam blockchains ou criptomoedas, e que não vamos “hiperfinanciarizar” a experiência social (por meio de tokens, trading de cripto, NFTs, etc).

No mesmo parágrafo é anunciada a entrada de Kinjal Shah, sócio da Blockchain Capital, no conselho administrativo do Bluesky.

Do outro lado do balcão, no site da Blockchain Capital, a conversa é um pouco diferente. / blockchaincapital.com (em inglês)

O texto, assinado por Kinjal, já começa informando que “investimos em blockchain desde 2012”. Embora ele não diga que pretende enfiar a tecnologia no Bluesky, há alguns trechos capazes de levantar sobrancelhas no céu azul:

O Bluesky é o principal aplicativo construído em cima do protocolo AT, que qualquer desenvolvedor pode acessar. É interoperável com protocolos de internet existentes e sistemas baseados em blockchain, abrindo as portas para uma experiência social mais conectada e menos isolada. […] E a melhor parte de tudo isso? Ao construir em cima do protocolo AT, esses desenvolvedores têm acesso aos 13 milhões de usuários da Bluesky em todo o mundo.

Há uma tensão evidente entre os comunicados à imprensa do Bluesky e da Blockchain Capital. Lamento dizer aos refugiados do Twitter que escolheram o Bluesky para abrigarem-se, mas isso não tem como dar certo. (E, talvez, apenas talvez, Jack Dorsey tenha razão em seu desencanto com o Bluesky…?)

Em outro canto da internet, Eugen Rochko, fundador do Mastodon:

O Mastodon é financiado por pessoas em vez de capital de risco [VC], não porque desconhecemos a existência do capital de risco, não porque não temos contas para pagar e não porque o capital de risco não esteja disposto a dar dinheiro a novas plataformas sociais. Os VCs não querem um negócio sustentável, eles querem uma grande saída. Toda empresa com financiada por VCs entra em uma contagem regressiva para entregar resultados ou morrer. / @Gargron@mastodon.social (em inglês)

Promoções e descontos

Livro A máquina do caos, de Max Fisher por R$ 67, Amazon / +Mu Bebida Proteica (12 unidades) por R$ 76, Amazon / Kit 3 camisetas básicas Hering por R$ 79, Mercado Livre / Fire TV Stick 4K por R$ 323, Amazon / SSD Kingston Fury Renegade (1 TB) por R$ 599, Magalu / Placa de Vídeo GeForce RTX 3060 (12 GB GDDR6) por R$ 1.639, Magalu / Smart TV Samsung 43″ por R$ 1.839, Mercado Livre / Notebook Acer Aspire 5 por R$ 2.944, Mercado Livre / Celular Galaxy S23 Ultra (256 GB) por R$ 4.383, Mercado Livre / Notebook Samsung Galaxy Book4 360 por R$ 4.599, Amazon

PabloNet: “espelho” que estiliza o reflexo em tempo real com IA

Há um debate ferrenho em curso a respeito da validade da IA no campo da arte. Matthieu Le Cauchois acredita que a IA pode, sim, criar arte, e criou um bom exemplo: um “espelho” (na verdade, é uma câmera ligada à tela com moldura de quadro) que estiliza em tempo real a pessoa “refletida” usando o StreamDiffusion. O resultado ficou bem legal! Tem alguns vídeos no blog dele. / matthieulc.com (em inglês)

O descaso da Meta com a moderação de conteúdo é visível na Meta AI, inteligência artificial generativa que apareceu no WhatsApp e outras plataformas da empresa. / about.fb.com

A Folha de S.Paulo notou que ao ser questionada sobre o segundo turno da eleição para prefeito em São Paulo, a Meta AI fornece informações erradas e até sem sentido, como atribuir a liderança nas pesquisas a um candidato que não está na disputa. / folha.uol.com.br

Repliquei o experimento com os candidatos de Curitiba. A Meta AI começa a responder, mas no meio da “digitação” o texto some e é substituído por uma mensagem padrão, que direciona o usuário ao site do TSE. Veja o vídeo.

