Marreta, novo quebrador de paywalls do PC do Manual, está no ar

O PC do Manual, nosso servidor de aplicações de código aberto, ganhou um novo serviço: o quebrador de paywalls Marreta.

O Marreta substitui o antigo Parede, que era baseado em um projeto pronto, o Ladder. (O novo nome faz mais sentido, né?) Desenvolvido pelo Renan Altendorf, traz mais recursos, é mais informativo e está em desenvolvimento ativo e acelerado.

“Embora o Ladder seja uma alternativa open source interessante, senti a necessidade de explorar soluções em uma linguagem de programação que que tivesse mais confortável”, diz Renan. “Além disso, estava em uma fase de aprendizado com projetos como o Lerama e o Sintoniza, que me inspiraram a criar novas abordagens para resolver desafios similares.”

O Marreta é uma aplicação em PHP. Segundo seu criador, ela “faz uma requisição nos sites simulando alguns bots, com headers específicos, DNS, user agents — o mais próximo de um usuário comum — e, em seguida, guarda todo o código HTML original dessa pagina de forma compactada”. Algumas dessas palavras não estão na Bíblia, mas funciona!

Ele continua: “Ao acessar a página, existe um sistema de regras globais e específicas por domínios que remove elementos, scripts, classes, IDs e até mesmo escreve novos códigos personalizados.”

O mais importante é que funciona lindamente.

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Decisão do Cade equipara App Store brasileira à da União Europeia

O Cade, em decisão preliminar de um processo movido pelo Mercado Livre contra a Apple, em 2022, determinou uma série de medidas que quebram os monopólios da distribuição e das compras dentro de apps da Apple no iOS e iPadOS. / gov.br

A notícia veiculada primeiro pela agência Reuters cita apenas que a Apple está obrigada a, em até 20 dias, permitir a compra de serviços ou produtos fora de apps (ou seja, publicizar links para seus próprios sites) e a permitir o uso de opções alternativas de pagamentos dentro de apps. / reuters.com

A pena pelo não cumprimento das determinações é de multa de R$ 250 mil por dia.

A notificação do Cade lista uma medida mais profundas: a distribuição de apps por lojas alternativas e via download direto (“sideloading”) (cláusula 5, I, d), equiparando o cenário brasileiro ao europeu. / sei.cade.gov.br

O TechCrunch lembra que decisões similares já foram ou serão impostas na Europa, Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos. Em cada um desses casos, a Apple instituiu regras específicas restritas às jurisdições. / techcrunch.com (em inglês)

Quantos países mais precisarão obrigar a Apple a ajustar as regras da App Store para que a empresa as mude no mundo inteiro?

Dados de “Pokémon Go” são usados para treinar IA de geolocalização

por Manual do Usuário

Se existe uma certeza na tecnologia em 2024, é que todo dado será extraído e usado para treinar inteligências artificiais. Nem o simpático Pokémon Go escapa a essa regra. / gamerant.com

A Niantic, dona do jogo, criou um “grande modelo geoespacial (LGM, na sigla em inglês, em alusão aos LLMs) com base em imagens vindas do seu “Sistema de Posicionamento Visual (VPS).

Um recurso chamado “Pokémon Playground”, que cria espaços no mundo real compartilhados pelos jogadores de Pokémon Go para deixarem bichinhos a fim de serem fotografados, serviu de isca para induzir as pessoas a alimentarem o VPS. / nianticlabs.com (em inglês)

A Niantic se defendeu dizendo que a varredura dos locais era completamente opcional e que apenas andar por aí com o jogo aberto não ajuda a treinar um modelo de IA. Ufa!

Segundo a empresa,

O LGM permitirá que os computadores não apenas percebam e entendam espaços físicos, mas também interajam com eles de novas maneiras, formando um componente crítico de óculos de realidade aumentada e áreas que vão além, incluindo robótica, criação de conteúdo e sistemas autônomos. / nianticlabs.com

Num dia você baixa um joguinho inocente de Pokémon, no outro descobre que pode ter ajudado a treinar futuros drones autônomos assassinos. Tomara que isso conte alguns pontos com a Skynet no juízo final.

snac, servidor simples e minimalista de ActivityPub

O snac é um sistema compatível com o ActivityPub, mas com uma pegada diferente da do Mastodon — “simples e minimalista”, e escrito na linguagem C. Ainda assim, é compatível com a API do Mastodon, o que permite o uso de aplicativos de terceiros, e tem quase todos os recursos esperados numa rede social. / codeberg.org (em inglês)

Veja a interface web no perfil do Grunfink, criador do snac. / @grunfink@comam.es (em inglês)

Algo que você aprende quando tenta explicar o fediverso às pessoas comparando-o ao e-mail é que ninguém entende como o e-mail funciona também.