E pensar que a mesma Meta que libera uma IA que pode dar “respostas imprecisas ou inapropriadas” (palavras da empresa) a uma semana do segundo turno em várias capitais, em 2022 adiou em meses o lançamento das comunidades no Brasil para não zoar as eleições.

Meu primeiro contato com a Meta AI foi em um grupo de amigos no WhatsApp, que perguntaram o que ela sabia do “Rodrigo Ghedin”. Para a IA, sou “conhecido por sua participação em programas de debate e análise política” e tenho “uma longa trajetória profissional, tendo atuado em jornais, revistas e emissoras de televisão”. Nem eu sabia dessas coisas!

Descobri alguns sites que testam seus bloqueadores de anúncios

Descobri (tarde, eu sei) alguns sites que testam seus bloqueadores de anúncios. Além de certificarem que suas barreiras contra a publicidade invasiva estão de pé, eles permitem encontrar eventuais brechas e tapá-las. / d3ward.github.io, adblock-tester.com, test.adminforge.de

Mudança na forma de salvar contatos no WhatsApp tem duas consequências concorrenciais

O WhatsApp agora permite salvar contatos no próprio WhatsApp, ou seja, independente da agenda de contatos do celular. / blog.whatsapp.com

Além disso, a empresa prometeu para “em breve” a possibilidade de adicionar e gerenciar contatos pelo WhatsApp Web e app do Windows, e suporte a nomes de usuários a fim de dispensar o número de telefone ao adicionar alguém. (O Signal tem isso desde fevereiro de 2024.)

Segundo a Meta, os contatos salvos em seus servidores usando um novo sistema de armazenamento criptografado, chamado Identity Proof Linked Storage (IPLS). / engineering.fb.com

Há dois desdobramentos concorrenciais que, por óbvio, a Meta não comenta no comunicado à imprensa.

Primeiro, ao restringir os contatos ao WhatsApp, o “povoamento” de outros apps de mensagens que competem com ele se torna mais difícil. A agenda de contatos do celular é compartilhada por todos os apps, a critério apenas do usuário; os contatos salvos no WhatsApp nesse novo modelo, por outro lado, ficam limitados ao WhatsApp.

O segundo diz respeito a uma novidade em privacidade que a Apple implementou no iOS 18:

A permissão do app Contatos foi aprimorada e permite que você escolha quais contatos compartilhar com um app. / support.apple.com

Até o iOS 17, um aplicativo como o WhatsApp tinha acesso a todos os contatos ou a nenhum. No iOS 18, existe a possibilidade do acesso seletivo — como já existia com a permissão das fotos, por exemplo.

Curioso para ver se essa mudança no WhatsApp disparará algum alerta em órgãos antitruste.

App oficial do Syncthing para Android será descontinuado

O Syncthing, um software livre usado para sincronizar arquivos entre dispositivos, perderá o app oficial para Android em dezembro. O anúncio foi feito por Simon Frei, mantenedor do projeto, no domingo (20). / forum.syncthing.net

Simon atribui o fim do app à falta de manutenção ativa e “o Google tornando a publicação na Play Store algo entre difícil e impossível”. Ele alega que não há mais benefícios ou motivação o suficiente para continuar.

O IT’s FOSS lembra, por exemplo, que em fevereiro o Syncthing foi derrubado da Play Store. / github.com/syncthing, news.itsfoss.com (ambos em inglês)

Em outra postagem no mesmo tópico, Simon esclareceu que o app, que ainda receberá uma última atualização em dezembro, continuará disponível, só que sem atualizações. Mas…

[…] e qualquer outra pessoa pode continuar publicando um app do tipo lá [na Play Store]. Parece que vai ficar mais difícil, à medida que o Android se inclina cada vez mais para uma direção similar à do iOS, mas mesmo lá apareceu um novo app do Syncthing, de código aberto.

O Syncthing nunca teve um app oficial para iOS. Por muito tempo, a única solução para sincronizar o celular da Apple foi o app Möbius Sync. Simon provavelmente se refere ao Sushitrain.