— Hannah Isopod / @root@isopod.zone (em inglês)

Apps novos e atualizados

Blender 4.3: O vídeo das novidades desta versão tem quase meia hora. A página é longa e traz os destaques bem ilustrados. / Linux, macOS, Windows / blender.org (em inglês)

digiKam 8.5: O editor de imagens do KDE ganha suporte nativo aos chips da Apple, melhorias significativas no reconhecimento facial e as esperadas correções de falhas. / Linux, macOS, Windows / digikam.org (em inglês)

FreeCAD 1.0: Demorou mais de 20 anos, mas a primeira versão estável do FreeCAD, um modelador CAD em 3D. / Linux, macOS, Windows / blog.freecad.org (em inglês)

Pinning: Este aplicativo exibe eventos da agenda e tarefas do aplicativo Lembretes em uma visualização de linha do tempo. Nessa, acaba servindo também de “contagem regressiva”. / iOS, visionOS, watchOS / apps.apple.com

Vellum: Um aplicativo simples e gratuito que ajuda a recriar fotos sobrepondo uma já tirada ao viewfinder da câmera. / iOS / apps.apple.com

WhatsApp: O app mais usado do Brasil ganhou um recurso que muitos aguardavam: transcrição de mensagens de áudio. Ela é feita no próprio dispositivo, sem envio dos áudios à nuvem da Meta. / Android, iOS / blog.whatsapp.com

No jogo “PacCam”, você mexe a boca para mover sua…

No jogo PacCam, você mexe a boca para mover sua bolinha e mexe a cabeça para movimentá-la. Parece divertido, mas deve dar dor de cabeça se jogar muito. (Tem vídeo.) / eieio.games (em inglês)

Nos EUA, a editora HarperCollins está oferecendo US$ 2,5 mil a alguns autores em troca do licenciamento de suas obras para treinar IAs generativas por três anos. Os autores não estão contentes com a proposta. / pivot-to-ai.com (em inglês)

Lukas Schneider criou um site magnífico para apresentar suas duas fontes inspiradas…

Lukas Schneider criou um site magnífico para apresentar suas duas fontes inspiradas na tipografia de aeroportos. / airport.revolvertype.com (em inglês)

Post colaborativo de ofertas da Black Friday 2024

Última atualização: sexta (29/11), às 7h14.

Há anos a Black Friday virou “Black November”. Aqui no Manual somos mais comedidos, por isso adotamos a semana Black Friday. (Sim, não faz sentido; sim, quem se importa?)

Este post será atualizado até a “Cyber Monday” (2/12) com ofertas que eu encontrar e que forem mencionadas nos comentários. Atualizações serão sinalizadas e os links, quando possível terão código de afiliado do Manual — o preço não muda e você dá uma moral ao projeto.

E lembre-se: a melhor economia é não gastar!

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Não foram uma nem duas vezes que ouvi/li alguém se referindo a uma newsletter como “um Substack”. Em seu blog, Anil Dash pede para que não façamos isso:

O e-mail existe há anos, mas a razão pela qual o Substack quer que você chame seu trabalho criativo pelo nome da marca é porque eles controlam seu público e distribuição, e também querem possuir seu conteúdo e sua voz. / anildash.com (em inglês)

Além do “branding” em cima das newsletters, tenho a impressão de que a centralização que o Substack — com o processo de inscrição que se resume a um clique e o gerenciamento de todas elas na mesma tela — fomenta uma sensação de que sistemas alternativos são arcaicos, estranhos ou até perigosos.

“Por que este site quer que eu coloque meu e-mail aqui?”

A cartilha do Substack é a mesma do Spotify com os podcasts, do Medium e do Twitter para os blogs. Não à toa defini o Substack como “a maior ameaça às newsletters que já existiu” em abril de 2023.

Pode parecer que sim, mas eu não gosto de ser profeta do apocalipse, menos ainda de intimidar quem usa o Substack para disparar newsletters por qualquer motivo que seja. É gratuito e funciona! É, também, um campo minado, e se pudesse pedir alguma coisa, pediria cuidado para não cair na armadilha e se prender dentro de uma plataforma que, ao que tudo indica, cedo ou tarde se fechará para a “portabilidade” que é característica das newsletters.

IMG_0001

Câmeras digitais, incluindo as de celulares, nomeiam os arquivos das imagens seguindo um padrão simples, do tipo IMG_XXXX, onde XXXX é um número sequencial.

Entre 2009 e 2012, o iOS tinha um sistema nativo de envio de vídeos ao YouTube. Isso resultou em uma infinidade de vídeos sem edição de momentos mundanos salvos no serviço do Google. (É provável que muita gente nem tenha se dado conta dos envios.) / ben-mini.github.io (em inglês)

Inspirado no post acima, Riley Walz criou um robô que encontrou +5 milhões de vídeos do tipo e um site simples que permite vê-los aleatoriamente. Clique/toque no controle remoto para começar a sessão. / walzr.com

A ideia não é nova, mas sempre interessante de se revisitar. O projeto ao lado é de 2012 e ainda funciona. / astronaut.io (sem https mesmo)

O padrão do nome dos arquivos muda de câmera para câmera. No link ao lado tem uma lista de algumas marcas mais populares — no caso das fotos, o Flickr é um bom lugar para buscá-las por esses nomes de arquivos. / news.ycombinator.com

O resultado das eleições estadunidenses criou um pequeno êxodo do X. O maior beneficiado tem sido o Bluesky, que bateu 20 milhões de usuários cadastrados na terça (19). / @samuel.bsky.team/Bluesky

O crescimento do fediverso sofre com as dores inerentes à descentralização. Ainda assim, serviços como o Mastodon também se beneficiaram da radicalização do dono do X. Segundo Eugen Rochko, criador do Mastodon, os downloads do app oficial aumentaram 47% no iOS e 17% no Android, as inscrições subiram 27% em comparação ao mês anterior (embora isso signifique ~90 mil novas contas) e o total de usuários ativos (MAU) nos vários servidores de Mastodon bateu 894 mil. / @Gargron@mastodon.social (em inglês)

Não parece pouco. É pouco. E… tudo bem? Nas palavras de Eugen:

O Mastodon (e o fediverso) provou ser uma plataforma de comunicação eficaz e confiável ao longo dos últimos 8 anos, e sem depender do capital de risco para sobreviver. O #fediverso é o futuro.

Sintoniza, o novo serviço do PC do Manual para sincronizar inscrições em podcasts

Se o seu aplicativo de podcasts não sincroniza as inscrições com outros dispositivos, o Sintoniza, novo serviço do PC do Manual, é para você.

O problema que o Sintoniza resolve pode parecer estranho a quem usa os apps mais populares — Apple Podcasts, Spotify, Pocket Casts —, que têm um sistema de sincronia embutido.

Não são todos, porém. AntennaPod e Kasts, por exemplo, carecem da sincronia, o que significa que as suas inscrições ficam restritas a um dispositivo e não podem ser restauradas da nuvem quando são reinstalados ou a pessoa troca de celular.

Desenvolvido pelo Renan Altendorf, o Sintoniza supre tal lacuna desses apps alternativos. A animação na página inicial mostra como configurá-lo usando o AntennaPod de exemplo.

O Sintoniza é aberto a todos, independentemente de assinatura no Manual. Inscreva-se aqui.

O código-fonte está em nossa página no GitHub.

Para os curiosos, Renan criou uma página pública de estatísticas agregadas, com o total de pessoas usando o serviço, de dispositivos sincronizados e uma lista dos podcasts mais populares. O líder não chega a ser surpresa :)

Inteligência artificial generativa chegou no limite

O rápido avanço da inteligência artificial generativa nos últimos dois anos convenceu investidores de que o crescimento da tecnologia seria exponencial. / pt.wikipedia.org

Nada garante isso. Pelo contrário: Bloomberg e Reuters reportaram que, dentro das empresas mais quentes do setor (OpenAI, Google, Anthropic), novos modelos maiores e mais caros de treinar apresentaram melhorias tímidas em relação aos que já estão no mercado — em alguns casos, pioraram. / ndtv.com, reuters.com (ambos em inglês)

Em vez de crescimento exponencial (o “taco de hóquei”), a IA generativa parece ter chegado a um platô e vislumbra uma nova era de crescimento logarítmico — ou, em termos corporativos, já chegou no topo da “curva em S”. / pt.wikipedia.org

(Fiquei um bom tempo pesquisando essas metáforas e termos da biologia e da matemática. Se escrevi alguma bobagem, corrija-me, por favor.)

Dario Amodei, fundador e CEO da Anthropic, disse em um podcast que a IA generativa seguirá crescendo linearmente, o que é uma espécie de meio termo entre o exponencial e o logarítmico. / lexfridman.com

Por óbvio, Dario disse também que a “inteligência artificial geral” (AGI, na sigla em inglês), que excederia a capacidade cognitiva humana, chegará em 2026 ou 2027, baseado “na taxa em que essas habilidades estão crescendo”.

A AGI é a utopia que empresas vendem ao mercado para seguir captando a quantidade absurda de dinheiro necessária para rodar modelos de IA generativa. Se realizada, seria uma espécie de deus capaz de nos levar a uma escala de trabalho 0×7 ou de subjugar a humanidade — ninguém arrisca dizer qual dos dois destinos nos aguarda.

(Na realidade, porém, tudo o que temos até o momento são geradores de lero-lero, resumos errados e imagens cafonas, ou seja, nenhum indicativo de que estejamos perto do surgimento de uma AGI.)

Por isso não é estranho que Sam Altman, da OpenAI, esteja se manifestando como se fosse um profeta. A OpenAI não comentou a reportagem da Bloomberg, mas Sam o fez em seu perfil no X, dizendo apenas que “não existe barreira”. Como em toda religião, é preciso ter fé. / x.com/sama (em inglês)