No Android, o Syncthing-Fork, talvez o “fork” mais popular do Syncthing, continuará na ativa, mas sem a pretensão de tornar-se um app de ponta a julgar por uma mensagem do mantenedor, Catfriend1 (não encontrei o nome verdadeiro dele):

O Syncthing-Fork é um projeto pessoal, criado a fim de manter o aplicativo para Android vivo para meus amigos e familiares. Desde o início compartilho esse trabalho e o farei quando mexer no código para atualizações. A prioridade é manter a compatibilidade com os celulares Android que “nós” usamos aqui, o que no momento compreende do Android 10 ao 14. O desenvolvimento de recursos não está nos meus planos. Eu uso o aplicativo e dependo da disponibilidade do Syncthing na plataforma Android para meus próprios fluxos de trabalho.

Você é bem-vindo a usar os lançamentos na F-Droid ou no meu GitHub caso queira fazer um fork. / github.com/Catfriend1

OK Video: “A câmera de vídeo mais simples que existe” para iOS

Ícone do OK Video: a palavra “OK” e um semi-círculo embaixo, formando um rosto, contra fundo vermelho e laranja em degradê.

É perceptível, na linha iPhone Pro, o foco da Apple em transformar o celular em alternativa a câmeras profissionais. Isso tem apelo com parte dos consumidores, mas suspeito que aliena outra muito maior — gente como eu e você, que só quer fazer fotos da família e amigos e vídeos bobos.

Descobri, não lembro onde nem como, um aplicativo para iOS chamado OK Video (na App Store). Ele se apresenta como “a câmera de vídeo mais simples que existe”, o que se confirma na prática.

O OK Video serve para criar vídeos curtos feitos na vertical (em modo retrato), propícios para serem vistos no próprio celular e em plataformas como TikTok e nos Reels da Meta.

O que o diferencia da câmera padrão e de outros apps é a simplicidade. A gravação dos trechos é feita segurando o dedo em qualquer parte da tela. Há poucos controles na tela, apenas os essenciais, expostos de modo óbvio, fácil de entender.

(O “onboarding” — aquela explicação comum no primeiro uso de um app — é exemplar, ainda que apenas em inglês. Caixas de texto, como se fosse alguém mandando mensagens, apresentam as funcionalidades aos poucos e te incentivam a usá-las.)

Por baixo da simplicidade, não muito escondido, está um editor mais completo, que permite recortar e reordenar os clipes gravados.

O editor é uma compra dentro do app de R$ 9,90. É um dos três módulos pagos, cada um pelo mesmo preço unitário. Os outros dois são a remoção da marca d’água nos vídeos salvos/exportados e a expansão do número de projetos simultâneos para seis. (Sem esse módulo, o limite é de dois.)

Gosto desse modelo de negócio: sem assinaturas, com precificação pé no chão e modular. E deixa espaço (e incentivos ao desenvolvedor, Pim Coumans) para atualizações relevantes no futuro.

O OK Video é… simples. Para alguns, acostumados ao CapCut ou mesmo à câmera do Instagram, pode ser simples demais — não tem efeitos visuais, “máscaras” de realidade aumentada, nada disso. Para outros, porém, essa simplicidade pode ser o maior atrativo.

Caixa de som JBL Go 3 por R$ 179 (no Pix), FastShop / Monitor LG 27MP400-B (27 polegadas, Full HD) por R$ 649, Magalu / Fraldas Pampers Supersec (diversos tamanhos) por R$ 53, Carrefour / Teclado Baseus Creator Series por R$ 156 (cupom BRKEY18), AliExpress / Smartband Samsung Galaxy Fit3 por R$ 235, Magalu via AliExpress / Frigideira de cerâmica Hyllis/Home Goods (28 cm) por R$ 69, Magalu / Air fryer WAP (4l) por R$ 279, Amazon / Carregador de parede da Apple (20W) por R$ 129, Amazon